Terroristas no poder e o mundo a ver

Como se já não bastasse o cavalheiro que ocupa o lugar de Presidente do Irão (ver post anterior) e que se eu fosse um homem religioso diria que é um enviado de Satã, agora o planeta acaba de receber mais uma prenda: o Hamas conquistou a maioria absoluta nas legislativas palestinianas, elegendo 76 dos 132 deputados lá do sítio.
Boa.
Era só o que faltava.
Porquê?
Bem, façamos o exercício pedagógico habitual nestas coisas.
Comecemos por descobrir o que é o Hamas?
O Hamas, abreviatura de Harakat al-Muqawamah al-Islamiyyah, Movimento de Resistência Islâmico, ou se preferirem حركة المقاومة الاسلامية, é uma espécie de clube para imbecis barbudos que acreditam, entre outras coisas, que Israel deve ser apagado do mapa e que arrebentar com autocarros é um bom princípio para esse objectivo.
Ou seja, para o Hamas, isto é mais um dia no escritório:
Tudo bons rapazes, como se deduz, cujo mote é "Deus é o alvo (entenda-se Deus como a fé Israelita), o Profeta é o modelo, o Corão é a constituição: a Jihad é o caminho e a morte em nome de Deus é o maior dos Seus desejos."
De forma que são estes meninos de coro que alcançaram agora o poder.
A maioria dos países ocidentais já mostraram apreensão e Israel já disse que não reconhecerá nenhum governo com a presença do Hamas, o que desde já é uma promessa de que vai haver cacetada pela certa.
E o que me espanta é ainda haver pessoal a dizer "Esta é a escolha do povo, teremos que a aceitar, a Palestina é um país como qualquer outro."
Não, não é, perdoem-me os puristas.
Pessoalmente, acredito que o grau de civilização de um povo se mede por dois factores: a capacidade de separar Fé do Poder e a forma como tratam as mulheres.
Ou seja, estes gajos estão bem abaixo do que considero uma nação civilizada.

Opiniões à parte, uma coisa é certa.
2006 vai ser bem mais quente do que pensávamos.

Se me sair o Euromilhões

...sou gajo para perder a cabeça e comprar um carro novo.

Semi-novo, vá. Daqueles em bom estado que pertenceram outrora a uma professora primária que raras vezes lhe dava uso a não ser para ir levar os miúdos à escola quando o marido não estava porque lhe dizia que tinha uma reunião e afinal ia mas é para o Ibis do Saldanha engalfinhar-se com a Marília da contabilidade que depois engravidou e lá tiveram que ir a Espanha matar o feto mas ele disse que ia numa viagem de negócios e ela só veio a descobrir quando chegaram lá a casa as facturas do hotel e ela passou-se dos cornos e antes que ele saísse do chuveiro pegou numa faca de trinchar e a bem dizer trinchou-lhe o peito e cortou-lhe os membros e meteu tudo num saco plástico e um dos putos até ajudou a carregar para o carro e os estofos ficaram um pouco manchados porque já não se faz sacos como antigamente e acabou por ser apanhada pela polícia quando tentava livrar-se dos restos em plena !C-17 mas a coisa nem foi má porque no tribunal alegaram insanidade e ela acabou por voltar para casa passados uns meses para ficar à espera da puta da Marília que entretanto saíu a meio da manhã para comprar tinta para a almofada dos carimbos e teve a infeliz ideia de atravessar a rua no mesmo momento em que ela acelerou o carro e lhe passou por cima sendo que para se certificar ainda meteu marcha-atrás e lhe esmagou o crâneo enquanto cantava "Eu vi um sapo" e com o mais novo no banco de trás sempre a perguntar "Ó mãe, aquela não era a tia Marília que me deu um gelado quando eu saí com o papá?", sabem como é?
Esse tipo de carro.

A questão da semana

Questão de sanita: como é que um invisual sabe se o traseiro já está limpo?

Confissão de um adulto independente

...há poucas coisas na vida piores do que passar a ferro um lençol-capa.

Sabes o que é que eu acho?

- Carlos, andei a ler o teu blog... Não achas que devias escrever mais coisas com piada e menos "reflexões", pá? Não me leves a mal, mas o teu público está à espera é de um blog divertido, se quisessem este tipo de coisas compravam a "Visão" ou isso... O que é que achas?
- Acho que devias regar-te com gasolina o mais depressa possível. Eu tenho o isqueiro.

Coisas de gaja

Ouvido de passagem:
"- Amanhã vou ao cabeleireiro fazer uma permanente."
Permanente?
Meninas, desculpem lá mas aquilo sai depois de algumas lavagens...
Aliás, tudo o que se possa fazer num cabeleireiro é sempre temporário.

A não ser, é claro, que o gajo vos fure os olhos com as tesouras.

