Eles andam aí


Novidades: a malta da SIC acaba de me lançar um convite para este verão.
Para já ainda não está nada confirmado (que é como quem diz: ainda não acertamos o guito), mas posso dizer-vos que me surpreenderam.
Portanto, se tudo correr bem, ainda acabo por passar o verão enfiado num estúdio, mais uma vez a apresentar televisão.
Trabalho é trabalho e someone's got to do it.
Ou muito me engano ou até vocês vão ficar surpreendidos...

Férias a chegar ao fim

Tenho andado meio desligado do blog porque tenho andado a esforçar-me por não fazer nada, o que é bastante difícil.
Mas este período de férias está a chegar ao fim: prometi a mim mesmo que, a partir da próxima semana, farei alguma coisa.

A Guarda na barra


173 agentes da Brigada de Trânsito e 22 empresários começaram a ser julgados por dezenas de crimes, cometidos no âmbito de acções de fiscalização do trânsito.
É RECORDE!!! Nunca nenhum processo juntou tantos arguidos como este...

Não compreendo porque é que estes agentes tinham esquemas por fora...
Eles até ganham bem e tudo: toda a gente sabe que na GNR e na PSP é que está o futuro... Aí sim, é que se tem uma carreira segura, bem remunerada e com regalias que compensam o facto de se trabalhar com risco.

Jorge Perestrelo

Morreu o homem que nos fez chorar por Portugal e vibrar cada golo como se fosse sempre o primeiro.
Eu, que até nem gosto assim tanto de futebol, adorava ouvir este homem.

Queríamos um prologamento, mas esse coração que tanto gritava traíu-nos.
Mesmo assim não há dúvida:
Perestrelo - 1, resto do mundo - 0.
Ganhaste, campeão.
E ripa na rapaqueca.

Encontros marcados



Hoje, no Café Del Mar, em Braga - vou estar lá com dois companheiros da Região Estrangeira, o Marco Rodrigues e o Nuno Matos.

Sábado, na zona de comédia do 24 horas TMN, em Lisboa, a partir das 15h.

Encontramo-nos lá?

A vida é curta



Há que dançá-la.

Bon Chic


Confesso: aproveitei o serão de sábado livre para espreitar, pela primeira vez a sério, o programa da TVI "Bon Chic", o programa que triunfou neste horário e que impediu o "Boca a Boca" de prosseguir o seu curso evolutivo (sem audiências fecha-se a torneira).
Consegui resistir em frente ao televisor durante cerca de onze minutos. Com som e tudo.

Não me espanta que o "Bon Chic" tenha resultados. Aliás, outra coisa não seria de esperar - o programa surte o mesmo efeito que um acidente na estrada, ninguém gosta mas toda a gente quer ver. E é com o mesmo espírito de um acidente na IP5 que continua, minuto a minuto, flagelando-nos, num período de agonia intervalado por anúncios a detergentes, sempre marcado pelo calvário da aberração.

Eu sei bem que o "Boca a Boca" tinha muitos defeitos, mas permitam-me ser delicado: o "Bon Chic" é uma merda. E creio que é mesmo por isso que funciona.

Por isso, não me espanta que o "Bon Chic" tenha resultados. O que me espanta é que o sr. José Castelo Branco não se aperceba que está ali como o homem-elefante do Lynch; uma aberração para o povo ver, a mulher-barbuda, uma garça com a subtileza de uma abóbora que desliza sobre o seu ego infeccionado.
O homem pode ser parvo, mas será burro? Não consegue compreender que só lhe permitem pavonear-se e arrotar plumas porque é a estrela de um freak-show?

Bolas, alguém o avise!

Porque das duas, uma: ou ele é realmente tão ingénuo que julga que está a brilhar, investindo cada vez mais numa persona, num personagem que julga engraçado; ou então o gajo é mesmo assim. E se assim for, temos um problema.

É que, se o Sr. Branco é na intimidade aquilo que personifica perante as câmeras, então representa tudo o que de pior existe na nossa sociedade.
Se o gajo é mesmo assim, estamos a assistir ao triunfo da escória.
Porque - pensem bem - se o gajo é mesmo assim, significa que entregamos a vitória ao egocentrismo, à vaidade nula, à masturbação pública, à falsa-modéstia, ao vazio da mensagem, ao andrógeno de corpo e alma, ao elogio da futilidade, das aparências e da fortuna oca como cume do sucesso.
Entregamos a vitória a tudo isto e pior: aos gajos que o puseram lá, mais conscientes disto do que o pobre pavão podre, bêbado de si mesmo.

Pronto. Já desabafei.

