Amigo:

Gosto de ti porque és suficientemente parvo para acreditar. Para acreditar nas pessoas, nas emoções, nos valores. No amor.
Já ninguém acredita no amor, sabes isso?
O amor, a amizade e a ética são agora parte do catálogo Ikea - arranja-se uns, monta-se a coisa e daqui a uns tempos arranja-se outra. Mas tu é um tipo de "mobília à antiga".
És um parvo à Paços de Ferreira.
E é por isso que gosto de ti, pá.
Porque sofres com isso e te martirizas com coisas como sentimentos. Ainda por cima, sofres de forma genuína, não és como a maioria da malta que sofre porque até cai bem. A maioria das pessoas que conheço (especialmente as que não o admitem) sofrem de amores ao ritmo da Globo: sofrem com genérico, fazem pausa para compromissos publicitários e desmontam a coisa com promessas de um bem maior. Tudo ao som de Caetano.
Tu não.
Tu pensas que as pessoas são, no fundo, boas. Que merecem uma chance.
Tu, meu querido amigo, estás ainda por cima convencido que as podes ajudar.
Pior: que as podes fazer felizes.

Gosto de ti porque és suficientemente parvo para acreditar. Acreditar que as pessoas querem ser felizes.
Já ninguém quer ser feliz (especialmente as pessoas que dizem que querem muito ser felizes).
Dizer "quero ser feliz" é um chavão, uma frase-feita, um engodo. É uma linha de script essencial para continuar a novela.
Porque ser feliz é uma trabalheira.
Ser feliz custa mais do que não ser feliz.
E ser feliz deixa-nos aparentemente sem mais objectivos.
Se já se é feliz, que mais se pode querer?

És suficientemente parvo para não te aperceberes disto, eu sei. Insistes na ideia de felicidade.

As pessoas não são felizes. Nem querem.
A infelicidade é o motor do mundo e isto elas sabem, mesmo que nunca o admitam.
São infelizes porque têm muito a ganhar com isto.
Recebem atenção, motivação, carinho e amparo.
Quando se é infeliz, tem-se um bom motivo para que os outros nos ouçam e nos acolham nos seus abraços de compreensão.
Quando se é infeliz, tem-se um bom motivo para lutar e alcançar coisas e objectivos e isso.
É assim que as pessoas se entendem, é assim que estão bem.
Tinhas que vir tu querer mudar isso. Acorda.

Quando é que foi a última vez que alguém te puxou para perto, sem tu esperares? Sem teres embarcado na tua cruzada pelo espírito humano?
Quando é que foi a última vez que te foram buscar pelos colarinhos, à bruta?

És macio demais, pá.
És um ursinho de peluche que as pessoas usam para se confortar e partir para outra.
És um penso-rápido social. Uma bomba de asma ambulante.
E ainda por cima, fazes questão de não exigir nada em troca.
Como se a tua companhia não merecesse um esforço.
Como se a tua presença fosse um fardo.

Achas que, se alguém te ama, é porque suporta o teu fardo. O teu peso de estares presente.
E sentes-te agradecido por te deixarem estar ali; estas infelizes e sofredoras almas que te permitem estar por perto no seu calvário diário. E em troca, de vez em quando, recebes um carinho fugaz ou uma foda rotineira.
Como um cavalo emocional que fez bem a pirueta: toma lá o teu torrão de açúcar.

Claro que há gente que te merece.
Só que estão na prateleira acima.

Mas gosto de ti, pá.
Sobretudo por tudo isto.

Os cabrões do marketing


O novo anúncio da Portugal Telecom tem como banda sonora o Hino Nacional de Portugal, A Portuguesa.
Pensava que havia leis que proibiam isto? Pense outra vez.
Ao longo de um penoso slow-motion, lá vamos vendo rostos bonitos que se levantam ao som do nosso hino. E, para o caso de alguns ainda poderem pensar que se trata de algo institucional ou verdadeiramente importante, fazem questão de terminar com a legenda "A empresa privada que mais investe em Portugal".
Que é como quem diz, sim, isto é mesmo o vosso hino e nós somos mesmo uma empresa privada."

