As coisas são para ser ditas



E quem o diz é uma rádio australiana.

Parasquavedequatriafobia...

...é o nome que se dá ao medo irracional de sextas-feiras 13, sendo que Trisquaidequafobia é o medo apenas do número 13.
Eu sei o que estás a pensar: que quem tiver uma destas fobias, arrisca-se também a ficar com Hipopotomonstrosesquipedaliofobia...
...que é o medo a... palavras grandes.
Pois. Irónico, eu sei.

Voltando à sexta-feira 13 e à Parasquavedequatriafobia, interessa realçar que este medo popular em relação a este dia é coisa da cultura portuguesa e inglesa. Os espanhóis, por exemplo, acham que realmente azarada é martes, a terça-feira 13...
A mim, a única coisa que realmente me preocupa são as pessoas que têm Geliofobia.
Que é como quem diz, medo de rir.

Pintura mais que isso

Hoje apeteceu-me partilhar convosco um pouco da obra de um dos meus pintores favoritos, o polaco Jacek Yerka. Cliquem nas imagens para as verem em condições.

É só um número, porra


Matemáticamente falando,
32 é o número n mais pequeno com exactamente 7 soluções para a equação φ(x) = n.
É também um número Leyland, uma vez que 2 elevado a 4 + 4 elevado a 2 = 32.

na Ciência,
é o número atômico do Germânio, ( 32 prótons e 32 elétrons), com massa atómica 72,6 uma. À temperatura ambiente, o germânio encontra-se no estado sólido. É um semi-metal pertencente ao grupo 14 ( 4 A ) da Classificação Periódica dos Elementos. Ah, também é usado em inúmeras coisas, desde fibra óptica a quimioterapia.
32 também é o ponto de congelamento da água do mar, na escala de Fahrenheit.


na Astronomia,
refere-se ao objecto conjunto M32, na magnitude 10.0 da galáxia, na constelação de Andrómeda, embora também possa ser usado para referir o objecto NGC 32, uma estrela na constelação Pegasus.

no que toca à música,
é o número de variações em "Goldberg", de Bach, assim como também é o total de sonatas de piano, completas e numeradas, de Ludwig van Beethoven.
No que toca a coisas mais recentes, está no refrão e na letra de "32 Footsteps", dos They Might Be Giants

noutros campos e áreas,
trinta e dois é também:

- o número de dentes de um adulto normal que se saiba cuidar, a contar com o siso;
- o tamanho de um databus em bits, 32-bit;
- o código ASCII e Unicode para "space"
- no xadrez e nas damas, é a quantidade de casas pretas no tabuleiro,assim como de casas brancas. Ainda no que toca a xadrez, é a quantidade de peças, brancas e pretas, no início do jogo;
- o código internacional telefónico se quisermos ligar para a Bélgica;
- era o que estava nas costas do jogador dos L.A. Lakers, Magic Johnson, assim como nas de O.J. Simpson, quando ele também ainda jogava sem matar gente;
- a idade de um àrabe que nasceu em Belém, quando foi cruxificado;
- é o número de locais nos E.U.A. que têm a palavra "eagle" no nome (sempre é melhor que Coina)
- 32=2X2X2X2X2

- é o título deste quadro do Pollock, de 1950;
- na série original do Star Trek, é um dos episódios mais violentos da segunda época, em que um povo chamado Capellans se vê dramáticamente envolvido num conflito entre a Federação e os habitualmente mal-dispostos Klingon;
- no Dallas, é um episódio da segunda série chamado "The Silent Killer", que foi pela primeira vez transmitido a 5 de Outubro de 1979;
- no Seinfeld, corresponde ao 15º episódio da terceira série, chamado "The Suicide" e que é também o episódio em que surge pela primeira vez o carteiro Newman

e, para terminar,
- o 32º episódio dos Simpsons chama-se Lisa's Substitute, contou com a participação especial de Dustin Hoffman e foi considerado, após meses de discussão entre os clubes de fãs da série, como o melhor episódio de sempre.

E pronto. Excluindo o acima referido, é só um número.

Vêm aí a Web 2.0

e, se for como esta antevisão, vai mesmo valer a pena:

Este domingo


no inKulto Restaurante Bar, em Lisboa.
Perto da Casa dos Bicos (deixem-se lá disso).

Obrigatório visitar

Já imaginaste viver num loft? Ou num cubo? E que tal um loft que é um cubo? Visitem (e encomendem) em www.loftcube.net

E, só para meter nojo, que tal dar uma "voltinha digital" no novo brinquedo da Audi?

Vem aí a obra-prima (?)


Uma das obras-primas de Frank Miller chama-se "300". Para quem gosta de BD, é uma paragem obrigatória. Há muito que se falava na adaptação ao cinema, mas o certo é que ainda ninguém tinha tido coragem... pela simples razão de que, a ser feita, cada plano, cada frame teria que ser uma obra de arte.
Pois parece que é desta.
O filme está já em pós-pós-pós-produção.
Saibam mais e vejam o trailer aqui.
É que, depois de ver as imagens, não vale a pena gastar latim. Só vendo.
(se possível, vejam em HD. Merece a espera.)

Oportunidade de Possível Emprego...

...num futuro talvez próximo.
Uma vez que, cá no sítio, temos uma data de projectos capazes de andar para a frente, estamos em busca de malta para constituir equipas.
Por isso, aqui fica:
Jovem!
Tens mais de 18 anos e queres trabalhar em televisão?
Procuramos: redactores, guionistas, editores e jornalistas, com ou sem experiência (de preferência com genica e estaleca).
Mandem o vosso CV para carlos.moura@medialuso.tv
Ah, e não me escrevam a perguntar o que é, para que é e isso, porque podem ser muitas coisas e não vou explicar.