Em Agenda...

Porque tenho que pôr pão na mesa e porque isto de férias com mais de três dias é aborrecido, decidi marcar algumas coisas na agenda.
Esta semana vai ser para reunir com a Região, estruturar textos e reorganizar tralha.

Quinta-feira, 5 de Maio, regresso a uma das casas onde comecei isto de comédia - o Café Del Mar, em Braga. Vai ser matar saudades e (ó diabo!) sou capaz de levar comigo alguns Regionários para uma demonstração práctica da Região Estrangeira. O Del Mar fica em frente ao Bar Académico e a coisa costuma começar por volta da meia-noite.

Sexta lá vou eu de regresso a Lisboa para um jantar com a equipa do falecido Boca a Boca, porque merecemos enfrascarmo-nos sem responsabilidades depois do esforço conjunto que tivémos. E aproveito para ficar em Lisboa, porque sábado vou actuar uma hora para o 24Horas-TMN, a partir das 15h. Ainda não sei onde, mas tudo bem.

E para já, é isto. Ando a ler "O caminho para Wigan Pier", de Orson Welles (rectificação posterior: George Orwell), um livro imprescindível:

A caminho de Wigan Pier, George Orwell infiltra-se, como a água da chuva e o frio por entre as brechas das casas degradadas, na vida das comunidades de mineiros do Lancanshire, descendo com estes homens infaustos e desesperançados às minas e às catacumbas da existência humana. Orwell assume assim a sua origem nobre, não por ser essa a sua condição social e a origem da
sua educação, mas porque conseguiu, sob a negregura da pele alheia, encontrar-se a si mesmo, o que afinal também se verifica a seguir, quando aborda a embaraçosa questão da elevada taxa de desemprego e as conse-quentes miserandas condições de vida. A partir daí, e já na segunda parte do livro, como uma consequência natural da experiência anterior, uma luz depois de um longo e escuro corredor subterrâneo, Orwell avança com as suas ideias, ou ideais, sobre o socialismo, sobre a forma crítica como este poderia ser aplicado e subsidiar a construção de outro mundo, longe do futuro previsto em Mil Novecentos e Oitenta e Quatro.

por Leonardo Silvino, in Duplipensar.net



E pronto.
Ah, é verdade, no início de Junho vou ao Casino da Figueira. Depois conto.

Falemos a sério

A coisa anda a ficar séria.
A Região Estrangeira, provavelmente o meu projecto favorito, está a ganhar peso e medida a cada dia que passa.

A Região é uma companhia de humor na qual me insiro, juntamente com alguns outros loucos reaccionários.
De sketches a peças de tetro, de vídeo a produção de conteúdos, a Região está cada vez mais inflamada.
Depois de quatro actuações oficiais, estamos a ganhar fôlego para objectivos maiores... Portanto, preparem-se para algumas surpresas: os regionários vêm aí.

Foi você que pediu 600 km's?

Hoje vou mais uma vez dar um salto a Lisboa, para uma reuniãozita na SIC e para beber um caneco com a malta da Comunicasom.
Se tiver oportunidade, vou tentar ainda jantar com o Nuno Feist, meu ex-maestro/pianista do falecido programa, que está agora a braços com o musical Marlene no cinema Mundial (apesar do nome, é um teatro).
Não me chateia nada ir e vir a Lisboa.
Só não posso mais é com a A1.
Arre, que o raio da estrada é chata como o caraças!
Alguém ainda se lembra da A1 sem ter troços em obras?

Falam, falam, falam

No outro dia perguntaram-me quem era o comediante, a nível nacional, que eu mais admirava.
Essa é uma questão difícil e guardo para mim a resposta (embora pouco clara, como todas as minhas respostas).
Mas garanto-vos que, algures no Top 5, está este cavalheiro

O Ricardo Araújo Pereira merece que lhe tire o chapéu.
Primeiro, porque ele deve ficar muito mal de chapéu; e segundo, porque tem rasgos de verdadeiro génio.
E não estou a falar dos Gatos - se quiserem descobrir o lado verdadeiramente brilhante do RAP, leiam a sua crónica mensal na Visão.
Sim, senhor. Quem sabe, sabe.

Back in action

Não é uma questão de saudade, é uma questão de dependência. Cada vez que se volta ao palco, cura-se a ressaca. Actuar ao vivo ainda é uma droga legal...

Home Sweet Home

Cá estou eu de regresso a casa, o meu cantinho na vila de Fão, em Esposende.
Vou aproveitar a folga da TV e redescobrir a qualidade de vida: jantar com amigos, ressuscitar o kayak, passear da beira-rio até à beira-mar, atacar umas mariscadas junto à praia...
Fão é daqueles sítios que ou se ama ou se odeia.

