Curvem-se perante o Rei

Confesso que foi com receio que fui ver "King Kong", de Peter Jackson, na sempre boa companhia do meu amigo Nuno Matos a uma sala de cinema em Gaia.
Receio por razões óbvias - Kong é um daqueles clássicos que permanecem no imaginário e que dispensam remakes; Jackson meteu-se no projecto sem tempo de pousio, ainda na euforia do "Senhor dos Anéis"; a história deste clássico parecia-me demasiado naïf e qualquer tentativa de adaptação ou melhoramento poderia resultar numa tragédia cinematográfica (lembram-se do Godzilla?). Enfim, receio de uma chouriçada americana blockbuster com cheiro natalício, coisa corrente desta indústria.
Mas desengane-se o receoso: os primeiros dois minutos de filme foram suficientes para me acalmar, com um genérico a piscar o olho ao original e uma entrada brilhante na Nova Iorque da década de 30.
A partir daí foi o amarrar à cadeira e fazer uma viagem de 3 horas pela mais bela arte de todas, a arte de contar uma história.

Por onde começar um modesto comentário?
Pelas estrelas.

Kong é grande. E não é um monstro nem um homem num fato de borracha: é um gorila como todos os gorilas do planeta, excepto no tamanho descomunal. Kong é velho, cansado e feroz. E, acima de tudo, é real. Parece saído do Discovery Channel XXL, tão vivo que torna dificil pensar nele como um efeito especial.
O símio brilha na tela graças às maravilhas do 3D, mas atrás de um grande gorila está este grande actor, Andy Serkis:
Depois de ter deslumbrado o mundo com o seu Gollum, na trilogia dos anéis, Serkis subiu a fasquia, mostrando que tem talento para mais do que esperávamos. Além da responsabilidade de dar vida a Kong, espinhal medula do filme, este rapaz interpreta também o cozinheiro do navio - e que cozinheiro...
Para encarnar o gorila, Serkis passou semanas a estudar gorilas ao vivo no Ruanda e no Zoo de Londres. Durante as filmagens eram-lhe colocados sensores por todo o corpo para captar com pormenor os seus movimentos e expressões - só no rosto, eram 132 sensores...


Mas o gorila não leva as atenções todas para casa. Naomi Watts eleva-se na película e, cada vez que surge, preenche o écran com a donzela perfeita: insegura mas inteligente, delicada mas não frágil. E prova que não é uma beldade do cinema, é uma actriz.

O resto do casting assenta como uma luva. Jack Black, Adrien Brody e restantes cavalheiros fogem à regra dos blockbusters e presenteiam a história com papéis ricos e detalhados, que trazem acrescento. Isto, além dos outros dois personagens omnipresentes que catapultam King Kong para a glória: Skull Island e a Nova Iorque de 1933, que nascem para vida graças a uma mistura explosiva de mais de 800 planos de miniaturas e 3d. E mais uma vez, não se sente o plástico.

Como seria de esperar, os efeitos especiais são companhia constante mas, tirando um ou dois planos fugazes, servem a história e não o contrário, numa simbiose delicada.


É obra.
Ao longo de 3 horas que passam a voar, Peter Jackson segura o espectador pelos colarinhos e empurra-o para uma aventura extraordinária, uma montanha-russa com perseguições alucinantes e imagens de encher o olho. Já não me sentia assim na grande sala desde a estreia do Indiana Jones. Claro que há coisas com que muitos poderão discordar: eu, por exemplo, não simpatizei muito com a sequência dos insectos (vejam o filme) mas é uma homenagem a uma sequência cortada do original. A verdade é que a balança pesará sempre para o lado de Jackson, porque mesmo com este ou aquele deslize o filme nunca descarrila. Mantém-se firme e seguro, com uma narrativa sólida, justificada, plena de referências subtis ao cinema, à literatura, e recheada de detalhes magníficos. Mas há mais.

É que, com todo este aparato e com a dose de adrenalina, King Kong prega-nos uma rasteira. Uma grande rasteira.
É que este não é um filme sobre monstros e aventuras.
Mais: este não é um filme sobre o próprio King Kong.

Este é um filme sobre a particular capacidade do ser humano de destruir o que é belo, sobre o poder e a ambição. Sobre a importância de fazer as coisas certas e de ser capaz de dizer "Amo-te" na hora certa.


E meus amigos, esse é o grande trunfo que o gorila de Peter Jackson tem escondido.