K7


Vi na casa da Sílvia, que por sua vez viu no sítio original e também me apeteceu.

Para meninos pequeninos-pequeninos

Se há coisa difícil de lidar e de explicar aos petizes é o Medo.
Por isso, aconselho vivamente a pegarem numa criança (não precisa ser vossa) ou no vosso lado mais tenro de idade e irem assistir, nas manhãs do fim-de-semana, à peça "A Menina que não sabia o que era o Medo"

A encenação é da Susana Arrais, o texto é do Miguel Barros, o cartaz é meu e as sessões são às onze da matina, na Guilherme Cossoul. A coisa é para putos entre os 2 e os 5 anos, é muito giro e as reservas podem ser feitas através do 21 397 34 71 ou do 91 897 17 89.

Hoje, quarta-feira, prato do dia:


Como já aqui tinha anunciado, hoje à noite vou estar no Restaurante-Bar Almirante, para uma actuação a duas mãos com o António Raminhos. Isto marca o início das noites de comédia lá no sítio que, já agora, fica em Loures. O espaço é muito simpático e os mais aventureiros poderão tentar decifrar o mapa que aqui está (boa sorte).
Portanto, quem quiser, já sabe: a partir das dez e pouco da noite, Loures tem galhofa.
E, ao que parece, a seguir há música ao vivo.
Apareçam. Afinal de contas, amanhã é feriado para os comuns proletários mortais.

Entretanto...

...as coisas lá vão deslizando pelos dias.
Nos últimos tempos, fiz uma data de projectos aqui para a produtora, jantei com amigos, despedi-me da peça com o Miguel Barros em duas noites consecutivas de sala cheia, cozinhei um bacalhau no forno capaz de fazer inveja à Filipa Vacondeus, fui às compras, vim das compras, dormi pouco, tomei vários cafés e recebi algumas propostas profissionais interessantes.

Amanhã, estarei no Almirante Bar, perto de Lisboa, para uma actuação mano-a-mano com o António Raminhos.
Mas amanhã explico melhor.

Inté.

E em Novembro...

...vou estar aqui,

para assistir este senhor:
Para mim, é o concerto do ano. Keith Jarret, Gary Peacock e Jack de Johnette, juntos e ao vivo no excelente Auditori de Barcelona. Antes, os senhores também vão estar em Paris e cá em Lisboa, no CCB, mas, apesar sde ainda nem sequer ter sido anunciado, a sala já está esgotada.
Paciência.
É uma excelente desculpa para regressar a Barcelona, provavelmente a melhor cidade do mundo.

O jogo de Geri

Foi o vencedor do Óscar de Animação em 1997 e pertence à Pixar, claro está.
Uma obra-prima que merece ser vista:

Em agenda:

A não esquecer que as terças são dia de stand-up comedy no Santiago Alquimista. A partir das dez da noite, lá estarão dois comediantes a destruir o bom ambiente. A não perder.

Esta quarta e quinta, estarei em Elvas a preparar um especial para a RTP, mas convém lembrar que sexta e sábado são as duas últimas e derradeiras oportunidades para assistir ao Manual de Instruções para o Cidadão Comum, na Guilherme Cossoul, a peça de teatro que já mudou a vida a muito boa gente.

Antes de fechar o post, um bónus:
Um joguinho viciante. Experimentem! Há duas versões à escolha! Quem é amigo, quem é?

Há dias que voam

O tempo não é relativo, é escorregadio.
Gostava de ter mais tempo para vir aqui escrever umas coisas mas tenho andado a correr atrás dele, do tempo, que me escapa por entre os dedos, gelatinosamente.
Pelo meio, a sensação de que uma altura fantástica se aproxima.
Vêm aí muitas coisas.
Já estou de mangas arregaçadas.
Amanhã volto aqui.

Prometo.

Amor?

Eu digo-vos o que é o amor.
É um sorriso que fica gravado na retina e que, cada vez que é recordado, faz parar o tempo.


(eu até explicava isto melhor, mas o amor é também pessoal e inexplicavelmente íntimo)

How do you feel?


E que tal utilizar a Internet para fazer uma colheita de emoções humanas?
O site "We feel fine" dedica-se desde Agosto de 2005 a pesquisar blogs de todo o mundo e descobrir sentimentos e emoções, para depois os conjugar num sistema de partículas.
A ideia pode parecer louca, mas é belíssima.
Explorem.

Gente burra

Uma das vantagens do sistema de comentários do Blogger é a oportunidade que nos dá de relembrarmos constantemente que anda aí muito pessoal que não prima pela inteligência, já para não falar da malta que parece fervilhar de amarguras e azedumes.
Dou-vos um exemplo fresquinho:

Como já tinha aqui anunciado, a partir de terça-feira iniciam-se as noites de comédia no Santiago Alquimista. Serão noites de stand-up comedy, com vários comediantes, e a ideia é, à semelhança do que temos feito no norte, não ficar por uma só casa mas promover um "circuito de comédia", um conjunto de bares onde os comediantes possam testar material, melhorar as rotinas e afinar agulhas.
A partir do momento em que surgiu a oportunidade do Santiago, eu e o António Raminhos (um tipo porreiro) pegámos no telefone para tentar descobrir mais comediantes dispostos a entrar na aventura, com quem nos encontrámos num café para acertar detalhes e definir uma estratégia de trabalho comum.
Hoje, ao ligar o pc, descubro a seguinte mensagem de um anónimo (porque é que não me espanta?):

"o ELITISMO privado ainda continua. O Stand-Up não é para todos poderem fazer e ser convidados. Reuniões onde se decide quem mereçe ou não poder actuar.E depois..surpresa.Os outros que se fodam."


