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Memória Curta


Esta eu não podia deixar passar; tive que vir até aqui deixar umas linhas sobre a escolha, ontem na RTP, de Salazar como o maior português de sempre. Segundo o programa, esta foi a decisão de pouco mais de 200 mil espectadores (ou chamadas, se preferirem), num programa de entretenimento que acabou por reabrir algumas velhas feridas lusitanas. Embora me apetecesse sair à rua com um saco na cabeça, acabei por decidir pensar racionalmente sobre a coisa. Certamente virão por aí muitas análises de muitos analistas muito especialistas nestas coisas de fazer leituras sobre estes fenómenos, mas aqui vai uma visão pessoal sobre a coisa.
Existem duas respostas possíveis para este resultado.

1º O resultado não expressa a vontade do povo português
É a resposta de conforto. Pensemos na seguinte perspectiva: nem toda a gente estava a ver televisão ontem à noite, exceptuando 200 mil velhos do Restelo. O programa não conseguiu chamar a atenção generalista excepto a alguns fãs de Salazar que puseram toda a família a ligar em catadupa como se não houvesse amanhã. Ou seja, um resultado parecido com o primeiro refrendo ao aborto.

2º O resultado expressa perfeitamente a vontade do povo português
Uma das principais características do antigo regime era não promover a educação; o povo queria-se burro e manipulável, inculto. Uma política que ainda hoje se reflecte no que somos: um país de gente de curta memória, presa a dogmas ultrapassados, desconhecedora da realidade e do mundo. Por mais que custe a muita gente, Portugal é um país na cauda do mundo, na cauda do saber, na cauda da civilização, pouco longe de alguns redutos do terceiro mundo.
Somos muito menos do que gostaríamos de ser, por mais que o tentemos disfarçar com carros topo de gama, internet banda larga e lojas modernaças.
Salazar ganhou porque nos faltam líderes a sério, porque nos falta uma mentalidade una e globalizante, porque somos um país de reality shows e baixa literacia.


Escolham o lado que preferirem.

Na Madeira, o carnaval começa mais cedo

"O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, afirmou ontem à noite que os portugueses "não têm testículos" para dizer que o referendo à despenalização do aborto não é vinculativo."
in Público, 16/02/07



Caro Dr. Jardim,

Após aprofundada análise do seu comportamento nas últimas décadas, temo informá-lo que, na verdade, podemos concluir que o senhor é que não é vinculativo aos portugueses. E desde já peço desculpa por lhe chamar "senhor". Adiante.
No que toca ao referendo, a primeira coisa que foi dita por todas as principais e mais sábias vozes desta nação (vozes que não está certamente habituado a escutar) é que, graças à elevada abstenção, o resultado não teve resultado juridicamente vinculativo. Isso, caro Alberto (caro no sentido de dispendioso), já nós sabemos e não precisamos de verificar a presença dos testículos para confirmar.
Mas sabemos que as coisas também valem pela demonstração de intenções e, por isso, é nossa opinião generalizada que o referendo terá algum vínculo moral.
Já agora:

Moral

do Lat. morale

s. f.,
conjunto de costumes e opiniões
que um indivíduo ou um grupo de indivíduos possuem relativamente ao
comportamento;
conjunto de regras de comportamento consideradas como
universalmente válidas;
parte da filosofia que trata dos costumes e dos
deveres do homem para com o seu semelhante e para consigo;
ética;
teoria
ou tratado sobre o bem e o mal;
lição, conceito que se extrai de uma obra,
de um facto, etc. ;

Gostaria também de o esclarecer que compreendemos todos a sua tendência para levar a conversa para os testículos mas por estes lados já andamos quase todos a pensar com a outra cabeça. Mas é natural: a sua necessidade de mostrar "quem é que tem tomates" é um reflexo do excesso de testosterona e a sua necessidade de manifestar a sua posição como macho alfa, líder da matilha. Nós sabemos - há documentários de vida animal que falam disso e, na sua idade e estado mental, é natural que tenha necessidades de afirmação perante a tribo.

