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As curas do futuro?

Apesar de andar às voltas com o "Improvável", ainda vou tendo a sorte de descobrir algumas coisas dignas de nota pelo caminho. Aqui fica uma das conferências da TED, em que o investigador Kary Mullis mostra um novo caminho para um velho problema:

Ligou, Ganhou, desligou.


Chegou ao fim o "Ligou, Ganhou", programa call tv que estive a apresentar na SIC nestes últimos tempos.
E o balanço é curioso.
Confesso que, quando me convidaram, a minha primeira reacção foi de repulsa. O formato é das coisas que mais abomino em televisão, com passatempos de dificuldade nula e uma hora inteira a promover um número de valor acrescentado.
Mas confesso também que me surpreendi. Primeiro, porque aprendi mais coisas novas sobre televisão e segunda, porque me diverti a valer. E grande parte dessa diversão foi graças a esta grande equipa (falta na foto muita gente), que todos os dias madrugava para pôr a máquina a mexer:

Já acabou, como tudo na vida, e foi uma grande experiência.
E agora já posso acordar tarde! Só por causa disso, segunda-feira só saio da cama... sei lá... assim, na loucura, depois das nove.
Prometo!

E mais um para as trincheiras

O comediante Bill Maher, também apresentador do programa "Real Time", esteve recentemente na mesa de "Larry King Live" e, em directo para todos os conservadores Estados Unidos da América, falou sobre o seu novo documentário Religulous, uma sátira à religião. Como se não bastasse, deixou ficar bem claro o seu ponto de vista:

Tratarei de falar mais aprofundadamente sobre Maher, o seu filme e sobre outros grandes comediantes com mãos neste assunto no Portal Ateu.

Caso para dizer: Aleluia!

Já se sabe que, tirando telemóveis e carros topo-de-gama, este país anda com um atraso de vários anos em relação ao chamado "mundo moderno"; as ideias chegam cá tarde e por vezes tortas, movimentos que lá fora já são banais surgem como novidades... enfim.
Por isso, não há nada como arregaçar mangas e lançar mãos à obra; e que bom que é ver malta "anónima" erguer a voz e arrepiar caminho. Nem tudo se faz por dinheiro - há coisas que se fazem porque têm que se fazer, como esta:

Está online e funcional o novíssimo Portal Ateu - um espaço para a divulgação do Ateísmo em Português.
Á semelhança do que acontece no lado civilizado do planeta, já cá faltava um site a sério onde se pudessem encontrar pensadores humanistas, agnósticos, ateus; enfim, gente que se revê na mesma postura de vida de nomes como Carl Sagan, Douglas Adams, Woody Allen, Isaac Asimov, Ingmar Bergman, Lewis Black, Richard Branson, George Carlin,John Carpenter, David Cronenberg, David Cross, Alan Cumming, Richard Dawkins, Daniel Dennett, Ani DiFranco, Brian Eno, Jodie Foster, Janeane Garofalo, Bill Gates, Bob Geldof, Ricky Gervais, Billy Joel, Angelina Jolie, John Malkovich, e tantos, tantos outros...
Mas não são sequer os nomes que importam; são as ideias, o respeito pelo espírito científico e, acima de tudo, a partilha de pontos de vista.
O Portal Ateu surge em boa hora, especialmente para unir pensadores livres deste país.

Não é o início de uma revolução, mas pode ser o despertar de uma nação.

Espero que visitem e, já agora, contribuam com a vossa opinião!

Frase do dia

Não é de hoje, mas de uma entrevista recente feita por Mário Crespo na SIC Notícias:

"Os homens, quando são grandes, estão condenados a entenderem-se."

