A vida é curta



Há que dançá-la.

Bon Chic


Confesso: aproveitei o serão de sábado livre para espreitar, pela primeira vez a sério, o programa da TVI "Bon Chic", o programa que triunfou neste horário e que impediu o "Boca a Boca" de prosseguir o seu curso evolutivo (sem audiências fecha-se a torneira).
Consegui resistir em frente ao televisor durante cerca de onze minutos. Com som e tudo.

Não me espanta que o "Bon Chic" tenha resultados. Aliás, outra coisa não seria de esperar - o programa surte o mesmo efeito que um acidente na estrada, ninguém gosta mas toda a gente quer ver. E é com o mesmo espírito de um acidente na IP5 que continua, minuto a minuto, flagelando-nos, num período de agonia intervalado por anúncios a detergentes, sempre marcado pelo calvário da aberração.

Eu sei bem que o "Boca a Boca" tinha muitos defeitos, mas permitam-me ser delicado: o "Bon Chic" é uma merda. E creio que é mesmo por isso que funciona.

Por isso, não me espanta que o "Bon Chic" tenha resultados. O que me espanta é que o sr. José Castelo Branco não se aperceba que está ali como o homem-elefante do Lynch; uma aberração para o povo ver, a mulher-barbuda, uma garça com a subtileza de uma abóbora que desliza sobre o seu ego infeccionado.
O homem pode ser parvo, mas será burro? Não consegue compreender que só lhe permitem pavonear-se e arrotar plumas porque é a estrela de um freak-show?

Bolas, alguém o avise!

Porque das duas, uma: ou ele é realmente tão ingénuo que julga que está a brilhar, investindo cada vez mais numa persona, num personagem que julga engraçado; ou então o gajo é mesmo assim. E se assim for, temos um problema.

É que, se o Sr. Branco é na intimidade aquilo que personifica perante as câmeras, então representa tudo o que de pior existe na nossa sociedade.
Se o gajo é mesmo assim, estamos a assistir ao triunfo da escória.
Porque - pensem bem - se o gajo é mesmo assim, significa que entregamos a vitória ao egocentrismo, à vaidade nula, à masturbação pública, à falsa-modéstia, ao vazio da mensagem, ao andrógeno de corpo e alma, ao elogio da futilidade, das aparências e da fortuna oca como cume do sucesso.
Entregamos a vitória a tudo isto e pior: aos gajos que o puseram lá, mais conscientes disto do que o pobre pavão podre, bêbado de si mesmo.

Pronto. Já desabafei.

Em Agenda...

Porque tenho que pôr pão na mesa e porque isto de férias com mais de três dias é aborrecido, decidi marcar algumas coisas na agenda.
Esta semana vai ser para reunir com a Região, estruturar textos e reorganizar tralha.

Quinta-feira, 5 de Maio, regresso a uma das casas onde comecei isto de comédia - o Café Del Mar, em Braga. Vai ser matar saudades e (ó diabo!) sou capaz de levar comigo alguns Regionários para uma demonstração práctica da Região Estrangeira. O Del Mar fica em frente ao Bar Académico e a coisa costuma começar por volta da meia-noite.

Sexta lá vou eu de regresso a Lisboa para um jantar com a equipa do falecido Boca a Boca, porque merecemos enfrascarmo-nos sem responsabilidades depois do esforço conjunto que tivémos. E aproveito para ficar em Lisboa, porque sábado vou actuar uma hora para o 24Horas-TMN, a partir das 15h. Ainda não sei onde, mas tudo bem.

E para já, é isto. Ando a ler "O caminho para Wigan Pier", de Orson Welles (rectificação posterior: George Orwell), um livro imprescindível:

A caminho de Wigan Pier, George Orwell infiltra-se, como a água da chuva e o frio por entre as brechas das casas degradadas, na vida das comunidades de mineiros do Lancanshire, descendo com estes homens infaustos e desesperançados às minas e às catacumbas da existência humana. Orwell assume assim a sua origem nobre, não por ser essa a sua condição social e a origem da
sua educação, mas porque conseguiu, sob a negregura da pele alheia, encontrar-se a si mesmo, o que afinal também se verifica a seguir, quando aborda a embaraçosa questão da elevada taxa de desemprego e as conse-quentes miserandas condições de vida. A partir daí, e já na segunda parte do livro, como uma consequência natural da experiência anterior, uma luz depois de um longo e escuro corredor subterrâneo, Orwell avança com as suas ideias, ou ideais, sobre o socialismo, sobre a forma crítica como este poderia ser aplicado e subsidiar a construção de outro mundo, longe do futuro previsto em Mil Novecentos e Oitenta e Quatro.

