Mostrar mensagens com a etiqueta ideias. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ideias. Mostrar todas as mensagens

A quem o merece

Ao longo de uma vida, são raras as pessoas assim que temos oportunidade de conhecer. Pessoas grandes, com letra maiúscula, pessoas certas, correctas e corrigidas pela vida e pelo saber. São raras.
Falo das que, se calhar, até passam despercebidas na multidão, mas que guardam no seu interior o melhor que esta raça possui.
São raras.
Gente de valor, com valores.
Gente que fala, mas que ouve.
São tão poucas as pessoas que ouvem.
Gente que não pensa só no que falta mas também no que já tem. Grande parte das pessoas que nos rodeiam passam a vida a pensar no que lhes falta e acaba por não dar valor ao que tem.

Na maioria dos casos, temos tendência a olhar para o espelho e pensar que estamos a ver alguém assim. Normalmente, não é verdade.

Mas existem.
Existem, essas pessoas que escolhem o mais difícil - mas correcto.
Pessoas que simplificam.
Que partilham.
Que alcançam.
Que raciocinam.

São poucas, e se calhar é por isso que é tão bom quando nos apercebemos que algumas delas estão perto de nós.

Ver as notícias todas?


É um projecto muito interessante, uma instalação digital artística, experimental, social. A ideia é simples: graças aos RSS, imaginem um site que, de hora em hora, vai em busca das notícias da CNN, Reuters, New York Times, faz uma "leitura" das principais notícias, compara-as e projecta-as todas no mesmo quadro, segundo frequência e intensidade. Visualmente, um quadro sempre renovável com um gráfico das notícias do mundo.
Espreitem o site 10X10 e digam-me o que acham.

Campanha de merda

Não há como fugir ao assunto e evitar falar.
A forma como está a decorrer a suposta campanha para o referendo sobre o aborto é uma vergonha para o nosso país. Ou então, se calhar, é só o reflexo do Portugal que realmente temos e eu é que ando iludido, a pensar que já estávamos no primeiro mundo.
Adiante.

Primeiro, pelas atitudes. Do lado do não e do sim, adoptam-se posturas bélicas, como se esta não fosse uma questão digna de ser debatida com tranquilidade e razonabilidade. E de ambos os lados da barricada, cometem-se erros e excessos em demasia.
A começar logo pela pseudo-intelectualização e (palavra nova:) quequelização que dominou a "campanha": quem é chique e moderno não diz que vai falar sobre o aborto mas sim que vai discutir o IVG; talvez porque, a nível de fonética, coloque a coisa no mesmo patamar do TGV e do TDI e TDS e GPS e todas essas siglas super-in que aromatizam qualquer conversa como se fossem àguas-de-rosas gramaticais. Não há quem aguente.
De ambos os lados da barricada, surgem as écharpes e os botões de punho, indignadíssimos, que organizam palestras e tertúlias para falar sobre este problema que "afecta as mulheres do povo". Como se o aborto fosse uma nova estirpe viral perdida em África, juntam-se as tias e os tios, os emplastros da Lapa e os envernizados da baixa e a quantidade de crimes ideológicos que lhes saem pela boca fora são suficientes para querer elevar este referendo ao direito a apedrejamentos em praça pública.
De todos os lados, fazem falta os moderados, os ajuízados.

E depois, surgem cartazes como o novo da campanha do não (quanto dinheiro se gastou em outdoors?), com a frase "Ainda vai a tempo de salvar muitas vidas".
Como se, ao votar não, estivessemos a eliminar o aborto da nossa sociedade. Como se, ao votar sim, estivessemos a abrir grandes matadouros de bébés.

Quando é que alguém vai explicar publicamente que este não é um referendo para decidir se somos a favor do aborto?
Ninguém é a favor do aborto.

Este não é um referendo sequer sobre o aborto.
É um referendo sobre as mulheres. É um referendo sobre a clandestinidade. É um referendo sobre as clínicas espanholas.

É um referendo sobre um país que, por tradição e por hábito, prefere sempre fingir que as coisas só existem quando se fala nelas. Um país que continua a fingir que, se não assumirmos as tristezas e se escondermos as nódoas, é como se elas não existissem.

É um referendo sobre um país de novos-ricos, em que o que vale não é o que somos mas sim o que aparentamos ser.