Em Agenda

-Sexta, 16, actuo no bar Palhota em Vila Nova de Gaia com o meu bom amigo e Regionário Marco Rodrigues

- Sábado, 17, dueto humorístico com o Nuno Matos no LAF! Comedy Club, em Leça da Palmeira...

...promete.

Loucos Procuram-se



Projecto louco de televisão precisa de gente louca para as seguintes posições:

  • Operadores de Câmera
  • Assistentes de Câmera
  • Técnico de Iluminação
  • Técnico de Som
  • Maquetistas
  • Editor de Montagem
  • Editor para Grafismo e Efeitos Visuais
  • Guionistas
  • Assistentes de Produção
  • Multifacetados que se movam nos terrenos da animação 2D e/ou 3D, pirotecnia, electricidade e/ou carpintaria

Projecto insano sem promessa de honorários à partida.

Exige-se entrega total sem garantia de reembolso a não ser satisfação pessoal e possibilidades teóricas.

Dá-se preferência a pessoal com material técnico próprio e pouca necessidade de horas de sono.

Respostas para o mail: correiomoura@gmail.com

Parece mau mas é assim, paciência. Estas coisas quando arrancam só funcionam com suicidas.

Richard Pryor (1940-2005)




O Nuno Dias, visitante assíduo desta casa, sugeriu recentemente num comentário que se fizesse referência neste belógue ao falecimento de Richard Pryor. Em boa hora, aqui seguem as honras merecidas.

Da pobreza de Illinois ao glamour de Hollywood, do abandono da mãe ao reconhecimento do mundo, a vida de Richard Pryor é um relato de dramas, tragédias, excessos. E muita glória.

Eleito pela Comedy Central como o melhor comediante stand-up de todos os tempos, Pryor alcançou na comédia o que Sinatra alcançou na música. E provavelmente graças a uma vida marcada pelo drama - afinal, é a tragédia o que gera a comédia...

Filho de uma prostituta, cresceu num bordel gerido pela avó - uma infância marcada pelos maus tratos, abusos sexuais e pelo abandono da mãe, aos dez anos, que traçou o pano de fundo para uma vida de tragédias pessoais, excessos de drogas e àlcool, fantasmas que o perseguiram por toda a carreira.

Carreira que, curiosamente, começou com um desentendimento na sala de aula, durante o secundário. Farta de o ouvir a lançar piadas na sala e destabilizar a turma, uma professora convenceu-o a permanecer calado durante a aula em troca de uma hora semanal de show cómico para a turma. Da sala de aula passou para o auditório da escola e daí para bares e clubes de comédia.

Na década de 70, após uma ausência de dois anos, Pryor explode nos palcos como uma bomba com linguagem pesada e conteúdos violentos, incomodando a América com observações raciais e sociais nunca antes ouvida.

White folks do things a lot different than niggas. They eat quieter. Pass the potatoes, thank you darling, could I have a bit of that sauce. How are the kids coming along with their studies? Do you think we'll be having sexual intercourse tonight? We're not? Well, what the heck?

Apesar de censurado e duramente criticado, entra nos anos oitenta como o comediante mais bem pago no mundo do cinema, numa das mais promissoras carreiras alguma vez vista no mundo do espectáculo. Mas, por trás da cortina, Pryor navegava em àguas agitadas, com amizades e paixões violentas, afogado no vício do àlcool e da cocaína.

Fora de palco, a vida de Pryor era uma manta de retalhos, com cinco ex-mulheres, oito filhos, dois ataques cardíacos e um bypass triplo. Em Junho de 1980, num estado de demência e desespero suicida, regou o próprio corpo com cognac e tentou imolar-se, resultando em queimaduras em mais de 50% do corpo. Este episódio marcou a onda de mudança. Pryor desapareceu durante dois anos, viajou até África e voltou em grande.

Em 82, assinalou o regresso com Live on the Sunset Strip, uma das actuações mais aclamadas na história da comédia.

Em 86 foi-lhe diagnosticado esclerose múltipla mas, com o seu espírito de lutador, Richard Pryor continuou a trabalhar em todos os media, numa das maiores carreiras que algum comediante alguma vez teve (vejam o resumo no IMDB). A sua última aparição no grande écran foi em 97, no Lost Highway, de Lynch.

Na noite de 9 de Dezembro de 2005, o coração de Pryor desistiu dos palcos. Saiu como sempre: com muitas, muitas palmas.

Até sempre, nigger.

"Oh vigarista! Vai assaltar o Banco de Portugal...

...para dar dinheiro aos turras para matarem portugueses"

As campanhas eleitorais têm mais piada no norte.
Parabéns, Barcelos.
E agora, que tal umas coisas assim tipo Kennedy, uns sniperzitos, não se arranjam? Isso é que era serviço público!