Esquecendo a questão ortográfica (isso sim, irrita-me), o que importa aqui realçar é alguma ignorância que reveste este comentário.
Senão, vejamos a coisa ponto por ponto:
por "elitismo" normalmente entende-se um sistema que favorece um escol, uma elite, com claro prejuízo da maioria. Ora, a "elite" aqui referida é composta por muita malta que está a começar, alguns que eu ainda nem sequer vi actuar;
"O Stand-Up não é para todos poderem fazer e ser convidados" - Pois não. É só para os que tiverem graça, trabalharem e, sobretudo, derem a cara;
"Reuniões onde se decide quem merece ou não poder actuar" é das coisas mais imbecis que li nos últimos tempos. Quem decide os que "merecem" actuar é, única e exclusivamente, o público.
"E depois..surpresa.Os outros que se fodam" - QUE OUTROS? Se há mais gente a fazer stand-up, que dê um passo em frente e diga que quer trabalhar! Que se mostre, que se junte à malta!
Começo a ficar farto do pessoal que se esconde atrás de teclados queixando-se de falta de oportunidade e vitimando-se.
Sempre o disse e volto a dizer: queres fazer stand-up? Aparece! Diz! É tão simples, bolas, a malta está a actuar e passa-te o micro!

Querem saber o que acho dessa teoria da conspiração de que o pessoal está a fazer um sindicatozinho? Que é verdade. É precisamente isso que estamos a fazer. Uma espécie de clube, onde entram todos os que quiserem fazer comédia. A única questão é que entram todos os que percebem que, como qualquer clube, a coisa joga-se em equipa e não individualmente. E isso implica aparecer, mostrar vontade, dizer "estou aqui".

É já a partir de terça


...que começam as noites de comédia no Santiago Alquimista.
Todas as terças, um comediante diferente (ou mais).
E há mais sítios a caminho.

O som Spektor


O Markl já há uns tempos falara dela mas vale a pena insistir no nome: Regina Spektor é daquelas meninas que convém trazer no ouvido.
Moscovita de nascença mas nova-iorquina de gema, Spektor estreou-se em 2001 com o álbum 11:11 e tornou-se um dos rostos do movimento anti-folk.
O seu 3º álbum, Begin to Hope, merece ser ouvido (aqui já tem feito uma boa rodagem) e guardado com especial atenção.
No entanto, uma das suas melhores prestações foi ao vivo no Late Night do Conan O'Brien. Sem artifícios, sem banda, a solo com um piano de cauda, a menina rendeu todos às evidências. Quem sabe, sabe, e isto é um grande momento de televisão:

A caminho do grande écran nacional

O realizador de "Good Morning, Vietnam" e "Wag the Dog" volta a juntar-se a Robbin Wiliams e traz-nos o que promete ser a comédia do ano: "Man of the Year".

Se o filme for como trailer, estamos lá.


Guillermo del Toro está de volta! A película é "um conto de fadas" ao jeito deste senhor, e, por mim, compro já o bilhete!
Para vos aguçar a curiosidade, aqui fica o trailer provisório, ainda falado em castelhano e a precisar de alguma pós-produção (aparecem alguns green screens pelo meio):

conto no feminino

A verdade é que não te amo e nunca te amei.
Encostei-me a ti como quem se senta num autocarro para fugir da paragem e deixei-me estar de rosto no vidro, a sentir o sol.
Nunca te pedi para sair porque estava encostada e porque assim não era eu que girava pelo mundo mas o mundo que girava por aquela janela e quando dei por mim os anos tinham passado.
É tão simples como isto.
Nunca foste o amor da minha vida, nunca foste o meu homem.
Foste o meu autocarro.
É tão simples como isto.
Reparaste em mim naquele casamento e de repente o casamento era o nosso, foi como se de convidados passássemos a anfitriões.
Lembras-te? Claro que não te lembras, mas foi no casamento da Marta: alguém amigo de alguém apresentou-te a mim e eu deixei-me estar e tu pediste o meu número e eu deixei-me ir, convidaste-me para o cinema e eu deixei-te pagar, encostaste o carro em frente a minha casa e eu deixei-me congelar enquanto os teus lábios se encostavam aos meus e a tua mão subia a minha perna em busca até hoje não sei de quê e eu deixei-te estar.
Foi nessa mesma merda de carro que resfolegaste em cima de mim como um cavalo e fizeste-me a Beatriz e eu deixei-me ir, para longe dali, para longe do carro e dos estofos e do cinto que me perfurava as costas e do teu hálito a cerveja e só quando perguntaste se eu me tinha vindo é que eu vim de regresso aos estofos, ao carro e ao aroma de eucalipto daquele pinheirinho que continuava a abanar no retrovisor.
É tão simples como isso.
Nunca te amei. Nunca te quis. Mas nunca me importei.
Foste o meu autocarro para longe de tudo e eu deixei-me ir.
Nunca sequer te vi como homem. Acho que nunca sequer te vi.
Quando à noite me procuravas na cama as luzes estavam desligadas mas eu fechava os olhos. Nunca percebi o que as tuas mãos procuravam nem o que o teu corpo procurava mas não fazia diferença porque sempre que me abrias as pernas e me esmagavas com o cheiro da cerveja eu já estava sentada no banco com a cara no vidro e com o sol a aquecer-me.
Fazia como sempre. Contigo, com o meu primo Luís e com o meu pai.
Deixava-me ir.
Nunca estive aqui, percebes?
Estive sempre longe de ti, mesmo quando me babavas os ombros com os teus espasmos e me afundavas as ancas no colchão. Nunca estive aqui, excepto quando a Beatriz chorava a meio da noite e tu a chamavas de raio de miúda e eu me levantava para a ir adormecer outra vez com os meus braços.
Só a Beatriz me ligava a ti, porque tu é que a tinhas feito mas eu é que a alimentava todos os dias com os beijos que nunca pensaste que eu tinha.
Por isso é nunca lhe devias ter tocado, percebes?
Não daquela forma. Nunca daquela forma.
Agora se calhar vêm-me buscar.
Agora se calhar vão me tirar da Beatriz e dizer-me que não devia ter feito o que te fiz. Que não tinha o direito de te rasgar a garganta com esta faca que aqui tenho e de ficar aqui onde estou a ver o teu sangue infiltrar-se no colchão, por cima dos lençóis e do teu corpo nu e branco.
Não faz mal.
Eles não sabem que eu não estou aqui.
Eles não sabem que, mesmo que agora me levem para longe da Beatriz, eu já estou com ela, no meu autocarro, as duas sozinhas, com o sol a aquecer-nos o sorriso.
Tão simples como isso.