António Lobo Antunes

Sentença(s) de vida

A SIC foi ontem responsável por uma das horas de emissão de televisão mais importantes dos últimos tempos, ao emitir a reportagem "Sentença de Vida" e respectivo debate, a seguir ao Jornal da Noite.
A reportagem, com a assinatura daquela que é provavelmente a melhor jornalista daquela casa, Amélia Moura Ramos, é o retrato de um dos casos neste país que colocam em questão várias decisões sobre a vida e sobre a morte, (como a reanimação insistida e a eutanásia).
Mas, neste caso, a história tem contornos ainda mais marcantes do que a habitual discussão ética destes tema.

Alexandra Crespo é mãe.
Durante vários anos, trabalhou com crianças com deficiência.
Há dois anos, a sua filha Matilde , então com 9 anos, sofreu um AVC que a lançou para a obscuridade de um estado vegetativo persistente.
A mãe de Matilde defende que há limites a que a medicina não obedece, questiona a utilidade da sobrevivência a todo o custo e diz que desejou que a sua filha não tivesse sido reanimada para uma vida sem sentido. "O que eu esperava é que a minha filha morresse, que não ficasse neste estado porque eu não quereria isso para mim. Não posso querer isso para uma pessoa que eu amo tanto como a minha filha", diz.
Esta mulher fala com a razão no coração e com o coração nas mãos, sem perder uma lucidez que por vezes, de tão nítida, magoa.

Com uma filha nos braços que já não passa de um vegetal, "o corpo da minha filha", como ela refere. Um corpo vivo de uma filha que já morreu.
E agora? Suporta-se a segunda morte de um mesmo filho? Deseja-se a perda de uma criança que, no fundo, já se perdeu?

A SIC portou-se com toda a dignidade perante o caso.
A reportagem foi bem estruturada e com a decência a que a jornalista já nos habituou. Em estúdio evitou-se o fácil convite de alguém "de fé" e manteve-se uma conversa com responsáveis claramente elucidados sobre a questão, guiados por uma Clara de Sousa também ela mãe, contida, visivelmente tocada, e por um Rodrigo Guedes de Carvalho sóbrio como sempre, que em cada pergunta mostrou porque é o melhor pivot deste país.

Precisamos de falar mais sobre estes casos.
Para lá das banalidades e misticismos "do que deus quer", já era hora de começarmos a discutir o que fazemos nós com as pessoas que nos rodeiam.

O que lhes fazemos, o que lhes destruimos e o que as impedimos de reconstruir.
É mais do que hora de falarmos de dignidade, de eutanásia e dos limites da medicina.
Porque a qualidade de vida passa também pelas questões da morte.

...


Em jeito de remate à história anterior, deixem que vos conte outra.

Quero contar-vos a história de Fred Knittle.

O Fred tem um problema cardíaco sério, mas gosta de cantar.
Esta música, que vão ouvir a seguir, era suposto ser cantada em dueto com um amigo seu, Bob Salvini.

Mas infelizmente, Bob morreu, e Fred acabou por a ter que cantar sozinho.
No público, estiveram presentes alguns familiares de Bob.

E Fred cantou:



When you try your best, but you don't succeed
When you get what you want but not what you need
When you feel so tired but you can't sleep
Stuck in reverse

And the tears come streaming down your face
When you lose something you can't replace
When you love someone but it goes to waste
Could it be worst?

Lights will guide you home,
And ignite your bones,
And I will try to fix you,

High up above or down below
When you're too in love to let it go
But if you never try you'll never know
Just what you're worth

Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try to fix you

Tears stream down your face
When you lose something you cannot replace
Tears stream down on your face
And I will try to fix you

Esquerda direita centro volver

Para quem ainda não percebeu qual a sua inclinação política, há sempre uma ferramenta interessante (embora não definitiva) on-line.
Ora experimentem o teste do The Political Compass e digam o que é que acharam.
Já agora, o meu resultado foi este:

...precisamente no pólo oposto do Bush:

Por falar em atraso de vida

É nestas pequenas coisas que se vê (ou se pressupõe descobrir) o estado da nação.
Andamos nós aqui entretidos com a modernidade de fazer aeroportos e TGV's, embebecidos com tratados europeus e brilharetes diplomáticos, entusiasmados com telemóveis terceira geração e GPS's ultra modernos...
...e há coisinhas como esta que acabam por fazer engasgar o caroço.
Dizia a minha avó que no melhor pano cai a nódoa.
Eu explico.