Agenda

Esta segunda vou novamente ao Levanta-te e Ri, desta vez com um acessório com o qual tenho uma relação de afecto e intimidade.
Garanto-vos que vai ser uma actuação de... bem, de merda.
No próximo sábado, 17, porque estamos perto do Natal e porque nos apetece, vou matar saudades do norte e dos amigos com uma actuação no LAF! Comedy Club.
Essa noite promete: será uma actuação a quatro mãos (em exclusivo, eu e o Nuno Matos em palco) e posso desde já dizer-vos que haverá um exame de toque rectal, ao vivo.
Isto anda a melhorar, olé se anda.

Gosto-te

Adoro a forma como abraças a chávena com as palmas da mão
como a deslizas pelo ar e a fazes durar eterna e quente
e como a meio do trajecto
páras
e te fazes séria e me olhas
e tudo se imobiliza
a chávena
os olhos
as palmas da mão
e todos os pensamentos do mundo
e todas as palavras do mundo
estão ali

___________suspensas

e retomas a chávena e retomas o tempo
e o mundo volta a girar
Adoro a forma como me abraças
eu nas palmas da tua mão
nas palmas do teu corpo
e dizes que tudo está bem
sem no entanto haver palavra
Adoro a forma como
__________mesmo quando não estás
__________e toda a distância em terra nos separa
me embalas nos teus caracóis
e me sussuras a lembrança
do teu aroma morango
do teu carinho tangerina
do teu calor só teu

E adoro sobretudo
a forma como tudo de ti desliza
como tudo em ti me acolhe
e como tudo surge natural
como se fosse natural respirar-te

Sei que ainda não reparaste
mas devo dizer-te que
na tua presença
os meus pés flutuam cinco centímetros
acima do chão
e que adoro a forma como abraças a chávena
com as palmas da mão.

Dá-lhe na guitarrada!!!

O designer finlandês Mika Tyyskä (na foto, lado direito) decidiu dar uma hipótese a todos para serem mestres na guitarra eléctrica. Mesmo sem saber tocar.
Vá, deixem-se de medos e preparem os dedos:
este site é merecedor de várias visitas.

Merry Xmas (?)

Exmo Sr. Carlos Moura

Agradeço desde já a carta que me enviou e a confiança demonstrada nos meus serviços. Nos tempos que correm, não é todos os dias que recebemos votos confiança dos nossos clientes, apesar do seu caso já não se enquadrar no que o meu director de marketing chama de público-alvo.

Respondendo às suas questões: sim, estou bem de saúde (apesar de uma ligeira infecção púbica que já estou a tratar com pomadas importadas da Noruega). A Mãe Natal (obrigado por perguntar) também se encontra em boa forma, embora estejamos separados há mais de meio ano. Continuamos amigos, é claro, e mantemos contacto regular via telefone - parece-me que se vai casar novamente em Fevereiro próximo com um exportador norueguês de pantufas temáticas.

Quanto aos seus pedidos:

- Lamento mas deixámos de fornecer armas de fogo de calibre elevado assim como lança-chamas, devido ao elevado número de acidentes na nossa oficina (dois duendes passaram-se no Natal de 93 e foi o caos). Apesar do crescente número de pedidos do Médio Oriente e de alguns bairros de Lisboa, não entregamos esse material. Se quiser, arranjo-lhe um contacto em Chelas e pode ser que consiga uma sete e meio;

- Também deixámos de entregar brinquedos, o que me impossibilita de o satisfazer no que toca a consolas electrónicas. Desde que a Leopoldina entrou na concorrência ficámos sem sustentabilidade financeira para o fazer - a puta da avestruz anda a dar cabo do mercado e já tive que despedir metade dos duendes na secção infantil (parece que alguns deles já conseguiram emprego em fábricas de bibelots esmaltados na Finlândia e na Noruega);

- Os produtos naturais do norte de África e da Jamaica também estão fora do meu alcance: desde o 11/11 que os tipos da alfândega não me largam, passam o trenó a pente fino assim como todos os orifícios das renas e nem sequer me deixam passar fronteiras com um corta-unhas, imagine! Experimente dar um salto a Espanha e pedir aos Reis Magos, parece-me mais apropriado, além de que os tipos (apesar de chatos) gozam de imunidade diplomática e conseguem fazer-lhe chegar esse gênero de plantas desde que devidamente recompensados;

- no que concerne ao seu pedido de "felicidade geral e paz para o mundo", só posso supor que estava a brincar;

- lamento mas não forneço textos de humor. Tenho o meu material, que uso com sucesso em alguns bares locais, e não pretendo colaborar com outros artistas. No entanto, se me arranjar o contacto da SIC Comédia pode ser que lhe dispense alguns dos meus textos antigos (tenho um sobre o que me irrita nas renas que foi muito popular há uns anos).