Quanto às suas ameaças de levantar inconstitucionalidade em relação à futura lei, faça-o. Já não nos incomoda muito, essa mania de prolongar o carnaval para além da data de calendário. Cada um é bobo quando quer.
Deixe-me apenas referir, Alberto, que grande parte de nós já não se alarma com o seu fogo de artifício. Sabemos que não é um líder, porque um verdadeiro líder não se impõe, porque um verdadeiro líder sabe ouvir, porque um verdadeiro líder conhece o termo respeito.
Sabemos muita coisa sobre si, Alberto, infelizmente.

Desde 1978 que sabemos que, na Madeira, há um bombo de carnaval que continua a fazer barulho todo o ano.
Mas, por dentro, é oco.

RIP

Chamava-se António, ia fazer 33 anos e conviveu comigo durante vários anos na Póvoa de Varzim. Era um tipo saudável e bem-disposto - esta semana, um AVC levou-o.
A vida é curta. Inesperadamente curta.

Um abraço, mister.
Se eu acreditasse na vida para além da morte, combinava o encontro, mas não vai acontecer. E é pena - teríamos muito que falar, com umas cervejas na mão.

Agir pelos Oceanos. Agora.


Uma boa acção sabe bem. Faz bem. E não custa nada.
A maioria das pessoas foge do "activismo" como o diabo da cruz, mas a verdade é que podemos tomar atitudes e defender o que está certo, muitas vezes até sem grandes esforços.
Por isso, mexe-te. Acorda.
Uma das coisas que podes fazer, já, é perceber qual o estado dos nossos oceanos. E depois, já agora, assinar esta carta.
Os oceanos não precisam de um milagre - só de uma pequena ajuda.

Som Balentim

Como devem ter reparado, não fiz nenhum post em relação ao Dia dos Namorados.
Em vez disso, soltei um pum.

Devia haver o direito...

...de termos porte de arma apenas para dispararmos sobre indivíduos como o que se segue.
Nada de mal, apenas um tiro no meio da testa.
Espreitem isto:

via wonderm00n.

Quero abortar este referendo. Posso?