Primeiro estranha-se


Mas depois entranha-se, e com pé de dança. A colectânea "Rythms del Mundo" junta o melhor som do planeta... ao Buena Vista Social Club. Uma ideia original, que surgiu no festival de cinema de Sundance. Eu acho brilhante, mas admito que assuste os puristas. Espreitem o site oficial e, já agora, ouçam esta versão de Clocks, dos Coldplay:

Assim de soslaio

Há coisas importantes que têm que ser ditas, antes do fim de semana.
Primeiro, que o Babel é um dos melhores filmes do ano e que é obrigatório ver na sala de cinema.
Segundo, que quem mora no Porto tem a obrigação cultural, moral e social de ir ver a peça Cara de Fogo, "teatro-incómodo o que se pode ver no Museu do Carro Eléctrico", pelo TUP. Saibam mais aqui, e despachem-se, já só há bilhetes para os últimos 4 dias.

Mais: estou sem fumar há dois dias.
Desta vez é que é.
Não está a ser fácil, mas quem vai ganhar sou eu.
Claro que estou impossível de aturar e só me falta espumar dos cantos da boca e trepar paredes, mas a coisa vai.
Grrrrrrrrr.

Bom fim-de-semana e vejam lá se lêem um bom livro. O Cemitério de Pianos é a minha sugestão. Comprem e leiam.

Libertem os livros

Eu já conheço isto há imenso tempo mas só hoje é que me apercebi de que nunca o tinha mencionado neste blog, o que é uma falha grave.
A ideia nasceu em 2001 e deu origem a um modesto site, que hoje conta com mais de meio milhão de inscritos. É um conceito simples: fazer circular livros pelo mundo inteiro.
Em BookCrossing, os livros são livres.
O processo funciona em três passos:
1)Ler um livro
2)Registá-lo e comentá-lo no site, obtendo assim um número de registo único (BCID- BookCrossing ID number), e etiquetar o livro
3)Largar o livro algures neste planeta e aguardar que quem o "salve" leia a etiqueta e vá ao site.

Até agora, o livro mais viajado do site é este:

Chama-se "Der seltsame Bücherfreund / Hoffnung's Constant Readers", está escrito em alemão, e já circulou por 295 pessoas, desde 2003.

Merece.

De todos os leitores deste blog, gostava de fazer uma justa vénia ao Sr. Contente, visitante que, após uma quezília digital, regressou para se expressar como deve ser, de queixo erguido.
Como gente grande.
A confusão surgiu com um post de há uns tempos atrás sobre uma reportagem da Wired que falava do actual movimento ateu. Eu não me expliquei muito bem, é certo, e o Sr. Contente surgiu num comentário algo agreste. Eu respondi-lhe num outro post algo jocoso (a jeito de malandrice).
Agora, regressou e falou bem, rectificou a sua posição e deixou bem claro que não é parvo - mas que, como qualquer pessoa, também se pode irritar.

Mas o importante é que voltou. Manifestou-se. Fez questão de não sumir nestes meandros digitais, de não se esconder no anonimato da internet.
Como as pessoas crescidas fazem.


Hoje em dia, são poucas.

...snif, snif, cof, cof.

Pior que uma gripe daquelas que nos deita por terra com temperaturas dignas de um portão dos infernos, é aquela gripezita que nem é peixe nem carne, que não parte mas mói, que não se instala mas ocupa espaço, que parece que não está lá mas inunda o corpo como um agente infiltrado.
Cá ando a Cêgripes, a correr de um lado para o outro.
Ao que tudo indica, temos um novo programa no forno, coisa de entretenimento light, nada de comédia - depois explico melhor.

Entretanto, entre comprimidos laranjas, reuniões-expresso e corridas de fundo, venho cá dando uns saltitos.
Até já.

Sobre o Aborto

Após ter visto espalhados por Lisboa dezenas de outdoors com a campanha contra a despenalização do aborto, decidi eu próprio avançar com a minha campanha.
Aqui estão os meus primeiros cartazes.



Aceito sugestões para novos slogans e é claro que podem copiar estas imagens e reenviá-las para quem quiserem.