- compreendo a sua reclamação sobre as meias e camisolas que tem vindo a receber nas últimas décadas mas informo-o que estive a ver a nossa base de dados e creio que nunca lhe entreguei tais produtos. A Helga, aqui da secretaria, disse que devia entrar em contacto com o menino Jesus, que é especialista na secção dos têxteis. Foi provavelmente ele que efectuou essa entrega através de um pedido indirecto (uma tia, porventura). Nós aqui só atendemos pedidos directamente do freguês;

Como pode ver, não é por falta de vontade que não conseguirei alcançar as suas expectativas. A vida não está fácil e os sindicatos não me largam, o pessoal do dpto. jurídico anda cheio de trabalho.
Aproveito também para o informar que já não ligamos muito à história do "portar bem". Já ninguém é santo e estamos no mercado livre, o que vem à rede é peixe. Por isso não era necessário ter enviado o relatório das suas actividades no último ano. Acredito quando diz que "foi sem querer" e que "eles é que estavam a pedi-las" mas não me faz diferença, percebe?

Com votos de uma feliz quadra e muita saúdinha,desejo-lhe boa sorte.
Com os melhores cumprimentos,

The pleasure of HIS company


Acabei (finalmente) de ler o "The Pleasure of my Company", de Steve Martin e devo confessar que me surpreendeu.
É que, debaixo de uma teia complicada de devaneios humorísticos e de uma loucura generalizada, esconde-se uma bela e simples história sobre os destinos do amor e a sobrevivência do espírito humano; a história de um obsessivo-compulsivo que, se calhar, é igual a ti ou a mim.
E é sempre bom relembrar que as melhores comédias vêm das maiores tragédias humanas, não é?

Agora, vou-me lançar a um do Paul Auster e ver se termino o livro que Carlos Cruz escreveu na prisão. Também recomendo, como exercício jornalístico sobre um dos maiores casos da justiça portuguesa dos últimos tempos. Pelo meio, vou espreitando as "Cartas de Um Louco", de Ted L. Nancy, e vou largando risadas como quem come pistachios.

Qwerty, Azerty, Escape


Estou a escrever em simultâneo o texto do "Levanta-te e Ri", a peça (é segredo, não posso contar), dois episódios-pilotos (é segredo, não posso contar), o livro (é segredo, não posso contar), e tenho o Messenger ligado!
Se a minha cabeça fosse uma abóbora, estava pronta para a servir.

Cada coisa em seu lugar


Esta vai especialmente para o Nuno:
-Sabes qual é a grande particularidade dos grandes quebra-cabeças?
É que, uma vez resolvidos, basta misturar tudo e baralhar outra vez.
A piada está no processo de resolver.
No processo.

Quê?Ahn? Quem?




Cada vez que faço esta rábula com o Ricardo Peres, acontece-me o inverso do boneco: rejuvenesço. Sabe bem - divertimo-nos sempre à grande.

sick of it


Já ninguém aguenta promos de meia-hora.
Eu, que até gostava da voz do Markl...
Poupem-nos...
por favor.

O meu livro de cabeceira


...sem comentários.

Let's get nostalgic

Vá lá, cliquem nos links e tratem de matar saudades:

- É mau, eu sei, mas tinha um robot cuja voz era feita pelo senhor Mel Blanc...

- Mesmo para ateus, esta foi uma das melhores melodias em séries televisivas

- Minto. A melhor melodia era esta...

- Bolas, estou confuso. Afinal, acho que a melhor era esta.

- Mas esqueçam as melodias. Esta é a melhor entrada na história da televisão, o melhor de dois mundos. Literalmente.

- Seja como for, cliquem aqui e passem o resto do dia a assobiar.

A vida é assim: divertida.

A noite de todos os monstros



Foi este sábado, perante uma sala cheia com cerca de duas centenas de vítimas em Leça da Palmeira, no LAF! Comedy Club.
Durante quase 3 (!) horas, a Região atacou de novo. E que ataque: em vagas consecutivas derrubámos o nosso próprio conceito de ritmo e, pela primeira vez, descobrimos que havia algo mais do que nós em palco. Havia química, sintonia e muita loucura.

