A história tem destas coisas...
Há 22 anos, no jornal francês Le Point, (que agora é uma revista) surgia esta publicidade:
Qual Nostradamus da imprensa, o criativo que fez isto estava realmente muito à frente no tempo...
Há 22 anos, no jornal francês Le Point, (que agora é uma revista) surgia esta publicidade:
Qual Nostradamus da imprensa, o criativo que fez isto estava realmente muito à frente no tempo...

Ela trouxe consigo a fama de ser uma das cantoras brasileiras com mais experiência de palcos e provou-o.
Na passada sexta-feira sentei-me na plateia do Coliseu dos Recreios para assistir a duas horas de excelência musical pela mão de Marisa Monte, uma cirurgiã artística.
O que dizer sobre o espectáculo?
Comecemos pela direcção artística, sublime e inteligentemente colocada entre a cumplicidade e o show-off. Caixas de luz, gruas luminosas e ecrãs gigantes deslizam pelo palco em movimentos suaves, criando vários ambientes e alterando espaços, sombras e cores - uma boa lição de "engenharia artística" para os artistas lusos.
Os músicos da senhora, nove no total, iam desde o fagote ao violino, dos samplers ao cavaquinho. Excelentes, como seria de esperar, e capazes de reproduzir fielmente o complexo ambiente sonoro dos dois últimos álbuns.
No topo de tudo isto, Marisa, a deusa perante um Coliseu cheio. A mulher canta com a voz, com os olhos, com os ombros, com as mãos, com a cintura. A mulher respira no tom certo e suspira afinada. Com a ajuda de um trabalho áudio acima da qualidade média, as cordas vocais da menina estavam claras e nítidas como se nos cantasse ao ouvido.
Por entre umas palavrinhas ao público, fez desfilar pelo espectáculo temas de vários álbuns, com maior incidência nos dois últimos, "Universo ao Meu Redor" e "Infinito Particular".
A mulher canta mesmo bem. Mesmo. O universo cabe-lhe ali todo na alma e, à saída, sentimos ainda a pele arrepiada do seu universo particular.
Magnífica.
E enganem-se os que dizem que ela não prima pela beleza: quando aquele rouxinol está em palco, meus amigos, transforma-se numa das mulheres mais belas do planeta.
É o espectáculo do ano (pelo menos para nós os dois) e está de regresso ao gigantesco palco da Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul!Segundo o Diário de Notícias, Valentim e João Loureiro escolhiam, por diversas vezes, os árbitros para os jogos do Boavista a contar para a época 2003/2004, segundo as escutas no âmbito do "Apito Dourado".
Acho miserável andarem por aí a explicar a magia do futebol.
Estes jornalistas estragam a piada toda da coisa.
2 pessoas mandaram bitaites Marcado como: ideias
Graças ao Jorge Crespo, fiquei a conhecer estas três damas que este ano lançaram o seu primeiro àlbum. É uma preciosidade para os tímpanos, num regresso naïf e inesperado aos anos 40.
As Puppini Sisters prometem causar sensação. Aconselho vivamente uma visita ao site oficial das meninas e, já agora, aqui fica mais um dos temas do novo àlbum!
Vá lá, minha gente! Puppinizem-se!
Tenho recebido algumas reacções curiosas ao facto de ter estabelecido a norma de todos os comentários neste belógue passarem primeiro pela minha aprovação.
Segundo alguns visitantes, este entrave à livre expressão dos leitores é a prova de que estou a seleccionar apenas os comentários que me interessam e que controlo aquilo que aqui se lê sobre mim ou sobre os meus posts.
A minha resposta é: claro que sim.
Este espaço é a minha casa.
Pode entrar quem quiser mas só cá fica quem eu quero.
A porta da rua é serventia da casa e, da mesma forma que publico o que me apetece, também arrumo as coisas conforme me der na real gana.
Se querem expressar as vossas opiniões de forma totalmente livre, é simples: procurem outro sítio.
Cá em casa quem manda sou eu.
(É uma coisa linda de se dizer, não é? Sabe tão bem!)

... tem mesmo é que visitar este blog. É coisa de quem sabe, e o resto são fitas.
As teclas do piano flutuavam da outra divisão da casa até esta, onde estávamos, e pousavam nos livros e nas fotos e escorregavam pela cortina e por aquela estátua ali no canto, lembro-me bem.
Sei que falavas de capítulos e autores, mas no fundo não te ouvia, porque eu na verdade não estava ali sentado no sofá como julgavas que eu estava, eu estava sim a flutuar no movimento dos teus lábios, estava no ar a um centímetro de ti, no ar que envolvia o balançar dos teus cabelos e a coreografia das tuas mãos, dos teus braços, das tuas ancas. Eu parecia estar no sofá mas estava embalado nos teus olhos e em cada polegada quadrada de pele que a tua roupa deixava escapar, ali no pescoço, ali nos ombros, ali na cintura.
O meu corpo a afundar-se no sofá e eu solto pela tua casa, solto atrás de ti por onde fosses, solto a cheirar o perfume dos teus poros e a dançar ao som do piano que tinhas posto a tocar e que parecia acompanhar de propósito cada sustenido das sílabas que me ias largando pela conversa.
Quando finalmente vieste sentar a meu lado optei por prender a respiração para não me denunciar.
O piano, do outro lado, pareceu sair do cd para se sentar também a teu lado.
Aproximei-me de ti como quem se aproxima de uma libélula e o teu corpo tocou, todo ele, na minha mão, e foi nesse preciso momento que o planeta deixou de girar no seu próprio eixo.
E senti os teus lábios, o teu calor, o teu respirar e os teus cabelos abraçaram-me e os teus braços encontraram-me e as minhas mãos perderam-se na tua pele nas tuas costas nas tuas pernas no teu aroma no teu paladar e o tempo abrandou e o piano espalhou as suas notas por toda a sala como se fossem pétalas e pensei por momentos que estávamos os dois suspensos no éter e senti que estávamos mesmo e as nossas peles partiram em busca de um novo significado para a palavra tesouro e os nossos corpos partiram em busca de uma nova forma de dizer a frase "Jamais imaginara que toda a beleza do mundo pudesse caber no doce suspiro desta mulher".