A história tem destas coisas...

Há 22 anos, no jornal francês Le Point, (que agora é uma revista) surgia esta publicidade:

Qual Nostradamus da imprensa, o criativo que fez isto estava realmente muito à frente no tempo...

O universo desta mulher


Ela trouxe consigo a fama de ser uma das cantoras brasileiras com mais experiência de palcos e provou-o.
Na passada sexta-feira sentei-me na plateia do Coliseu dos Recreios para assistir a duas horas de excelência musical pela mão de Marisa Monte, uma cirurgiã artística.
O que dizer sobre o espectáculo?
Comecemos pela direcção artística, sublime e inteligentemente colocada entre a cumplicidade e o show-off. Caixas de luz, gruas luminosas e ecrãs gigantes deslizam pelo palco em movimentos suaves, criando vários ambientes e alterando espaços, sombras e cores - uma boa lição de "engenharia artística" para os artistas lusos.
Os músicos da senhora, nove no total, iam desde o fagote ao violino, dos samplers ao cavaquinho. Excelentes, como seria de esperar, e capazes de reproduzir fielmente o complexo ambiente sonoro dos dois últimos álbuns.
No topo de tudo isto, Marisa, a deusa perante um Coliseu cheio. A mulher canta com a voz, com os olhos, com os ombros, com as mãos, com a cintura. A mulher respira no tom certo e suspira afinada. Com a ajuda de um trabalho áudio acima da qualidade média, as cordas vocais da menina estavam claras e nítidas como se nos cantasse ao ouvido.
Por entre umas palavrinhas ao público, fez desfilar pelo espectáculo temas de vários álbuns, com maior incidência nos dois últimos, "Universo ao Meu Redor" e "Infinito Particular".
A mulher canta mesmo bem. Mesmo. O universo cabe-lhe ali todo na alma e, à saída, sentimos ainda a pele arrepiada do seu universo particular.
Magnífica.
E enganem-se os que dizem que ela não prima pela beleza: quando aquele rouxinol está em palco, meus amigos, transforma-se numa das mulheres mais belas do planeta.

M.I.C.C.

O MANUAL ESTÁ DE VOLTA!!!
É o espectáculo do ano (pelo menos para nós os dois) e está de regresso ao gigantesco palco da Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul!
Esta maravilhosa, deslumbrante e pedagógica produção teatral está em cena todas as quintas-feiras, às 22:30. Os bilhetes, cujo design os eleva a exemplares de colecção, custam apenas 7 euros. E há preços especiais para grupos!!!
ATENÇÃO: convém reservar com antecedência! As filas da bilheteira costumam ser gigantescas e temos excursões já marcadas. Ah, além disso há poucos lugares sentados porque ocupámos grande parte do espaço com mesas porque temos serviço de bar durante a peça.
O que, convenhamos, é simpático.
Reservas através do 91 897 17 89. A chamada tem um custo normal!!! Ligue agora e será atendido pela nossa sensual, jovem e dedicada assistente!!!

Eu, aquilo que posso, faço pelos amigos

Segundo o Diário de Notícias, Valentim e João Loureiro escolhiam, por diversas vezes, os árbitros para os jogos do Boavista a contar para a época 2003/2004, segundo as escutas no âmbito do "Apito Dourado".

Acho miserável andarem por aí a explicar a magia do futebol.
Estes jornalistas estragam a piada toda da coisa.

R.I.P.


Steve Irwin, 44 anos, o "Caçador de Crocodilos", ferido mortalmente pelo espigão de uma raia, no peito, durante uma filmagem subaquática.
O mundo perde um defensor da natureza e um grande comunicador. E, acima de tudo, um genuíno "ganda maluco".

Puppinizei-me


Graças ao Jorge Crespo, fiquei a conhecer estas três damas que este ano lançaram o seu primeiro àlbum. É uma preciosidade para os tímpanos, num regresso naïf e inesperado aos anos 40.

As Puppini Sisters prometem causar sensação. Aconselho vivamente uma visita ao site oficial das meninas e, já agora, aqui fica mais um dos temas do novo àlbum!

Vá lá, minha gente! Puppinizem-se!

Liberdade de expressão? Não.