Um dos regionários consegue descrever isso como ninguém - o Nuno Matos, no seu blog, escreve que

Muitas são as razões que explicam porque foi esta noite em particular tão diferente, tão melhor do que tantas outras. Algumas dessas razões não as posso aqui divulgar, já que têm directamente a ver com a intimidade de alguns elementos da Região Estrangeira. O que posso adiantar é que muitos de nós, senão mesmo todos, necessitavam da noite de ontem. Necessitavam do pretexto que é fazer um espectáculo daqueles para libertar os fantasmas de dentro do armário; necessitavam que ele corresse como correu para que o sentimento de libertação e de realização fosse completo.

É isto. Foi isto. E o impacto foi notório: sala cheia, de gente que se ergueu numa rendição final ao óbvio: a comédia vive-se com a alma.
Desconfio que a Região começa a ter vida própria.
Criámos um monstro.

Eles vêm aí!!!

É Novo! É nacional! É comédia!
É


e já tem data de estreia marcada: 7 de Dezembro, na SIC Comédia!

Já era sem tempo: estamos a precisar de humor nacional como um diabético precisa de ovos moles!

Reservem já os vossos lugares no vosso sofá!

Ah, e se quiserem conhecer e antever os Quadrados, espreitem no site oficial do programa... Têm vídeos e tudo! Vídeos!!! Ah, pá, viva a fartura!

Parabéns Miguel e Susana! Que o senhor do riso vos proteja!

3 anos depois


O vermelho volta a sair às ruas.

Deus pode ser grande

...mas a Sara também não é pequena.
Está de regresso com um novo álbum a menina dos nossos olhos.

Já tinha saudades, admito.
Vou ouvir e volto já.

Allegro ma non troppo



E eis que a geração Penim começa a mostrar obra feita.

Está aí Fátima, a nova montra das manhãs da SIC, sucessor do "SIC 10 Horas", um formato assumidamente inspirado no Oprah.

Que dizer sobre esta mudança? Vamos por partes.

Primeiro, é um passo lógico na carreira de Fátima Lopes, que mais uma vez vê o seu nome nos holofotes. Merece-o: todos sabemos que o "SIC 10 Horas" já era o programa da Fátima (cada vez que alguém a substituia, por melhor que fosse, sentia-se a ausência da dona da casa); além de representar o fruto de uma carreira de esforço - Fátima Lopes é provavelmente a apresentadora de televisão mais exemplar no que toca a profissionalismo e exemplo de conduta.

Segundo, é uma tentativa clara e assumida de elevar a fasquia, subir o nível do programa acima dos programas da concorrência, mantendo-o generalista mas com uma nova premissa de qualidade e classe (coisa que anda desaparecida há uns tempos na nossa pantalla). O plateau está mais elegante, a estrutura geral anda em busca de uma elegância e de uma fluidez longe do ambiente feirante e de faca e alguidar. Espera-se, pelo menos.

Terceiro, é a aposta continuada na Comunicasom, onde uma equipa-família se esforça por recriar todos os dias novos frutos televisivos. Estamos numa época conturbada e o desafio não é fácil, mas esta é uma equipa vencedora e isso vai certamenterepresentar uma resposta à altura.

Claro que ainda há uma imensidão de coisas a resolver: o set ainda está frio e a distância sente-se em dobro na televisão. Os tons frios aindam fazem gelar o plateau, de vez em quando, e a iluminação vai tendo os seus ajustes... A raínha das manhãs precisa de tempo para apurar a receita. Esperemos que dê mais frutos que o esperado.

A merda da meth





É um mito que começa a ser ouvido em Portugal: rumores de uma nova droga, mais limpa, mais poderosa e mais eficaz que o ecstasy.
A metanfetamina cristalina está a caminho. E nós continuamos, impávidos e serenos no nosso canto lusitano

n e w s

Pois cá ando eu em terras mouriscas, a tentar habituar-me aos ritmos e a esforçar-me por desempacotar todas as caixas de mudanças que tenho espalhadas no meu pequeno apartamento.
Além de shows aqui e ali, tenho algumas propostas profissionais a considerar e alguns projectos pessoais que ou andam agora ou regressam à gaveta por tempo indeterminado.
De resto, tudo normal, tirando alguns tropeções na minha vida pessoal e algumas surpresas muito desagradáveis (algumas pessoas esquecem-se de que o que semeamos hoje tem ramificações amanhã).