7 pessoas mandaram bitaites Marcado como: textos e sarrabiscos
No curto intervalo do trabalho, aproveito para apagar mensagens do telemóvel, fazer uma ou duas chamadas importantes e ligar-me à net para ler os títulos dos jornais e saber o que acontece no planeta, lá fora, longe deste meu pequeno mundo de escritório com ar artificial e luz fluorescente.
De passagem, espreito o meu blog, como que para confirmar se ele ainda lá está.
Tenho saudades de escrever no blog, mas ando mesmo sem tempo, embrulhado nas tiras dos compromissos.
Tenho saudade de abrir a frincha da janela dos meus pensamentos e escrever coisas soltas, ideias parvas, palavritas orfãs de continuidade.
Mas não dá. Não tenho mesmo tempo.
Sei que os meus amigos que por cá passam sentem a falta de novas, boas ou más, querem que deposite aqui pelo menos uma linha, um bocejo que seja, mas não dá.
Se começo a escrever aqui perco noção do tempo e deixo para trás as coisas que realmente tenho que fazer.
Se pudesse, garanto que vinha aqui agora mesmo e escrevia qualquer coisa, pelo menos uma frase.

Fiz esta ilustração para o interior do CD oficial de "A Canção da Minha Vida" e apeteceu-me partilhá-la convosco.
Pronto, já partilhei.
8 pessoas mandaram bitaites Marcado como: textos e sarrabiscos
Comprei um shampoo para cabelos secos, um amaciador para cabelos oleosos e uma escova para cabelos encaracolados.
Os resultados provisórios não são dignos de relevo, mas os frascos ainda nem a meio vão.
Aguardemos.
Depois de tanto debate, a sensação que fica em tantos fãs plutonianos é que trataram o pequeno gasoso como um mero filho da pluta.
É triste ver uma carreira gloriosa como planeta terminar assim, reduzido à insignificância de um anão.
A culpa é, provavelmente, do manager.
Sete anos de bloguismo! A 23 de Agosto de 1999, o sr. Evan Williams (na foto) anunciou oficialmente o lançamento, pela mão da Pyra Labs, de um novo serviço/ferramenta online chamada Blogger. Era o início de mais uma revolução digital. A partir daqui, a palavra blog entrou no vocabulário mundial e tornou-se num fenómeno social e cultural que continua a crescer de dia para dia.
No arranque, a coisa não era suposto ter objectivos financeiros. Aliás, o sr. Williams chegou a estar virtualmente sozinho nos comandos do serviço, após uma debandada geral dos seus colaboradores, fartos de trabalhar sem receber. Claro que, entretanto, o Blogger tornou-se um negócio rentável, especialmente com o surgimento do espaço blogspot. Em 2003, o Blogger foi adquirido pelo gigante glutão Google.
Agora, espera-se tudo.
Já há um novo blogger-beta que permite maior liberdade criativa aos utilizadores e maior controle de conteúdo. Vamos ver o que sai da forja.
Gosto de pimentos padrón. Não gosto de coisas-padrão, excepto as peças do Lego.
Gosto de objectos amarelos com a tinta a descascar, de nuvens grandes e solitárias, do cheiro do Cerelác e de cabelos acabados de lavar, de pipocas com manteiga e sal, de comer caracóis com o Barros, de papéis com textura e de um piano a solo.
Não gosto de fundamentalistas, extremistas e tostas-mistas.
Gosto de cães, de gatos e de bichos com pêlo, de alpendres e varandas, de pedras redondas e de àgua.
Gosto muito de àgua mas não gosto de vapor. A sauna irrita-me.
Gosto de stress e não gosto de bolas anti-stress.
Gosto de algumas pessoas.
Não gosto de algumas pessoas.
Gosto de meter em sarilhos.
Gosto de cozinhar e de abraços.
Gosto muito de um bom abraço.
E acho que gosto de mais coisas do que aquelas que não gosto.
Gosto de silêncio.
Gosto de dizer que gosto das coisas e gosto da sensação de que o tempo passa depressa: obriga-me a gostar ainda mais de algumas coisas.
6 pessoas mandaram bitaites Marcado como: ideias, textos e sarrabiscos
O Vidente das Estrelas, Miguel de Sousa, continua a auxiliar o país e os portugueses com o seu insuspeito, fiável e secular Oráculo de Belline.
Milhões de passageiros por todo o mundo resfolegam de desânimo em terminais de aeroportos ao ver a sua bagagem mexida e remexida pelas autoridades, em busca de explosivos.
Na capital do Congo, Kinshasa, ouvem-se os tiros no calor de umas eleições mal explicadas.
Cientistas eufóricos explicaram hoje que finalmente descobriram provas concretas da existência de matéria negra, na galáxia 1E0657-556.
O desemprego entre os jovens portugueses aumentou 72%.
Nas Canárias, as autoridades não conseguem deter o fluxo de imigrantes ilegais que dão à costa. O governo português diz que tem um plano para evitar que o mesmo aconteça em Portugal, para sossego de todos os que não gostam de ser invadidos pela miséria alheia.
O Irão teima em contrariar as Nações Unidas e garante que vai continuar o seu programa nuclear.
No México, professores armados com tubos, paus e pedras tomam conta das rádios locais na província de Oaxaca, protestando veemente contra o governo.
No Egipto morreram 57 num desastre de comboio.
No Mercado de Tcherkizovsk, na região oriental de Moscovo, dez pessoas foram pelos ares com uma bomba. Dizem que foram os eslavos.
Atenas arde e já queimou um turista.
Um velejador francês foi morto à cacetada junto à costa portuguesa.