Portanto, os cabrões do marketing conseguiram abrir precedentes.
A partir de agora, nada impede que uma marca de detergente, papel higiénico ou a casa de strip da esquina possa fazer o mesmo. De publicitar a nova eslovaca mamalhuda ao som do hino nacional. Porque também é uma empresa privada e ajuda a pôr de pé muitos portugueses.

Aposto que o anúncio vai correr durante valentes semanas. E, daqui a um mês, teremos uma nova versão do hino com remix.

Será que sou só eu que vejo estas merdas?
Cabrões.

Se alguém me puder dizer onde moram os publicitários que fizeram isto, agradeço.
Quero entrar-lhes em casa, mijar-lhes nas gravatas, raptar-lhes os filhos e incendiar-lhes os BMW's.
Tudo ao som do hino.

Grandes Comunas

A Rússia decidiu no domingo passado cortar o fornecimento de gás natural à Ucrânia. Parce que a Rússia queria quadriplicar os preços e a Ucrânia não gostou.
Mas já repôs a coisa. O que é pena.

Durante alguns dias, pensei que a normalidade estava restabelecida. Que a velha e fiel Rússia se mantinha no activo.
Qual pressão económica, qual carapuça!
Cortar o gás a milhares de ucranianos não é maldade, é voltar às origens.

O comunicado russo deve ter sido assim:

"Bolas, que interessa se lá fora estão temperaturas abaixo de zero e se vocês não têm alternativas? Nós somos russos!
Ou vocês passam a pagar quatro vezes mais ou cortamos essa porra. A nós não nos faz diferença. Estamos quentinhos.
E nem pensem em queixar-se aos capitalistas ocidentais. Eles gostam que vocês se sintam mal e só vão ficar felizes se mais de vocês se pirarem para lhes construirem prédios e isso.
Por isso, decidam-se.
Claro que podem escolher não pagar - nesse caso não há gás.
Esperamos que tenham visto o filme "A guerra do fogo" e que saibam construir abrigos no gelo.
Abraços destes vossos camaradas e beijos na face e isso.
E não nos levem a mal. É a nossa natureza.
Se vocês pudessem, faziam o mesmo.
É pena que sejam pobres."

Acho que todo o mundo devia reflectir neste exemplo russo.
Esta coisa de voltar às origens e de permanecer fiel aos nossos princípios.
Por causa disto, estou a organizar uma excursão (aluguei um autocarro) para irmos até à fronteira insultar espanhóis.
E depois devíamos ir até ao norte de África queimar uns infiéis e isso.
Inscrevam-se.

São estas coisas que me assolam

Porque é que as mulheres chamam permanente se aquilo, depois de umas lavagens, vai à vida?
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Porque é que há gente que usa o espaço dos comments para publicitar os seus blogs? Haverá assim tanto interesse num blog pessoal que exija uma campanha de marketing?


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Porque é que as verdades são sempre óbvias para toda a gente, excepto para quem tem o cargo de direcção?

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Porque é que a felicidade é menos contagiante que a ignorância?

Portugal Europeu, duas décadas

Money, it's a sin...
Assinalam-se hoje 20 anos da integração de Portugal na União Europeia.
Na altura, alimentámos o espírito nacional com a esperança de um futuro melhor.
Hoje, continuamos na cauda.
Temos o mais baixo salário mínimo e somos ainda uma nação de novos ricos.
Mas estamos no bom caminho.
Estaremos?

Ano novo, blog novo!

Amiguinhos:

Perdi a cabeça com esta coisa do Reveillon e deixei-me levar pela loucura.
Abri os cordões à bolsa e, num tresloucado acto de investimento compulsivo, fiz obras aqui na casa.

A partir de agora, este blog passa a contar com uma sala nova.

Bem, a questão é esta: aqui não havia espaço para tudo.
Assim, decidi criar um outro espaço só para falar de duas coisas que adoro, cinema e fotografia.
Está feito e conta convosco.
Espreitem o Fitas e Fotos.

E bom novo ano!

XXX

Ideia para filme porno chinês:
- "Alexandle, o Glande".

É sem querer que as verdades surgem

Como, por exemplo, a comentar a um amigo:

As limpezas da alma fazem-se à custa das dores alheias e dos vazios que criamos no espaço que vai do nosso braço a um abraço.