Sábado o LAF! Comedy Club, em Leça da Palmeira, vai voltar a encher-se com a loucura da Região Estrangeira.
Por um lado, não ando com espírito de galhofa e não me apetece nada rodopios de loucura.
Mas, por outro lado, será concerteza uma boa forma de exorcizar alguns demónios.

Apareçam.

rumos

Já alguma vez acordaram com aquela sensação de que afinal não têm assim tanto controle sobre a vossa vida como pensavam?
É estranha a percepção de que terceiros podem facilmente desviar o nosso rumo e obstruir eventuais saídas, não é?
O que fazer?
Desistir da navegação ou prosseguir com o bluff?


Ou encostar e esperar que o barco chegue a algum porto...

Mudem de Ouvidos II


Esta menina chama-se Petra Magoni. Acompanhada ao violoncelo por Ferrucio Spinneti, traz-nos um cd de jazz vocal incomparavelmente belo:

Em Musica Nuda reencontramos o prazer da voz, em temas variados, entre os quais Roxanne, Eleanor Rigby e um surpreendente I Will Survive.
A ouvir.
Depressa.

Commédia ao vivo!


Ora aí está algo digno de tomar nota: às terças-feiras, a noite tem paragem obrigatória no Chapitô, para assistir ao mais recente espectáculo dos Commedia à La Carte: Quem te improvisa, teu amigo é. Marquem na agenda e reservem lugares - estes rapazes ao vivo são uma debulhadora de risos. Vale a pena.

O prometido é de vidro




Antes do verão prometi tirar as dúvidas (quem segue este blog sabe do que falo).
Aqui está. É mesmo igual ao catálogo da agência e recomendo vivamente...
;)

Jean-Marie Le Pen:

- És uma besta. O problema social em França ou em qualquer outro país do mundo não se resolve a fechar fronteiras ou a promover a discriminação.
Mas tens razão numa coisa. Existem cidadãos de segunda em França: tu és um deles.

(yes!)



Já tenho casa, já tenho net, já tenho vida e já tinha saudades.
(Ah, e segunda-feira vou novamente ao "Levanta-te", em Almeirim.)

Já falta pouco

A minha casita está quaaaaase pronta!!! Ando em obras profundas de adaptação e por isso não tenho sequer conseguido aceder à net...
Mas já faltou menos!

Depois prometo que compenso o atraso no meu blog...

5...4...3...2...1...

...e aí vamos nós para mais um arranque.
Começar do zero tem o seu quê de interessante.

Já arranjei apartamento (simpático e pequeno, me gusta) e, no meio da papelada e do corre-corre, apercebi-me de que não sei muito bem o que raio ando a fazer - em terra nova, casa nova, sem rede e sem nada garantido.

Mas está-me a saber muito bem.
Tenho ideias e regressei à escrita com força. Tenho amigos. Tenho vontade.
Isto chega e sobra: a partir daqui é só trabalhar.

A felicidade é uma caixinha pequena.

auto-scope

Estou desempregado, desalojado e desterrado.
Mas continuo animado. Será normal?

Ao vivo e a cores

Alô zona Sul:
Este sábado vou actuar em Sta. Iria de Azóia, juntinho a Sacavém, no bar Excalibar.
A coisa arranca por volta das 23h e era giro que aparecessem, uma vez que não sei qual será a afluência dos nativos locais.
'Bora daí beber um caneco e, já agora, rir.
(já sabem, rir é nas pausas... agradecido.)

Apartamento Procura-se


Urgente.
Para alugar.
Em Lisboa.
T0 ou T1.
Quem souber, diga, que eu agradeço...

Voltei, voltei

...voltei de lá,
ainda agora estava em Punta Cana
e agora já estou cá.

Olá a todos: estou de regresso depois de umas férias no paraíso.
Prometo que, em breve, mostro-vos algumas fotos que andei a tirar por lá.
Mas antes disso, aviso desde já que, pelo menos durante as próximas duas ou três semanas, vou ter uma baixa taxa de produção neste belógue.
Estou numa fase de profunda transformação na minha vida, tanto a nível pessoal como profissional, e durante estes dias que se avizinham vou estar ocupado a pôr uma série de coisas em ordem.

A vida tem destas coisas.
Desvios, mudanças, transformações.
Algumas são boas, outras não; algumas são agradáveis e outras custam. Bastante.
Mas têm que ser feitas.

Mudem de ouvidos

Hoje apetece-me falar de música.
Andava por aqui a arrumar coisas quando dei por mim encostado à aparelhagem e a rever alguns sons preciosos.
Já aqui vos tinha mencionado o senhor Keith Jarrett, um dos mais significativos pianistas da actualidade. Nos cerca de 105 álbuns onde este senhor participou, há um que sobressai:
O concerto na Casa da Ópera de Colónia, em 1975, é uma obra de mestre.
Quem quiser saber mais, é só espreitar o site da AllMusic.