Ora anda para aí muito boa gente feliz por dizer à boca cheia que Portugal é um estado laico, que somos modernaços e open-minded. O curioso é que acabo sem querer por descobrir que, entre outras lacunas semelhantes, não há uma única associação portuguesa inscrita na Internacional Humanista. E, por mais imbecil que vos possa parecer, é uma pena.
E eu explico, mais uma vez.

A Internacional Humanista, como eu lhe chamo, é na verdade a IHEU - International Humanist and Ethical Union, uma espécie internacional comunista mas que congrega em si vários grupos, movimentos e associações Humanistas espalhadas pelo globo.

Ou seja, uma espécie de Greenpeace filosófica que reúne em si os mais importantes núcleos activos do mundo, especialmente os ligados ao Humanismo Secular, corrente política/filosófica/social com a qual me identifico.
E, para quem não clicou no link acima ou/e ainda não sabe o que é o Humanismo Secular, não faz mal, porque eu também explico, de forma resumida.

O Humanismo Secular (também conhecido por Humanismo Laico) é um termo que tem sido usado nos últimos trinta anos para descrever uma visão de mundo que defende os seguintes pontos:
- as soluções e respostas para a humanidade encontram-se através do uso da razão, da ciência e recorrendo a factos;
- todos os dogmas, ideologias e tradições religiosas, políticas ou sociais devem ser avaliados e testados e não pura e simplesmente aceites por actos de fé
- a verdade é sempre uma busca constante, a nossa visão da verdade é sempre imperfeita e a única forma de andarmos com este planeta para a frente é se nos deixarmos de tretas e trabalharmos juntos a favor da evolução.
De forma bruta e resumida, é mais ou menos isto.
Quem quiser saber ainda mais, pode (e deve) dar uma espreitadela no site do Humanismo Secular Portugal.
Sim, há um grupo português, mas aparece fraquinho, disperso, ainda não registado no já referido IHEU, e ligado ao ainda jovem Movimento Liberal Social.

Esta ausência internacional é grave?
É. Estamos de fora de um movimento internacional onde até países como a Islândia, o Luxemburgo e a Nigéria participam activamente.
E nós, nada.

Como sempre, andamos a reboque da história e a nossa noção de Pensamento Contemporâneo existe sempre com um aparente atraso de meio século.

Já agora, uma vez que falei do MLS, deixem-me também acrescentar que estou curioso em relação a este pretendente a partido político.
Amanhã há uma reunião de simpatizantes e curiosos na Galeria Comercial do Palacio Sotto Mayor, na Av. Fontes Pereira de Melo, uma espécie de encontro descontraído, um happening na praça da alimentação. Eu vou lá e vou espreitar e conversar e tentar perceber se é desta. Está marcado para as 19:30h.
Já agora, apareçam também.
Pode ser o pontapé de saída para algo a sério.
É que já era tempo.

Sobre os limites

Andam para aí uns mamíferos a dizer que se devia baixar a velocidade dentro das localidades para 30 km's por hora.

Tenho andado a pensar neste problema e creio que encontrei a solução.
A partir de agora, nas localidades, só marcha-atrás.

O vinil está... vivo!

Ora aí está uma ideia para tipos como eu, cheios de saudade dos bons discos de vinil:





Vejam mais em vinyl-sleeve-heads!

Post-it

Boas festas e tentem não se matar na estrada.