A Heidi Klum diz que quer ter muitos filhinhos.
o Tom e o Jerry foram criticados por fumar, os Simpsons ganharam mais um Emmy e a PJ apreendeu três quilos e meio de coca no aeroporto de Lisboa.
Tudo notícias que, muito em breve,vamos poder ver em... 3D!
É que a Philips anunciou que finalmente conseguiu desenvolver um ecrán que consegue simular tridimensionalidade sem a necessidade de óculos especiais e em situações de luz normal, em todos os ângulos de visão.
Podem saber mais na página oficial da tecnologia WoWvx.
A partir de agora, podemos ver carros-bomba a explodir por toda a sala.
Já imaginaram o 11 de Setembro, nas nossas salas, em frente ao nosso sofá e às nossas pipocas?!!
Sou um tipo proactivo sem identidade corporativa rodeado de factos fátuos e movimentos circulares num loop constante, numa rede de interferências sempre sujeita à disponibilidade de stocks e aos prazos de entrega das emoções previamente empacotadas, endividado nas premissas e duvidoso das promessas, polido pelos hábitos e perdido nos costumes, servido em tabuleiros e com lugar na fila de espera, empurrado para a frente e embalado a vácuo, social, divertido, extrovertido, comprometido, intrometido, institucionalizado e não-financiado, empático mas sorumbático, criativo frases-feitas, guionista com medo do vazio, vazio de medo, vazio de espaço, convicto, ateu, magro e sem conservantes, disposto a arriscar aquele degrau, com relógio, com tempero, com paciência, com licença, com poucas coisas mas muitos conceitos de coisas.
E a única coisa que eu sei é que, um dia, esse pião vai parar de girar.
5 pessoas mandaram bitaites Marcado como: textos e sarrabiscos

Miúda, aproveitei a hora de almoço e fui espreitar o que o AllMusic tem a dizer sobre o nosso Köln Concert, sendo provavelmente o melhor site sobre música nas redondezas.
E os rapazes também parecem gostar da coisa: além de lhe darem a pontuação máxima, dizem que "This is a true and lasting masterpiece of melodic, spontaneous composition and improvisation that set the standard."
Justo.
O curioso é a classificação atribuída:
"Genre: Jazz
Styles: Free Improvisation, Modern Creative, Post-Bop"
e ainda
"Moods: Ambitious, Indulgent, Enigmatic, Freewheeling, Passionate, Rousing, Intimate, Literate, Meandering, Fiery, Elegant, Reserved, Reflective, Brooding, Complex, Cerebral, Sophisticated."
Haja adjectivos!
Já agora, vê lá se instalas o plug-in do Flash para ouvires esta que aqui se segue. É para ti.
1)
Pronto. Eu sei que estou a ficar velhinho e que a memória já me prega rasteiras, mas mais vale tarde do que nunca.
Hoje, 5ª feira, actuo no Casino da Figueira.
Está dito. É por volta das 23H, como de costume, ao vivo e a cores, com entrada livre.
O Raminhos também vai actuar.
E pronto.
2)
Sábado, 19, estarei outra vez na Figueira, para um espectáculo no Foz Plaza às 21h.
Sim, é um centro comercial, e depois? Na sexta está lá o Marco Horácio às sete e meia da tarde e no dia seguinte, estou eu.
Sim, é um centro comercial, e depois? Ahn?
Não é que estejamos em saldo: estamos é onde as massas estão.
Passo seguinte? Restaurantes italianos.

Se o rapaz já primava pela diferença no aspecto e na atitude, agora veio esclarecer de uma vez por todas que realmente a música que faz tem assinatura própria.
É o primeiro trabalho a solo do vocalista dos Radiohead, o senhor Thom Yorke, e chama-se "The Eraser".
Para vos abrir o apetite e para que possamos passar das palavras à melodia, aqui fica o tema que dá nome ao álbum:
Quem sabe, sabe.
Mas há mais!
Se há coisinha em que vale a pena investir os trocos respectivos é no novo trabalho do trio britânico de Teignmouth, os Muse.
Chama-se "Black Holes and Revelations" e é forte candidato a melhor àlbum do ano!
Para o comprovar, dois dos excelentes temas que povoam este cd.
Primeiro, "Supermassive Black Hole"...
...e o magnífico "Invincible"
É bom, é para ouvir. Repetidamente.
No esta mal... Más rápido que tu, hijo de perra!
(...)
Cagón!!!
(...)
Hablas comigo? Me lo dices a mi?
Entoces a quien demónios le hablas se no es a mi?
Para os que são adeptos das dobragens, há realmente coisas que nem precisam de legendas...
Que se lixem os preguiçosos da leitura, mas este é um dos mais belos textos de Vinícius de Moraes e merece publicação neste modesto belógue:
Receita de mulher
As muito feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental. É preciso
Que haja qualquer coisa de dança,
qualquer coisa de haute couture
Em tudo isso (ou então
Que a mulher se socialize elegantemente em azul,
como na República Popular Chinesa).
Não há meio-termo possível.
É preciso
Que tudo isso seja belo.
É preciso que súbito
Tenha-se a impressão de ver
uma garça apenas pousada e que um rosto
Adquira de vez em quando
essa cor só encontrável
no terceiro minuto da
aurora.
É preciso que tudo isso seja sem ser,
mas que se reflita e desabroche
No olhar dos homens.
É preciso, é absolutamente preciso
Que tudo seja belo e inesperado.
É preciso que umas pálpebras cerradas
Lembrem um verso de Eluard
e que se acaricie nuns braços
Alguma coisa além da carne:
que se os toque
Como ao âmbar de uma tarde.
Ah, deixai-me dizer-vos
Que é preciso que a mulher que ali está
como a corola ante o pássaro
Seja bela
ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e
Seja leve como um resto de nuvem:
mas que seja uma nuvem
Com olhos e nádegas.
Nádegas é importantíssimo.