Já agora, não deixem de visitar e recomendar o site www.euvotosim.org, plataforma que eu, como já perceberam, apoio.
E passo a citar:
"O aborto é uma realidade lamentável mas inescapável. Embora seja triste que muitas mulheres efectuem abortos, essa é uma realidade que não podemos evitar. Podemos naturalmente tentar evitar o maior número possível de abortos individuais, mas devemos também procurar que os abortos que, de qualquer forma, serão praticados, o sejam nas melhores condições possíveis e com o menor sofrimento possível. Só a despenalização do aborto, dentro de um prazo realista (praticável), permite garantir que todas as mulheres que estejam firmemente determinadas a abortar o farão em condições seguras e não traumatizantes."

Aguardo contribuições ideológicas.

Em jeito de fim de ano


Graças à participação do novo leitor deste blog Manuel Prata e a um comentário que fez num post anterior, dei por mim a recordar a vida há uns anos atrás.
Recordar é bom, faz-nos passear de regresso a trilhos que foram percorridos, processos esquecidos, rotas antigas.

O comentário deste caro amigo levou-me até à Póvoa de Varzim, há 7 anos atrás, altura em que trabalhava ainda como designer gráfico e em que era participante assíduo no site http://www.fotopt.net/, que entretanto fechou portas.

Galeria fotográfica, o http://www.fotopt.net/ permitia que os seus membros não só pulicassem as suas fotos como também as acompanhassem de crónicas/textos.

Voltei a visitar o site e trago-vos aqui algumas dessas minhas recordações que, por um motivo ou outro, me saltam ainda hoje à vista:







Foi no ano de 2000.


Para fechar, uma foto e o respectivo texto que, ainda hoje, se mantém actual. Serve de remate para a passagem de ano.


Esta Grua É Minha




Se a minha vida for uma linha do horizonte,
terá que ter uma grua,
para que eu a possa construir e deconstruir como me apetecer.
Se a minha vida for um entardecer,
quero ter a chance de transformar a visão antes que o sol se ponha.
Quero erguer os meus edifícios e transformar as minhas ruínas,
estabelecer os meus alicerces e criar os meus telhados
antes que a noite caia.
E, em todos os prédios que eu construa na minha existência,
haverá sempre uma salinha para cada rosto,
um quarto para cada olhar,
uma janela para cada sorriso que guardo na memória.
Se este é o meu horizonte,
então quero que esta grua seja minha.
Quero erguer uma estrutura por cada amigo
por cada amor
por cada alegria
por cada abraço.
Quando a noite finalmente chegar
irei em paz
porque estive cá,
mas construi algo.
Fiz algo.
Porque esta grua
é minha.
Na hora do fim
quando o fim chegar,
quero sorrir e dizer
fotografei como um louco
construi, destrui, ergui e renasci todos os dias
o meu horizonte fui eu que o fiz.


TODAS AS FOTOS POR CARLOS MOURA (2000)

A todos os que me enviaram sms de Natal...

...o meu muito obrigado, mas não vou responder.
Receber uma sms de "Boas Festas" ainda me deixa o sentimento de "olha, lembrei-me de ti mas não és importante o suficiente para te ligar".
Não gosto de sms de Natal. Sinto-me na mailing list.
Por isso, no ano novo, poupem uns trocos e não me escrevam.
Obrigadinho.

Esta gente que por aí anda

Esta eu não resisto a partilhar.
Para quem não viu, eu fiz há uns tempos atrás um post sobre o ateísmo, a propósito de uma reportagem da Wired Magazine. Ora qual não foi a minha surpresa quando hoje descubro um comentário sobre o post, que decidi expôr aqui. Porquê dar-lhe atenção? Porque é o reflexo de uma atitude que me irrita. Serve de exemplo.
Vamos a isto:



"Sr. Contente said...
Não, não sou religioso. Nem crente sou. Sou, no máximo, agnóstico. De facto, existem muito fundamentalismos. Mas penso que culpar a religião de todos os males do Mundo é ser-se ignorante. Muito ignorante. É conversa oca e, permitam-me, pouco inteligente. Exacto, pouco inteligente, que é o que os arrogantes dos atus chamam aos crentes. Já conheci crentes modestos. Ateus? Não, são sempre autoritários, armados aos cucos. Esse Dawkins deve estar louco: eliminar a fé? Como? É como eu querer eliminar a paixão. São coisas não-materiais. Ridículo. Carlos Moura, vai ler livros, pá. Ou ver vídeos no You Tube, que é o que agora toda a gente faz. "


Ehehehehe... Permitam-me responder passo-a-passo a esta triste observação do sr. Contente. Vejamos:

"-Não, não sou religioso. Nem crente sou. Sou, no máximo, agnóstico."