A gregos e troianos

E cá voltamos nós à conversa do costume.
Tenham lá paciência, mas esforcem-se por ler isto até ao fim. Ou então desistam agora.
Adiante.
Num post recente sobre o estado da comédia em Portugal (ver mais abaixo), dei por mim a cair na esparrela de tocar na ferida. A ferida de que, afinal, ainda somos muito receosos no que toca a apostar em coisas novas e esticar o limite para lá do normal.
O que levou à troca de muitas palavras por telefone, por mail e alguns comentários.
(Por falar nisso, é impressão minha ou anda toda a gente preguiçosa demais para fazer comments? O feedback é sempre bem-vindo, minha gente...)
E foi no meio destas conversas que surgiu a frase que me arrepia: agradar a Gregos e Troianos.
A questão é esta: as televisões funcionam como a maior montra para os comediantes portugueses. É o melhor meio para atingir milhares de pessoas e dar a conhecer o nosso trabalho e, sejamos sinceros, é para isso que cá estamos, para fazer rir pessoas e para chegar até elas.
Mas as televisões têm como alvo um público generalista e, calcanhar de Aquiles, só funcionam com dinheiro, como qualquer empresa no mundo. E a única forma de vender mais publicidade e angariar mais dinheiro é com boas audiências. Ou seja, conquistar a maioria das pessoas. E não se iludam: entre fazer coisas novas, arrojadas, e manter centenas de postos de emprego e os salários ao fim do mês, qualquer director responsável escolhe a segunda.
Assim, qualquer macaco que apareça no ecrã tem nos seus ombros uma dupla responsabilidade: transmitir uma mensagem que a maioria dos espectadores receba e fazê-lo de forma a que os mesmos espectadores não mudem para outro macaco, noutro canal.
E isto, ás vezes, é o fim da macacada.

É que isto de agradar a ambos os lados do cerco não é tarefa fácil; é tão complexa que, na maioria dos casos, origina equívocos bastante graves.
O primeiro grande equívoco é "o que as pessoas querem ver".
Partimos do princípio que "isto é o que as pessoas gostam" porque, em determinada altura e em determinado canal, apresentou resultados satisfatórios. Logo, se funcionou, é "isto que temos que fazer".
Isto explica porque é que surgem produtos televisivos tão parecidos, como os "Malucos do Riso" e "O Prédio do Vasco", a guerra das novelas (argh!) e por aí adiante: pela necessidade de ultrapassar o adversário depressa e com eficácia, nem que se tenha que recorrer ao copy-paste.
O tempo é o maior inimigo. O relógio é uma guilhotina no pescoço de qualquer produção; toda a gente sabe que para se mudar rumos e criar novas bases é preciso tempo - e isso pura e simplesmente não existe.

Portanto, temos que agradar a Gregos e Troianos.
Certo?
Mais ou menos.

É que até este conceito pode levar a erros, especialmente pela noção de sucesso que lhe está inerente. A ideia de "agradar a gregos e troianos" leva a que a maioria das pessoas (quantas vezes não caí nessa armadilha) tentem fazer o chamado prato-misto, colocando de parte o que poderia ser alta-cozinha. É como nos almoços para muita gente: lombinhos de vitela com champignon são sempre uma hipótese de maior aceitação.
Erro.
Creio que devemos arriscar e tentar coisas novas - a questão está em fazê-lo de forma a que penetre nas cabecinhas da generalidade.
E isso, meus caros, é que é tarefa ingrata, onde eu, por exemplo, tenho sérias dificuldades.
A criança pode não gostar de vegetais, mas come-os todos se forem ralados na sopa.
Casos como George Carlin ou Lenny Bruce? Vejam os espectáculos deles; mestres supremos em misturar mensagens fáceis com o que realmente querem dizer. E o público gosta. Claro que gosta.

"Isto é o que o público quer ver."
A maioria do público não sabe o que quer ver. A maioria das pessoas não liga a televisão com uma ideia pré-concebida sobre o que querem ver. E o público não tem pena daquilo que não vê e do que não sabe.

No caso da comédia, o problema não está em chamar o público.
O problema está em manter o público.
E para isso é preciso fazê-lo rir, certo. Mas, acima de tudo, é preciso guiá-lo para onde nós queremos ir. Para onde os queremos levar.
E depois há a questão do Pires, "se o público na sala não estiver a rir, o que é que te garante que em casa está?".
Companheiro, se o público na sala não estiver a rir, é porque estou a fazer mal o meu trabalho. Não quer dizer que o material não tem valor ou potencial, quer dizer que o estou a usar mal - não estou a conseguir guiar o público para o meu objectivo. E a rir, que é a condicionante deste negócio.

Agradar à maioria. Claro que sim. Mas somos nós que temos o volante e temos que ser nós a escolher o rumo. Somos nós que temos que aumentar a fasquia.
Claro que terá que haver concessões: temos que fazê-lo de forma equilibrada, aos poucos, por vezes não tão depressa como gostaríamos.
Porque há um facto que é intransponível, o público é que manda. O público não sabe como nem através do quê, mas só quer uma coisa: bom entretenimento.
Esse é o objectivo.
Os caminhos para lá chegarmos, esses somos nós que escolhemos.

Imaginem-se numa camioneta com milhares de turistas.
Vamos pelo caminho mais radical ou pela via panorâmica?