Eu adoro.
É inacreditável como ainda hoje se consegue viver nestes recantos paradisíacos...


Vou buscar a pagaia e o kayak. Que se lixe o stress.

PC no PC

O Partido Comunista Português (vulgo "Os Camaradas") estreou hoje no seu site oficial a primeira rádio on line partidária.
O que é curioso por dois detalhes:
- Passamos a poder ouvir o PC... no pc;
- sendo uma rádio digital comunista, creio que o stéreo devia resumir-se à coluna da esquerda...
Avante, camaradas, e cuidado com os vírus no partido...

(o Jerónimo de Sousa usará o Windows, Mac ou Linux?)

Os projectos são como as maçãs...

...É difícil escolher um.
E agora? Teatro, televisão, mais stand-up? Voltar ao design? Rádio, outra vez?
Ou tudo ao mesmo tempo?

Já sei: dormir durante pelo menos dois dias.
Bom projecto. Relaxa.

Jovem Apresentador

Jovem apresentador, 30 anos
relativo bom aspecto consoante a distância a que é observado
forte sentido de humor
habituado a trabalhar em equipa
com carta de condução
frequência universitária
fluente em inglês
não-fluente em eslovaco
saudável, com dentição própria

procura emprego na àrea da península ibérica.
Favor contactar em carta selada a este blog.

O fim do Boca a Boca

Oficial: Boca a Boca encerra dia 23.
Foi hoje confirmado pela direcção de programas da SIC, após análise profunda pela admnistração.
O Boca a Boca termina as suas emissões este sábado.

Apesar de todos os esforços, ficou provado pelas audiências médias que não é este o programa que as pessoas querem ver ao sábado à noite.
Aliás, os canais cabo têm ganho cada vez mais terreno neste espaço da semana, o que vem provar que nenhum dos três canais generalistas conseguiu encontrar o formato certo.
No que toca a mim, tem sido uma aventura fantástica e um processo de aprendizagem intenso. A equipa foi extraordinária.
Sábado vamos encerrar em grande.
Em grande.
E puf.

(depois, se valer a pena, falamos)

De regresso ao Norte!!!

Yupiii!!!
Dia 24 regresso ao norte, para descontrair e relaxar na companhia da minha ciganada!!!
Mas há mais: vou matar a saudade da stand-up e vou novamente dar uma perninha no Laf! Comedy Club!

Para quem não sabe, o Laf! é o primeiro (e único, segundo sei) clube de comédia do país!
Fica ali em Leça da Palmeira, Porto, pertinho da Exponor e é uma casa que sim, senhor!
Aleluia!
Ando mortinho por me vingar de um palco...
Apareçam: não pago copos a ninguém!

A quente do dia

Matemática? You sexy thing!

Para quem diz que a matemática não é romântica e não tem poesia:

Poesia Matemática
Millôr Fernandes

Às folhas tantas
do livro matemático
um Quociente apaixonou-se
um dia
doidamente
por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
e viu-a do ápice à base
uma figura ímpar;
olhos rombóides, boca trapezóide,
corpo retangular, seios esferóides.
Fez de sua uma vida
paralela à dela
até que se encontraram
no infinito.
"Quem és tu?", indagou ele
em ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram
(o que em aritmética corresponde
a almas irmãs)
primos entre si.
E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação
traçando
ao sabor do momento
e da paixão
retas, curvas, círculos e linhas
sinoidais

nos jardins da quarta dimensão.
Escandalizaram os ortodoxos
das fórmulas euclidiana
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções
newtonianas e pitagóricas.
E enfim resolveram se casar
constituir um lar,
mais que um lar,
um perpendicular.
Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas
para o futuro
sonhando com uma felicidade
integral e diferencial.
E se casaram
e tiveram uma secante e três cones
muito engraçadinhos.
E foram felizes
até aquele dia
em que tudo vira afinal
monotonia.
Foi então que surgiu
o Máximo Divisor Comum
freqüentador de círculos concêntricos,
viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um denominador comum.
Ele, Quociente, percebeu
que com ela não formava mais
um todo,
uma unidade.
Era o triângulo,
tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era uma fração,
a mais ordinária.
Mas foi então
que Einstein descobriu a Relatividade
e tudo que era espúrio
passou a ser moralidade
como aliás
em qualquer sociedade.

Do grande carioca Millôr Fernandes.
Leiam mais sobre ele e outros no projecto Releituras, e redescubram o prazer de ler preciosidades.