O Bloqueio Francês



Era o que faltava, a cereja no topo do bolo: a França decidiu pelo "Não" ao tratado de Constituição Europeia, o tratado que iria fortalecer a Europa garantindo, entre outras coisas, personalidade jurídica à UE e dando-lhe capacidade para subscrever tratados internacionais. Ou seja, um passo em frente para a solidificação europeia perante si e o resto do mundo.
Mas não.
Os franceses sempre tiveram medo de perder os seus éclairs e de se juntar aos outros. A história mostra-o: mesmo com Hitler já dentro de suas casas, os franceses preferiam o isolamento e resignação.

Agora, com a Alemanha na crise em que está, com Portugal no marasmo económico e com o resto da Europa ainda aos engasgos, a França acaba por dar o empurrão final para que acabemos todos na parilisia internacional.

Obrigadinho.
Espero que se engasguem todos nos vossos croissants.
Au revoir.

Sobre a Comédia e quem a faz

Surgiram recentemente, nos comentários a um post anterior, algumas questões sobre a autoria de textos de humor. Vamos a isso, então:

Fazer comédia não tem piada nenhuma. Que isto fique bem claro.
Uma vez a cada cem textos, há um que surge como inspiração divina.
Mas na maioria dos casos, é um processo lento, sofrido. Sem grande piada.
Quando se escreve comédia, nada parece realmente ter graça, tudo soa a familiar e, depois de mastigar demasiado uma piada, acaba por saber mal...
Além disso, é um processo de constante refinar. Escreve-se, reescreve-se, adapta-se, testa-se e volta-se ao início. Ou deita-se fora.

Pouca gente escreve comédia. Eu próprio escrevo pouco, o suficiente para mim (o resultado como se vê não é grande espingarda e confesso que também sou preguiçoso).

A maioria do pessoal que aparece no "Levanta-te e Ri" é também autor dos textos. Tirando um ou outro convidado especial, para quem se encomenda material, é a malta que escreve o produto.
Claro que também há casos em que alguém se lembra de uma piada que fica bem no texto de outro, e faz-se uma transacção, uma troca.

Por isso acabamos por ter resultados tão diferentes: há malta que consegue manter um ritmo de textos aceitáveis, outros só a cada solstício é que conseguem escrever com piada. E outros nem isso.

É como a música: nem sempre a melodia agrada.

Un recuerdo

a cambada
Da esquerda para a direita, e apenas para os menos atentos:
Francisco Menezes, Miguel 7 Estacas, Paulo Baldaia, Marco Horácio, João Seabra, Hugo Sousa e eu.

Levanta Leiria

Quem é que faz estas caricaturas?
E pronto: ontem lá correu mais um "Levanta-te e Ri", em Leiria, onde tive a oportunidade de partilhar o palco com o Miguel Barros (que cada vez mais assegura o seu lugar e a sua forma de guiar o barco), os KGB Clowns, o Eduardo Madeira, o Fernando Rocha e esta menina:
Joana em acção!
Joana Capucho, uma jovem comediante que me surpreendeu!!! Dominou o palco, conquistou o lugar e fez-nos rir com um texto todo de sua autoria, muito engraçado, incisivo e cirúrgicamente cómico. Muito bem, sim senhora.
Quanto a mim, experimentei pisar terreno novo:
...até parece que sabe tocar...
Sinceramente, correu melhor do que eu esperava. Estava mesmo convencido de que me ia atrapalhar com o facto de tocar e falar em simultâneo, mas a coisa lá correu...
Diverti-me bastante. Para a próxima, quero experimentar algo mais físico.
Tipo regar-me com àlcool, chegar fogo e dançar ao mesmo tempo a Kalinka...

Revisão Geral + Agenda

Já lá vão uns tempos, mas relembremos...

- gostei de ir a Cascais, ao bar do Horácio. Apesar de não reunir as melhores condições (ruído de fundo, poucos lugares sentados e som ainda por aperfeiçoar), senti-me em casa. O Marco é, como toda a gente sabe, um excelente anfitrião, tal como a Carlita Vasconcelos, um doce de rapariga. Aliás, senti-me tão bem que, logo a seguir ao espectáculo, dei um salto ao bar do João Gamboa, mesmo ao lado, onde ainda delirei um bocadinho com um karaoke bem kitsh. Delicioso. Diverti-me à brava.