Tenho recebido algumas reacções curiosas ao facto de ter estabelecido a norma de todos os comentários neste belógue passarem primeiro pela minha aprovação.
Segundo alguns visitantes, este entrave à livre expressão dos leitores é a prova de que estou a seleccionar apenas os comentários que me interessam e que controlo aquilo que aqui se lê sobre mim ou sobre os meus posts.

A minha resposta é: claro que sim.

Este espaço é a minha casa.
Pode entrar quem quiser mas só cá fica quem eu quero.
A porta da rua é serventia da casa e, da mesma forma que publico o que me apetece, também arrumo as coisas conforme me der na real gana.
Se querem expressar as vossas opiniões de forma totalmente livre, é simples: procurem outro sítio.

Cá em casa quem manda sou eu.
(É uma coisa linda de se dizer, não é? Sabe tão bem!)

Quem diz que gosta de cinema...


... tem mesmo é que visitar este blog. É coisa de quem sabe, e o resto são fitas.

o canto curto de um conto

As teclas do piano flutuavam da outra divisão da casa até esta, onde estávamos, e pousavam nos livros e nas fotos e escorregavam pela cortina e por aquela estátua ali no canto, lembro-me bem.
Sei que falavas de capítulos e autores, mas no fundo não te ouvia, porque eu na verdade não estava ali sentado no sofá como julgavas que eu estava, eu estava sim a flutuar no movimento dos teus lábios, estava no ar a um centímetro de ti, no ar que envolvia o balançar dos teus cabelos e a coreografia das tuas mãos, dos teus braços, das tuas ancas. Eu parecia estar no sofá mas estava embalado nos teus olhos e em cada polegada quadrada de pele que a tua roupa deixava escapar, ali no pescoço, ali nos ombros, ali na cintura.
O meu corpo a afundar-se no sofá e eu solto pela tua casa, solto atrás de ti por onde fosses, solto a cheirar o perfume dos teus poros e a dançar ao som do piano que tinhas posto a tocar e que parecia acompanhar de propósito cada sustenido das sílabas que me ias largando pela conversa.
Quando finalmente vieste sentar a meu lado optei por prender a respiração para não me denunciar.
O piano, do outro lado, pareceu sair do cd para se sentar também a teu lado.
Aproximei-me de ti como quem se aproxima de uma libélula e o teu corpo tocou, todo ele, na minha mão, e foi nesse preciso momento que o planeta deixou de girar no seu próprio eixo.
E senti os teus lábios, o teu calor, o teu respirar e os teus cabelos abraçaram-me e os teus braços encontraram-me e as minhas mãos perderam-se na tua pele nas tuas costas nas tuas pernas no teu aroma no teu paladar e o tempo abrandou e o piano espalhou as suas notas por toda a sala como se fossem pétalas e pensei por momentos que estávamos os dois suspensos no éter e senti que estávamos mesmo e as nossas peles partiram em busca de um novo significado para a palavra tesouro e os nossos corpos partiram em busca de uma nova forma de dizer a frase "Jamais imaginara que toda a beleza do mundo pudesse caber no doce suspiro desta mulher".

Tenho pena de não ter título para isto

No curto intervalo do trabalho, aproveito para apagar mensagens do telemóvel, fazer uma ou duas chamadas importantes e ligar-me à net para ler os títulos dos jornais e saber o que acontece no planeta, lá fora, longe deste meu pequeno mundo de escritório com ar artificial e luz fluorescente.
De passagem, espreito o meu blog, como que para confirmar se ele ainda lá está.
Tenho saudades de escrever no blog, mas ando mesmo sem tempo, embrulhado nas tiras dos compromissos.
Tenho saudade de abrir a frincha da janela dos meus pensamentos e escrever coisas soltas, ideias parvas, palavritas orfãs de continuidade.
Mas não dá. Não tenho mesmo tempo.
Sei que os meus amigos que por cá passam sentem a falta de novas, boas ou más, querem que deposite aqui pelo menos uma linha, um bocejo que seja, mas não dá.
Se começo a escrever aqui perco noção do tempo e deixo para trás as coisas que realmente tenho que fazer.
Se pudesse, garanto que vinha aqui agora mesmo e escrevia qualquer coisa, pelo menos uma frase.


Fiz esta ilustração para o interior do CD oficial de "A Canção da Minha Vida" e apeteceu-me partilhá-la convosco.



Pronto, já partilhei.

Experiências domésticas

Comprei um shampoo para cabelos secos, um amaciador para cabelos oleosos e uma escova para cabelos encaracolados.
Os resultados provisórios não são dignos de relevo, mas os frascos ainda nem a meio vão.
Aguardemos.

Plutão abaixo de cão

Depois de tanto debate, a sensação que fica em tantos fãs plutonianos é que trataram o pequeno gasoso como um mero filho da pluta.
É triste ver uma carreira gloriosa como planeta terminar assim, reduzido à insignificância de um anão.

A culpa é, provavelmente, do manager.

Parabéns, Blogger!

Sete anos de bloguismo! A 23 de Agosto de 1999, o sr. Evan Williams (na foto) anunciou oficialmente o lançamento, pela mão da Pyra Labs, de um novo serviço/ferramenta online chamada Blogger. Era o início de mais uma revolução digital. A partir daqui, a palavra blog entrou no vocabulário mundial e tornou-se num fenómeno social e cultural que continua a crescer de dia para dia.
No arranque, a coisa não era suposto ter objectivos financeiros. Aliás, o sr. Williams chegou a estar virtualmente sozinho nos comandos do serviço, após uma debandada geral dos seus colaboradores, fartos de trabalhar sem receber. Claro que, entretanto, o Blogger tornou-se um negócio rentável, especialmente com o surgimento do espaço blogspot. Em 2003, o Blogger foi adquirido pelo gigante glutão Google.
Agora, espera-se tudo.
Já há um novo blogger-beta que permite maior liberdade criativa aos utilizadores e maior controle de conteúdo. Vamos ver o que sai da forja.