por Leonardo Silvino, in Duplipensar.net



E pronto.
Ah, é verdade, no início de Junho vou ao Casino da Figueira. Depois conto.

Falemos a sério

A coisa anda a ficar séria.
A Região Estrangeira, provavelmente o meu projecto favorito, está a ganhar peso e medida a cada dia que passa.

A Região é uma companhia de humor na qual me insiro, juntamente com alguns outros loucos reaccionários.
De sketches a peças de tetro, de vídeo a produção de conteúdos, a Região está cada vez mais inflamada.
Depois de quatro actuações oficiais, estamos a ganhar fôlego para objectivos maiores... Portanto, preparem-se para algumas surpresas: os regionários vêm aí.

Foi você que pediu 600 km's?

Hoje vou mais uma vez dar um salto a Lisboa, para uma reuniãozita na SIC e para beber um caneco com a malta da Comunicasom.
Se tiver oportunidade, vou tentar ainda jantar com o Nuno Feist, meu ex-maestro/pianista do falecido programa, que está agora a braços com o musical Marlene no cinema Mundial (apesar do nome, é um teatro).
Não me chateia nada ir e vir a Lisboa.
Só não posso mais é com a A1.
Arre, que o raio da estrada é chata como o caraças!
Alguém ainda se lembra da A1 sem ter troços em obras?

Falam, falam, falam

No outro dia perguntaram-me quem era o comediante, a nível nacional, que eu mais admirava.
Essa é uma questão difícil e guardo para mim a resposta (embora pouco clara, como todas as minhas respostas).
Mas garanto-vos que, algures no Top 5, está este cavalheiro

O Ricardo Araújo Pereira merece que lhe tire o chapéu.
Primeiro, porque ele deve ficar muito mal de chapéu; e segundo, porque tem rasgos de verdadeiro génio.
E não estou a falar dos Gatos - se quiserem descobrir o lado verdadeiramente brilhante do RAP, leiam a sua crónica mensal na Visão.
Sim, senhor. Quem sabe, sabe.

Back in action

Não é uma questão de saudade, é uma questão de dependência. Cada vez que se volta ao palco, cura-se a ressaca. Actuar ao vivo ainda é uma droga legal...

Home Sweet Home

Cá estou eu de regresso a casa, o meu cantinho na vila de Fão, em Esposende.
Vou aproveitar a folga da TV e redescobrir a qualidade de vida: jantar com amigos, ressuscitar o kayak, passear da beira-rio até à beira-mar, atacar umas mariscadas junto à praia...
Fão é daqueles sítios que ou se ama ou se odeia.

Eu adoro.
É inacreditável como ainda hoje se consegue viver nestes recantos paradisíacos...


Vou buscar a pagaia e o kayak. Que se lixe o stress.

PC no PC

O Partido Comunista Português (vulgo "Os Camaradas") estreou hoje no seu site oficial a primeira rádio on line partidária.
O que é curioso por dois detalhes:
- Passamos a poder ouvir o PC... no pc;
- sendo uma rádio digital comunista, creio que o stéreo devia resumir-se à coluna da esquerda...
Avante, camaradas, e cuidado com os vírus no partido...

(o Jerónimo de Sousa usará o Windows, Mac ou Linux?)

Os projectos são como as maçãs...

...É difícil escolher um.
E agora? Teatro, televisão, mais stand-up? Voltar ao design? Rádio, outra vez?
Ou tudo ao mesmo tempo?

Já sei: dormir durante pelo menos dois dias.
Bom projecto. Relaxa.

