...é o nome da produtora responsável pelo SIC 10 Horas e pelo Às Duas por Três. Ou seja, a casa onde vivi os últimos 3 meses.
E reparem que não digo onde trabalhei, mas sim onde vivi, porque na Comunicasom vive-se televisão.
Por onde começar? Bem, pelo estúdio em si.

Os estúdio estão instalados num antigo cinema na Álvares Cabral, entre o Largo do Rato e o Jardim da Estrela, mesmo no centro de Lisboa. Agora um espaço labiríntico e aproveitado até ao último centímetro, do velho cinema pouco resta senão a fachada e um antigo projector de película, carinhosamente exposto numa das escadarias da empresa.
Aqui trabalham mais de oitenta pessoas, de segunda a sexta-feira, num frenesim diário que começa pouco depois das sete e que muitas vezes entra pela noite dentro em reuniões de trabalho.
Basta uma visita para se tornar evidente que, entre camarins, estúdios, sala de maquiagem, guarda-roupa, estúdios, escritórios e redacções, circula mais do que funcionários - circula uma família.
Gente que ali chega a passar mais de 12 horas por dia, gente que ali come, trabalha, ri e se apaixona. E não são poucos os que se apaixonam... os filhos também estão lá para o provar: a Comunicasom tem uma creche para que os mais novos se mantenham por perto dos progenitores.
Lembro-me que, quando comecei a trabalhar em televisão, foram muitos os que me avisaram para ter cuidado com as pessoas do meio. É que a competitividade é elevada e o que sobra são sempre intrigas, estratagemas e traições.
Mas, como não há regra sem excepção, a Comunicasom navega acima desses turbulentos mares.
É, no fundo, natural. A proximidade e a intensidade com que se vive ajuda a aproximar as pessoas, a exigir humanismo e trabalho de equipa. E não é assim tão simples - quem conhecer esta equipa ficará desde logo impressionado com a facilidade com que as mesmas pessoas passam de uma violenta discussão de trabalho para uma alegre e descontraída conversa, em questão de minutos.
Não é esquizofrenia, é sintonia.
Se é para começar por algum lado, que seja pelo bar-refeitório. É aqui que a malta se encontra de manhã para o pequeno-almoço (e que rico pequeno almoço!) e é aqui que se sentam a equipa e convidados para provar as delícias da (provavelmente) melhor cozinheira do mundo, a Milocas. Na redacção também se cozinha mas o destino não é o prato, é a pantalla.
Tenho que agradecer a todos. Porque com todos aprendi algo novo de dia para dia. Gente como o Pedro Goulão, um génio na escrita de humor e camarada de língua afiada...
Não vou dizer todos os nomes, é lógico, mas tenho referir a Paula Correia, editora do "Às 2 por 3", uma locomotiva no trabalho e uma das pessoas mais divertidas e perspicazes com quem alguma vez convivi, tal como o João Patrício, realizador/steady/criativo/músico/.../...
Um abraço forte para o Manollo e para o Mário. Obrigado pelo crédito e pela força.
Um abraço forte para Jorge Simões - és o homem-comunicação e conseguiste a proeza de me ensinar coisas até com os teus silêncios, além de seres a prova de que os grandes corações também sobrevivem às batalhas.
Obrigado malta das câmaras, luzes e som.
Sinto-me como o puto que saiu de casa da família.
Obrigado por tudo - muito mais do que provavelmente imaginam.