Contacto na SIC: Nota de Rodapé

Só um pequeno acrescento ao post anterior sobre o programa "Contacto", nas tardes da SIC.
Primeiro: tenho recebido algumas "críticas", segundo as quais o retrato que fiz do programa é relativamente suave, facto que muitos atribuem às minhas relações de proximidade e amizade com a malta na Comunicasom.
Segundo: reparei que muitas pessoas entenderam como "demasiado elogiosa" a visão que dei dos apresentadores, nomeadamente da Rita Ferro.
Terceiro: houve quem colocasse em questão o meu interesse por um programa das tardes da SIC e quais as razões de o comentar/publicitar, como se se tratasse apenas de uma manobra de simpatia.
Assim sendo, esclareçamos as coisas, e de baixo para cima.
Este programa da tarde é fundamental na guerra das audiências. A SIC, como é sabido, não anda lá muito bem nesta batalha, e um sucesso no pós-almoço é um grande passo para reconquistar espectadores para a antena. Assim, porque a SIC é a minha casa actual, parece-me óbvia a minha preocupação com tudo o que acontece em antena. Conheço e gosto de muitos profissionais que trabalham na SIC, e é do meu interesse profissional que a estação evolua. Quanto melhor a SIC estiver, mais oportunidades surgem para todos os que a ela estão ligados.
Além disso, passei uns mesitos a fazer este horário; só isso já bastaria para o meu interesse.
A visão que dei dos apresentadores é a visão que tenho, lamento. E quando digo que a Rita Ferro Rodrigues demonstra potencial para ser uma comunicadora de referência na televisão portuguesa, é porque assim o vejo. A miúda tem garra, simpatia e, acima de tudo, bagagem. Se a comparar com a maioria das apresentadoras e jornalistas que aí andam, ela sai a ganhar. E bem. Não quer dizer que não se estrague, mas promete muito. Ponto final.
Quanto à crítica suave, ganhem juízo. Ando cansado dos treinadores de bancada e dos especialistas de sofá que largam vaticínios e juízos de valor como quem come tremoços. Tentem lá recuperar a noção de crítica construtiva, ok?
É um dos males deste país: somos demasiado rápidos no que toca a cruxificações, mesmo quando temos telhados de vidro.
E não me chateiem mais.

Mais na agenda

Este fim-de-semana promete.
Como já aqui foi mencionado, sábado estou em Vagos. Segunda-feira, vou ao Levanta-te e Ri, desta vez na Covilhã.
Ou seja, mais um fim-de-semana prolongado de alcatrão.
Segundo o guia da Michelin, de sábado até ao meu regresso na terça, vou percorrer cerca de 800 km's, e gastar cerca de 90 euros em gasóleo, portagens e cafézinho na estação de serviço.

Em agenda...

Este sábado, dia 28, vou participar com o meu amigo e colega d'ofício Sandro Mouro numa gala de entrega de prémios em Aveiro.
A Gala VAGA D’OURO, promovida pelo Jornal “O PONTO” e pela Rádio VAGOS FM 88.8 vai decorrer no Cais do Moliço.
O evento pretende reconhecer e homenagear Personalidades e Instituições do Concelho de Vagos e vai contar com um espectáculo cultural, em que participam a ORQUESTRA LIGEIRA DE VAGOS, a fadista MARIA DO ROSÁRIO, e o Grupo de Hip Hop CORPO CULTO, entre outros.
Ena. Estou em erupção.
A coisa começa por volta das 20 horas e os bilhetes custam 15 euros. E tem jantar e tudo.
Ena.
E este é o belo cartaz do evento:

Ena.
Quando a nossa foto aparece num cartaz e nem sequer se dão ao trabalho de meter o nome, da uma duas: ou realmente temos um número astronómicamente grande de fãs em Aveiro ou o designer cobrou o preço por letra.

Ena.

Sobre a Comédia em Portugal

Em conversa com o Nuno, acabamos na mesma opinião: a comédia em Portugal é mole.
É branda, coisa ligeira, caricaturada, de bom feitio. E contra mim falo.
Mesmo com o tradicional recurso aos palavrões, faz-nos falta um Lenny, um Carlin.
Gente que abane o sistema e desafie a autoridade imposta.
Somos tementes demais.
Temos medo demais de perder público, de falhar audiências, de ser excluído do meio.

Just think, right now as you read this, some guy somewhere is gettin’ ready to hang himself.
I don’t understand why prostitution is illegal. Selling is legal. Fucking is legal. So, why isn’t selling fucking legal? Why should it be illegal to sell something that’s legal to give away? I can’t follow the logic. Of all the things you can do to a person, giving them an orgasm is hardly the worst.
Most people with low self-esteem have earned it.
There's nothing with our planet. The planet is fine. The people are fucked.
God bless the homicidal maniacs. They make life worthwhile.


George Carlin


If Jesus had been killed twenty years ago, Catholic school children would be wearing little electric chairs around their necks instead of crosses.
Every day people are straying away from the church and going back to God.
Take away the right to say fuck and you take away the right to say fuck the government.

Lenny Bruce

Pois.
Somos uns maricas, é o que é.

Agora que as eleições já foram...

Andei este tempo todo a tentar perceber quem é que o candidato Garcia Pereira me fazia lembrar... E, de repente, fez-se luz!
O problema era o bigode... Clique na imagem para ampliar

Futebol e eu

Clique na imagem para ampliar
Ora aqui está uma recordação interessante de quando eu andei ligado ao futebol profissional, como árbitro assistente.
É uma das poucas imagens que tenho dessa época e foi tirada durante um jogo da segunda liga italiana. O jogo não foi grande coisa como espectáculo desportivo mas ficou marcado por um caso de arbitragem (o costume) relacionado com este jogador, um ponta-de-lança que, na imagem, estava prestes a entrar em campo (as marcas no corpo foram do aquecimento). Qualquer coisa relacionada com um castigo, não me lembro muito bem. Enfim, ainda há quem hoje fale disso, mas nós sabemos como são os adeptos: não esquecem.