Posta 795

Desperdiçamos tudo demais.
O tempo escorre-nos pelos dedos e olhamos sempre para a mão errada.
Desperdiçamos tempo, energia e possibilidades.
Andamos perdidos a maior parte do tempo e só nos apercebemos disso quando o tempo já passou.
Trabalhamos para ganhar dinheiro para manter uma vida em que possamos continuar a trabalhar. É mais que um círculo vicioso, é um círculo imbecil.
Diziam-me no outro dia que trabalhar é anti-natura.
Pois é.
E, pior que isso, é normalmente castrador.
O ser humano comum do chamado primeiro mundo (e nem vamos para outras zonas do hemisfério sob risco de desespero) passa em média 8 horas por dia, sete dias por semana a esforçar-se para garantir um só dia de 8 horas de lazer. Vendo as coisas até numa perspectiva mais optimista, estaremos sempre a falar de 40 horas de submissão ao sistema para garantir entre 8 a 16 horas de suposta liberdade individual. 4 para 1, ganha o sistema.
Dirão alguns, claro que é assim, senão toda a sociedade se desmonoraria como um baralho de cartas. Claro que sim, e dou-me por conformado com essa obrigatoriedade.
Mas o que me preocupa não é o finalmente, é o entretanto.
Porque, entretanto, enquanto vamos para casa e nos preparamos para regressar ao emprego, desperdiçamos. Demais.
Ainda recentemente publicava aqui neste blog uma frase belíssima: "A vida não é sobre descobrirmos a nós próprios, é sobre criarmos a nós próprios." Criar. Construir. E cada instante que passa é uma hipótese para essa construção e, na maioria das vezes, na maioria dos casos, é uma hipótese desperdiçada. Ou muito pouco aproveitada.
Perdidos?
Deixem-me ser mais claro, e a melhor forma para isso é recorrer a exemplos.
Exemplo um.
Um conhecido meu diz-me que tem pena de não ter tempo para ler. Passado pouco menos de 15 minutos, diz-me que tem seguido com entusiasmo várias séries televisivas. Acrescenta logo de seguida que, na noite anterior, por falta de programação devida na televisão, foi passear na net e descobriu um site fantástico sobre miúdas em bikini. E aparentemente molhadas. I rest my case.
Exemplo dois.
Como sabem, estou desde há mais de um ano a contribuir com um grupo de comediantes cá na zona, O Sindicato. A ideia é simples: conjugar esforços para permitir que o stand-up ganhe força nos chamados circuitos de bares, ao mesmo tempo que permite a troca de experiência entre comediantes. Á partida, um potencial explosivo. Imaginem o que é juntar os melhores músicos de uma zona e permitir que trabalhem juntos, seria mais ou menos essa a premissa. Resultados? Se é certo que a evolução começa a ser visível, que o grupo tem vindo a ganhar força, também é certo que é nas melhores alturas que a natureza humana mostra as suas falhas. O grupo não atinge um quarto sequer do seu potencial esperado: a cada dois passos para frente eis que surge um para trás, ora por pequenas birras, faíscas de egos (não chegam a ser conflitos), apatias incompreensíveis e ausência de cooperativismo. Por mais que se tente passar a mensagem, poucos são os que percebem que para haver sucesso em grupo tem que haver sacrifício individual. Ou só percebem quando convém. A fórmula que poderia dar início a um dos maiores e mais prolíficos grupo de humor deste país arrasta-se num estado de evolução lenta e mastigada. Até hoje, raras são as vezes em que algum dos elementos puxa pela corda, promove uma ideia ou instiga um encontro para procurar novos caminhos. Pelo contrário - as únicas vezes em que se promove encontros do grupo é para resolver problemas ou aliviar a dor de cotovelo de alguém.
Mas não tomem este exemplo como amargo de boca, porque apesar de o ser, serve apenas como exemplo, e se tivesse que fazer o mesmo em relação à produtora onde trabalho seria certamente um texto semelhante.
É comum à maioria das organizações, este estado de falso conforto e conformismo.
Adiante.
Exemplo três.
Já para não falar do pessoal que mora num raio de 5 km's da minha casa, tenho que vos falar de malta que mora a 300 km. Malta com trabalhei várias vezes em palco e fora dele, com partilhei expectativas e desilusões e que, apenas por uma distância (de merda) se deixa cair num esquecimento. Chateia quando nos apercebemos que deixámos de falar com tanta gente e que a culpa nunca é solteira.

