Ena tanta gente

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É com o maior agrado que informo os habituais fregueses desta casa que nesta passada terça-feira, 3 de Janeiro, este modesto belógue recebeu no seu modesto espaço 152 visitantes.
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É recorde, sim senhor, que muy me apraz.
One5rope light 2
Só duas perguntas.
Se isto continua assim, onde é que eu arranjo café para tanta gente, e
quem foi o espertinho que me gamou o cinzeiro da mesa do centro?
spinnin fire while on the phoneBuntitledIGAaaDHollywood BOWL
(obrigado. é bom saber que há vida na net)

Quando eu era puto


O ar cheirava a eucalipto
as àrvores eram para subir
os sonhos sabiam a morango
o tempo contava-se pelos dedos
as bicicletas eram motas indomáveis
as bicicletas eram cavalos indomáveis
as bicicletas eram indomáveis
a dor era no joelho
ou no cotovelo
uma fisga era hardware
plasticina, software
o mundo estava num Spectrum
e lá fora era do tamanho do bairro
a terra cheirava a fresco
um sotão era uma ilha
ou o espaço
ou uma cidade
e todas as pessoas eram felizes
mesmo as mais tristes
porque quando eu era puto
o ar cheirava sempre a eucalipto.

Na outra sala:

As fotografias de um grande mestre brasileiro e o revisitar de um dos melhores filmes de ficção científica de sempre.
No Fitas e Fotos.
Espreitem.

Amigo:

Gosto de ti porque és suficientemente parvo para acreditar. Para acreditar nas pessoas, nas emoções, nos valores. No amor.
Já ninguém acredita no amor, sabes isso?
O amor, a amizade e a ética são agora parte do catálogo Ikea - arranja-se uns, monta-se a coisa e daqui a uns tempos arranja-se outra. Mas tu é um tipo de "mobília à antiga".
És um parvo à Paços de Ferreira.
E é por isso que gosto de ti, pá.
Porque sofres com isso e te martirizas com coisas como sentimentos. Ainda por cima, sofres de forma genuína, não és como a maioria da malta que sofre porque até cai bem. A maioria das pessoas que conheço (especialmente as que não o admitem) sofrem de amores ao ritmo da Globo: sofrem com genérico, fazem pausa para compromissos publicitários e desmontam a coisa com promessas de um bem maior. Tudo ao som de Caetano.
Tu não.
Tu pensas que as pessoas são, no fundo, boas. Que merecem uma chance.
Tu, meu querido amigo, estás ainda por cima convencido que as podes ajudar.
Pior: que as podes fazer felizes.

Gosto de ti porque és suficientemente parvo para acreditar. Acreditar que as pessoas querem ser felizes.
Já ninguém quer ser feliz (especialmente as pessoas que dizem que querem muito ser felizes).
Dizer "quero ser feliz" é um chavão, uma frase-feita, um engodo. É uma linha de script essencial para continuar a novela.
Porque ser feliz é uma trabalheira.
Ser feliz custa mais do que não ser feliz.
E ser feliz deixa-nos aparentemente sem mais objectivos.
Se já se é feliz, que mais se pode querer?

És suficientemente parvo para não te aperceberes disto, eu sei. Insistes na ideia de felicidade.

As pessoas não são felizes. Nem querem.
A infelicidade é o motor do mundo e isto elas sabem, mesmo que nunca o admitam.
São infelizes porque têm muito a ganhar com isto.
Recebem atenção, motivação, carinho e amparo.
Quando se é infeliz, tem-se um bom motivo para que os outros nos ouçam e nos acolham nos seus abraços de compreensão.
Quando se é infeliz, tem-se um bom motivo para lutar e alcançar coisas e objectivos e isso.
É assim que as pessoas se entendem, é assim que estão bem.
Tinhas que vir tu querer mudar isso. Acorda.

Quando é que foi a última vez que alguém te puxou para perto, sem tu esperares? Sem teres embarcado na tua cruzada pelo espírito humano?
Quando é que foi a última vez que te foram buscar pelos colarinhos, à bruta?

És macio demais, pá.
És um ursinho de peluche que as pessoas usam para se confortar e partir para outra.
És um penso-rápido social. Uma bomba de asma ambulante.
E ainda por cima, fazes questão de não exigir nada em troca.
Como se a tua companhia não merecesse um esforço.
Como se a tua presença fosse um fardo.

Achas que, se alguém te ama, é porque suporta o teu fardo. O teu peso de estares presente.
E sentes-te agradecido por te deixarem estar ali; estas infelizes e sofredoras almas que te permitem estar por perto no seu calvário diário. E em troca, de vez em quando, recebes um carinho fugaz ou uma foda rotineira.
Como um cavalo emocional que fez bem a pirueta: toma lá o teu torrão de açúcar.

Claro que há gente que te merece.
Só que estão na prateleira acima.

Mas gosto de ti, pá.
Sobretudo por tudo isto.