Gritem

Acabo de encontrar a solução para todas as situações complicadas e aborrecidas da vida: gritar.
E não falo de argumentar em voz alta ou exprimir raciocínios através de frases coerentes ditas em volume elevado, não; falo em emitir o grunhido mais absurdo possível com as cordas vocais esticadas ao limite da possibilidade humana.
Já fiz uns testes e resulta, posso garantir.
Estão a ser mal-atendidos numa repartição pública? O tipo do banco insiste em não conceder o empréstimo? A empregada de balcão está lenta demais? Não argumentem. Gritem.
Façam uma breve pausa de concentração, respirem fundo, busquem forças ocultas no âmago das vossas entranhas, ergam o queixo e soltem o maior grito que alguma vez soltaram, nunca num período menor do que 15 segundos. De seguida, baixem novamente o queixo, exprimam um sorriso débil e prossigam em tom de voz baixo e tranquilo: "-Como eu estava então a dizer, creio que o senhor não me entendeu..."
Sempre que estiverem numa situação desfavorável, surpreendam o vosso interlocutor com o berro mais gutural à face da terra e retomem a conversa como se nada se tivesse passado. Além dos resultados prácticos, é um óptimo anti-stress.
E garanto que resulta.
Experimentem.

Contacto!

Termina esta sexta-feira a semana de estréia do novo programa das tardes da SIC, Contacto, substituto do "Ás duas por três".
O que é o Contacto?
É uma agradável surpresa.
Já se sabia que a nova direcção Penim iria renovar o aspecto geral da estação, mas muitos eram os receosos quando se começou a entender que mais do que mudar o aspecto, se pretendia mudar a genética.
E um dos grandes problemas (tal como o Herman SIC), era este, o horário da tarde, uma fasquia da programação preenchida por um público-alvo essencialmente feminino e acima dos 50 anos de idade...
Coisa séria, obra difícil.
E surgiu o aviso: a SIC iria apostar num programa com três rostos jovens, um ambiente moderno, fresco, renovado, em que se misturasse famosos com desconhecidos, o tradicional com novas tecnologias.
É lógico que muitos previram o fracasso e ainda a procissão não saíra.
Produtora escolhida? A mesma do programa anterior, a Comunicasom.
Rostos escolhidos? Rita Ferro Rodrigues, Nuno Graciano e Cláudia Semedo.
Fracasso? Nem por sombras.
Além de um programa fresco e genuínamente renovado (equipa vencedora que mostra que sabe), o Contacto traz consigo uma grande revelação: Rita Ferro Rodrigues.

Longe da postura rígida da SIC Notícias e completamente livre do tom "nariz-empinado-eu-é-que-sei" da SIC Mulher (que lhe trouxe alguns anti-corpos por parte de alguns espectadores, eu incluído), Rita Ferro Rodrigues leva o programa às costas como se de uma pluma se tratasse. Rápida, directa e extremamente perspicaz, a moça toma conta da sala como se fosse a de lá de casa. E o mais importante, fá-lo com carinho, doce e segura. Rita está no bom caminho porque é genuína, e isso em televisão é ouro: fala com o entrevistado e com a câmera, domina o espaço e deixa o programa brilhar, admite os erros e diverte-se com o que faz. Mostra que, afinal, sabe mesmo. Desconfio que temos nas mãos uma nova Júlia Pinheiro com aroma a Marília Gabriela e tempero de Oprah.
O resto do elenco está seguro mas em processo de adaptação nítido. Uma observação clara, ao fim destes primeiros 5 programas, é que há um espírito de evolução - a equipa parece verdadeiramente interessada no que faz e não se sente o cheiro a frete, como por vezes acontece nestas coisas.
Nota-se, por exemplo, que Nuno Graciano se está a esforçar por dar o seu melhor. Este é, no entanto, o seu maior problema: nota-se. O tipo tem talento e sabe mais do que aquilo, mas às vezes parece um músico perdido na partitura: ainda não encontrou o seu registo mas está lá perto, e tenho a certeza que vai encaixar como peixe na àgua. É certo que ainda não teve tempo de antena suficiente, e que lhe calha sempre a ele a mudança de tom e registo - e, acreditem, a tarefa do rapaz é mais difícil do que parece. Mas a coisa vai.
Finalmente, em exteriores temos Cláudia Semedo. Que dizer da Claudinha? Que vai ser a netinha de Portugal? Era injusto e de menos. A miúda é nova mas está à vontade e tem carisma, embora para já ainda precisasse de um pouco mais de speed nas suas intervenções... É que não basta ser querida, há que puxar um pouco o ritmo; (vamos lá relembrar o Êxtase)... Alguém lhe arranje um Guronsan... Mas não me entendam mal - a rapariga merece o seu lugar na equipa e não destoa, pelo contrário, acrescenta.


Contacto promete.
Esperemos que lhe dêem tempo para se firmar no panorama e mostrar o que vale.
Para já, depois de momentos como os que assistimos com Marcelo Rebelo de Sousa, Pedro Abrunhosa, os The Gift ou o miúdo sobredotado, parece que temos um grande programa, transversal, generalista e (coisa rara) interessante.
Esperemos que os deixem voar, crescer e arriscar mais.
A SIC merece.

ps: Ó Verdelho, queres fazer o favor de acabar com a música de elevador durante as conversas? Que tal menos Richard Clayderman e algo mais jazzy, mais fresco e pop, ahn?