Jovem Apresentador

Jovem apresentador, 30 anos
relativo bom aspecto consoante a distância a que é observado
forte sentido de humor
habituado a trabalhar em equipa
com carta de condução
frequência universitária
fluente em inglês
não-fluente em eslovaco
saudável, com dentição própria

procura emprego na àrea da península ibérica.
Favor contactar em carta selada a este blog.

O fim do Boca a Boca

Oficial: Boca a Boca encerra dia 23.
Foi hoje confirmado pela direcção de programas da SIC, após análise profunda pela admnistração.
O Boca a Boca termina as suas emissões este sábado.

Apesar de todos os esforços, ficou provado pelas audiências médias que não é este o programa que as pessoas querem ver ao sábado à noite.
Aliás, os canais cabo têm ganho cada vez mais terreno neste espaço da semana, o que vem provar que nenhum dos três canais generalistas conseguiu encontrar o formato certo.
No que toca a mim, tem sido uma aventura fantástica e um processo de aprendizagem intenso. A equipa foi extraordinária.
Sábado vamos encerrar em grande.
Em grande.
E puf.

(depois, se valer a pena, falamos)

De regresso ao Norte!!!

Yupiii!!!
Dia 24 regresso ao norte, para descontrair e relaxar na companhia da minha ciganada!!!
Mas há mais: vou matar a saudade da stand-up e vou novamente dar uma perninha no Laf! Comedy Club!

Para quem não sabe, o Laf! é o primeiro (e único, segundo sei) clube de comédia do país!
Fica ali em Leça da Palmeira, Porto, pertinho da Exponor e é uma casa que sim, senhor!
Aleluia!
Ando mortinho por me vingar de um palco...
Apareçam: não pago copos a ninguém!

A quente do dia

Matemática? You sexy thing!

Para quem diz que a matemática não é romântica e não tem poesia:

Poesia Matemática
Millôr Fernandes

Às folhas tantas
do livro matemático
um Quociente apaixonou-se
um dia
doidamente
por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
e viu-a do ápice à base
uma figura ímpar;
olhos rombóides, boca trapezóide,
corpo retangular, seios esferóides.
Fez de sua uma vida
paralela à dela
até que se encontraram
no infinito.
"Quem és tu?", indagou ele
em ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram
(o que em aritmética corresponde
a almas irmãs)
primos entre si.
E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação
traçando
ao sabor do momento
e da paixão
retas, curvas, círculos e linhas
sinoidais

nos jardins da quarta dimensão.
Escandalizaram os ortodoxos
das fórmulas euclidiana
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções
newtonianas e pitagóricas.
E enfim resolveram se casar
constituir um lar,
mais que um lar,
um perpendicular.
Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas
para o futuro
sonhando com uma felicidade
integral e diferencial.
E se casaram
e tiveram uma secante e três cones
muito engraçadinhos.
E foram felizes
até aquele dia
em que tudo vira afinal
monotonia.
Foi então que surgiu
o Máximo Divisor Comum
freqüentador de círculos concêntricos,
viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um denominador comum.
Ele, Quociente, percebeu
que com ela não formava mais
um todo,
uma unidade.
Era o triângulo,
tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era uma fração,
a mais ordinária.
Mas foi então
que Einstein descobriu a Relatividade
e tudo que era espúrio
passou a ser moralidade
como aliás
em qualquer sociedade.

Do grande carioca Millôr Fernandes.
Leiam mais sobre ele e outros no projecto Releituras, e redescubram o prazer de ler preciosidades.

Siderado!!!

Yes!
Se o mundo não acabar entretanto, vou ter a hipótese de entrevistar estes senhores

dia 23, no programa. E vão cantar e tudo.

Mas que bem. Gosto desta rapaziada.

I see dead people

Por aqui joga-se.
É um dos melhores anti-stresses à disposição.
Ligamo-nos à máquina e mata-se uma série de gente.
Delicioso.
Neste momento, correm no meu pc dois joguinhos:
Brothers in Arms, uma viagem à II Grande Guerra, com um cheirinho de estratégia pelo meio

Muito agradável, até ao momento, com momentos que fazem recordar a série com o mesmo nome.


Mas o jogo de eleição, para jogar sozinho ou em multiplayer, é sem sombra de dúvidas o extraordinário Half-Life 2. Viciante, com uma jogabilidade, história e ritmo narrativo fabulosos.