A mim não me faz diferença: sê o que te apetecer. Adiante.

"-De facto, existem muito fundamentalismos."

Sem dúvida: basta ler o resto do comentário para termos mais uma prova disso.

"-Mas penso que culpar a religião de todos os males do Mundo é ser-se ignorante. Muito ignorante."
Claro que sim, se se generalizar essa expressão ao ponto de dizer "dói-me a cabeça, a culpa é da religião" ou "os preços da netcabo são ultrajantes, maldita religião". Mas se se olhar para uma questão global e para a história da humanidade, terei que gentilmente discordar. Até podia explicar, mas é por causa disso que há gente a escrever livros e a investir anos de vida.

"-É conversa oca e, permitam-me, pouco inteligente."
Bom, desde já fico feliz por saber que há alguém que também leu os trabalhos destes pensadores e que os consegue contrariar. Muito bem, sim senhor.
Não me passa pela cabeça que este sr. Contente esteja a dizer que isto é conversa oca e pouco inteligente só pelo aspecto dos senhores ou pela capa dos livros. Seria a mesma coisa que aquele padre que disse que o "Império dos Sentidos" era uma vergonha... porque lhe contaram.

"-Exacto, pouco inteligente, que é o que os arrogantes dos atus chamam aos crentes."
Agora fiquei baralhado. Estes atus que referes são os ateus? Então tens conhecido ateus muito mal-educados, deixa-me que te diga. Mas, já que generalizas, gostava que me explicasses porque é que os ateus, ou atus, ou atuns, são arrogantes. Por isso, vejamos o resto da dissertação:

"-Já conheci crentes modestos. Ateus? Não, são sempre autoritários, armados aos cucos."
Lá está, confirma-se que tens andado com más companhias, mas gosto da forma como dizes que já conheceste crentes modestos, o que dá um sentido de minoria à coisa. Mas é um pouco verdade: os ateus andam por aí um pouco armado aos cucos. E autoritários, especialmente quando dizem é nisto que eu acredito, lamento. Rais'parta o moços, que se recusam a ajoelhar perante a glória divina! Foi este mesmo autoritarismo que os levou para a fogueira da inquisição e, mesmo assim, os tipos não aprendem!

"-Esse Dawkins deve estar louco: eliminar a fé? Como? É como eu querer eliminar a paixão. São coisas não-materiais. Ridículo."
Tenho um vizinho que diz a mesma coisa. E prometeu rezar pelo Dawkins aos seus 24 deuses (ele é politeísta). Aliás, quando eu lhe disse que, se calhar, não fazia muito sentido a crença dele, de que existe um deus para o fogo, um deus para a chuva e um deus para o iogurte, ele respondeu: "E que queres tu que eu faça? Não os posso eliminar da minha fé: os meus deuses são não-materiais, por isso não os consigo eliminar. Seria como eliminar a paixão, é ridículo".
Por isso, cada vez que troveja e ele, em temor, sacrifica um cordeiro, uma galinha e um porco, eu calo-me e não digo nada.

"-Carlos Moura, vai ler livros, pá. Ou ver vídeos no You Tube, que é o que agora toda a gente faz."
Obrigadinho, pá. Vou, sim senhor. E vou satisfeito na minha vidinha, porque estou tranquilo.

Eu tenho o direito de acreditar, ou não, no que eu quiser. Como tu. Como todos. E, tendo amigos crentes, agnósticos e ateus, respeito-os. Aliás, admiro mesmo quem consegue ter fé. Só me chateia é essa atitude, que alguns insistem em ter, de, assim que ouvem a palavra ateísmo, dizer "vai mas é plantar batatas". Ou "ver vídeos do YouTube".
Eu compreendo esta alergia. Alguém que se afirma ateu ainda é visto como alguém sem moral. Uma coisa não implica a outra, como é óbvio, até porque a maioria dos tipos que eu conheço com baixos valores morais e sem a miníma consideração pelo respeito humano são altamente religiosos.
Mas cada um é cada qual.
Agora, em relação a este blog, posso dizer mais uma vez que não é um espaço democrático. Quem não gosta, pois que não leia.
E continua de portas abertas para católicos, ateus, satânicos e muçulmanos.
Só me chateiam gajos como este, os senhores contentes deste mundo, para quem a sua verdade é a que conta e as ideias dos outros, se forem diferentes, são sempre alvos a abater. Isto sim,. é fundamentalismo: "se não pensas como eu, és arrogante, autoritário e ridículo. Deixa de te armar aos cucos e vai mas é ler livros, pá. Ou ver vídeos no You Tube, que é o que agora toda a gente faz."