Pirataria? Sim, obrigado!

Numa recente viagem Porto-Lisboa, dei comigo a ouvir mais uma discussão acesa na TSF sobre a famigerada pirataria electrónica. E a discordar da maioria dos argumentos utilizados.
Creio que se anda a exagerar nesta história.
Em certa medida, sou totalmente a favor da reprodução ilegal de software, música e vídeo para consumo privado e faço questão de explicar porquê.

Comecemos pelo software.
Para quem não sabe, eu sou designer gráfico e considero-me um utilizador com práctica e bastante experiência em programas essenciais como o Adobe Photoshop e Macromedia Freehand, por exemplo. Como é que aprendi a manejar estes programas? Em casa, com cópias piratas. Todos os gabinetes de design exigem experiência nestes programas e não é com trial-versions de um mês que se chega lá. Aliás, graças à minha experiência com diversos programas, pude aconselhar muitos profissionais a adquirirem legalmente este ou aquele software e a evitarem este ou aquele outro. A reprodução ilegal de software é um dos pilares da aprendizagem de todos os grandes profissionais que tenho vindo a conhecer nesta àrea.

E a música?
Bem, começo por vos dizer viva o mp3.
Os formatos digitais não vieram criar nenhum espaço novo. Vieram, isso sim, substituir as velhinhas cassetes gravadas vezes e vezes sem conta com músicas da rádio ou de um LP de um amigo.
Muitos dos artistas e bandas que hoje facturam milhões com àlbuns e que enchem salas de espectáculos só são conhecidos porque alguém ajudou a difundir a sua obra a uma velocidade assombrosa... pirateando.
E essa história de que o mp3 está a matar a venda de CD's... não me convence.
Quando um àlbum é mesmo bom, o verdadeiro apreciador acaba por o comprar. Andei imenso tempo a ouvir o "Köln Concert" do Keith Jarret em mp3, até que finalmente o encontrei em cd. E comprei, para mim e para oferecer. E são muuuuuitas as pessoas que fazem o mesmo.

Cinema? Bem, se eu gastasse dinheiro para ver coisas como o "Quarteto Fantástico" no cinema estava bem tramado. Mas já o vi. Claro que creio que uma ida ao cinema vale a pena quando falamos de coisas como "King Kong" ou "Million Dollar Baby", mas o público sabe que muitos dos embustes da sétima arte não merecem o investimento numa sala a sério ou sequer no aluguer doméstico. E, mais uma vez, quando a obra é boa, o apreciador adquire-a em DVD ou vai ao cinema prestar a sua homenagem.

A noção de respeito existe, por parte do consumidor, mesmo com pirataria.
Por parte dos artistas, das editoras e distribuidoras é que não.
Muitos destes "responsáveis" começam agora a entrar em pânico porque sabem que o público, agora, pode descobrir o seu produto final antes de o adquirir. E isso significa que os maus filmes e que os àlbuns em que só o single é que se aproveita têm os dias contados.

Porque, meus amigos, quando a obra vale a pena, vende na mesma.
Os U2 continuam a vender e a encher estádios. O "Senhor dos Anéis" foi o que se viu, tanto nas salas como em DVD. Bolas, até os Pink Floyd continuam a fazer dinheiro.

A reprodução ilegal para consumo próprio pode ser crime, mas é essencial. Essencial para a divulgação e para o apurar do sentido crítico. E, felizmente, é o fim anunciado para um dos maiores males do século XX - em que o consumidor ainda era facilmente levado ao engano pelos aparelhos de marketing.
Se o recheio é bom, a embalagem vende.

Recuerdo

Ah, o bom Casino da Figueira... Aqui ficam duas lembranças da minha última actuação de 2005, em 30 de Dezembro. Foi pouco mais de uma horita de conversa e bom riso, com um público diversificado e amigável. Foi um excelente fechar de ano.
Curiosamente, não estava à espera de tanta malta - o revéillon estava à porta mas, mesmo assim, a sala encheu-se e superou as expectativas. O que é bom, acho.
Prometo que volto lá.
E dessa vez, com coisas realmente engraçadas! Obrigado pelas fotos, Francisco!

Dia 17, Famalicão

E lá vou eu de regresso ao norte!
Bem, na verdade é só uma espécie de incursão rápida.
Esta terça-feira, 17, vou estar no Tipografia Bar, um dos mais conhecidos bares de Famalicão, para mais um espectáculo.
Quem quiser e puder, apareça - a coisa deve arrancar lá prás dez e meia...

Ah, ganda'blógue !!!


Esta coisa dos belógues é como as pilinhas; quem têm faz o que quer (ou o que pode) com elas. Há para todos os gostos e feitios. E acho que até há em excesso.

Mas o que nos vale é que, de vez em quando, surgem alguns que marcam a diferença.
Como este, que hoje vos trago. Agradeço ao Ricardo Gil por o me ter dado a conhecer. É muito bom.
O blog dos Objectos. Visitem. Vale a pena.



Em agenda...

...este sábado vou actuar em Lisboa.
Eu, que não sou partidário, fui convidado para actuar na sede jovem de candidatura de Manuel Alegre, uma espécie de micro-bar/galeria. E sabem que mais? Aceitei.

Por isso, este sábado, lá estarei eu para uma jam session (ou não) de stand-up. Porquê? Porque gostei da forma como me convidaram, porque o homem está a candidatar-se sem apoio partidário e porque é o único candidato Alegre. E porque me apetece.