Os cabrões do marketing


O novo anúncio da Portugal Telecom tem como banda sonora o Hino Nacional de Portugal, A Portuguesa.
Pensava que havia leis que proibiam isto? Pense outra vez.
Ao longo de um penoso slow-motion, lá vamos vendo rostos bonitos que se levantam ao som do nosso hino. E, para o caso de alguns ainda poderem pensar que se trata de algo institucional ou verdadeiramente importante, fazem questão de terminar com a legenda "A empresa privada que mais investe em Portugal".
Que é como quem diz, sim, isto é mesmo o vosso hino e nós somos mesmo uma empresa privada."

Portanto, os cabrões do marketing conseguiram abrir precedentes.
A partir de agora, nada impede que uma marca de detergente, papel higiénico ou a casa de strip da esquina possa fazer o mesmo. De publicitar a nova eslovaca mamalhuda ao som do hino nacional. Porque também é uma empresa privada e ajuda a pôr de pé muitos portugueses.

Aposto que o anúncio vai correr durante valentes semanas. E, daqui a um mês, teremos uma nova versão do hino com remix.

Será que sou só eu que vejo estas merdas?
Cabrões.

Se alguém me puder dizer onde moram os publicitários que fizeram isto, agradeço.
Quero entrar-lhes em casa, mijar-lhes nas gravatas, raptar-lhes os filhos e incendiar-lhes os BMW's.
Tudo ao som do hino.

Grandes Comunas

A Rússia decidiu no domingo passado cortar o fornecimento de gás natural à Ucrânia. Parce que a Rússia queria quadriplicar os preços e a Ucrânia não gostou.
Mas já repôs a coisa. O que é pena.

Durante alguns dias, pensei que a normalidade estava restabelecida. Que a velha e fiel Rússia se mantinha no activo.
Qual pressão económica, qual carapuça!
Cortar o gás a milhares de ucranianos não é maldade, é voltar às origens.

O comunicado russo deve ter sido assim:

"Bolas, que interessa se lá fora estão temperaturas abaixo de zero e se vocês não têm alternativas? Nós somos russos!
Ou vocês passam a pagar quatro vezes mais ou cortamos essa porra. A nós não nos faz diferença. Estamos quentinhos.
E nem pensem em queixar-se aos capitalistas ocidentais. Eles gostam que vocês se sintam mal e só vão ficar felizes se mais de vocês se pirarem para lhes construirem prédios e isso.
Por isso, decidam-se.
Claro que podem escolher não pagar - nesse caso não há gás.
Esperamos que tenham visto o filme "A guerra do fogo" e que saibam construir abrigos no gelo.
Abraços destes vossos camaradas e beijos na face e isso.
E não nos levem a mal. É a nossa natureza.
Se vocês pudessem, faziam o mesmo.
É pena que sejam pobres."

Acho que todo o mundo devia reflectir neste exemplo russo.
Esta coisa de voltar às origens e de permanecer fiel aos nossos princípios.
Por causa disto, estou a organizar uma excursão (aluguei um autocarro) para irmos até à fronteira insultar espanhóis.
E depois devíamos ir até ao norte de África queimar uns infiéis e isso.
Inscrevam-se.

São estas coisas que me assolam

Porque é que as mulheres chamam permanente se aquilo, depois de umas lavagens, vai à vida?
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Porque é que há gente que usa o espaço dos comments para publicitar os seus blogs? Haverá assim tanto interesse num blog pessoal que exija uma campanha de marketing?


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Porque é que as verdades são sempre óbvias para toda a gente, excepto para quem tem o cargo de direcção?

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Porque é que a felicidade é menos contagiante que a ignorância?

Portugal Europeu, duas décadas

Money, it's a sin...
Assinalam-se hoje 20 anos da integração de Portugal na União Europeia.
Na altura, alimentámos o espírito nacional com a esperança de um futuro melhor.
Hoje, continuamos na cauda.
Temos o mais baixo salário mínimo e somos ainda uma nação de novos ricos.
Mas estamos no bom caminho.
Estaremos?

Ano novo, blog novo!

Amiguinhos:

Perdi a cabeça com esta coisa do Reveillon e deixei-me levar pela loucura.
Abri os cordões à bolsa e, num tresloucado acto de investimento compulsivo, fiz obras aqui na casa.

A partir de agora, este blog passa a contar com uma sala nova.

Bem, a questão é esta: aqui não havia espaço para tudo.
Assim, decidi criar um outro espaço só para falar de duas coisas que adoro, cinema e fotografia.
Está feito e conta convosco.
Espreitem o Fitas e Fotos.

E bom novo ano!

XXX

Ideia para filme porno chinês:
- "Alexandle, o Glande".

É sem querer que as verdades surgem

Como, por exemplo, a comentar a um amigo:

As limpezas da alma fazem-se à custa das dores alheias e dos vazios que criamos no espaço que vai do nosso braço a um abraço.