Recomendo vivamente. (Herrera, vai-te treinando...)

Bang-bang.
Shoot'em-up.

Estou proibido pelo Governo

E pimba.
Acabo de me tornar persona non grata para o Governo Português.
Graças a mim, a nossa sagrada Assembleia da República decidiu decretar entrada proibida a qualquer programa de entretenimento dentro das suas mui sagradas instalações.
Voltamos portanto ao tempo da velha senhora.

Eu explico.
Para quem não viu, no "Boca a Boca" de 9 de Abril passamos uma peça, filmada na Assembleia da República, em que aqui o caixa d'óculos perguntava aos deputados "De que têm medo os políticos":

- O resultado? Uma peça divertida, com cerca de 3 minutos, onde ficamos a saber que Miguel Relvas tem medo de não ser feliz. Zita Seabra teme cair um dia nos Passos Perdidos, que são feitos para "sapatos masculinos". E a Odete Santos preocupa-a que isto "ainda resvale para a direita". Entre outros felizes exemplos.
Acontece que, para meu espanto, alguém não deve ter gostado da brincadeira.
Na passada quarta-feira, a reunião de líderes do governo decidiu fechar as portas a todas as gravações que não se assumam como exclusivamente de informação (?!).
Podem ver mais detalhes aqui ou aqui, por exemplo.

Convém explicar que só filmámos dentro da Assembleia (nos chamados "Passos Perdidos", irónicamente) depois de pedirmos as devidas autorizações. E que não pregámos rasteiras a ninguém - fizémos apenas e sempre a já referida pergunta.

De qualquer forma, tenho que pedir desculpas.
Desculpas a todos os meus colegas de todos os outros programas televisivos de entretenimento de todos os canais (cabo e generalistas).
Queimei-vos os caminho.
Estraguei-vos grandes futuras peças.
Sou um sacana.
E tenho que pedir desculpas aos senhores deputados e senhoras deputadas do governo Português.
É que afinal, fiz uma peça enganosa: tentei mostrar os políticos como humanos, sinceros e com sentido de humor.
Ou seja, fugi à verdade.
Abraços.

Levanta-te Barros

Agora já se pode dizer: a partir de Maio, Miguel Barros é o novo apresentador do "Levanta-te e Ri".
A notícia não agradou a muita gente e o próprio Marco Horácio confessou-se surpreendido pela escolha - estava à espera de um nome mais óbvio como o de Francisco Menezes - embora, como seria de esperar, deposite toda a confiança e apoio no Miguel...
Com mais de dois anos em antena, o Levanta-te é um caso inequívoco de sucesso, e grande parte dele deve-se ao trabalho árduo de permanente construção que o Marco desenvolveu. Ao longo de todo este tempo, o MH foi crescendo e criando um estilo próprio e uma imagem de marca nas noites de segunda-feira; tornou-se o rosto do programa.
É lógico que está cansado e é lógico que quer apostar em novas direcções, antes que o feitiço se vire contra o feiticeiro, antes de ser soterrado pela montanha que ajudou a erguer.
Muitos fãs devem estar tristes. Mas deixem-no ir. Com o talento que ele tem, merece que o deixemos abrir asas.
Mas um facto é indiscutível. A saída de MH é um tsunami no programa.

Será o Levanta-te capaz de se reconstruir e renascer?
Eu acho que sim.
E acredito no Miguel Barros.
Apesar de ser meu amigo pessoal, encontro no Miguel muitas capacidades para conduzir este barco.
O rapaz tem talento, mas acima de tudo, trabalha. E trabalha bem.
No lugar dele, eu que nem religioso sou já estaria a rezar a todos os santos: a tarefa é pesada e, de certo modo, ingrata.
Mas estou certo que o público lhe vai saber dar a hipótese necessária.
Temos que aguardar e ver a metamorfose do Levanta-te e Ri. Mas temos que o fazer com bons olhos e uma atitude receptiva.
O programa merece.
E o Miguel também.

3 mandatos and it's over


Alberto João Jardim é o único autarca que a Madeira alguma vez conheceu desde 74.
Dá que pensar, não dá?