É este sábado, na Rua da Rosa, em pleno Bairro Alto, pelas 22 h (mais coisa, menos coisa).
Apareçam mas não me atirem garrafas.

Quereis verdades?

Quereis? Quereis?

Para todos os que desconfiavam da veracidade e fiabilidade do excelente motor de busca Google, experimentem escrever "miserable", carreguem em "sinto-me com sorte" e vejam onde vão parar.

A net não mente.

David hASSelhoff, o pior de sempre

Há muitas coisas que eu terei gosto em contar aos meus netos.
Esta não é uma delas.
Aviso: pode provocar danos cerebrais irreversíveis.

Ah, esses bons velhos tempos

Cd's? Quais cd's?
Eu ainda sou do tempo em que ficávamos à espera de uma canção na rádio, com o gravador em REC e PAUSE, pronto a disparar...
Eu ainda tenho muitas, mas estes cavalheiros ganham-me aos pontos:
Cassete Jam!
Isto é que era, sim senhor... Qual pirataria, qual quê: era a arte do engenho...

A melhor anedota de sempre

Eu, que não costumo ligar a isto, ainda estou zonzo e com os maxilares a doer.
Agradeço ao meu amigo Sandro Mouro por me ter dado a conhecer esta: é, sem dúvida, a melhor anedota de loiras que alguma vez me contaram.
Genial? Confirme você mesmo, clicando aqui!

Mudem de Ouvidos

Mudem de ouvidos. Refresquem as ondas sonoras e procurem este álbum:

Ephemeral é o segundo álbum da compositora/intérprete japonesa Naoko Sasaki aka Piana.
Depois do brilhante "Snow Bird", Piana cresce e aparece com este trabalho, absolutamente genial, recheado de influências cruzadas que vão desde a música tradicional japonesa a Air, Radiohead e Björk.
Digno rodar várias e sucessivas vezes em alto e bom som, Ephemeral é um suavizante da alma, uma gueisha acústica, um bilhete de ida para paragens distantes e maravilhosas, um despertar de vozes e almas. Ao contrário do título, não é efémero.
E sim, é cantado em japonês, e então?

Toda a verdade

Quem é o melhor comediante stand-up?
Farto de que me perguntem isto, aqui segue a resposta:

Fozzie. O grande.

Em ebulição

O Irão, num estado de efervescência que lhe é característico, reafirmou as suas intenções de retirar os selos colocados pela Agência Internacional de Energia Atómica (AEIA) em três das suas unidades de pesquisa nuclear.
Ou seja, anunciou publica e descaradamente que vai violar os acordos mundiais e que não vai cumprir com os seus compromissos neste campo.
Quer isto dizer, de forma sucinta, que mais uma vez o Irão está a mandar o resto do mundo à fava. Está literalmente a dizer Fazemos o que nos apetece. Somos uma nação soberana e aqui quem manda somos nós.

Se prosseguir com as suas intenções (coisa que deverá acontecer,uma vez que estes rapazes costumam sempre optar pelo pior caminho), o Conselho de Segurança da ONU será obrigado a tomar medidas que garantam a salvaguarda dos interesses do resto do mundo e o Irão sabe disto - sabe que está a dar um grito de guerra.

Porque é que isto acontece?
Basicamente, porque a bela nação iraquiana está sobre o domínio de tipos como o seu presidente, Mahmoud Ahmadinejad , um imbecil que afirma publicamente que o Holocausto Nazi nunca aconteceu e que "é um mito", que Israel deve ser varrida do mapa e que proibiu toda a música e cultura ocidental no seu país, entre outras pérolas de ignorância.
Sob um regime presidencialista islâmico, o Irão está subjugado a uma ditadura extrema de fundamentalistas e extremistas religiosos.
Com um milhão e seiscentos mil quilómetros quadrados e uma população de cerca de 68 milhões de pessoas, o Irão tinha tudo para ser uma das nações mais desenvolvidas do mundo - riquezas naturais e culturais, além de uma localização geográfica priveligiada.
Mas não. Em vez disso, o Irão é o país onde as mulheres ainda são consideradas cidadãos de terceira e onde a maior parte dos crimes (incluindo homossexualidade, adultério ou simples desacordo com o regime) ainda são puníveis com pena de morte.
E até nisso estes rapazes são originais: as penas de morte são motivo para espectáculo público.
Os apedrejamentos são efectuados com requinte. As vítimas, depois de vergastadas ou chicoteadas perante a multidão, são enterradas até às pernas de forma a que não se consigam mover mas que continuem a ser um bom alvo. E não pensem que o apedrejamento é feito à sorte ou à vontade do freguês, antes pelo contrário! A legislação iraquiana tem as coisas bem definidas! Segundo o artigo 116 do Código Penal do Regime Islâmico do Irão, as pedras utilizadas num apedrejamento não devem ser nem tão grandes que matem o adúltero ao primeiro ou segundo impacto, nem tão pequenas como cascalho.
Como refere a Amnistia Internacional, no Irão apedrejar uma pessoa até à morte não é ilegal, mas usar a pedra errada é.

Quem é que pode ser condenado à morte? Todas as pessoas adultas. Segundo a lei iraniana, consideram-se como maiores de idade homens com mais de 15 anos e mulheres com mais de... 9.