- aproveitei também a ida a Lisboa para ver o que a SIC queria de mim. Após uma reunião esclarecedora, lá aceitei o convite e a partir de 20 de Junho regresso à demoníaca caixinha mágica, outra vez nos directos... Depois explico melhor, mas continuo a dizer que vai surpreender muita gente. Eu, que já desconfiava, fiquei de boca aberta, mas convite é convite.

- amanhã tenho o "Levanta-te" em Leiria e sábado que vem, a Região ataca de novo no Laf Comedy Club, em Leça. Por isso, tenho andado ocupado a terminar alguns sketches e a ensaiar com a malta.

- dia 2 de Junho vou actuar no Casino da Figueira da Foz, uma horinha de espectáculo, e dia 3, à noite, estarei no Bombarral, para partilhar o palco com os Kapagrilos. Ainda nessa sexta-feira, mas à tarde, vou dar um salto a Lisboa para uma brincadeira com os alunos de Comunicação da Universidade Lusófona, em Lisboa. De borla, com sentido (des)pedagógico.

Marketing up our ass

A roupa que está na moda. Os sapatinhos que ficam bem. O cabelo que está na onda. A música que está a bater. O sítio que está a dar. O telemóvel topo de gama. O carro do momento.

Curiosamente, não tenho fome de hamburgueres. Tenho fome de gente verdadeira. Original. Sem marca registada nem patente pendente: gente única. Fora de moda mas dentro do mundo.
Tenho fome de gente que não tenha lido "O Código de Da Vinci".
De gente que goste de se sentar no chão.
De não fazer nada e ouvir as árvores.
Inventar uma receita no fogão de casa, saber mal e rir.
Discutir a importância do tipo de sal nas pipocas.
Ouvir Cole Porter.
E Marante.
Dar um abraço sem razão aparente.
Mostrar a língua sem razão aparente.
Piscar o olho por uma razão inerente.
Dizer "Gosto de ti" sem uma intenção subjacente.

Correr na rua só para não andar no ritmo do mundo.
Viver.

Centros Comerciais?

Agora que abriram mais um centro comercial em terras sagradas das Antas, apercebo-me para onde este país vai.
Eu digo-vos para onde vai: para o paraíso dos compradores compulsivos - estamos a transformar Portugal no maior shopping do planeta.
Qualquer dia fazem uma cobertura gigante de norte a sul e usamos as cabines da Brisa como caixas registradoras. Ah, e pomos meninas de mini-saia e patins no IP5 e no IC2...
"Patinadora à caixa central de Coimbra..."

Segunda que vem, L&R

Tarda mas não falha: segunda que vem, lá estarei outra vez no "Levanta-te e Ri", desta vez em Leiria.
Vou ser apresentado pela primeira vez pelo senhor Miguel Barros e, para assinalar a noite, vou levar uma música de minha autoria intitulada "A Lógica da Batata".
Não há de ser nada.

Em agenda: Cascais

Amanhã, sexta-feira, actuo no bar do Marco Horácio, na Coconuts, em Cascais.
Apareçam e falem comigo: não conheço lá ninguém...
Espectáculo só depois da meia-noite - Não aconselhado a menores e gente que pensa que já é crescida.

Um desafio

O meu caríssimo amigo proprietário e reaccionário do fantástico Sublimado e Corrosivo , lançou-me o desafio.
Remoí, não me apeteceu muito, mas depois não resisti.
Cá vai disto:

Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
Definitivamente, um livro em branco. Com folhas daquelas das sebentas, papel grosseiro, tipo mata-borrão.

Já alguma vez ficaste apanhadinho por uma personagem de ficção?
Sem dúvida que D.Quixote ainda me persegue na penumbra, mas tenho que confessar que não há personagem que me tenha marcado mais (há coisas que não se explicam) do que o Fernão Capelo. Isso mesmo: a gaivota.

Qual foi o último livro que compraste?
Escorreguei por impulso e trouxe para casa o naïf. super. do Erlend Loe. Já agora, na página 73 lê-se o seguinte:

Nos últimos dias não tenho feito nada senão martelar.Tenho martelado de manhã à noite.É uma excelente actividade monótona que me enche de alegria.Os pensamentos param.

Recomendo vivamente, como seria de esperar.

Qual foi o último livro que leste?
"O Caminho para Wigan Pier", de George Orwell.
Porra, que a vida é bela.

Que livros estás a ler?
Além do já referido "naïf.super.", estou com "As mentiras que os Homens contam", do Luis Fernando Veríssimo e com o fabuloso "The Pythons Autobiography by The Pythons". Encostei nas boxes durante uns tempos o "Não te deixarei morrer, David Crockett", do Sousa Tavares e assumo a desistência (a um terço do fim) do "Ensaio sobre a Lucidez", do José Nobel Saramago.

Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
Um manual de sobrevivência em ilhas desertas, um manual de construção de balsas e jangadas, um manual de sobrevivência em alto mar numa balsa ou jangada, um manual de origami com folhas de bananeira e o "The Pythons Autobiography by The Pythons" - para os tempos livres, ou na pior das hipóteses, para os tempos mortos.

A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?
Essa é complicada. Mas acho que vou passar a três visitantes habituais deste meu belógue:
- a pecola
- a Vera Alves e
- a s.
Porque quero ouvir as senhoras, porque sou curioso e porque sim, se elas aceitarem o convite.

E já está.

Sobre o Sucesso

Rais'partam os gajos que lutam a vida inteira por um carro de luxo, uma gravata de seda e um cabelo melado.
Anda aí tanta gente preocupada com a ostentação...
Esta noção de ser um gajo de sucesso aborrece-me: é que, feitas as contas, a vida acaba sempre num empate.

Quando é que esta malta vai perceber que o importante é o jogo e não o resultado?
Relaxem: deixem de olhar para o umbigo e curtam a paisagem; a porra da viagem passa num instante. E a gravata fica cá para o mofo.

Já agora, fotos

Andava a limpar pastas e descobri estas:

Em Agosto, no centro de Braga, espectáculo para a TVI (?!), a pedido da querida Tété (Srª Dona Teresa Guilherme). O espectáculo foi uma caca, ao programa só lhe faltou o cheiro mas a noite foi gira.


Ainda nos tempos do "Boca a Boca", o meu caríssimo baterista Chico Cardoso em plena acção, durante um ensaio. Grande músico, um tipo extraordinário.


O cavalheiro é o regionário Xansão mas o kayak é o meu. E o rio é o Cávado.



Ora aqui está uma visão única do LAF! Comedy Club, em Leça da Palmeira, visto de cima do palco, da janela dos camarins. Quem ainda lá não foi, não sabe o que perde... Já agora, para quem gosta de "Onde está Wally?", o João Seabra está algures nesta foto em amena cavaqueira...

Eles andam aí


Novidades: a malta da SIC acaba de me lançar um convite para este verão.
Para já ainda não está nada confirmado (que é como quem diz: ainda não acertamos o guito), mas posso dizer-vos que me surpreenderam.
Portanto, se tudo correr bem, ainda acabo por passar o verão enfiado num estúdio, mais uma vez a apresentar televisão.
Trabalho é trabalho e someone's got to do it.
Ou muito me engano ou até vocês vão ficar surpreendidos...

Férias a chegar ao fim

Tenho andado meio desligado do blog porque tenho andado a esforçar-me por não fazer nada, o que é bastante difícil.
Mas este período de férias está a chegar ao fim: prometi a mim mesmo que, a partir da próxima semana, farei alguma coisa.

A Guarda na barra


173 agentes da Brigada de Trânsito e 22 empresários começaram a ser julgados por dezenas de crimes, cometidos no âmbito de acções de fiscalização do trânsito.
É RECORDE!!! Nunca nenhum processo juntou tantos arguidos como este...

Não compreendo porque é que estes agentes tinham esquemas por fora...
Eles até ganham bem e tudo: toda a gente sabe que na GNR e na PSP é que está o futuro... Aí sim, é que se tem uma carreira segura, bem remunerada e com regalias que compensam o facto de se trabalhar com risco.

Jorge Perestrelo

Morreu o homem que nos fez chorar por Portugal e vibrar cada golo como se fosse sempre o primeiro.
Eu, que até nem gosto assim tanto de futebol, adorava ouvir este homem.

Queríamos um prologamento, mas esse coração que tanto gritava traíu-nos.
Mesmo assim não há dúvida:
Perestrelo - 1, resto do mundo - 0.
Ganhaste, campeão.
E ripa na rapaqueca.

Encontros marcados



Hoje, no Café Del Mar, em Braga - vou estar lá com dois companheiros da Região Estrangeira, o Marco Rodrigues e o Nuno Matos.

Sábado, na zona de comédia do 24 horas TMN, em Lisboa, a partir das 15h.

Encontramo-nos lá?

A vida é curta



Há que dançá-la.

Bon Chic


Confesso: aproveitei o serão de sábado livre para espreitar, pela primeira vez a sério, o programa da TVI "Bon Chic", o programa que triunfou neste horário e que impediu o "Boca a Boca" de prosseguir o seu curso evolutivo (sem audiências fecha-se a torneira).
Consegui resistir em frente ao televisor durante cerca de onze minutos. Com som e tudo.