Obrigado, sr. Contente. Foste um bom exemplo.

a minha vontade era

...ficar em casa, de pantufas, a fazer experiências gastronómicas e testes a vinhos do supermercado;
...ganhar o euromilhões para comprar a àrvore de natal do Terreiro do Paço, regá-la com gasolina e chegar-lhe fogo;
...arrancar para a neve e ficar três ou quatro dias a fazer snowboard;
...telefonar a todos os meus amigos só para lhes gritar "IUUUUPPPIIIII!", desligando de seguida;
...aprender a tocar piano como o Jarret;
...entrar num MacDonald's durante a madrugada e encher os tubos de molhos com laxante;


...entre outras coisas.

E já cá tou

De regresso à capital, ao trabalho e ao ritmo luso, percebo perfeitamente porque é que Lisboa, sendo uma grande cidade, não é uma cidade em grande.
Mas falaremos sobre isso mais tarde. Agora tenho muita coisa que pôr em dia.
Ainda com saudades de la Pedrera, respiro fundo e volto ao quotidiano.

...vou aqui e volto jazz

Até domingo, este blog vai de férias, porque há coisas que, quando surgem, têm que ser aproveitadas.
Até domingo, vou estar na capital da Catalunha em mais uma ingressão por terras castelhanas.


Além de assistir ao espectáculo do trio de Jarret, vou aproveitar para revisitar as magníficas obras de Gaudí e a zona nova da cidade. Vou aproveitar também que fico em casa de gente amiga para conhecer um pouco melhor a realidade catalã. Para quem acha que é "boa vida", fiquem a saber que é mais barato ir e vir a Barcelona de avião do que ao Porto de automóvel e, além disso, arranjo mais depressa convites para ficar em casa de amigos lá fora do que dos meus amigos da invicta...
(Ó Nuno, apesar de injusta, esta é para ti)

Um passo em frente

Existem poucas notícias que me fazem suspirar de ansiedade e contentamento, e esta é uma delas.
A Wired Magazine, uma das mais importantes e reconhecidas publicações sobre new-media deste planeta, teve coragem para preencher as bancas com uma primeira página dedicada ao ateísmo.

Não é a primeira vez que um meio de comunicação social de prestígio fala disso, claro que não, já o New York Times, o Le Monde e outros publicaram reportagens sobre o movimento (sim, é um movimento), mas desta vez a coisa leva uma roupagem mais assumidamente séria, menos sensacionalista, menos circus-freak.
A reportagem incide sobre três dos grandes pensadores-activistas norte-americanos da actualidade. O primeiro, como não poderia deixar de ser, é Richard Dawkins, 65 anos, provavelmente o farol intelectual do movimento ateu. Autor de vários livros, incluindo a sua obra-prima "The Selfish Gene", Richard foi dos primeiros no século passado a avançar com argumentos científica e socialmente estruturados e a ser respeitado a nível internacional. A sua postura é tudo, menos pacífica. Estamos a falar de um homem que não só defende a não-crença como também a eliminação da crença. Deus é uma ilusão, a religião é uma doença e estamos a caminhar para o caos. É dose. Saibam mais sobre Dawkins neste artigo, ou então pesquisem. Referências no Google não faltam.
Outro nome na lista, que a mim me surpreendeu pelo facto de ser um dos mais novos neste ramo, é um dos meus favoritos: Sam Harris. Li quase por acidente o seu "The End of Faith", que comprei numa Fnac por pura empatia com a capa (admito) e fiquei zonzo. Zonzo com a sua capacidade de sintetizar e estruturar um pensamento complexo e interligado. Com 39 anos, este rapaz defende muito bem a teoria de que a religião (toda e todas) é, na sua essência, o alicerce do mal. Ou seja, que a única forma de criarmos um mundo livre e pacífico é eliminando a crença e a religião baseada em mitos. Não pensem que o faz de forma simpática: o tipo ataca o islão e o cristianismo como quem vai à caça. Saibam mais sobre Harris no seu site.
O outro nome focado pela Wired é o deste senhor, Daniel Dennet, na minha opinião um dos melhores intelectuais do planeta. O aspecto de Pai Natal conjuga-se com a sua posição - ele é o ateu integrador, que não considera a fé como um cancro mas como algo que pode ser intelectualizado e transformado num mecanismo propulsor da nossa sociedade. Espreitem e investiguem.