Andamos demasiado entretidos com futilidades, hábitos e círculos viciosos.
Esquecemo-nos com excessiva frequência que na maioria dos casos a única coisa que nos impede de avançar é a ausência dos nossos próprios passos.
Não se enganem: estamos em tempos de mudança. E podemos fazê-la, em todos os campos, em todas as áreas, desde uma insignificante comédia de palco a uma neurobiologia, de um quadro numa parede à economia mundial.
Sabemos que estamos a dar cabo do planeta, fazemos ar de triste e seguimos sem mudar.
Culpamos os outros, sempre os outros.

A mudança, mudança de vida, mudança de mentalidades, mudança de mundo, está onde sempre esteve - na nossa mão. E continuamos a olhar para o umbigo.
É urgente olhar para as nossas próprias mãos e dar-lhes um uso significativo.
Se nos impulsionarmos a nós próprios para a frente, arrastaremos sempre alguém, até arrastarmos o mundo.
Falta-nos impulso.
Falta-nos o desconforto da descoberta.
Estamos convencidos de que estamos a evoluir mas continuamos a ver o mesmo filme, sentados na mesma cadeira.
Falta-nos mudança, sede, fome, garra, pressa.
Falta-nos ter mais medo da morte.
É urgente ler mais. Escrever mais.
É sempre urgente ligar a alguém e dizer lembrei-me de ti.

É urgente criar acção para que haja reacção.

Temos que fazer mais, mais alto, mais forte.
Ler mais livros, ouvir mais músicas, fazer mais amor, correr mais depressa, sorrir mais vezes. Perder o medo de caír no rídiculo, saber que tudo é efémero, compreender que uma hora pode valer um dia, que um dia pode passar como uma hora, mastigar crú, bater no fundo, magoar a pele, ferir as mãos, olhar de frente para o sol, abraçar, beijar, abraçar, empurrar.
Temos que ouvir mais pessoas. Temos que provar coisas diferentes, queimar a língua, dançar à chuva, apanhar constipações, aprender as regras, quebrar as regras, criar as regras, criar novas réguas, tirar novas medidas, construir novas bússolas e perder o norte. Temos que sair do conforto da casca e dar tudo por tudo e saber que vai valer a pena mesmo que não funcione porque não há nada mais saboroso do que dar tudo por tudo.

Temos que sentir mais o medo da possibilidade de errar.
Temos que errar mais. Muito mais.
É a única forma de garantir que estamos a evoluir, a tentar e a descobrir.
É a única forma de garantir que que estamos no bom caminho.

Rapidinha

Não gosto de dormir porque me tira o sono.