Para 2006

If you knew that you would die today,
Saw the face of god and love,
Would you change?
If you knew that love can break your heart
When you're down so low you cannot fall
Would you change?
How bad, how good does it need to get?
How many losses? How much regret?
What chain reaction would cause an effect?
Makes you turn around,
Makes you try to explain,
Makes you forgive and forget,
Makes you change?
If you knew that you would be alone,
Knowing right, being wrong,
Would you change?
If you knew that you would find a truth
That brings up pain that can't be soothed
Would you change?
Are you so upright you can't be bent?
If it comes to blows are you so sure you won't be crawling?
If not for the good, why risk falling?
Why risk falling?
If everything you think you know,
Makes your life unbearable,
Would you change?
If you'd broken every rule and vow,
And hard times come to bring you down,
Would you change?
Tracy Chapman

Hoje, Casino

É hoje, pelas 22:30, no Casino da Figueira da Foz.
É o meu último espectáculo em 2005 - apareçam.

Riscos Pedidos

Decidi inaugurar uma nova secção neste modesto belógue.

Usem a zona de comentários para pedirem um tema e eu trato do assunto; poderá ser um texto, uma imagem, um vídeo ou uma música, mas que arranjo, arranjo.

Estão abertas inscrições.

Em Agenda

Esta 5ª feira, 29 de Dezembro, despeço-me de 2005 com um espectáculo no Casino da Figueira.
O show está incluído no ciclo "Barriga de Riso" e a entrada é livre, a partir das 22h!

Conto contigo?

O que é que te impede?

"Achas realmente que alguma vez vais conseguir fazer isso? Não achas que são projectos a mais? Já te apercebeste que estás em Portugal?"

Nenhum obstáculo te pode impedir. No máximo, pode atrasar-te.

Se apagares os teus sonhos, o que é que te resta? A rotina? O percorrer dos dias apenas porque andas cá?
Quando desistes dos teus sonhos, desistes da tua identidade.

Não interessa se vais chegar ao objectivo.
O que interessa é que, independentemente da possibilidade de êxito, não te resta nenhuma hipótese válida senão correr para ele.
Lutar pelos teus sonhos não garante que os vais alcançar.
Mas garante que permaneces humano. Que permaneces tu.

Vives num mundo onde o mais fácil é deixares de ser tu.
O mais fácil é seres mais um na multidão descolorida, mais uma máquina ambulante produtora de fezes e urina cujo organismo se desgasta de minuto a minuto.

Não interessa se realmente vais concluir os teus projectos ou alcançar os teus sonhos.
O que interessa é que, ao desistires deles, estás a esvaziar a vida do seu sentido.

És o hamster na roda. Sabes que nunca vais chegar a lado nenhum.
Mas se não correres, a roda fica parada.
Uma roda parada não faz sentido. É menos roda.

Everyone has had more sex than me

O coelhinho mais amoroso do mundo e com problemas sexuais.
Cliquem aqui.

O meu ídolo?

Perguntaram-me recentemente se tenho algum ídolo.
Tenho.
É este fulano:
http://www.albinoblacksheep.com/flash/numa.php

Espreitem e comentem. Ele é grande.

Ena, ena, mais prendas!

Eu, no fundo, sou um mãos-largas.
Ora não é que me assolou a loucura e deu-me para vos oferecer mais umas coisitas nesta quadra?
Ai, o doido...
Para guardar, cliquem com o botão direito nos links e escolham "Save target as"

Primeiro, música que vem da República Checa (?!)

Estes meninos chamam-se Khoiba e fazem umas coisas que se ouvem com outras coisas electrónicas, além de ainda por cima terem um site giro. São um quarteto que mistura batidas trip-hop com melodias de fazer inveja. Constituição da equipa em campo: Ema Brabcová, na voz; Filip Míšek, nas guitarras e sintetizadores; Petr Šámal no baixo; e Jan Malich na bateria. Este tema chama-se song_restart. Saquem e ouçam.