Olhos, então
Nem se fala, que olhem com certa maldade inocente.
Uma boca
Fresca (nunca húmida!) é também de extrema pertinência.
É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos
Despontem, sobretudo a rótula no cruzar das pernas, e as pontas pélvicas
No enlaçar de uma cintura semovente.
Gravíssimo é, porém, o problema das saboneteiras:
uma mulher sem saboneteiras
É como um rio sem pontes.
Indispensável
Que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida
A mulher se alteie em cálice, e que seus seios
Sejam uma expressão greco-romana,
mais que gótica ou barroca
E possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de 5 velas.
Sobremodo pertinaz é estarem a caveira e a coluna vertebral
Levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal!
Os membros que terminem como hastes,
mas bem haja um certo volume de coxas
E que elas sejam lisas, lisas como a pétala
e cobertas de suavíssima penugem
No entanto, sensível à carícia em sentido contrário.
É aconselhável na axila uma doce relva com aroma próprio
Apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos!)
Preferíveis sem dúvida os pescoços longos
De forma que a cabeça dê por vezes a impressão
De nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre
Flores sem mistério.
Pés e mãos devem conter elementos góticos
Discretos.
A pele deve ser fresca nas mãos, nos braços, no dorso e na face
Mas que as concavidades e reentrâncias
tenham uma temperatura nunca inferior
A 37° centígrados podendo eventualmente provocar queimaduras
Do 1° grau.
Os olhos, que sejam de preferência grandes
E de rotação pelo menos tão lenta quanto a da Terra; e
Que se coloquem sempre para lá de um invisível muro da paixão
Que é preciso ultrapassar.
Que a mulher seja em princípio alta
Ou, caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros.
Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que, se se fechar os olhos
Ao abri-los ela não mais estará presente
Com seu sorriso e suas tramas.
Que ela surja, não venha;
parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente
e nos fazer beber
O fel da dúvida. Oh, sobretudo
Que ele não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre
O impossível perfume; e destile sempre
O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto
Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina
Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável.
Cada vez me convenço mais de que a tendência que as pessoas têm para complicar a vida é fruto de um processo intencional.
A malta gosta de complicar.
A malta precisa complicar.
Creio que a maioria das pessoas vê na simplicidade o rosto de um inimigo, uma obstrução séria.
Simplificar é, para elas, obstruir.
Simplificar é retirar-lhe argumentos de defesa.
Quando as coisas são simples, quando a vida é como é, esta gente fica sem grandes hipóteses de resposta.
A maioria das pessoas gosta de complicar porque isso lhes dá a aparente capacidade de se conformarem com as suas próprias limitações.
Não conseguem atingir aquele objectivo, não conseguem solucionar aquele problema, falham aquele compromisso, têm medo de enfrentar aquele obstáculo.
Porquê? Porque é complicado.
E é claro que é ainda mais cómodo reclamar e divagar sobre essas complicações do que resolver as coisas ou ultrapassar a etapa.
Complicar a vida é uma grande solução para nos enganarmos a nós próprios e nos satisfazermos com a ilusão de que as soluções não dependem de nós.
Sabemos que é mentira, claro: a vida não é complicada.
É complexa, sim, mas não complicada.
E isso é uma grande diferença.
É a diferença entre estar consciente e estar confortável.

E o DVD é obrigatório comprar: não só tem o melhor menu que já vi como é daqueles que pede para ser visto vezes sem conta.
É daquelas parcerias que ficam na história. Um espectáculo sólido, simples e bem pensado. Legal que só.
Escutem essa:
A meio, Ana Carolina surpreende com a leitura do poema de Elisa Lucinda:
Só de Sacanagem
Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro,
Do meu dinheiro, do nosso dinheiro,
Que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nós.
Para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais.
Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz.
Mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração tá no escuro.
A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó
E dos justos que os precederam:
“Não roubarás”.
“Devolva o lápis do coleguinha”.
“Esse apontador não é seu, minha filha”.
Pois bem, se mexeram comigo,
Com a velha e fiel fé do meu povo sofrido,
Então agora eu vou sacanear:
Mais honesta ainda vou ficar!
Só de sacanagem!
Dirão:
“Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba”
E eu vou dizer:
“Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez”.
Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos.
Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês.
Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.
Dirão:
“É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”.
E eu direi:
“Não admito, minha esperança é imortal”.
E eu repito: “Ouviram? IMORTAL!”
Sei que não dá para mudar o começo
Mas, se a gente quiser,
Vai dar para mudar o final!
Esta foi uma das actuações que mais gozo me deu fazer no Levanta-te e Ri; e foi com muita surpresa que soube que estava no YouTube:
Obrigado, pessoal!
O assistente de realização, Justo de seu nome, observa a actividade no plateau. Entre cada intervalo, manda na casa como gente grande e dá os sinais de partida:
O estúdio é grande. Mesmo grande. Visto do canto mais afastado, impõe respeito.
Seja como for, o terceiro já está gravado. Só faltam mais cinco.
"A Canção da Minha Vida" está a ser um grande desafio e uma grande aprendizagem. Todas as semanas, é a minha montanha-russa. Mais uma ficha, mais uma volta!

Foi perante este público que se encerraram as emissões do "Levanta-te e Ri", num último programa que bateu picos de audiência e liderou a emissão.
Isto apesar de termos sido atirados para um arranque mesmo fora de horas: a emissão começou em antena às 00:55, por razões de gestão de grelha. A SIC lá terá os seus argumentos.
A festa foi o que foi, na companhia de tantos bons amigos e camaradas de palco.
Obrigado SP e Manuel Fonseca, que deram o pontapé de saída.
Obrigado Barreto.
Obrigado Muñoz.
Obrigado Verdú e malta da régie; obrigado pessoal técnico que tantos cabos enrolaram e desenrolaram, que tantos suor largaram por nós.