Cá entre nós que ninguém nos lê

Conversando com um amigo meu, dei por mim a avaliar o estado da comédia em Portugal. Ou melhor, o estado dos comediantes, porque a comédia, mesmo que ninguém lhe mexa, está sempre bem. Desde que o "Levanta-te e Ri" entrou em declínio e se extinguiu, muitas pessoas me abordam com a velha questão das dificuldades dos comediantes neste país. Depois dessa grande montra que foi o "L&R", com todos os seus defeitos e virtudes, restam-nos agora o "Sempre em Pé", na 2, e uma ou outra rara aparição na TV. O que não é mau: continuo a dizer que o stand-up ainda tem muito que percorrer antes de ter direito a horários prime-time televisivos. Ainda temos que aprender muito, conquistar técnicas humorísticas mais elaboradas, mais agressivas e, sobretudo, ganhar experiência.
Mas seja como for, as idas à televisão são sempre uma espécie de prova de fogo em que podemos perceber como andam os nossos comediantes, o que fazem e o que evoluíram.
E o "Sempre em Pé", também com todos os seus defeitos e virtudes, tem sido um interessante laboratório e começa a permitir tirar algumas conclusões.
Uma dessas conclusões é que o trabalho dos comediantes do grupo "O Sindicato" está a revelar sérios frutos. Mesmo os seus membros com menos experiência (como o Guilherme esta semana) começam a mostrar uma clara evolução. Há um maior à-vontade em palco, um ritmo cómico mais desenvolto, maior capacidade comunicativa, maior domínio das ferramentas do humor. E porquê? Porque têm trabalhado.
Quando há pouco mais de um ano o Sindicato apostou em actuar muito por preços mais baixos, percorrer bares e fazer "horas de vôo", houve muita gente que criticou. Gente que achava que o stand-up merecia palcos "mais a sério", cachets chorudos e que actuar em sítios pequenos e sem grandes condições era "desprestigiante".
Como já sabia, enganam-se.
É justamente aí que o stand-up vive, cresce e se desenvolve. No bares sem grandes condições com micros sem qualidade e com ambientes duros de conquistar. É aí que os comediantes aprendem.
E os resultados são comprováveis. Independentemente de gostarmos ou não de determinados registos humorísticos de comediantes d'O Sindicato, há que admitir que se notam diferenças. Que a malta tem andado a treinar e que se nota em palco.
A comédia é como a alta-competição. Podemos não ter os melhores estádios e podem faltar os melhores equipamentos, mas no que toca a resultados o que realmente conta são o treino e as horas investidas de sofrimento, suor e muita gargalhada falhada.

E ainda outro para as trincheiras!!!

Sem dúvida, a maré está a mudar.
Acabadinho de chegar às prateleiras das livrarias:

E passo a citar:
"Hitchens conta a história pessoal dos seus encontros perigosos com a religião e descreve a sua viagem intelectual para uma visão laica da vida, baseada na ciência e na razão, na qual o céu é substituído pela panorâmica que o telescópio Hubble nos proporciona do universo. “Deus não nos fez”, escreve ele, “Nós fizemos Deus”. Por isso, considera que a religião é uma distorção das nossas origens, da nossa natureza e dos cosmos. Prejudicamos os nossos filhos - e colocamos o nosso mundo em perigo – ao doutriná-los. “A literatura é melhor fonte de ética e o melhor espaço de reflexão do que os textos sagrados. As pessoas deviam ler George Eliot, Dostoyevsky e Proust para orientação moral”, diz. Embora se tenha casado por duas vezes, cerimónias celebradas por um padre ortodoxo e por um “rabino homossexual”, agora só quer que a religião o deixe em paz. Hitchens foi nomeado, no início de Outubro, para um National Book Award."
Christopher Eric Hitchens é um jornalista que reside nos EUA, colunista habitual de publicações como Vanity Fair, The Atlantic, The Nation, Slate, Free Inquiry e o Wall Street Journal.
Claro que vou comprar e ler; depois digo qualquer coisa.
Entretanto, saibam mais sobre o autor em www.hitchensweb.com

Papa aqui a ver se eu deixo

O papa Joseph Ratzinger, capo di tutti capi, fez este fim-de-semana críticas severas aos bispos portugueses que se deslocaram ao Vaticano (será que voaram low-cost?). Apesar de alguns elogios (especialmente à medieval concordata que o Estado voltou a assinar com a Igreja), o papa lá deixou escapar uns quantos dedos apontados à Igreja Católica portuguesa.
E tem razões de sobra para o fazer. No nosso país, a taxa de adesão a esta multinacional religiosa é cada vez mais baixa. Há menos baptismos, menos comunhões, menos fiéis nas igrejas e até mesmo menos padres: por cada dois que morrem apenas um é "admitido ao serviço", o que é um balanço francamente animador para pessoas como eu. Apesar dos investimentos imobiliários e da pressão social, a verdade é que a igreja está a perder terreno.