Não pirililamparás?

Alguém se lembra disto? Histórico, meus amigos, histórico...

Gosto Não Gosto

Gosto de pimentos padrón. Não gosto de coisas-padrão, excepto as peças do Lego.
Gosto de objectos amarelos com a tinta a descascar, de nuvens grandes e solitárias, do cheiro do Cerelác e de cabelos acabados de lavar, de pipocas com manteiga e sal, de comer caracóis com o Barros, de papéis com textura e de um piano a solo.
Não gosto de fundamentalistas, extremistas e tostas-mistas.
Gosto de cães, de gatos e de bichos com pêlo, de alpendres e varandas, de pedras redondas e de àgua.
Gosto muito de àgua mas não gosto de vapor. A sauna irrita-me.
Gosto de stress e não gosto de bolas anti-stress.
Gosto de algumas pessoas.
Não gosto de algumas pessoas.
Gosto de meter em sarilhos.
Gosto de cozinhar e de abraços.
Gosto muito de um bom abraço.
E acho que gosto de mais coisas do que aquelas que não gosto.
Gosto de silêncio.
Gosto de dizer que gosto das coisas e gosto da sensação de que o tempo passa depressa: obriga-me a gostar ainda mais de algumas coisas.

Em promoção

Consulta e Terapia de Regressão a Vidas Passadas
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Só?!

O Vidente das Estrelas, Miguel de Sousa, continua a auxiliar o país e os portugueses com o seu insuspeito, fiável e secular Oráculo de Belline.
Mas agora, no seu espaço profissional, tem uma parceria com o famoso especialista Vítor Dias, onde são prestadas consultas e serviços terapêuticos no que toca a essa sensível àrea científica que é a Regressão a Vidas Passadas (RVP, para os íntimos).
No site **Oráculo de Belline**, ficamos a saber que "a finalidade da Terapia de Regressão é descobrir os traumas de eventos de vidas passadas, trazer esses mesmos traumas ao consciente e relembrá-los. Através dela tornamo-nos mais tolerantes, adquirimos inclusive uma maior serenidade perante a vida e passamos a encarar a morte de uma perspectiva diferente, de forma mais calma e tranquila. Com a Terapia de Regressão poderemos encontrar a solução para diversos problemas como medos, fobias, distúrbios do sono, vícios em drogas, alcoolismo, obesidade e outras queixas como enxaquecas, asma, alergias, assim como uma forma de alívio do stress e da frustração. É uma terapia que nos ajuda a aceitar a nossa responsabilidade pessoal, a aliviar o sentimento de culpa, e a viver a vida de uma forma mais calma, nos proporcionando uma melhor saúde mental, emocional e física."
Além disso, somos também informados que todas as pessoas podem ser sujeitas a esta evoluída e preciosa técnica, excepto "em casos de psicoses e doenças orgânicas descompensadas, por exemplo cardíacas, glandulares, pois durante a regressão ocorre a libertação de um forte conteúdo emocional que pode desencadear uma descompensação da disfunção já existente no paciente" e gestantes.
Se alguma dúvida ainda existisse depois desta clara explicação, tudo se dissipa ao sermos confrontados com o olhar profundo e magnético do próprio especialista, o Vítor Dias
Este lisboeta de gema descobriu o oculto graças ao famoso ´"Método Silva de Controle Mental", um método que, segundo o site, é "americano".
Logo, fiável e insuspeito.
Descobrimos também que este mestre de Reiki desenvolveu as suas capacidades graças ao convívio com o mundialmente famoso Prof. Michael Willson e com a renomada Yvette Scarpari. O texto não nos explica a natureza destes convívios, mas não precisa.

A este preço e com este currículum, chego à conclusão de que os portugueses são infelizes e que o país não anda para a frente por uma mera questão de falta de informação.
Já alguém propôs estes senhores para algum cargo no Governo? Estamos aqui a perder uma grande janela de oportunidade!

O mundo real avança em 3D. Ena!

Milhões de passageiros por todo o mundo resfolegam de desânimo em terminais de aeroportos ao ver a sua bagagem mexida e remexida pelas autoridades, em busca de explosivos.
Na capital do Congo, Kinshasa, ouvem-se os tiros no calor de umas eleições mal explicadas.
Cientistas eufóricos explicaram hoje que finalmente descobriram provas concretas da existência de matéria negra, na galáxia 1E0657-556.
O desemprego entre os jovens portugueses aumentou 72%.
Nas Canárias, as autoridades não conseguem deter o fluxo de imigrantes ilegais que dão à costa. O governo português diz que tem um plano para evitar que o mesmo aconteça em Portugal, para sossego de todos os que não gostam de ser invadidos pela miséria alheia.
O Irão teima em contrariar as Nações Unidas e garante que vai continuar o seu programa nuclear.
No México, professores armados com tubos, paus e pedras tomam conta das rádios locais na província de Oaxaca, protestando veemente contra o governo.
No Egipto morreram 57 num desastre de comboio.
No Mercado de Tcherkizovsk, na região oriental de Moscovo, dez pessoas foram pelos ares com uma bomba. Dizem que foram os eslavos.
Atenas arde e já queimou um turista.
Um velejador francês foi morto à cacetada junto à costa portuguesa.
A Heidi Klum diz que quer ter muitos filhinhos.
o Tom e o Jerry foram criticados por fumar, os Simpsons ganharam mais um Emmy e a PJ apreendeu três quilos e meio de coca no aeroporto de Lisboa.