Para 2006

If you knew that you would die today,
Saw the face of god and love,
Would you change?
If you knew that love can break your heart
When you're down so low you cannot fall
Would you change?
How bad, how good does it need to get?
How many losses? How much regret?
What chain reaction would cause an effect?
Makes you turn around,
Makes you try to explain,
Makes you forgive and forget,
Makes you change?
If you knew that you would be alone,
Knowing right, being wrong,
Would you change?
If you knew that you would find a truth
That brings up pain that can't be soothed
Would you change?
Are you so upright you can't be bent?
If it comes to blows are you so sure you won't be crawling?
If not for the good, why risk falling?
Why risk falling?
If everything you think you know,
Makes your life unbearable,
Would you change?
If you'd broken every rule and vow,
And hard times come to bring you down,
Would you change?
Tracy Chapman

Hoje, Casino

É hoje, pelas 22:30, no Casino da Figueira da Foz.
É o meu último espectáculo em 2005 - apareçam.

Riscos Pedidos

Decidi inaugurar uma nova secção neste modesto belógue.

Usem a zona de comentários para pedirem um tema e eu trato do assunto; poderá ser um texto, uma imagem, um vídeo ou uma música, mas que arranjo, arranjo.

Estão abertas inscrições.

Em Agenda

Esta 5ª feira, 29 de Dezembro, despeço-me de 2005 com um espectáculo no Casino da Figueira.
O show está incluído no ciclo "Barriga de Riso" e a entrada é livre, a partir das 22h!

Conto contigo?

O que é que te impede?

"Achas realmente que alguma vez vais conseguir fazer isso? Não achas que são projectos a mais? Já te apercebeste que estás em Portugal?"

Nenhum obstáculo te pode impedir. No máximo, pode atrasar-te.

Se apagares os teus sonhos, o que é que te resta? A rotina? O percorrer dos dias apenas porque andas cá?
Quando desistes dos teus sonhos, desistes da tua identidade.

Não interessa se vais chegar ao objectivo.
O que interessa é que, independentemente da possibilidade de êxito, não te resta nenhuma hipótese válida senão correr para ele.
Lutar pelos teus sonhos não garante que os vais alcançar.
Mas garante que permaneces humano. Que permaneces tu.

Vives num mundo onde o mais fácil é deixares de ser tu.
O mais fácil é seres mais um na multidão descolorida, mais uma máquina ambulante produtora de fezes e urina cujo organismo se desgasta de minuto a minuto.

Não interessa se realmente vais concluir os teus projectos ou alcançar os teus sonhos.
O que interessa é que, ao desistires deles, estás a esvaziar a vida do seu sentido.

És o hamster na roda. Sabes que nunca vais chegar a lado nenhum.
Mas se não correres, a roda fica parada.
Uma roda parada não faz sentido. É menos roda.

Everyone has had more sex than me

O coelhinho mais amoroso do mundo e com problemas sexuais.
Cliquem aqui.

O meu ídolo?

Perguntaram-me recentemente se tenho algum ídolo.
Tenho.
É este fulano:
http://www.albinoblacksheep.com/flash/numa.php

Espreitem e comentem. Ele é grande.

Ena, ena, mais prendas!

Eu, no fundo, sou um mãos-largas.
Ora não é que me assolou a loucura e deu-me para vos oferecer mais umas coisitas nesta quadra?
Ai, o doido...
Para guardar, cliquem com o botão direito nos links e escolham "Save target as"

Primeiro, música que vem da República Checa (?!)

Estes meninos chamam-se Khoiba e fazem umas coisas que se ouvem com outras coisas electrónicas, além de ainda por cima terem um site giro. São um quarteto que mistura batidas trip-hop com melodias de fazer inveja. Constituição da equipa em campo: Ema Brabcová, na voz; Filip Míšek, nas guitarras e sintetizadores; Petr Šámal no baixo; e Jan Malich na bateria. Este tema chama-se song_restart. Saquem e ouçam.



A muy grande Björk decidiu entregar o tema "Desired Constelation", do àlbum "Medusa", às mãos criativas de gente amadora. Um dos resultados foi este:
::Björk - Desired Constellation (dark jedi mix)

Isto é que são presentes blogueiros, ahn? Hum? Não é?
Se continuo assim, qualquer dia até sou um gajo fixe.

Esquadros

Eu ando pelo mundo prestando atenção
Em cores que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo, cores
Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção no que meu irmão ouve
E como uma segunda pele, um calo, uma casca
Uma cápsula protetora
Eu quero chegar antes
Pra sinalizar o estar de cada coisa
Filtrar seus graus
Eu ando pelo mundo divertindo gente
Chorando ao telefone
E vendo doer a fome dos meninos que têm fome
Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
(Quem é ela? Quem é ela?)
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle
Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm para quê?
As crianças correm para onde
Transito entre dois lados, de um lado
Eu gosto de opostos
Expondo meu modo, me mostro
Eu canto para quem?
Eu ando pelo mundo e meus amigos, cadê?
Minha alegria meu cansaço?
Meu amor, cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado

Adriana Calcanhoto

A todos os que me mandam sms de Natal

- Obrigado mas já chega.