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Jorge Ortiga, reconheceu a dificuldade da hierarquia em lidar com o crescente abandono da fé pela população portuguesa: "O povo português continua, na sua grande maioria, a afirmar-se católico embora reconheçamos que os ventos do relativismo e indiferentismo exercem uma grande pressão, provocando atitudes e opções ambíguas e, em alguns casos, contraditórias", afirmou o bispo português, denunciando a existência de "pequenos grupos, imbuídos dum espírito laicista, que têm pretendido suscitar possíveis conflitos".

Gosto especialmente da noção de pequenos grupos que andam por aí a "armar barulho" e da tentativa de passar a mensagem de que o abandono da fé é uma questão de "relativismo e indiferentismo".
Engana-se, o senhor Ortega (nome familiar, não?).

O que leva ao abandono da fé não é o indiferentismo, pelo contrário, é a consciencialização.

Desde que Darwin publicou "A Origem das Espécies", até à tomada de posição de nomes como Carl Sagan, Albert Einstein e outros, a supremacia da razão e da lógica tem-se revelado uma caminhada difícil.
Apesar de cada vez mais existirem pessoas não-crentes e de, cada vez mais, sentirem que o podem dizer sem correr o risco de acabar na fogueira em praça pública, o certo é que não chega a ser um movimento. Isto acontece porque a maioria dos ateus não anda por aí a espalhar aos quatro-ventos que não acredita em deus, anjinhos da guarda e santos milagreiros, porque aparentemente não faz grande sentido, e é fácil de explicar porquê. A lógica é mais ou menos esta:
Quem não acredita que existem fadas no seu quintal não sai à rua a dizê-lo. Mas, por outro lado, quem acredita que no seu quintal se escondem seres mitológicos fará todos os esforços para convencer pelo menos os vizinhos.
Esta é a barreira que separa os ateus dos crentes, mas é também um dos maiores impedimentos à evolução natural do pensamento humano.
É preciso unir esforços e sair à rua dizendo claramente que é permitido falar e criar a discussão sobre religião. Ao contrário do que a Igreja diz, podemos falar sobre isso e não se trata de silenciar a coisa ao oportuno dogma da fé.
Falar sobre a existência de Deus é tão válido como falar sobre a existência do monstro de Loch Ness (apesar de que este último leva a vantagem de ter pelo menos uma foto tirada).
E falar sobre as coisas é o princípio para se esclarecer as pessoas e clarificar a sociedade, e dar o primeiro passo para a eliminação de um dos maiores cancros que corrompe o planeta.
Temos que forçar os ateus a encararem os deístas e teístas no terreno da argumentação, porque é a única forma de eliminarmos mais um mito da história da humanidade; um mito que ainda hoje subjuga milhões de pessoas, desvia milhões para usufruto próprio e está na origem de quase todos os conflitos armados humanos.

O papa tem toda a razão em estar preocupado. Como se já não bastasse termos acabado com a caça às bruxas e a Inquisição, a humanidade ameaça agora atacar a raíz do mal.

P.S.:
Resposta a um mail de um visitante deste blog

Caro F.,
obrigado antes mais pela agilidade com que respondeste a este post (8 minutos?) e pela atenção de a teres enviado como correio electrónico e não como "comentário de ódio". Permite-me que responda ao teu mail ponto-por-ponto, além de que também publicarei a resposta no meu blog, por a considerar elucidativa a todos os outros leitores.
- Não, não creio que deva ter vergonha de criticar "a maior instituição religiosa do mundo". Primeiro, porque não é (conheces o Dalai Lama?) e, segundo, porque tamanho não é documento;
- O facto de ter muitos adeptos não significa tem razão e, sim, acho que "milhares e milhares de portugueses" é que estão errados. Relembro-te que o nazismo também conseguiu muitos adeptos e isso não faz dele uma doutrina correcta;
- se minha atitude "insulta as pessoas de fé" e "vai contra" as minhas "responsabilidades de pessoa com imagem pública" (lol), é fácil: não leiam. mudem de canal. Da mesma forma, também considero insultuoso o que qualquer organização religiosa promove, da mesma forma que tu próprio também considerarias insultuoso se alguém agora formasse uma igreja ao Deus-Lua ou ao Deus-Telemóvel (com a vantagem de serem dois deuses que pelo menos existem fisicamente);
- concordo que a existência de Deus não pode ser cientificamente provada, mas isso não faz com que exista. Também não consigo provar que não existem dragões voadores, mas sei que não existem, quanto mais não seja pela lei da probabilidade. E, pelo menos no terreno da probabilidade, posso discutir a existência do teu Deus;
- se houver inferno, terei todo o gosto em arder lá, como referes. Afinal de contas, não vou querer passar a eternidade longe de todos os meus amigos.