Obrigado Marco, Fernando e todos os que pisaram estes palcos nos últimos três anos. Além da galhofa, das risadas e das maluquices, este foi o espaço de liberdade que partilhámos juntos, com muitos bons momentos e algumas valentes dores de cabeças.
Aprendi muito com todos vocês.
Até breve.
Só por curiosidade e para quem gosta de marketing, toca a tirar dúvidas sobre quais as 100 melhores marcas de 2006... "Money, it´s a sin..."
Hoje, além do trabalho com o "Canção da Minha Vida", vou estar no último "Levanta-te e Ri", em Sobral de Monte Agraço. É o fecho. O encerramento.
No fim, haverá festa com direito a karaoke e tudo.~
Ena.
...e hoje acordei a cantar esta:
(grande Nuno, obrigado por estes maravilhosos players!)
Os rapazes vão querer me matar, mas aqui vai.
Durante as gravações do "A Canção da Minha Vida", temos vindo a recordar muitas coisas do passado... e uma delas, que imediatamente surgiu à memória, foi a recordação dos manos Feist...
O nosso Henrique...
... e o nosso brilhante maestro, que também já dava cartas ao piano...
Pois cá está: Nuno e Henrique, em grande.
(desculpem-me, rapazes, mas não resisti, eheheheh... e é uma honra trabalhar a aprender convosco!)
E este sábado lá estreámos "A Canção da Minha Vida", programa que a nós, na produção, nos tem vindo a roubar várias horas de sono. Apresentado por Isabel Angelino, é gravado a meio da semana, nos gigantescos estúdios na Venda do Pinheiro.
Esta semana, para a estreia, os nervos eram mais que o habitual, é claro. Enquanto no plateau se afinavam instrumentos, na régie afinava-se a equipa e os meios para trazer à vida esta grande produção.
Um já está. Agora só faltam sete.
Seis e meia da manhã. Depois de uma noite quente a escrever um guião ao som de Radiohead, Keith Jarret e The Avalanches, decido tomar um café, daqueles de máquina com direito a copinho de plástico. Em cima de uma das trotinetes que temos cá no sítio, atravesso o escritório em direcção à cafetaria e descubro, pela varanda, que o dia está a nascer.
O sol ergue-se sobre a cidade e o céu acorda, ainda confuso nas suas cores: à minha esquerda, sobre a ponte e a Expo, nuvens esparsas parecem querer fugir da luz amarela em direcção ao azul pintado de fresco; há um laranja que se esbate na palete de cores e que se confunde com a neblina púrpura.
E o Tejo é cor-de-rosa.
Á minha frente rodopia uma, outra e outra vez uma andorinha grande, enorme, do tamanho de um pombo (pelo menos parece do tamanho de um pombo).
O calor adormeceu, cansado da noite longa, mas o chão da varanda ainda está morno.
Lisboa é linda, e o novo dia também.
O café está a arrefecer.
Entre outras coisas, estou neste momento envolvido com a produção do novo programa para a RTP Música do Coração, que estreia da 22.
E, também entre outras coisas, estou em busca de histórias de vida que estejam ligadas a uma música portuguesa.
E preciso da vossa ajuda.
Têm alguma música portuguesa que vos tenha marcado por alguma razão especial?
Conhecem alguém que tenha tido um episódio de vida, um acontecimento, que de alguma forma esteja relacionado com um tema musical português?
Digam-me. Escrevam para correiomoura@gmail.com.
Conto com vocês!
Esta vida tem destas coisas, tanto anda moribunda como, de repente, acelera que nem doida.
Ando com a agenda bem preenchida - e por isso tenho andado meio desligado aqui do blog.
Além dos espectáculos habituais (ainda este sábado estive em Barcelos, numa noite agradável de esplanada), tenho também a peça às quintas-feiras (ainda não foste ver, porquê?).
Além disso estou a trabalhar como guionista em dois novos projectos de televisão e um deles está a ocupar-me por completo o "day-time".
Como se não bastasse, tenho que arranjar tempo para dar uma escapadinha a uma esplanada para atacar uns caracóis e uma bejeca.
Num é fácil.
Depois de quatro dias perdido no Alentejo, em terras de Monsaraz, regresso à capital com uma agenda sobrecarregada.
A quarta-feira ficou marcada por algumas reuniões, uma visita à Prova Oral, na Antena3, com o Alvim e a Bulha e uma noitada com o Barros a estruturar uma encomenda de guião.
Esta quinta, lá vamos nós para mais uma noite de espectáculo na Sociedade Guilherme Cossoul.
Sábado vou estar em Barcelos.
Segunda, no Levanta-te e Ri.
E agora, há que escrever e ir directo para a cama - se dormir 4 horinhas hoje, dou-me por feliz.
Sobre tudo o que aqui referi, lá irei mais detalhadamente em posts que se seguirão.
E claro que já estou com saudades do Alentejo.
...continuam a ser expostas no MICC!
Já respondemos a mais uma questão que nos foi colocada, mas continuamos à espera de mais pertinentes perguntas!
Querem saber a técnica correcta para subir o Evereste? Gostavam de aprender o truque para ser invisível? Estão loucos para arranjar aquele emprego mas não sabem como?
Não se façam de rogados, meus amigos: coloquem todas as vossas dúvidas perante o Manual de Instruções do Cidadão Comum e vejam a vida iluminar-se à vossa frente!
- o UmaPorRolo continua em terras nipónicas, e vale a pena ser assíduo deste olhar;
- chama-se Espirro-no-Mato. São ilustrações. E é muuuuuito bom (espreitem os arquivos);
- o verão está aí e nada melhor que umas t-shirts à maneira. A malta é portuguesa e as ideias são 5 estrelas;
- mais humor nacional, feito quase sem meios mas a um ritmo alucinante! O tema é só um, desporto. Espreitem o Pé de Atleta e digam adeus à leitura diária d'O Record e d'A Bola...