Estou a ficar cansado de ouvir os "piu-piu's" de mensagem recebida e começo a sentir o polegar dormente de as apagar em seguida - ainda arranjo uma espondilose nas falanges e acabou-se a guitarrada.

Não é que leve a mal, entendam-me; sei que o fazem de boa vontade e com os vossos coraçõezinhos impregnados do espírito pegajoso do Natal, aposto mesmo que cada vez que carregam em "ENVIAR" devem sentir aquela satisfação de missão cumprida como se estivessem a melhorar o mundo e a iluminar as almas dos vossos amigos com carinhos electrónicos.

Mas não estão.

Enviar uma sms de boas festas é o mesmo que dizer "Olha, só para dizer que cumpro os preceitos desta quadra e que ainda tenho o teu número, mas não vales o gasto de uma chamada."

Especialmente quando a mensagem é daquelas cheia de piada, que rimam e tudo. Essas então é que soam a "Ups, estava a distribuir esta piada natalícia pela minha lista telefónica e nem reparei que também enviei para ti..."
Pior: quando alguém que está ao nosso lado recebe uma mensagem exactamente igual à que ainda estamos a ler.

Por isso, meus amigos, agradeço o vosso esforço telecomunicativo, mas não se dêem ao trabalho.
E, por amor de todos os santos, não repitam a façanha no ano novo.
É que já não há pachorra.

O maior presente de Natal do Mundo

Parece milagre mas não é.
Estes senhores na foto, os responsáveis pelo Fundo Monetário Internacional, tomaram uma decisão histórica e que muitos pensavam ser impossível. Afinal de contas, dinheiro é dinheiro e o chamado Primeiro Mundo nunca se fez rogado no que toca ao livro de contas.
Mas, seja por insistência dos factos ou por ataque súbito de consciência, a decisão foi tomada.

O FMI confirmou que a partir de 1 de Janeiro de 2006 vai anular a dívida acumulada de 19 países pobres, num total que ultrapassa os dois mil e oitocentos milhões de euros. Graças a pressões do G8 e de diversas instituições não-governamentais, este perdão foi concedido às seguintes nações: Benim, Bolívia, Burkina Faso, Etiópia, Gana, Guiana, Honduras, Madagáscar, Mali, Moçambique, Nicarágua, Níger, Ruanda, Senegal, Tanzânia, Uganda, Zâmbia, Cambodja e Tajiquistão.

Quer isto dizer que, pela primeira vez na história, os países desenvolvidos estendem realmente a mão aos menos favorecidos. A dívida acumulada por estes países (a Zâmbia, por exemplo, devia mais de 400 milhões de euros) representava um obstáculo practicamente impossível de ultrapassar no caminho da recuperação financeira.

Agora, é num livro em branco que se escreve a História. Uma oportunidade única para gerar e gerir instrumentos de apoio para a evolução e crescimento sustentável.

A promessa de um mundo numa balança mais equilibrada: este é, sem dúvida, o melhor presente de Natal de todos os tempos.
Obrigado, diremos todos.

Os meus pais que me perdoem...


...mas este é mesmo o filho que eles criaram.

Feliz Natal e essas coisas


Apesar de ateu, esta coisa do Natal também me toca, e andei para aqui a matutar num presente de boas festas a todos os meus muy dignos visitantes.
Depois de muito pensar, decidi oferecer-vos um desktop novinho em folha. Pode não ser grande coisa como presente de Natal, mas foi feito por mim e o que conta é a intenção. E quem não quiser, paciência.
Mas tem carinho.

Bom Natal. É bom ter-vos por aqui.
Cliquem na imagem para abrir em tamanho grande e depois, com um clique do botão direito do rato, escolham "Save Image as"

O terceiro quadrado


É hoje que o terceiro episódio de "O Quadrado das Bermudas" vai para o ar na SIC Comédia, um exemplo de que ainda há malta a lutar para fazer humor sem os orçamentos de um canal generalista.
Para quem ainda não sabe, o Quadrado pode ser visto nestes horários:
quartas: 23.30
sextas: 1.00
sábados: 23.00

E para aqueles que chegam a casa mais tarde, ainda há um horário especial de madrugada:

segunda 3.00 (segunda para terça feira)
quarta 3.00 (quarta para quinta feira)
(acabaram-se as desculpas)

E mais: os rapazes têm site e tudo. Cliquem aqui para o visitar.
Ele é clips, ele é fórum, ele é tudo. Espreitem!