CM

Mais um para as trincheiras

Depois do lançamento em português de "The End Of Faith", de Sam Harris, eis que chega finalmente a tradução de "The God Dellusion", de Richard Dawkins.
E, meus amigos, é um livro obrigatório do pensamento universal, quer para crentes, quer para ateus hereges como eu.
Até que enfim que começam a chegar às prateleiras das nossas livrarias publicações que fogem à regra do país católico apostólico romano e que colocam novos alicerces na discussão moderna. Já começava a pensar que o lápis azul das editoras ainda continuava activo.
Mas nem tudo são rosas. Além da capa claramente sensacionalista, com a desnecessária observação "O livro que está a abalar o mundo", acho que o título foi mal traduzido. Apesar de soar bem a uma primeira vista (dellusion, desilusão), a palavra certa seria a pouco usada mas portuguesíssima delusão. É que, em português, desilusão é um termo mais associado a encarar algo que não corresponde às nossas expectativas, o que assume a existência de algo, enquanto que delusão, do Latim delusione, quer mesmo dizer engano, logro, burla, o que está mais de acordo com a intenção do autor. O título ideal, para evitar estranhezas do público, seria mesmo "O Logro de Deus". Mas o que está feito, está feito.

Porquê a necessidade de ler este livro? Porque é uma obra séria, fundamentada, construída numa linguagem simples e que explica claramente as bases do pensamento ateísta. E antes de ter crentes a dispararem contra-argumentos, deixem-me dizer-lhes que, como em qualquer discussão, convém saber ouvir - é o princípio do diálogo. E nós, os descrentes, andamos a ouvir-vos desde que o mundo é mundo.
O autor é este cavalheiro aqui ao lado, que dá pelo nome de Richard Dawkins. Biólogo com cadeira reservada na Universidade de Oxford, este britânico nascido no Quénia é uma das maiores referência do pensamento ateu, social e anti-religião da actualidade. Se quiserem saber mais sobre o assunto, além de lerem o livro podem fazer uma visita ao seu site oficial, em richarddawkins.net. Vale a pena - espreitem os vídeos.
Não vou falar mais sobre o livro, porque seria reduzi-lo a alguma insignificância. Mas deixo-vos algumas frases de Dawkins:

"...quando dois pontos de vista opostos são expressados com igual intensidade, a verdade não tem que estar necessariamente no meio caminho entre ambos. É possível que um dos lados esteja pura e simplesmente errado."

"Nós admitimos que somos uma espécie de primatas, mas raramente nos apercebemos que somos primatas."

E uma das minhas favoritas:

"Todos nós somos ateus no que toca a muitos dos deuses em que a humanidade já acreditou. Acontece é que alguns de nós já avançaram mais um deus."

Eu já desconfiava


Encontrado na net.

Citando...

"We must respect the other fellow's religion, but only in the sense and to the extent that we respect his theory that his wife is beautiful and his children smart."
H. L. Mencken

"When I was a kid I used to pray every night for a new bicycle. Then I realised that the Lord doesn't work that way so I stole one and asked Him to forgive me."
Emo Philips

“You're basically killing each other to see who's got the better imaginary friend”
Richard Jeni

Aceitam-se mais contribuições.
:)