Porquê falar disto no meu blog?
Porque é preciso. Porque, neste país de brandos costumes, estamos a ser invadidos por hordas de novos vikings disfarçados de brasileiros com seitas religiosas que estão a conquistar espaço, a dominar canais de televisão e armazéns graças à falta de estrutura e consistência espiritual do nosso povo.
Porque é hora de pensarmos na humanidade e largarmos mitos.
Porque a onda já está em marcha.

Voltaremos a falar disto.

imaginário

A história é sempre a mesma. Gente que se encontra, que descobre empatias, afinidades, sintonias. Pessoas que se sentem espalhadas, dispersas num mundo de possibilidades. E nascem os projectos.
Somos muito bons, em Portugal, para fazer projectos.
Todos têm, pelo menos, um projecto na manga. Ou estão a preparar um.
Somos uma nação de transferidores, compassos e papel vegetal. Somos um colectivo de anotações em toalhetes de mesa e blocos de rascunhos e intenções. E gostamos disso. De cada vez que um de nós cria um projecto, sente-se como se já estivesse tudo construido. Uma intenção, para nós, é algo palpável.
Se as intenções fossem chips electrónicos, cada mesa de café deste país era uma pequena Taiwan.

Mas então porque é que não fazemos?
Porque é que de tantos projectistas surgem tão poucos empreendedores?
Porque é que tanto talento, tanta intenção e tantas sinopses acabam inanimadas no fundo do imaginário e nas gavetas da semana passada?
Porque é que tão poucos possuem a insensatez e obsessão de seguir em frente com a sua quimera?
Porque é que tão poucos é que compreendem que, por mais louco que possa soar, a meta até é atingível?
Vamos saltar este muro? Vamos contornar esta parede? Vamos não desistir?
Melhor: vamos fazer com que seja possível?

Tenho esta ideia na minha cabeça. É só uma ideia, mas pode ser uma doença. Uma doença que contagie e se espalhe. Que cresça. Que se torne real.
O tempo é sempre curto. O dinheiro é sempre escasso.
Queres fazer?
Salta em frente.
O que é preciso é esse salto.
Não é tempo, não é dinheiro.

É inércia.

Ixto k já xateia, poxa

Tou kuase a dar 1 tiro a extes putos novoz k têm a mania d k xcrevem tudo axim kom 1 stilo bué da moderno, topas?
Estes anormaiz penxam k é altamente e xuper fixe exkrever axim, e depois quando chega a hora de escrever em português, saem calinadas como "onde é que puses-te". Ou piores.Batam-lhes, por favor, e obriguem-nos a voltar à cartilha.
É k n há paxorra, lol.

Low 5

A todos os meus 300 e não-sei-quantos amigos que, aparentemente, tenho no HI5 (e que, já agora, pouco visito), gostaria de pedir o seguinte: párem de me enviar convites para me juntar a grupos.
Não há pachorra nem, sinceramente, o mínimo interesse em pertencer a um grupo dentro do grupo que é o Hi5, normalmente com um nome tipo "Amigos do Verão" ou "Cervejas e Shots", ou, ainda mais incompreensível, "Gandasmalukos" ou "BuéDaNice".
Poupem-me. Já não tenho idade para estas excitações sub-cutâneas.

Silvinha:

- Parabéns. Se hoje chover, é para limpar o terreno para que possas passar. Em frente, à frente e em grande. És linda, miúda, vê lá se te convences a editar o que escreves e, já agora, obrigado: não deve ser nada fácil ser minha amiga.