Let's look at at trailer

Apesar de estarmos na silly season, não desanimem: o mundo da sétima arte tem preciosidades a caminho. Entre outras, estas são algumas que já estão marcadas na minha agenda (digam as vossas favoritas nos comments):

Munich - O novo de Steven Spielberg já está a dar que falar.
O filme relata a suposta história verídica do que aconteceu depois do atentado terrorista nos Jogos Olímpicos de Munique, em 1972, quando 11 atletas israelitas foram mortos por terroristas palestinianos. Após o atentado, a Mossad abre caça ao homem e parte em busca dos terroristas para fazer justiça pelas próprias mãos. No papel principal de agente da Mossad, a quem cabe a tarefa de assassinar os terroristas, está Eric Bana (Hulk, Troy), que dá mostras daquilo que alguns já sabiam, que é de facto um grande actor. Ao seu lado, outros nomes interessantes como Daniel Craig (eterno secundário?) e Geoffrey Rush.
> Estreia prevista em Portugal: 2 de Fevereiro 2006

Syriana - Depois de um filme como Traffic, o que é que se faz? Outro bom filme.
O argumentista de Traffic, Stephen Caghan, lança-se na realização de um filme sobre o obscuro mundo do petróleo e do poder, com um George Clonney anafado e pouco atlético à cabeça. O resto do elenco é um desfilar de estrelas...
>Estreia prevista cá no nosso cantinho: 23 de Fevereiro, 2006


Fun with Dick and Jane - Jim Carrey está de volta!!! E acompanhado por Téa Leoni!
Bem, na verdade não sei se há assim tantos motivos para sorrir... Este é um remake de um filme de 76 com George Segal e Jane Fonda, que conta a história de um casal que, para pagar as contas, decide enveredar pelo mundo do crime. O trailer é divertido, pelo menos...
>Estreia cá no bairro a 5 de Janeiro, 2006.

Brokeback Mountain - Eh, pá, que isto é terreno perigoso: um filme sobre dois cowboys que se vivem um romance gay? Ó diabo... O elenco é liderado por dois excelentes actores da nova geração, Heath "Quatro Penas" Ledger e Jake "Donnie Darko" Gyllenhaal. A realização é de Ang "Sensibilidade e Bom Senso" Lee. O filme promete, mas creio que alguns rednecks não vão gostar...
Estreia dentro de fronteiras algures para o ano, se alguma distribuidora acordar para a vida...

Jarhead - E não é que o menino de Donnie Darko está mesmo em grande? Preparem-se, fãs de "Apocalipse Now": o realizador de "Beleza Americana", Sam Mendes, deitou mãos à obra e vai empurrar-nos para a Guerra do Golfo de forma visceral e cúmplice. Não é necessariamente uma ode à paz, é mais uma descida às profundezas do espírito humano. Com Jamie Foxx e Chris Cooper, uma película com muito amargo de boca e mel para os cinéfilos.
Estreia prevista em terras de Camões a 12 de Janeiro, 2006.

E a fechar, dois rebuçados:


Superman Returns - O regresso das ceroulas azuis e do cuecão vermelho chega pelas mãos de Bryan Singer. Pois, eu sei que foi ele que realizou "X-Man" e "X-Man 2", mas também realizou "Os suspeitos do costume"... E, apesar do herói de galochas vermelhas ser desta vez o desconhecido Brandon Routh, o vilão Rex Luthor foi para as mãos de Kevin Spacey...
Se vai resultar? Não sei, mas o trailer está interessante. Espreitem aqui.
Estreia no verão do próximo ano.

E pronto. Já compraram bilhete para esta quinta-feira?

É que, afinal, eu adoro casamentos. Sobretudo quando o padrinho é Tim Burton.
Vá, visitem lá o copo d'água...

O que se ouve por aqui

Trio de multi-instrumentalistas de Portland, os Menomena surgem por uma editora independente como um suspiro de alívio: afinal, nos states também se exploram novas fronteiras. Instrumental, experimentalista, arrojado. A ouvir.

Marcha-atrás

O espectáculo deste sábado no Laf!Comedy Club, com o Nuno Matos, não foi.
Devido a problemas eléctricos tivémos que cancelar aquele que seria um evento memorável e ultra-divertido...
...pelo menos para os dois caixa d'óculos no palco.

Paciência.

Curvem-se perante o Rei

Confesso que foi com receio que fui ver "King Kong", de Peter Jackson, na sempre boa companhia do meu amigo Nuno Matos a uma sala de cinema em Gaia.
Receio por razões óbvias - Kong é um daqueles clássicos que permanecem no imaginário e que dispensam remakes; Jackson meteu-se no projecto sem tempo de pousio, ainda na euforia do "Senhor dos Anéis"; a história deste clássico parecia-me demasiado naïf e qualquer tentativa de adaptação ou melhoramento poderia resultar numa tragédia cinematográfica (lembram-se do Godzilla?). Enfim, receio de uma chouriçada americana blockbuster com cheiro natalício, coisa corrente desta indústria.
Mas desengane-se o receoso: os primeiros dois minutos de filme foram suficientes para me acalmar, com um genérico a piscar o olho ao original e uma entrada brilhante na Nova Iorque da década de 30.
A partir daí foi o amarrar à cadeira e fazer uma viagem de 3 horas pela mais bela arte de todas, a arte de contar uma história.

Por onde começar um modesto comentário?
Pelas estrelas.