Quero abortar este referendo.
Quero abortar estas falsas questões que de repente eclodem em todos os jardins cagados deste país.
Quero abortar os frustrados que se querem vingar das mulheres e fazer delas incapacitadas mentais, ao dizer que se a despenalização for em frente vamos ter filas de portuguesas nas salas de espera dos hospitais deste país; os imbecis que nos tentam convencer que as mulheres deste país são todas putas fodilhonas completamente ignorantes e desconhecedoras de métodos anticoncepcionais e que aguardam esta oportunidade para derramar sangue como se estivéssemos na Transilvânia.
Quero abortar as actrizes e falsas púdicas e pretensas puritanas que enchem a garganta nos gritos das manifestações, ansiosas pelo estrelato na reportagem televisiva, e que vêm para as ruas dizer que são pelo "Não" porque são pela vida.
Sou contra todos os energúmenos que ainda não perceberam que todos somos pela vida.
Sou contra todas as bestas que pensam que este é um referendo sobre o aborto e que quem vota sim é porque tem algum fascínio por ver pequenos fetos assassinados em alguidares médicos.
Quero abortar todos estes filhos da puta que nas suas igrejas de ouro conquistado sobre sangue ainda julgam que têm a voz do poder e o poder da autoridade moral e estabelecer limites nas suas paróquias intelectuais.
Quero abortar todos estes dedos no ar, todos estes rostos vermelhos, todas estas gargantas inchadas, todos estes cavalheiros e todas estas senhoras que fazem disto a bandeira da montra dos seus bibelôs morais.
Abortemos já, abortemos todos os que insistem em esconder sobre demagogias a verdadeira questão deste referendo.
Este não é um referendo sobre o aborto. É um referendo sobre uma lei. Uma lei que oprime as mulheres. Uma lei que incentiva o medo e que favorece os abortos em vão-de-escada, uma lei que promove as idas a Espanha, uma lei que coloca as mulheres abaixo do nível de dignidade que é suposto terem já conquistado.
Este não é um referendo sobre o aborto.
Calem-me estes cabrões que tentam convencer o resto do país que, ao votar sim, vamos estar a promover uma holocausto de corpinhos de bébés por este país fora.
Silenciem-me estes criminosos que misturam dignidade e justiça com os mais primários valores humanos.
Juro-vos, a minha vontade é abortar toda esta discussão,ou melhor, todos estes monólogos de dedo em riste e de posturas fascistas.
Quero abortar os meninos da extrema-direita, escondidos nos seus cabelinhos de Anita-Vai-Á-Escola, camuflados pelos seus supostos bons valores morais, que tentam colocar esta questão dividida entre "quem é a favor da vida" e "quem quer matar todas as criancinhas".
Quero abortar todos os que se esqueceram que alguns de nós ainda pensam, que alguns de nós, apesar de sufocados pelos investimentos estrangeiros e de perdidos nos shoppings e de arrastados por modas e escândalos e falsas vedetas, ainda pensam.
Que alguns de nós ainda reagem, apesar de saberem que provavelmente o resultado vai ser "Não".
É verdade, o resultado é bem capaz de vir a ser não e eu explico-vos porquê: pelas mesmas razões que estão na origem dos acidentes na estrada, dos fogos florestais, do Apito Dourado, do Santuário de Fátima, da fuga ao fisco, da violência doméstica, da Casa Pia, da baixa produtividade, do endividamento, dos carros topo-de-gama nas estradas, do baixo rendimento escolar e da nossa contínua ignorância.
Somos uma grande montra sem grande recheio. Somos uma nação de novos-ricos impostores, de extremistas disfarçados, de um povo que continua a pensar que a qualidade da tua casa se vê pelo teu jardim.
Somos os reis da aparência. Uma ida a Espanha ocasional é a mesma coisa que não ir.
Os vãos de escada são feitos para isso mesmo: ocultar os segredos da burguesia.
Apetecia-me abortar todo este falso barulho.
Apetecia-me abortar este país.

Campanha de merda

Não há como fugir ao assunto e evitar falar.
A forma como está a decorrer a suposta campanha para o referendo sobre o aborto é uma vergonha para o nosso país. Ou então, se calhar, é só o reflexo do Portugal que realmente temos e eu é que ando iludido, a pensar que já estávamos no primeiro mundo.
Adiante.

Primeiro, pelas atitudes. Do lado do não e do sim, adoptam-se posturas bélicas, como se esta não fosse uma questão digna de ser debatida com tranquilidade e razonabilidade. E de ambos os lados da barricada, cometem-se erros e excessos em demasia.
A começar logo pela pseudo-intelectualização e (palavra nova:) quequelização que dominou a "campanha": quem é chique e moderno não diz que vai falar sobre o aborto mas sim que vai discutir o IVG; talvez porque, a nível de fonética, coloque a coisa no mesmo patamar do TGV e do TDI e TDS e GPS e todas essas siglas super-in que aromatizam qualquer conversa como se fossem àguas-de-rosas gramaticais. Não há quem aguente.
De ambos os lados da barricada, surgem as écharpes e os botões de punho, indignadíssimos, que organizam palestras e tertúlias para falar sobre este problema que "afecta as mulheres do povo". Como se o aborto fosse uma nova estirpe viral perdida em África, juntam-se as tias e os tios, os emplastros da Lapa e os envernizados da baixa e a quantidade de crimes ideológicos que lhes saem pela boca fora são suficientes para querer elevar este referendo ao direito a apedrejamentos em praça pública.
De todos os lados, fazem falta os moderados, os ajuízados.

E depois, surgem cartazes como o novo da campanha do não (quanto dinheiro se gastou em outdoors?), com a frase "Ainda vai a tempo de salvar muitas vidas".
Como se, ao votar não, estivessemos a eliminar o aborto da nossa sociedade. Como se, ao votar sim, estivessemos a abrir grandes matadouros de bébés.