Claro que não podia deixar de falar dessa grande festa de cariz popular iraniana que é o enforcamento.
É costume fazê-lo em grandes àreas públicas, como estádios e praças, e por uma questão de poupança de meios e de noção de espectáculo, em grupos de condenados.

Podia ser um dos mais belos países do mundo.
É uma das vergonhas da humanidade.
E promete ser uma das origens dos piores tempos que aí vêm.
Aguardemos.

Derretem-se na boca mas não no espaço

Ele há coisas geniais.
Obrigado, Silvinha.

No ouvido

Há música que é como Toblerone Preto: não se consegue parar.
Por esta casa rodam muitos sons, mas os mais rodados no meu Media Player nestes últimos tempos são

Hope and Desire
Susan Tedeschi

Descobri-a por acaso, numa qualquer deambulação pela net, e em boa hora o fiz.
Tedeschi é guitarrista, compositora e intérprete da nova geração de Blues norte-americana.
Digna herdeira de Bonnie Rait e Janis Joplin, mistura na sua música os blues e o gospel, com doses inteligentes de sensualidade, irreverência e energia. É uma forma belíssima de redescobrir o aroma clássico com nova roupagem - vale a pena descobrir.
Saibam mais no seu site oficial.

Since I Left You
The Avalanches

Graças ao Nuno Matos, fiquei a conhecer estes senhores australianos.
Música electrónica? Sim, mas mais que isso: a arte suprema do sampling, da mistura e do ambient development. Serve de lição a muita boa gente editada e leva-nos para lá da realidade conhecida. Mais em theavalanches.com

Sobre Livros

É óbvio que nunca vais ter tempo para ler todos os que já foram escritos, mas vale a pena tentar.
Também não tens que os ler todos - só os que gostares.

Acabadinhos de ler:
- O Caderno Vermelho, Paul Auster
- Clube de Combate, Chuck Palahniuk
- A Misteriosa Chama da Rainha Loana, Umberto Eco

Em leitura (mesinha de cabeceira e/ou sala):
- Quando é que Jesus Traz as Costoletas, George Carlin
- Preso 374, Carlos Cruz
- Timbuktu, Paul Auster
- Creating the Worlds of Star Wars, John Knoll

Em fila de espera:
- Budapeste, Chico Buarque
- O Senhor das Pocilgas, Tristan Egolf
- Elogio da Vida Simples, Lanza Del Vasto

Acabadinhos de comprar:
- Carter Vence o Diabo, Glen David Gold
- As Partículas Elementares, Michel Houellebecq
- A Música do Acaso, Paul Auster
- Livro de Crónicas, Lobo Antunes (para releitura e para ter por perto)

E por aí, o que é que se lê?

Na outra sala

No Fitas e Fotos já começou o reboliço das estatuetas douradas...

Sobre as amizades

Não te expliques demais aos outros.
Não faças diagramas sobre quem és, como és e o que sentes.
Ao explicar detalhadamente, estás a estragar o processo de auto-selecção.
Encosta-te e aprecia o espectáculo: descobre quem é que sabe interpretar sinais e destila do saco os verdadeiros bons entendedores, para quem meia palavra basta.
Descobre quem é que realmente se esforça por te conhecer.

És capaz de vir a ser surpreendido.

Na outra sala...

Anúncios? Geniais?
Podem ver algumas pérolas da publicidade no Fitas e Fotos.
Mais virão.

Os cabrões do marketing II

Isto quando há dúvidas, o melhor é tentar esclarecer, não é?

Enviado no dia : 03 de Janeiro de 2006 12:18
Assunto : Emblemas nacionais
Código de Sistema : 12899
Número de processo : PROCESSO 12899
Pedido de Informação :
Exmos. Srs.

Foi com alguma surpresa que reparei que a mais recente campanha publicitária da empresa privada Portugal Telecom utiliza, além da bandeira nacional, o nosso Hino Nacional como jingle publicitário.
Gostaria de saber se esta utilização dos nossos emblemas nacionais e d'"A Portuguesa" são legais, e, em caso afirmativo, o que é que impede uma marca de àlcool ou de detergentes de repetir no futuro a mesma ideia.

Atentamente,
Carlos Moura


Resposta fornecida :
Exmo. Senhor Carlos Moura

Acusamos a recepção da denúncia formulada por V. Exa. via portal dos consumidores, junto do Instituto do Consumidor.

Informamos que a referida denúncia foi enviada ao Departamento de Publicidade deste Instituto, para recolha da mensagem publicitária e posterior enquadramento jurídico.

Com os melhores cumprimentos

António Costa Alexandre
(Técnico Superior de 1ª Classe)

Esperemos que a resposta fornecida tenha ido ao encontro das suas necessidades.

@ Instituto do Consumidor, 2002/2003

Dê 1€ por uma Causa

Hoje vou participar numa conferência que reverte a favor de instituições de solidariedade social, na Universidade Lusófona, ao Campo Grande. O preço simbólico da entrada é 1 euro.
O tema é as Relações Públicas Na Promoção e Divulgação de Actividades Culturais e os convidados são estes:
José Pinto (coordenador científico pedagógico do departamento de Ciências da Comunicação, Artes e Tecnologias da Informação)
Victor Flores (docente da ULHT, coordenador executivo da pós-graduação em Gestão Cultural)
Jorge Paixão da Costa (realizador cinematográfico, docente da ULHT, licenciatura de Cinema, Vídeo e Multimédia)
Helena Ramos (jornalista, ex pivot da RTP, actual rosto da RTP Memória)
Mafalda Arnauth (fadista de prestígio, vencedora de variados prémios ao longo da sua carreira)
Simone de Oliveira (artista de renome, actriz com 50 anos de carreira brevemente)
Carlos Moura (humorista e apresentador de tv)

Isto promete ser interessante e a Mafalda prometeu que vai também cantar um bocadinho para a gente.
Se e quem puder, apareça.