Outro álbum que faço questão de manter por perto (e obrigado, Sofia!), é este:
Uma verdadeira jóia do Jazz Latino, directamente de nuestros hermanos de Cadiz, Espanha. Como tudo o que é boa música, também está no AllMusic.

Enquanto faço as malas para as minhas mini-férias, decido-me por um ritmo mais groove:

É extraordinária a viagem para revisitar e redescobrir grandes clássicos, com uma roupagem mais fresca. Por aqui passam Billie Holiday, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Dinah Washington, Nina Simone, Carmen McRae, e Shirley Horn, retocadas e embaladas por nomes como Richard Dorfmeister, Tricky, Masters at Work e os Thievery Corporation, entre outros.
O que poderia parecer um inevitável e sangrento acidente resulta afinal num festim sonoro.
Descubram mais sobre este álbum no AllMusic, na página oficial da VerveRemixed,ou então sigam directos para a fonte e aproveitem para descobrir todos os excelentes trabalhos da Verve, no seu site global.
Só ficam a ganhar.

A prova dos nove

Na próxima semana arranco finalmente para uma singela semanita de férias, coisa que já ando a prometer a mim próprio há pelo menos três anos. E estou a falar de férias a sério, com direito a passaporte e comida de avião e tudo!
Terça-feira arranco para as Caraíbas: República Dominicana, aí vou eu!
Por isso, proponho um desafio.
As imagens que aqui vos mostro foi o que me venderam.
Quando voltar, digo-vos o que encontrei e fazemos o Jogo das Diferenças.
Que tal?

Comunicasom...

...é o nome da produtora responsável pelo SIC 10 Horas e pelo Às Duas por Três. Ou seja, a casa onde vivi os últimos 3 meses.
E reparem que não digo onde trabalhei, mas sim onde vivi, porque na Comunicasom vive-se televisão.
Por onde começar? Bem, pelo estúdio em si.



Os estúdio estão instalados num antigo cinema na Álvares Cabral, entre o Largo do Rato e o Jardim da Estrela, mesmo no centro de Lisboa. Agora um espaço labiríntico e aproveitado até ao último centímetro, do velho cinema pouco resta senão a fachada e um antigo projector de película, carinhosamente exposto numa das escadarias da empresa.
Aqui trabalham mais de oitenta pessoas, de segunda a sexta-feira, num frenesim diário que começa pouco depois das sete e que muitas vezes entra pela noite dentro em reuniões de trabalho.
Basta uma visita para se tornar evidente que, entre camarins, estúdios, sala de maquiagem, guarda-roupa, estúdios, escritórios e redacções, circula mais do que funcionários - circula uma família.
Gente que ali chega a passar mais de 12 horas por dia, gente que ali come, trabalha, ri e se apaixona. E não são poucos os que se apaixonam... os filhos também estão lá para o provar: a Comunicasom tem uma creche para que os mais novos se mantenham por perto dos progenitores.
Lembro-me que, quando comecei a trabalhar em televisão, foram muitos os que me avisaram para ter cuidado com as pessoas do meio. É que a competitividade é elevada e o que sobra são sempre intrigas, estratagemas e traições.
Mas, como não há regra sem excepção, a Comunicasom navega acima desses turbulentos mares.
É, no fundo, natural. A proximidade e a intensidade com que se vive ajuda a aproximar as pessoas, a exigir humanismo e trabalho de equipa. E não é assim tão simples - quem conhecer esta equipa ficará desde logo impressionado com a facilidade com que as mesmas pessoas passam de uma violenta discussão de trabalho para uma alegre e descontraída conversa, em questão de minutos.
Não é esquizofrenia, é sintonia.
Se é para começar por algum lado, que seja pelo bar-refeitório. É aqui que a malta se encontra de manhã para o pequeno-almoço (e que rico pequeno almoço!) e é aqui que se sentam a equipa e convidados para provar as delícias da (provavelmente) melhor cozinheira do mundo, a Milocas. Na redacção também se cozinha mas o destino não é o prato, é a pantalla.
Tenho que agradecer a todos. Porque com todos aprendi algo novo de dia para dia. Gente como o Pedro Goulão, um génio na escrita de humor e camarada de língua afiada...
Não vou dizer todos os nomes, é lógico, mas tenho referir a Paula Correia, editora do "Às 2 por 3", uma locomotiva no trabalho e uma das pessoas mais divertidas e perspicazes com quem alguma vez convivi, tal como o João Patrício, realizador/steady/criativo/músico/.../...
Um abraço forte para o Manollo e para o Mário. Obrigado pelo crédito e pela força.
Um abraço forte para Jorge Simões - és o homem-comunicação e conseguiste a proeza de me ensinar coisas até com os teus silêncios, além de seres a prova de que os grandes corações também sobrevivem às batalhas.
Obrigado malta das câmaras, luzes e som.
Sinto-me como o puto que saiu de casa da família.
Obrigado por tudo - muito mais do que provavelmente imaginam.