Não me espanta que o "Bon Chic" tenha resultados. Aliás, outra coisa não seria de esperar - o programa surte o mesmo efeito que um acidente na estrada, ninguém gosta mas toda a gente quer ver. E é com o mesmo espírito de um acidente na IP5 que continua, minuto a minuto, flagelando-nos, num período de agonia intervalado por anúncios a detergentes, sempre marcado pelo calvário da aberração.

Eu sei bem que o "Boca a Boca" tinha muitos defeitos, mas permitam-me ser delicado: o "Bon Chic" é uma merda. E creio que é mesmo por isso que funciona.

Por isso, não me espanta que o "Bon Chic" tenha resultados. O que me espanta é que o sr. José Castelo Branco não se aperceba que está ali como o homem-elefante do Lynch; uma aberração para o povo ver, a mulher-barbuda, uma garça com a subtileza de uma abóbora que desliza sobre o seu ego infeccionado.
O homem pode ser parvo, mas será burro? Não consegue compreender que só lhe permitem pavonear-se e arrotar plumas porque é a estrela de um freak-show?

Bolas, alguém o avise!

Porque das duas, uma: ou ele é realmente tão ingénuo que julga que está a brilhar, investindo cada vez mais numa persona, num personagem que julga engraçado; ou então o gajo é mesmo assim. E se assim for, temos um problema.

É que, se o Sr. Branco é na intimidade aquilo que personifica perante as câmeras, então representa tudo o que de pior existe na nossa sociedade.
Se o gajo é mesmo assim, estamos a assistir ao triunfo da escória.
Porque - pensem bem - se o gajo é mesmo assim, significa que entregamos a vitória ao egocentrismo, à vaidade nula, à masturbação pública, à falsa-modéstia, ao vazio da mensagem, ao andrógeno de corpo e alma, ao elogio da futilidade, das aparências e da fortuna oca como cume do sucesso.
Entregamos a vitória a tudo isto e pior: aos gajos que o puseram lá, mais conscientes disto do que o pobre pavão podre, bêbado de si mesmo.

Pronto. Já desabafei.

Em Agenda...

Porque tenho que pôr pão na mesa e porque isto de férias com mais de três dias é aborrecido, decidi marcar algumas coisas na agenda.
Esta semana vai ser para reunir com a Região, estruturar textos e reorganizar tralha.

Quinta-feira, 5 de Maio, regresso a uma das casas onde comecei isto de comédia - o Café Del Mar, em Braga. Vai ser matar saudades e (ó diabo!) sou capaz de levar comigo alguns Regionários para uma demonstração práctica da Região Estrangeira. O Del Mar fica em frente ao Bar Académico e a coisa costuma começar por volta da meia-noite.

Sexta lá vou eu de regresso a Lisboa para um jantar com a equipa do falecido Boca a Boca, porque merecemos enfrascarmo-nos sem responsabilidades depois do esforço conjunto que tivémos. E aproveito para ficar em Lisboa, porque sábado vou actuar uma hora para o 24Horas-TMN, a partir das 15h. Ainda não sei onde, mas tudo bem.

E para já, é isto. Ando a ler "O caminho para Wigan Pier", de Orson Welles (rectificação posterior: George Orwell), um livro imprescindível:

A caminho de Wigan Pier, George Orwell infiltra-se, como a água da chuva e o frio por entre as brechas das casas degradadas, na vida das comunidades de mineiros do Lancanshire, descendo com estes homens infaustos e desesperançados às minas e às catacumbas da existência humana. Orwell assume assim a sua origem nobre, não por ser essa a sua condição social e a origem da
sua educação, mas porque conseguiu, sob a negregura da pele alheia, encontrar-se a si mesmo, o que afinal também se verifica a seguir, quando aborda a embaraçosa questão da elevada taxa de desemprego e as conse-quentes miserandas condições de vida. A partir daí, e já na segunda parte do livro, como uma consequência natural da experiência anterior, uma luz depois de um longo e escuro corredor subterrâneo, Orwell avança com as suas ideias, ou ideais, sobre o socialismo, sobre a forma crítica como este poderia ser aplicado e subsidiar a construção de outro mundo, longe do futuro previsto em Mil Novecentos e Oitenta e Quatro.

por Leonardo Silvino, in Duplipensar.net



E pronto.
Ah, é verdade, no início de Junho vou ao Casino da Figueira. Depois conto.