- e esta vai especialmente para o Nuno: como bom apreciador de música, presumo que já conheças o Intervenções Sonoras... certo?
Já agora, depois comentem e mandem mais links que mereçam a atenção...
6-0 já não é uma vitória, é uma afirmação.
Os comentadores têm razão: é impossível jogar melhor que isto.
Argentina, será que é desta?
Além do meu post inicial sobre o fim anunciado do "Levanta-te e Ri", outras discussões surgem sobre o assunto. Como no fórum do Quadrado das Bermudas, que merece uma visita.
Já agora, e não invalidando a visita ao referido fórum, partilho com vocês a opinião que lá afixei:
O que dizer sobre o fim do Levanta-te e Ri?
Antes de mais, que era relativamente previsível, por vários factores.
Primeiro, a dinâmica televisiva que existe em Portugal é de certa forma alérgica à noção de consolidar programas em antena. Ou seja, vive-se um espírito de cartucho, de foguete festivo: quando se lança a coisa para o ar, tem que arrebentar à primeira e depois há medo de lhe mexer, de o deixar amadurecer e transformar-se. Isto impede que hajam grandes transformações nos programas em antena e que se suporte formatos em fases menos boas - aos primeiros sinais de fraqueza, manda-se abater o animal.
Mesmo assim, o L&R durou mais tempo do que o esperado e sofreu várias mutações;
Segundo, o sucesso e a singularidade do programa serviram de calcanhar de Aquiles. Em três anos de emissões, o programa nunca deixou a antena e esteve sempre no ar, (quando ia um mês de férias, a SIC transmitia repetições) causando um cansaço natural e perdendo impacto perante o público;
Terceiro, aquilo que diferenciou o "Levanta-te" no seu lançamento deu também origem a um cancro silencioso... A ideia de fazer um programa de Stand-Up Comedy surgiu como uma novidade e abriu portas a novos e inesperados talentos, mas foi como se lançássemos um programa de fado no Tibete: não havia cultura de stand-up em Portugal nem comediantes suficientes para alimentar um programa semanal.
Isto deu origem a algumas fases interessantes. No início, pediram a actores para encenarem textos de stand-up, o que não resultou: a comédia de stand-up vai contra muitas regras do teatro e é uma das performances artísticas que mais expôe e fragiliza o comunicador, o que não é habitual nem confortável para um actor habituado à segurança de um texto fechado e uma actuação distanciada do público. A seguir, começaram a surgir comediantes como o Nilton, o Aldo, eu, o Seabra, o Bruno, o RAP, etc, que conquistaram algum público seguro e aí deu-se outro fenómeno interessante: a fasquia subiu e a SIC passou a ter medo de apostar em novos nomes, fazendo-o só de vez em quando e de forma esporádica, com receio de espantar a freguesia.
Face à escassez de meios humanos, o programa desvirtualizou-se bastante. Passou de um programa de stand-up em estúdio com ambiente de bar para um programa de humor em viagem por auditórios em todo o país.
Esta transformação também contribuiu para que, ainda hoje, algumas pessoas não saibam o que é stand-up, juntando no mesmo saco monólogos teatrais, contadores de anedotas, contadores de histórias e clowns.
Em certa medida, podemos dizer que se começou a casa pelo telhado.
O stand-up não é uma arte que surge nos auditórios nem na televisão. O verdadeiro lar da stand-up são os bares e a intervenção ao vivo, o ambiente do clube de comédia, próximo do público, acolhedor, intimista. A stand-up só atinge realmente o seu ponto máximo quando se sente este clima de proximidade e de quase confidência, como se o comediante fosse alguém conhecido que conversa connosco durante uns copos. Este é que deve ser o ponto de partida - e não o de chegada.
Em Portugal, começamos a Stand-Up com um programa de televisão e daí passámos para os bares. Fizémos a coisa ao contrário, e isto deu origem a uma série de problemas. Novos comediantes, por exemplo, não têm a oportunidade de testar e aperfeiçoar textos novos. Sem os tradicionais circuitos de comédia em bares e night-clubs, onde é que um comediante tem hipótese para aprender, errar, testar conceitos, arriscar temas, pisar a linha? Só num programa de televisão em directo, o Levanta-te. E se falhar, como até é natural que aconteça, é encostado às boxes.
Mesmo assim, criou-se público e comediantes, começaram a surgir alguns bares interessados e a stand-up começou a infiltrar-se no panorama português.
Não acredito que a stand-up em Portugal acabe porque não faz sentido - a pensar assim, o teatro de marionetas já só se encontrava nos livros de história, por exemplo.
A stand-up será sempre bem-recebida porque é o género de humor mais directamente ligado ao quotidiano e porque é despida de artifícios. É directa, íntima, mordaz e exploratória. E, acima de tudo, é altamente mutável, não é estanque.
Acredito, isso sim, que agora vamos começar a recriar a stand-up comedy em Portugal. Vamos invadir os bares, infiltrarmo-nos na proximidade do público e conquistar novos espaços.
E vamos ter que redefinir a noção estabelecida.
E, neste processo, vamos certamente perder alguns dos actuais rostos mas vamos descobrir muitos outros.
O fim do Levanta-te é o fim de um programa.
Só isso.
E pronto, já passou, não doeu nada, pois não?
O Manual de Instruções Para O Cidadão Comum estreou na quinta-feira passada.
E que arranque, meus amigos, que arranque: começámos no início e só terminámos no fim! Uma proeza, portanto!
Diverti-me imenso em palco, o que por si só já é bom sinal... e parece que o público também se deixou levar pela "formação intensiva".
Já sabem que estamos lá às quintas-feiras, a partir das 22h30.
Onde? Na Guilherme Cossoul, claro!
Não sabem onde fica? Olha aqui o mapa!
Venham com amigos, mas de preferência reservem: a sala é pequenina, com mesas (e serviço de bar, olhó luxo!), por isso mais vale prevenir através do tel. 918971789.
Também fazemos descontos para grupos e excursões de peregrinos.