Kong é grande. E não é um monstro nem um homem num fato de borracha: é um gorila como todos os gorilas do planeta, excepto no tamanho descomunal. Kong é velho, cansado e feroz. E, acima de tudo, é real. Parece saído do Discovery Channel XXL, tão vivo que torna dificil pensar nele como um efeito especial.
O símio brilha na tela graças às maravilhas do 3D, mas atrás de um grande gorila está este grande actor, Andy Serkis:
Depois de ter deslumbrado o mundo com o seu Gollum, na trilogia dos anéis, Serkis subiu a fasquia, mostrando que tem talento para mais do que esperávamos. Além da responsabilidade de dar vida a Kong, espinhal medula do filme, este rapaz interpreta também o cozinheiro do navio - e que cozinheiro...
Para encarnar o gorila, Serkis passou semanas a estudar gorilas ao vivo no Ruanda e no Zoo de Londres. Durante as filmagens eram-lhe colocados sensores por todo o corpo para captar com pormenor os seus movimentos e expressões - só no rosto, eram 132 sensores...


Mas o gorila não leva as atenções todas para casa. Naomi Watts eleva-se na película e, cada vez que surge, preenche o écran com a donzela perfeita: insegura mas inteligente, delicada mas não frágil. E prova que não é uma beldade do cinema, é uma actriz.

O resto do casting assenta como uma luva. Jack Black, Adrien Brody e restantes cavalheiros fogem à regra dos blockbusters e presenteiam a história com papéis ricos e detalhados, que trazem acrescento. Isto, além dos outros dois personagens omnipresentes que catapultam King Kong para a glória: Skull Island e a Nova Iorque de 1933, que nascem para vida graças a uma mistura explosiva de mais de 800 planos de miniaturas e 3d. E mais uma vez, não se sente o plástico.

Como seria de esperar, os efeitos especiais são companhia constante mas, tirando um ou dois planos fugazes, servem a história e não o contrário, numa simbiose delicada.


É obra.
Ao longo de 3 horas que passam a voar, Peter Jackson segura o espectador pelos colarinhos e empurra-o para uma aventura extraordinária, uma montanha-russa com perseguições alucinantes e imagens de encher o olho. Já não me sentia assim na grande sala desde a estreia do Indiana Jones. Claro que há coisas com que muitos poderão discordar: eu, por exemplo, não simpatizei muito com a sequência dos insectos (vejam o filme) mas é uma homenagem a uma sequência cortada do original. A verdade é que a balança pesará sempre para o lado de Jackson, porque mesmo com este ou aquele deslize o filme nunca descarrila. Mantém-se firme e seguro, com uma narrativa sólida, justificada, plena de referências subtis ao cinema, à literatura, e recheada de detalhes magníficos. Mas há mais.

É que, com todo este aparato e com a dose de adrenalina, King Kong prega-nos uma rasteira. Uma grande rasteira.
É que este não é um filme sobre monstros e aventuras.
Mais: este não é um filme sobre o próprio King Kong.

Este é um filme sobre a particular capacidade do ser humano de destruir o que é belo, sobre o poder e a ambição. Sobre a importância de fazer as coisas certas e de ser capaz de dizer "Amo-te" na hora certa.


E meus amigos, esse é o grande trunfo que o gorila de Peter Jackson tem escondido.

Em Agenda

-Sexta, 16, actuo no bar Palhota em Vila Nova de Gaia com o meu bom amigo e Regionário Marco Rodrigues

- Sábado, 17, dueto humorístico com o Nuno Matos no LAF! Comedy Club, em Leça da Palmeira...

...promete.

Loucos Procuram-se



Projecto louco de televisão precisa de gente louca para as seguintes posições:

  • Operadores de Câmera
  • Assistentes de Câmera
  • Técnico de Iluminação
  • Técnico de Som
  • Maquetistas
  • Editor de Montagem
  • Editor para Grafismo e Efeitos Visuais
  • Guionistas
  • Assistentes de Produção
  • Multifacetados que se movam nos terrenos da animação 2D e/ou 3D, pirotecnia, electricidade e/ou carpintaria

Projecto insano sem promessa de honorários à partida.

Exige-se entrega total sem garantia de reembolso a não ser satisfação pessoal e possibilidades teóricas.

Dá-se preferência a pessoal com material técnico próprio e pouca necessidade de horas de sono.

Respostas para o mail: correiomoura@gmail.com

Parece mau mas é assim, paciência. Estas coisas quando arrancam só funcionam com suicidas.

Richard Pryor (1940-2005)




O Nuno Dias, visitante assíduo desta casa, sugeriu recentemente num comentário que se fizesse referência neste belógue ao falecimento de Richard Pryor. Em boa hora, aqui seguem as honras merecidas.

Da pobreza de Illinois ao glamour de Hollywood, do abandono da mãe ao reconhecimento do mundo, a vida de Richard Pryor é um relato de dramas, tragédias, excessos. E muita glória.