Quando é que alguém vai explicar publicamente que este não é um referendo para decidir se somos a favor do aborto?
Ninguém é a favor do aborto.

Este não é um referendo sequer sobre o aborto.
É um referendo sobre as mulheres. É um referendo sobre a clandestinidade. É um referendo sobre as clínicas espanholas.

É um referendo sobre um país que, por tradição e por hábito, prefere sempre fingir que as coisas só existem quando se fala nelas. Um país que continua a fingir que, se não assumirmos as tristezas e se escondermos as nódoas, é como se elas não existissem.

É um referendo sobre um país de novos-ricos, em que o que vale não é o que somos mas sim o que aparentamos ser.

Uma semana


Sem fumar. Grrrr.

Assim de soslaio

Há coisas importantes que têm que ser ditas, antes do fim de semana.
Primeiro, que o Babel é um dos melhores filmes do ano e que é obrigatório ver na sala de cinema.
Segundo, que quem mora no Porto tem a obrigação cultural, moral e social de ir ver a peça Cara de Fogo, "teatro-incómodo o que se pode ver no Museu do Carro Eléctrico", pelo TUP. Saibam mais aqui, e despachem-se, já só há bilhetes para os últimos 4 dias.

Mais: estou sem fumar há dois dias.
Desta vez é que é.
Não está a ser fácil, mas quem vai ganhar sou eu.
Claro que estou impossível de aturar e só me falta espumar dos cantos da boca e trepar paredes, mas a coisa vai.
Grrrrrrrrr.

Bom fim-de-semana e vejam lá se lêem um bom livro. O Cemitério de Pianos é a minha sugestão. Comprem e leiam.

Merece.

De todos os leitores deste blog, gostava de fazer uma justa vénia ao Sr. Contente, visitante que, após uma quezília digital, regressou para se expressar como deve ser, de queixo erguido.
Como gente grande.
A confusão surgiu com um post de há uns tempos atrás sobre uma reportagem da Wired que falava do actual movimento ateu. Eu não me expliquei muito bem, é certo, e o Sr. Contente surgiu num comentário algo agreste. Eu respondi-lhe num outro post algo jocoso (a jeito de malandrice).
Agora, regressou e falou bem, rectificou a sua posição e deixou bem claro que não é parvo - mas que, como qualquer pessoa, também se pode irritar.

Mas o importante é que voltou. Manifestou-se. Fez questão de não sumir nestes meandros digitais, de não se esconder no anonimato da internet.
Como as pessoas crescidas fazem.


Hoje em dia, são poucas.

Sobre o Aborto

Após ter visto espalhados por Lisboa dezenas de outdoors com a campanha contra a despenalização do aborto, decidi eu próprio avançar com a minha campanha.
Aqui estão os meus primeiros cartazes.



Aceito sugestões para novos slogans e é claro que podem copiar estas imagens e reenviá-las para quem quiserem.

Já agora, não deixem de visitar e recomendar o site www.euvotosim.org, plataforma que eu, como já perceberam, apoio.
E passo a citar:
"O aborto é uma realidade lamentável mas inescapável. Embora seja triste que muitas mulheres efectuem abortos, essa é uma realidade que não podemos evitar. Podemos naturalmente tentar evitar o maior número possível de abortos individuais, mas devemos também procurar que os abortos que, de qualquer forma, serão praticados, o sejam nas melhores condições possíveis e com o menor sofrimento possível. Só a despenalização do aborto, dentro de um prazo realista (praticável), permite garantir que todas as mulheres que estejam firmemente determinadas a abortar o farão em condições seguras e não traumatizantes."

Aguardo contribuições ideológicas.

Como começar o ano com um engasgo financeiro ou Como estragar uma bela semana de inverno ou Como bater o recorde de palavrões num dia

Receita ímpar:
- descobrir que o carro tem uma avaria de reparação inadiável
- ter que chamar um canalizador lá a casa
- arrebentar a correia dos estores
- pagar internet, telemóvel, àgua, luz e renda.

É tiro e queda.