Não há desculpas.
Apareçam.
:)


Começa hoje o Mundial e já estou farto de futebol.
De refrigerantes a batatas fritas, de bancos a pensos higiénicos - já não aguento com publicidade com futebol de pressão. Isto não é a febre do futebol, é a gonorreia da bola, chiça!
Hoje, em Munique, num dos mais belos estádios do mundo, arranca finalmente o Mundial do futebol.
Ainda bem.
Vamos lá a ver se despachamos isto depressa e se, com sorte, ainda conseguimos ver malta a jogar à bola nos intervalos da publicidade (isso era agradável).
Quanto à nossa selecção, espero que não nos façam sofrer muito. Tenho cá para mim um palpite que, mais uma vez, vamos trazer para casa uma desilusão embrulhada em desculpas, mas não quero ser pessimista.
Os meus palpites são:
Prováveis vencedores: Argentina ou Brasil
Melhor jogador português em campo: Deco
Maior desilusão portuguesa em campo: Cristiano Ronaldo
A ver vamos.

Na próxima segunda-feira, 12 de Junho, vou estar em Idanha-A-Nova, Castelo Branco, para mais um "Levanta-te e Ri".
O texto, como de costume, vai ser mais uma experiência aterradora sobre algo inexplicavelmente imbecil.
Se correr mal, estarei na espanhola cidade de Cáceres no dia seguinte sob o nome fictício de Paco Mourolas. Se correr menos mal, regresso a Lisboa.
Como podem ver, tenho tudo planeado.
Já nasceu o sítio oficial, em forma de belógue, do Manual de Instruções para o Cidadão Comum.
O link já está colocado nesta página, para todos os interessados.
Qual a vantagem deste novo belógue?
- Primeiro, porque permite que acompanhem a par-e-passo o calendário de formações intensivas dos criadores do Manual;
- Segundo, é o único sítio onde podem esclarecer todas as dúvidas que tiverem sobre a vida e a vossa existência. Querem aprender a preencher um boletim de voto? Querem saber a verdade sobre Camarate? Querem descobrir novas formas de insultar vendedores de palitos? Basta escrever a vossa questão no espaço dos comments e, voilá!, serão elucidados.
Isto sim, é que é serviço público.
MICC, MICC, hurra!!!
mais tempo
tempo para escrever
tempo para ler
tempo para dizer gosto de ti
para dormir
passear
respirar
investigar
desenhar
cozinhar
mais tempo
tempo para te dar carinho
tempo para receber carinho
para rir
fotografar
improvisar
saborear
mais tempo para não sentir que tudo passa tão depressa e que será depressa que vai acabar nesta corrida constante neste ir e vir correr e partir e olhar para trás e ver que as tarefas se acumulam e que o espaço é curto entre o era e o será e poder dizer gosto de ti gosto de estar gosto de ser sem a sensação de que se disse mas com a sensação de que ainda se está a dizer e que este momento mágico
este instante precioso
ainda o é
ainda aqui está
ainda perdura.
Porra.
Este modesto e recôndito belógue tem, em média, 80 visitantes por dia. Por outro lado, tem uma média de 1 comentário por dia.
Ou seja, das oitenta pessoas que entram cá em casa, só uma é que costuma cumprimentar, dizer olá, dar sinal de vida.
Isto há gente muito mal-educada. Pfff...
Enquanto as temperaturas regressam ao normal, vale a pena refrescar a alma com outra ideias.
Do outro lado do mundo, um dos meus fotógrafos favoritos, o Z., redescobre a fotografia numa perspectiva nipónica.
Espreitem o Uma Por Rolo. Está cada vez melhor.
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Entrevista na SIC, algures em Évora, no meio do nada, aldeia portuguesa.
O repórter pergunta: "- E a senhora, não gosta de futebol?"
E a senhora: "- Nem nunca acendi uma televisão."
Lindo.
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(...) escrever pela ausência de mim mesmo,Jorge Serafim
escrever na ausência dos plátanos...
até ver, presente, apenas
este permanente estado de sítio.
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O Sublimado e Corrosivo adormeceu. Bolas.
Na quietude da noite, Lisboa derrete-se lentamente, envolvendo tudo e todos num aroma de calcário morno.
Não é desagradável, é maternal.
Para os amantes de informática, para os amantes de fotografia e para os meros curiosos, vale a pena espreitar a exposição que a Getty Images promove online.
Chama-se 10 Ways e é um verdadeiro bombom para a vistinha e um regalo para o cérebro.
Não percam sobretudo esta: INFORMATION.
Visitem e digam o que acharam!
Hoje vou actuar mais uma vez ao Tipografia Bar, em Vila Nova de Famalicão, um dos bares mais bonitos que conheço.
Já sabem como é: se estiverem na zona, apareçam!
Vem aí a maior produção teatral do ano, digna de fazer chorar as pedras da calçada da Broadway:
Corram já para os bilhetes!
Tragam sacos-cama e marquem lugar no passeio!
Avisem os amigos e os outros também!
Lisboa jamais será a mesma! O país jamais será o mesmo! Felgueiras também é capaz de vir a mudar!
Espectáculo/Curso Intensivo de Sobrevivência Urbana para maiores de 16 anos, no café-teatro da Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul, muy nobre casa cuja história honra a tradição do humor e a cultura desta nação!
Vinde, vinde, e espalhai a boa nova!!!
Espectáculo não aconselhado a pessoas com mentalidade inferior a 16 anos, cardíacos, doentes renais, católicos, judeus, muçulmanos, protestantes, testemunhas de Jeová, testemunhas de acidentes, testemunhas da Casa Pia, grávidas, sargentos-milicianos, padres, credores, inspectores da EMEL, racistas, puristas, adventistas, jesuítas, pastéis de nata, idosos muito velhinhos, pessoas que acreditam que o mundo vai acabar num futuro próximo se não formos todos até Vilar de Perdizes exorcizar os demónios e cantar louvores a Iemanjá, adeptos ferrenhos, doentes terminais, epilépticos, alérgicos à lactose, ovolactovegetarianos convictos, quaisquer outros convictos, espíritas, médiuns, videntes, animais, pessoas que se portem como animais, esquizofrénicos e sizudos. Ah, e também ao Jorge de Oliveira do Douro que na terceira classe me chamou mariquinhas.