Eleito pela Comedy Central como o melhor comediante stand-up de todos os tempos, Pryor alcançou na comédia o que Sinatra alcançou na música. E provavelmente graças a uma vida marcada pelo drama - afinal, é a tragédia o que gera a comédia...

Filho de uma prostituta, cresceu num bordel gerido pela avó - uma infância marcada pelos maus tratos, abusos sexuais e pelo abandono da mãe, aos dez anos, que traçou o pano de fundo para uma vida de tragédias pessoais, excessos de drogas e àlcool, fantasmas que o perseguiram por toda a carreira.

Carreira que, curiosamente, começou com um desentendimento na sala de aula, durante o secundário. Farta de o ouvir a lançar piadas na sala e destabilizar a turma, uma professora convenceu-o a permanecer calado durante a aula em troca de uma hora semanal de show cómico para a turma. Da sala de aula passou para o auditório da escola e daí para bares e clubes de comédia.

Na década de 70, após uma ausência de dois anos, Pryor explode nos palcos como uma bomba com linguagem pesada e conteúdos violentos, incomodando a América com observações raciais e sociais nunca antes ouvida.

White folks do things a lot different than niggas. They eat quieter. Pass the potatoes, thank you darling, could I have a bit of that sauce. How are the kids coming along with their studies? Do you think we'll be having sexual intercourse tonight? We're not? Well, what the heck?

Apesar de censurado e duramente criticado, entra nos anos oitenta como o comediante mais bem pago no mundo do cinema, numa das mais promissoras carreiras alguma vez vista no mundo do espectáculo. Mas, por trás da cortina, Pryor navegava em àguas agitadas, com amizades e paixões violentas, afogado no vício do àlcool e da cocaína.

Fora de palco, a vida de Pryor era uma manta de retalhos, com cinco ex-mulheres, oito filhos, dois ataques cardíacos e um bypass triplo. Em Junho de 1980, num estado de demência e desespero suicida, regou o próprio corpo com cognac e tentou imolar-se, resultando em queimaduras em mais de 50% do corpo. Este episódio marcou a onda de mudança. Pryor desapareceu durante dois anos, viajou até África e voltou em grande.

Em 82, assinalou o regresso com Live on the Sunset Strip, uma das actuações mais aclamadas na história da comédia.

Em 86 foi-lhe diagnosticado esclerose múltipla mas, com o seu espírito de lutador, Richard Pryor continuou a trabalhar em todos os media, numa das maiores carreiras que algum comediante alguma vez teve (vejam o resumo no IMDB). A sua última aparição no grande écran foi em 97, no Lost Highway, de Lynch.

Na noite de 9 de Dezembro de 2005, o coração de Pryor desistiu dos palcos. Saiu como sempre: com muitas, muitas palmas.

Até sempre, nigger.

"Oh vigarista! Vai assaltar o Banco de Portugal...

...para dar dinheiro aos turras para matarem portugueses"

As campanhas eleitorais têm mais piada no norte.
Parabéns, Barcelos.
E agora, que tal umas coisas assim tipo Kennedy, uns sniperzitos, não se arranjam? Isso é que era serviço público!

Agenda

Esta segunda vou novamente ao Levanta-te e Ri, desta vez com um acessório com o qual tenho uma relação de afecto e intimidade.
Garanto-vos que vai ser uma actuação de... bem, de merda.
No próximo sábado, 17, porque estamos perto do Natal e porque nos apetece, vou matar saudades do norte e dos amigos com uma actuação no LAF! Comedy Club.
Essa noite promete: será uma actuação a quatro mãos (em exclusivo, eu e o Nuno Matos em palco) e posso desde já dizer-vos que haverá um exame de toque rectal, ao vivo.
Isto anda a melhorar, olé se anda.

Gosto-te

Adoro a forma como abraças a chávena com as palmas da mão
como a deslizas pelo ar e a fazes durar eterna e quente
e como a meio do trajecto
páras
e te fazes séria e me olhas
e tudo se imobiliza
a chávena
os olhos
as palmas da mão
e todos os pensamentos do mundo
e todas as palavras do mundo
estão ali

___________suspensas

e retomas a chávena e retomas o tempo
e o mundo volta a girar
Adoro a forma como me abraças
eu nas palmas da tua mão
nas palmas do teu corpo
e dizes que tudo está bem
sem no entanto haver palavra
Adoro a forma como
__________mesmo quando não estás
__________e toda a distância em terra nos separa
me embalas nos teus caracóis
e me sussuras a lembrança
do teu aroma morango
do teu carinho tangerina
do teu calor só teu

E adoro sobretudo
a forma como tudo de ti desliza
como tudo em ti me acolhe
e como tudo surge natural
como se fosse natural respirar-te

Sei que ainda não reparaste
mas devo dizer-te que
na tua presença
os meus pés flutuam cinco centímetros
acima do chão
e que adoro a forma como abraças a chávena
com as palmas da mão.

Dá-lhe na guitarrada!!!