A muy grande Björk decidiu entregar o tema "Desired Constelation", do àlbum "Medusa", às mãos criativas de gente amadora. Um dos resultados foi este:
::Björk - Desired Constellation (dark jedi mix)

Isto é que são presentes blogueiros, ahn? Hum? Não é?
Se continuo assim, qualquer dia até sou um gajo fixe.

Esquadros

Eu ando pelo mundo prestando atenção
Em cores que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo, cores
Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção no que meu irmão ouve
E como uma segunda pele, um calo, uma casca
Uma cápsula protetora
Eu quero chegar antes
Pra sinalizar o estar de cada coisa
Filtrar seus graus
Eu ando pelo mundo divertindo gente
Chorando ao telefone
E vendo doer a fome dos meninos que têm fome
Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
(Quem é ela? Quem é ela?)
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle
Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm para quê?
As crianças correm para onde
Transito entre dois lados, de um lado
Eu gosto de opostos
Expondo meu modo, me mostro
Eu canto para quem?
Eu ando pelo mundo e meus amigos, cadê?
Minha alegria meu cansaço?
Meu amor, cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado

Adriana Calcanhoto

A todos os que me mandam sms de Natal

- Obrigado mas já chega.

Estou a ficar cansado de ouvir os "piu-piu's" de mensagem recebida e começo a sentir o polegar dormente de as apagar em seguida - ainda arranjo uma espondilose nas falanges e acabou-se a guitarrada.

Não é que leve a mal, entendam-me; sei que o fazem de boa vontade e com os vossos coraçõezinhos impregnados do espírito pegajoso do Natal, aposto mesmo que cada vez que carregam em "ENVIAR" devem sentir aquela satisfação de missão cumprida como se estivessem a melhorar o mundo e a iluminar as almas dos vossos amigos com carinhos electrónicos.

Mas não estão.

Enviar uma sms de boas festas é o mesmo que dizer "Olha, só para dizer que cumpro os preceitos desta quadra e que ainda tenho o teu número, mas não vales o gasto de uma chamada."

Especialmente quando a mensagem é daquelas cheia de piada, que rimam e tudo. Essas então é que soam a "Ups, estava a distribuir esta piada natalícia pela minha lista telefónica e nem reparei que também enviei para ti..."
Pior: quando alguém que está ao nosso lado recebe uma mensagem exactamente igual à que ainda estamos a ler.

Por isso, meus amigos, agradeço o vosso esforço telecomunicativo, mas não se dêem ao trabalho.
E, por amor de todos os santos, não repitam a façanha no ano novo.
É que já não há pachorra.

O maior presente de Natal do Mundo

Parece milagre mas não é.
Estes senhores na foto, os responsáveis pelo Fundo Monetário Internacional, tomaram uma decisão histórica e que muitos pensavam ser impossível. Afinal de contas, dinheiro é dinheiro e o chamado Primeiro Mundo nunca se fez rogado no que toca ao livro de contas.
Mas, seja por insistência dos factos ou por ataque súbito de consciência, a decisão foi tomada.

O FMI confirmou que a partir de 1 de Janeiro de 2006 vai anular a dívida acumulada de 19 países pobres, num total que ultrapassa os dois mil e oitocentos milhões de euros. Graças a pressões do G8 e de diversas instituições não-governamentais, este perdão foi concedido às seguintes nações: Benim, Bolívia, Burkina Faso, Etiópia, Gana, Guiana, Honduras, Madagáscar, Mali, Moçambique, Nicarágua, Níger, Ruanda, Senegal, Tanzânia, Uganda, Zâmbia, Cambodja e Tajiquistão.

Quer isto dizer que, pela primeira vez na história, os países desenvolvidos estendem realmente a mão aos menos favorecidos. A dívida acumulada por estes países (a Zâmbia, por exemplo, devia mais de 400 milhões de euros) representava um obstáculo practicamente impossível de ultrapassar no caminho da recuperação financeira.

Agora, é num livro em branco que se escreve a História. Uma oportunidade única para gerar e gerir instrumentos de apoio para a evolução e crescimento sustentável.

A promessa de um mundo numa balança mais equilibrada: este é, sem dúvida, o melhor presente de Natal de todos os tempos.
Obrigado, diremos todos.

Os meus pais que me perdoem...


...mas este é mesmo o filho que eles criaram.