Ena tanta gente

15cookie_2
É com o maior agrado que informo os habituais fregueses desta casa que nesta passada terça-feira, 3 de Janeiro, este modesto belógue recebeu no seu modesto espaço 152 visitantes.
1IMG_1920a2
É recorde, sim senhor, que muy me apraz.
One5rope light 2
Só duas perguntas.
Se isto continua assim, onde é que eu arranjo café para tanta gente, e
quem foi o espertinho que me gamou o cinzeiro da mesa do centro?
spinnin fire while on the phoneBuntitledIGAaaDHollywood BOWL
(obrigado. é bom saber que há vida na net)

Quando eu era puto


O ar cheirava a eucalipto
as àrvores eram para subir
os sonhos sabiam a morango
o tempo contava-se pelos dedos
as bicicletas eram motas indomáveis
as bicicletas eram cavalos indomáveis
as bicicletas eram indomáveis
a dor era no joelho
ou no cotovelo
uma fisga era hardware
plasticina, software
o mundo estava num Spectrum
e lá fora era do tamanho do bairro
a terra cheirava a fresco
um sotão era uma ilha
ou o espaço
ou uma cidade
e todas as pessoas eram felizes
mesmo as mais tristes
porque quando eu era puto
o ar cheirava sempre a eucalipto.

Na outra sala:

As fotografias de um grande mestre brasileiro e o revisitar de um dos melhores filmes de ficção científica de sempre.
No Fitas e Fotos.
Espreitem.

Amigo:

Gosto de ti porque és suficientemente parvo para acreditar. Para acreditar nas pessoas, nas emoções, nos valores. No amor.
Já ninguém acredita no amor, sabes isso?
O amor, a amizade e a ética são agora parte do catálogo Ikea - arranja-se uns, monta-se a coisa e daqui a uns tempos arranja-se outra. Mas tu é um tipo de "mobília à antiga".
És um parvo à Paços de Ferreira.
E é por isso que gosto de ti, pá.
Porque sofres com isso e te martirizas com coisas como sentimentos. Ainda por cima, sofres de forma genuína, não és como a maioria da malta que sofre porque até cai bem. A maioria das pessoas que conheço (especialmente as que não o admitem) sofrem de amores ao ritmo da Globo: sofrem com genérico, fazem pausa para compromissos publicitários e desmontam a coisa com promessas de um bem maior. Tudo ao som de Caetano.
Tu não.
Tu pensas que as pessoas são, no fundo, boas. Que merecem uma chance.
Tu, meu querido amigo, estás ainda por cima convencido que as podes ajudar.
Pior: que as podes fazer felizes.

Gosto de ti porque és suficientemente parvo para acreditar. Acreditar que as pessoas querem ser felizes.
Já ninguém quer ser feliz (especialmente as pessoas que dizem que querem muito ser felizes).
Dizer "quero ser feliz" é um chavão, uma frase-feita, um engodo. É uma linha de script essencial para continuar a novela.
Porque ser feliz é uma trabalheira.
Ser feliz custa mais do que não ser feliz.
E ser feliz deixa-nos aparentemente sem mais objectivos.
Se já se é feliz, que mais se pode querer?

És suficientemente parvo para não te aperceberes disto, eu sei. Insistes na ideia de felicidade.

As pessoas não são felizes. Nem querem.
A infelicidade é o motor do mundo e isto elas sabem, mesmo que nunca o admitam.
São infelizes porque têm muito a ganhar com isto.
Recebem atenção, motivação, carinho e amparo.
Quando se é infeliz, tem-se um bom motivo para que os outros nos ouçam e nos acolham nos seus abraços de compreensão.
Quando se é infeliz, tem-se um bom motivo para lutar e alcançar coisas e objectivos e isso.
É assim que as pessoas se entendem, é assim que estão bem.
Tinhas que vir tu querer mudar isso. Acorda.

Quando é que foi a última vez que alguém te puxou para perto, sem tu esperares? Sem teres embarcado na tua cruzada pelo espírito humano?
Quando é que foi a última vez que te foram buscar pelos colarinhos, à bruta?

És macio demais, pá.
És um ursinho de peluche que as pessoas usam para se confortar e partir para outra.
És um penso-rápido social. Uma bomba de asma ambulante.
E ainda por cima, fazes questão de não exigir nada em troca.
Como se a tua companhia não merecesse um esforço.
Como se a tua presença fosse um fardo.

Achas que, se alguém te ama, é porque suporta o teu fardo. O teu peso de estares presente.
E sentes-te agradecido por te deixarem estar ali; estas infelizes e sofredoras almas que te permitem estar por perto no seu calvário diário. E em troca, de vez em quando, recebes um carinho fugaz ou uma foda rotineira.
Como um cavalo emocional que fez bem a pirueta: toma lá o teu torrão de açúcar.

Claro que há gente que te merece.
Só que estão na prateleira acima.

Mas gosto de ti, pá.
Sobretudo por tudo isto.