Afinal, parece que é mesmo desta.
O "Levanta-te e Ri" vai encerrar portas dia 31 de Julho. Após cerca de três anos de actividade, o programa televisivo que lançou a stand-up comedy para o léxico nacional vai fazer as malas e partir em direcção ao pôr-do-sol.
Custa? Claro que custa. O "Levanta-te" é a casa de uma grande família, onde muitos de nós deram os primeiros passos em comédia televisiva e onde, com todos os defeitos e virtudes de uma grande família, aprendemos e crescemos imenso. O fim do programa sabe um pouco a ficarmos sem tecto, sem o abrigo do costume. Mas as coisas são assim.
Esqueçam os erros e aos altos e baixos: o L&R é um grande programa de televisão. Não só se tornou a referência do humor nacional, como se tornou no único produto televisivo que todas as semanas ia ter em directo com as pessoas, descobrindo público por todos os auditórios do país.
Merece uma vénia de despedida.
Quanto a nós, comediantes e "aspirantes a", falamos depois.
The show ain't over until the fat lady sings.
Pacotes de Açúcar
Para os bons apreciadores de café, a actual proliferação de formas, cores e materiais nos pacotes de açúcar é um autêntico inferno.
O verdadeiro pacote de açúcar não vai em cantigas: é rectangular, de papel e branco, com uma dimensão aproximada a metade da àrea de um cartão crédito (dos bons, não daqueles novos cheios de partes transparentes e isso).
E assim é que deve ser.
O genuíno pacote de açúcar, quando bem apresentado e livre de humidade, é em si mesmo um acto de prazer isolado no ritual do consumo de infusões.
Apesar de parecerem um avanço de design, os novos pacotes de açúcar que abundam no nosso mercado são na verdade um embuste e ameaçam deitar por terra décadas de adocicada tradição. Cuidado, pois.
Analisemos, então, o real pacote de açúcar e a sua constituição/composição.
Em papel semi-couchê (morte ao plástico transparente!), o pacote deve apresentar-se seco e pousado no pires. Jamais amarrotado e solto na mesa (é desprestigiante).
Preferencialmente branco, deve ter o formato de um rectângulo quase-perfeito com uma aba nunca inferior a cinco milímetros que permita uma àrea segura para sustentação durante a tradicional sacudidela: o verdadeiro pacote de açúcar é suposto ser agitado.
Ao rasgar, deve proporcionar um elevado prazer de abertura e sonoridade ao consumidor, sendo por isso fundamental uma largura de pelo menos três centimetros. Os pacotes cilíndricos estão completamente fora de questão.
O seu conteúdo (açúcar branco como a mais pura das neves) deve sempre ser dissolvido com uma colher de metal.
Na ausência desta, é permitido o uso do pacote em si, dobrado longitudalmente ou enrolado.
O recurso ao pau de canela é uma solução também a ter em conta mas que acarreta uma imagem pouco masculina - deixem-se de mariquices.
Felicidade!!!
Alegria!!!
Êxtase!!!
Descobri à venda em Lisboa as maravilhosas SuperGorila!!!
Claro que não resisti e comprei uma embalagem, das de mentol e confirma-se: continuam horrorosas, iguaizinhas há dez anos atrás.
Na primeira trincadela, sente-se imediatamente o sabor artificial com excesso de açúcar. Logo de seguida, a boca enche-se de saliva, numa tentativa desesperada e instintiva de salvar as papilas gustativas. Em poucos instantes, a pastilha transforma-se numa massa semi-rígida que se debate contra os maxilares.
Continua, de igual forma, a ser a pastilha elástica que proporciona os melhores balões.
Estou deliciado.
Amanhã vou comprar as laranja-ácidas e, se tiver coragem, as morango-diarréia.

O que é "Os Aristocratas"?
É um documentário sobre...
...bem, sobre uma anedota.
E é provavelmente o filme mais ordinário de todos os tempos.
Se quiserem ver o elenco, carreguem aqui.
É uma homenagem à comédia, um estudo sobre o riso, uma grande dissertação sobre os limites do humor.
Ao mesmo tempo, é uma risada pegada.
Não percam.
(um tipo vai ter com um agente de espectáculos e diz: eu tenho um número que quero vender...)
...parece que o mundo abrandou
como se o tempo dilatasse
como se o planeta abrandasse
Ás vezes parece que as pessoas adormecem
acordadas
...em Lisboa, é só para quem o vê nascer.
Não fazia ideia que o café na minha rua abria tão cedo. Daqui a pouco, no fim deste post e depois de lavar a cara e espreguiçar o corpo, desço para uma primeira bica e, quem sabe, um bolo.
É estranha esta sensação, a de passar a noite inteira a escrever e descobrir que a noite saíu sem dizer nada, sem se despedir.
Levantei os olhos do monitor e é dia.
Já não tenho idade para estas directas ao teclado; aposto que desfaleço no sofá antes do almoço.
Ou seja, não me posso entregar ao sofá. Há que ficar de pé, resistir, se me deixo aprisionar pelo sono acabo por dormir o resto do dia e aí é que o fuso horário cai por terra. Se me rendo, fico até sexta a viver em simultâneo com Tóquio, até conseguir reatar as pazes com o ciclo natural das coisas e com a noite portuguesa.
Ou seja, nada melhor que uma noite sem dormir para confirmar o óbvio:
-Estou a ficar velho para estas maratonas.
Há que ter juízo.
Ou não. Que se lixe.
Venha daí mas é a bica.