Tudo notícias que, muito em breve,vamos poder ver em... 3D!
É que a Philips anunciou que finalmente conseguiu desenvolver um ecrán que consegue simular tridimensionalidade sem a necessidade de óculos especiais e em situações de luz normal, em todos os ângulos de visão.
Podem saber mais na página oficial da tecnologia WoWvx.
A partir de agora, podemos ver carros-bomba a explodir por toda a sala.
Já imaginaram o 11 de Setembro, nas nossas salas, em frente ao nosso sofá e às nossas pipocas?!!

A Oriente, nada de novo


Crédito a quem o merece: o cartonista Clay Bennett.

[ rascunho ]

Sou um tipo proactivo sem identidade corporativa rodeado de factos fátuos e movimentos circulares num loop constante, numa rede de interferências sempre sujeita à disponibilidade de stocks e aos prazos de entrega das emoções previamente empacotadas, endividado nas premissas e duvidoso das promessas, polido pelos hábitos e perdido nos costumes, servido em tabuleiros e com lugar na fila de espera, empurrado para a frente e embalado a vácuo, social, divertido, extrovertido, comprometido, intrometido, institucionalizado e não-financiado, empático mas sorumbático, criativo frases-feitas, guionista com medo do vazio, vazio de medo, vazio de espaço, convicto, ateu, magro e sem conservantes, disposto a arriscar aquele degrau, com relógio, com tempero, com paciência, com licença, com poucas coisas mas muitos conceitos de coisas.
E a única coisa que eu sei é que, um dia, esse pião vai parar de girar.

Curiosidade para a minha Correia


Miúda, aproveitei a hora de almoço e fui espreitar o que o AllMusic tem a dizer sobre o nosso Köln Concert, sendo provavelmente o melhor site sobre música nas redondezas.
E os rapazes também parecem gostar da coisa: além de lhe darem a pontuação máxima, dizem que "This is a true and lasting masterpiece of melodic, spontaneous composition and improvisation that set the standard."
Justo.
O curioso é a classificação atribuída:
"Genre: Jazz
Styles: Free Improvisation, Modern Creative, Post-Bop"
e ainda
"Moods: Ambitious, Indulgent, Enigmatic, Freewheeling, Passionate, Rousing, Intimate, Literate, Meandering, Fiery, Elegant, Reserved, Reflective, Brooding, Complex, Cerebral, Sophisticated."

Haja adjectivos!

Já agora, vê lá se instalas o plug-in do Flash para ouvires esta que aqui se segue. É para ti.

Ah, já me esquecia

1)
Pronto. Eu sei que estou a ficar velhinho e que a memória já me prega rasteiras, mas mais vale tarde do que nunca.
Hoje, 5ª feira, actuo no Casino da Figueira.
Está dito. É por volta das 23H, como de costume, ao vivo e a cores, com entrada livre.
O Raminhos também vai actuar.
E pronto.

2)
Sábado, 19, estarei outra vez na Figueira, para um espectáculo no Foz Plaza às 21h.
Sim, é um centro comercial, e depois? Na sexta está lá o Marco Horácio às sete e meia da tarde e no dia seguinte, estou eu.
Sim, é um centro comercial, e depois? Ahn?
Não é que estejamos em saldo: estamos é onde as massas estão.
Passo seguinte? Restaurantes italianos.

A ouvir


Se o rapaz já primava pela diferença no aspecto e na atitude, agora veio esclarecer de uma vez por todas que realmente a música que faz tem assinatura própria.
É o primeiro trabalho a solo do vocalista dos Radiohead, o senhor Thom Yorke, e chama-se "The Eraser".

Para vos abrir o apetite e para que possamos passar das palavras à melodia, aqui fica o tema que dá nome ao álbum:



Quem sabe, sabe.




Mas há mais!
Se há coisinha em que vale a pena investir os trocos respectivos é no novo trabalho do trio britânico de Teignmouth, os Muse.

Chama-se "Black Holes and Revelations" e é forte candidato a melhor àlbum do ano!
Para o comprovar, dois dos excelentes temas que povoam este cd.
Primeiro, "Supermassive Black Hole"...



...e o magnífico "Invincible"




É bom, é para ouvir. Repetidamente.

Ay, ay, ay, Taxi Driver

No esta mal... Más rápido que tu, hijo de perra!
(...)
Cagón!!!
(...)
Hablas comigo? Me lo dices a mi?
Entoces a quien demónios le hablas se no es a mi?


Para os que são adeptos das dobragens, há realmente coisas que nem precisam de legendas...

Para ler em voz alta

Que se lixem os preguiçosos da leitura, mas este é um dos mais belos textos de Vinícius de Moraes e merece publicação neste modesto belógue:


Receita de mulher

As muito feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental. É preciso
Que haja qualquer coisa de dança,

qualquer coisa de haute couture
Em tudo isso (ou então
Que a mulher se socialize elegantemente em azul,

como na República Popular Chinesa).
Não há meio-termo possível.

É preciso
Que tudo isso seja belo.

É preciso que súbito
Tenha-se a impressão de ver

uma garça apenas pousada e que um rosto
Adquira de vez em quando

essa cor só encontrável
no terceiro minuto da
aurora.
É preciso que tudo isso seja sem ser,

mas que se reflita e desabroche
No olhar dos homens.

É preciso, é absolutamente preciso
Que tudo seja belo e inesperado.