Keith Jarret



O que importa não é o que se ouve, é o que se entende.
É a linguagem universal: Keith no piano. Vale a pena ouvir.
Perdão, sentir.

Tá quase

Assim são as coisas: sexta chega ao fim a minha colaboração com as tardes da SIC.
Amanhã ainda vou ter um programa bem diferente, fora do estúdio. Vou espreitar a casa da Senhora Dona Lady, numa visita guiada por Herman José e Sílvia Alberto.

Vai ser giro, de certeza.
Na sexta, preparem o videogravador: ando aqui a matutar numa despedida sui generis, bem ao jeito da Broadway. Apetece-me sair em festa.
Enquanto o dia não chega, entretenham-se com isto:

... sobre coisas boas e imbecis

Depois de alguns dias ausente deste blog, estou de regresso, pronto para a última semana de programas.
Para aqueles que me têm questionado sobre planos para depois, para já só há um: férias. Vou aproveitar para me pirar por 15 dias e relaxar, de preferência bem longe de tudo. Mas vou continuar por perto deste blog.

Entretanto, tenho ido espreitar os "Comédia á la Carte", todas as quintas a partir das 18, no Picoas Plaza. São muito bons, os rapazes, e têm ganho esta difícil aposta de conquistar o público lisboeta ao fim da tarde. Esta quinta, estou lá outra vez. Sem dúvida.

Ah, já agora, fica a chamada de atenção: pela segunda vez na (curta) história deste blog, fui obrigado a apagar um comentário de um visitante. Não me importo que critiquem ou que tentem chamar a atenção com disparates, mas o comentário do Rui Osório passou das marcas, ao insultar dois colegas meu de trabalho. Lamento, mas há coisas com as quais não me apetece condescender, e este blog é ainda uma ditadura - felizmente.
Aliás, este cavalheiro é daqueles que, por mim, era barrado à porta, porque nada me irrita mais do que gente que critica sem argumentos, só pelo prazer destrutivo e pela necessidade de compensar desequilíbrios internos e frustrações latentes. Mas pronto, as coisas são como são e o pior seria estimular este género de desvios comportamentais. Cá em casa, quem manda sou eu e o resto são cantigas.

Jantar volante

Ontem fui a um jantar volante: estava sem paciência e passei pelo McDrive.

Essa é que é essa

Agora que falta pouco mais de uma semana para fazer as malas e abandonar o "Ás Duas por Três", começo a sentir que vou ter saudades de alguns momentos... e de outros não.
Seja como for, presenteio-vos com este belo postal. Não façam perguntas sobre a minha posição altamente erótica, limitem-se a fazer uma vénia ao grande Quim Barreiros.

Yugop

Impressionante: ainda há quem não conheça os tipos da Monocraft Yugop...
Vá, não sejam tímidos: carreguem aqui e divirtam-se.
Quem é amigo, quem é?

Regionários

Ora cá está uma preciosidade! Da esquerda para a direita: Henrique da Silva, Marco Rodrigues, Sandro Mouro, Tunniko, eu, Paulo Baldaia e Nuno Matos.
Ou seja, a Região Estrangeira em todo o seu esplendor.
Temos que voltar a reunir as tropas e regressar ao ataque.
Já tenho saudades.

PopQuiz!

Questão desta semana:

- Se pudesses escolher um político a ser expulso do país, quem escolhias?

Não sejam discretos e esmerem-se.
Respondam nos Comments, mãos à obra!

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Já agora, porque me apetece, bons exemplos de publicidade, começando com este anúncio a limpa-vidros:





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Foto: Carlos Moura

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As grandes escolhas na vida resumem-se, normalmente a dois caminhos possíveis.
Foto: Carlos Moura

Gente má

As pessoas são, em essência, más.
Estou a começar a ficar convencido disso.
Com o passar dos tempos, uns melhoram.
Outros não.

Cansa.