O designer finlandês Mika Tyyskä (na foto, lado direito) decidiu dar uma hipótese a todos para serem mestres na guitarra eléctrica. Mesmo sem saber tocar.
Vá, deixem-se de medos e preparem os dedos:
este site é merecedor de várias visitas.

Merry Xmas (?)

Exmo Sr. Carlos Moura

Agradeço desde já a carta que me enviou e a confiança demonstrada nos meus serviços. Nos tempos que correm, não é todos os dias que recebemos votos confiança dos nossos clientes, apesar do seu caso já não se enquadrar no que o meu director de marketing chama de público-alvo.

Respondendo às suas questões: sim, estou bem de saúde (apesar de uma ligeira infecção púbica que já estou a tratar com pomadas importadas da Noruega). A Mãe Natal (obrigado por perguntar) também se encontra em boa forma, embora estejamos separados há mais de meio ano. Continuamos amigos, é claro, e mantemos contacto regular via telefone - parece-me que se vai casar novamente em Fevereiro próximo com um exportador norueguês de pantufas temáticas.

Quanto aos seus pedidos:

- Lamento mas deixámos de fornecer armas de fogo de calibre elevado assim como lança-chamas, devido ao elevado número de acidentes na nossa oficina (dois duendes passaram-se no Natal de 93 e foi o caos). Apesar do crescente número de pedidos do Médio Oriente e de alguns bairros de Lisboa, não entregamos esse material. Se quiser, arranjo-lhe um contacto em Chelas e pode ser que consiga uma sete e meio;

- Também deixámos de entregar brinquedos, o que me impossibilita de o satisfazer no que toca a consolas electrónicas. Desde que a Leopoldina entrou na concorrência ficámos sem sustentabilidade financeira para o fazer - a puta da avestruz anda a dar cabo do mercado e já tive que despedir metade dos duendes na secção infantil (parece que alguns deles já conseguiram emprego em fábricas de bibelots esmaltados na Finlândia e na Noruega);

- Os produtos naturais do norte de África e da Jamaica também estão fora do meu alcance: desde o 11/11 que os tipos da alfândega não me largam, passam o trenó a pente fino assim como todos os orifícios das renas e nem sequer me deixam passar fronteiras com um corta-unhas, imagine! Experimente dar um salto a Espanha e pedir aos Reis Magos, parece-me mais apropriado, além de que os tipos (apesar de chatos) gozam de imunidade diplomática e conseguem fazer-lhe chegar esse gênero de plantas desde que devidamente recompensados;

- no que concerne ao seu pedido de "felicidade geral e paz para o mundo", só posso supor que estava a brincar;

- lamento mas não forneço textos de humor. Tenho o meu material, que uso com sucesso em alguns bares locais, e não pretendo colaborar com outros artistas. No entanto, se me arranjar o contacto da SIC Comédia pode ser que lhe dispense alguns dos meus textos antigos (tenho um sobre o que me irrita nas renas que foi muito popular há uns anos).

- compreendo a sua reclamação sobre as meias e camisolas que tem vindo a receber nas últimas décadas mas informo-o que estive a ver a nossa base de dados e creio que nunca lhe entreguei tais produtos. A Helga, aqui da secretaria, disse que devia entrar em contacto com o menino Jesus, que é especialista na secção dos têxteis. Foi provavelmente ele que efectuou essa entrega através de um pedido indirecto (uma tia, porventura). Nós aqui só atendemos pedidos directamente do freguês;

Como pode ver, não é por falta de vontade que não conseguirei alcançar as suas expectativas. A vida não está fácil e os sindicatos não me largam, o pessoal do dpto. jurídico anda cheio de trabalho.
Aproveito também para o informar que já não ligamos muito à história do "portar bem". Já ninguém é santo e estamos no mercado livre, o que vem à rede é peixe. Por isso não era necessário ter enviado o relatório das suas actividades no último ano. Acredito quando diz que "foi sem querer" e que "eles é que estavam a pedi-las" mas não me faz diferença, percebe?

Com votos de uma feliz quadra e muita saúdinha,desejo-lhe boa sorte.
Com os melhores cumprimentos,

The pleasure of HIS company


Acabei (finalmente) de ler o "The Pleasure of my Company", de Steve Martin e devo confessar que me surpreendeu.
É que, debaixo de uma teia complicada de devaneios humorísticos e de uma loucura generalizada, esconde-se uma bela e simples história sobre os destinos do amor e a sobrevivência do espírito humano; a história de um obsessivo-compulsivo que, se calhar, é igual a ti ou a mim.
E é sempre bom relembrar que as melhores comédias vêm das maiores tragédias humanas, não é?

Agora, vou-me lançar a um do Paul Auster e ver se termino o livro que Carlos Cruz escreveu na prisão. Também recomendo, como exercício jornalístico sobre um dos maiores casos da justiça portuguesa dos últimos tempos. Pelo meio, vou espreitando as "Cartas de Um Louco", de Ted L. Nancy, e vou largando risadas como quem come pistachios.