É preciso que umas pálpebras cerradas
Lembrem um verso de Eluard

e que se acaricie nuns braços
Alguma coisa além da carne:

que se os toque
Como ao âmbar de uma tarde.

Ah, deixai-me dizer-vos
Que é preciso que a mulher que ali está

como a corola ante o pássaro
Seja bela

ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e
Seja leve como um resto de nuvem:

mas que seja uma nuvem
Com olhos e nádegas.

Nádegas é importantíssimo.
Olhos, então
Nem se fala, que olhem com certa maldade inocente.

Uma boca
Fresca (nunca húmida!) é também de extrema pertinência.
É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos
Despontem, sobretudo a rótula no cruzar das pernas, e as pontas pélvicas
No enlaçar de uma cintura semovente.
Gravíssimo é, porém, o problema das saboneteiras:

uma mulher sem saboneteiras
É como um rio sem pontes.

Indispensável
Que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida
A mulher se alteie em cálice, e que seus seios
Sejam uma expressão greco-romana,

mais que gótica ou barroca
E possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de 5 velas.
Sobremodo pertinaz é estarem a caveira e a coluna vertebral
Levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal!
Os membros que terminem como hastes,

mas bem haja um certo volume de coxas
E que elas sejam lisas, lisas como a pétala

e cobertas de suavíssima penugem
No entanto, sensível à carícia em sentido contrário.
É aconselhável na axila uma doce relva com aroma próprio
Apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos!)
Preferíveis sem dúvida os pescoços longos
De forma que a cabeça dê por vezes a impressão
De nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre
Flores sem mistério.

Pés e mãos devem conter elementos góticos
Discretos.

A pele deve ser fresca nas mãos, nos braços, no dorso e na face
Mas que as concavidades e reentrâncias

tenham uma temperatura nunca inferior
A 37° centígrados podendo eventualmente provocar queimaduras
Do 1° grau.

Os olhos, que sejam de preferência grandes
E de rotação pelo menos tão lenta quanto a da Terra; e
Que se coloquem sempre para lá de um invisível muro da paixão
Que é preciso ultrapassar.

Que a mulher seja em princípio alta
Ou, caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros.
Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que, se se fechar os olhos
Ao abri-los ela não mais estará presente
Com seu sorriso e suas tramas.

Que ela surja, não venha;
parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente

e nos fazer beber
O fel da dúvida. Oh, sobretudo
Que ele não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre
O impossível perfume; e destile sempre
O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto
Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina
Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável.

Lisboa Summertime


A sensação não é de imenso calor e desconforto. Não.
É mesmo de fritura.

Post absolutamente despropositado e propositadamente confuso.

Cada vez me convenço mais de que a tendência que as pessoas têm para complicar a vida é fruto de um processo intencional.

A malta gosta de complicar.
A malta precisa complicar.
Creio que a maioria das pessoas vê na simplicidade o rosto de um inimigo, uma obstrução séria.
Simplificar é, para elas, obstruir.
Simplificar é retirar-lhe argumentos de defesa.
Quando as coisas são simples, quando a vida é como é, esta gente fica sem grandes hipóteses de resposta.

A maioria das pessoas gosta de complicar porque isso lhes dá a aparente capacidade de se conformarem com as suas próprias limitações.

Não conseguem atingir aquele objectivo, não conseguem solucionar aquele problema, falham aquele compromisso, têm medo de enfrentar aquele obstáculo.
Porquê? Porque é complicado.
E é claro que é ainda mais cómodo reclamar e divagar sobre essas complicações do que resolver as coisas ou ultrapassar a etapa.

Complicar a vida é uma grande solução para nos enganarmos a nós próprios e nos satisfazermos com a ilusão de que as soluções não dependem de nós.

Sabemos que é mentira, claro: a vida não é complicada.
É complexa, sim, mas não complicada.
E isso é uma grande diferença.
É a diferença entre estar consciente e estar confortável.

A ouvir, ouvir e ouvir de novo


E o DVD é obrigatório comprar: não só tem o melhor menu que já vi como é daqueles que pede para ser visto vezes sem conta.
É daquelas parcerias que ficam na história. Um espectáculo sólido, simples e bem pensado. Legal que só.
Escutem essa:

A meio, Ana Carolina surpreende com a leitura do poema de Elisa Lucinda:


Só de Sacanagem

Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro,
Do meu dinheiro, do nosso dinheiro,
Que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nós.
Para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais.
Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz.
Mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração tá no escuro.
A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó
E dos justos que os precederam:
“Não roubarás”.
“Devolva o lápis do coleguinha”.
“Esse apontador não é seu, minha filha”.
Pois bem, se mexeram comigo,
Com a velha e fiel fé do meu povo sofrido,
Então agora eu vou sacanear:
Mais honesta ainda vou ficar!
Só de sacanagem!
Dirão:
“Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba”
E eu vou dizer:
“Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez”.
Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos.
Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês.
Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.
Dirão:
“É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”.
E eu direi:
“Não admito, minha esperança é imortal”.
E eu repito: “Ouviram? IMORTAL!”

Sei que não dá para mudar o começo
Mas, se a gente quiser,
Vai dar para mudar o final!

Back in town

O fim-de-semana no Algarve soube-me a uma semana de férias no Hawai...
Mas, de regresso, Lisboa parece ainda mais quente, mais seca e mais opressiva. Porque será?

Recuerdo

Esta foi uma das actuações que mais gozo me deu fazer no Levanta-te e Ri; e foi com muita surpresa que soube que estava no YouTube:

Obrigado, pessoal!