Alfândega local

Ao espreitar os dados sobre os visitantes deste meu modesto cantinho (sim, eu tenho alguns dados sobre vossemecês), reparo que o país de origem de cerca de 2,5% dos visitantes é uma nação chamada Unknown.
Giro.
Deve ser um paraíso fiscal.

Coração versus razão

No último post (desabafo) que fiz sobre esta história do referendo, surgiu um comentário interessante de uma muy nobre visitante deste belógue, em que se colocava uma questão deveras interessante.
É um argumento que se costuma ouvir várias vezes, em assuntos que exigem decisões difíceis ou complexas.
É o argumento do "ouve o teu coração".
Eu acho muita piada a esta coisa do "ouvir o coração", especialmente quando acompanhada por "esquece a razão e não penses, o teu coração dir-te-á o que fazer".
Pelo que me parece, esse é o pior caminho a tomar.
As emoções não são de fiar. As emoções são um conjunto de reacções, recordações, influências, desejos, projecções, traumas e associações, temperadas num banho hormonal e instintivo. São de se saborear mas não de se fiar.
As emoções levam os seres humanos a fazerem coisas belas. Mas também coisas péssimas e, infelizmente, essas acabam por ser a maioria. Guiado pela emoção, o ser humano é capaz de fazer um Taj-Mahal mas também milhares de guerras. Pela emoção, o ser humano aventura-se na maior loucura mas também perde a sua maior arma, a razão.
No que toca a estas decisões, não gosto de me levar pelo coração.
Posso me orientar pelo instinto, posso na maioria das vezes deixar-me até guiar pela "sensibilidade" (o popularmente chamado feeling), mas acredito que quem deve mandar é a razão.
Sejamos racionais - pode soar a crú, mas é a nossa maior e verdadeira vantagem como animais que somos.

Cruzes, é uma bike!


Eu sei que parece uma bicicleta construída por um esquizofrénico, mas a verdade é que é mesmo assim. Chama-se CRUZBIKE e é a nova mania nos USA. Dizem que é mais confortável e mais eficiente na relação esforço/rendimento... Não sei, mas a mim continua a parecer-me muito estranha. Gostava de experimentar. Conheçam os modelos, saibam mais e vejam alguns vídeos no site oficial do monstrinho. Será que a moda chega cá?

Terça no Maria Matos


Apareçam no Café do Maria Matos. Vai ser giro.

Quero abortar este referendo. Posso?

Quero abortar este referendo.
Quero abortar estas falsas questões que de repente eclodem em todos os jardins cagados deste país.
Quero abortar os frustrados que se querem vingar das mulheres e fazer delas incapacitadas mentais, ao dizer que se a despenalização for em frente vamos ter filas de portuguesas nas salas de espera dos hospitais deste país; os imbecis que nos tentam convencer que as mulheres deste país são todas putas fodilhonas completamente ignorantes e desconhecedoras de métodos anticoncepcionais e que aguardam esta oportunidade para derramar sangue como se estivéssemos na Transilvânia.
Quero abortar as actrizes e falsas púdicas e pretensas puritanas que enchem a garganta nos gritos das manifestações, ansiosas pelo estrelato na reportagem televisiva, e que vêm para as ruas dizer que são pelo "Não" porque são pela vida.
Sou contra todos os energúmenos que ainda não perceberam que todos somos pela vida.
Sou contra todas as bestas que pensam que este é um referendo sobre o aborto e que quem vota sim é porque tem algum fascínio por ver pequenos fetos assassinados em alguidares médicos.
Quero abortar todos estes filhos da puta que nas suas igrejas de ouro conquistado sobre sangue ainda julgam que têm a voz do poder e o poder da autoridade moral e estabelecer limites nas suas paróquias intelectuais.
Quero abortar todos estes dedos no ar, todos estes rostos vermelhos, todas estas gargantas inchadas, todos estes cavalheiros e todas estas senhoras que fazem disto a bandeira da montra dos seus bibelôs morais.
Abortemos já, abortemos todos os que insistem em esconder sobre demagogias a verdadeira questão deste referendo.
Este não é um referendo sobre o aborto. É um referendo sobre uma lei. Uma lei que oprime as mulheres. Uma lei que incentiva o medo e que favorece os abortos em vão-de-escada, uma lei que promove as idas a Espanha, uma lei que coloca as mulheres abaixo do nível de dignidade que é suposto terem já conquistado.
Este não é um referendo sobre o aborto.
Calem-me estes cabrões que tentam convencer o resto do país que, ao votar sim, vamos estar a promover uma holocausto de corpinhos de bébés por este país fora.
Silenciem-me estes criminosos que misturam dignidade e justiça com os mais primários valores humanos.
Juro-vos, a minha vontade é abortar toda esta discussão,ou melhor, todos estes monólogos de dedo em riste e de posturas fascistas.
Quero abortar os meninos da extrema-direita, escondidos nos seus cabelinhos de Anita-Vai-Á-Escola, camuflados pelos seus supostos bons valores morais, que tentam colocar esta questão dividida entre "quem é a favor da vida" e "quem quer matar todas as criancinhas".
Quero abortar todos os que se esqueceram que alguns de nós ainda pensam, que alguns de nós, apesar de sufocados pelos investimentos estrangeiros e de perdidos nos shoppings e de arrastados por modas e escândalos e falsas vedetas, ainda pensam.
Que alguns de nós ainda reagem, apesar de saberem que provavelmente o resultado vai ser "Não".
É verdade, o resultado é bem capaz de vir a ser não e eu explico-vos porquê: pelas mesmas razões que estão na origem dos acidentes na estrada, dos fogos florestais, do Apito Dourado, do Santuário de Fátima, da fuga ao fisco, da violência doméstica, da Casa Pia, da baixa produtividade, do endividamento, dos carros topo-de-gama nas estradas, do baixo rendimento escolar e da nossa contínua ignorância.
Somos uma grande montra sem grande recheio. Somos uma nação de novos-ricos impostores, de extremistas disfarçados, de um povo que continua a pensar que a qualidade da tua casa se vê pelo teu jardim.
Somos os reis da aparência. Uma ida a Espanha ocasional é a mesma coisa que não ir.
Os vãos de escada são feitos para isso mesmo: ocultar os segredos da burguesia.
Apetecia-me abortar todo este falso barulho.
Apetecia-me abortar este país.

Pequena Observação

Ás vezes penso em todas as oportunidades de ser feliz que as pessoas desperdiçam nas pequenas coisas, nos pequenos momentos, nos pequenos pormenores e quase, quase que fico triste.
Ainda aí muita gente que, de tanto olhar a linha do horizonte, se esquece de ver onde tem os próprios pés. E enquanto isso, é claro, a maré vem e vai.

A quem o merece

Ao longo de uma vida, são raras as pessoas assim que temos oportunidade de conhecer. Pessoas grandes, com letra maiúscula, pessoas certas, correctas e corrigidas pela vida e pelo saber. São raras.
Falo das que, se calhar, até passam despercebidas na multidão, mas que guardam no seu interior o melhor que esta raça possui.
São raras.
Gente de valor, com valores.
Gente que fala, mas que ouve.
São tão poucas as pessoas que ouvem.
Gente que não pensa só no que falta mas também no que já tem. Grande parte das pessoas que nos rodeiam passam a vida a pensar no que lhes falta e acaba por não dar valor ao que tem.

Na maioria dos casos, temos tendência a olhar para o espelho e pensar que estamos a ver alguém assim. Normalmente, não é verdade.

Mas existem.
Existem, essas pessoas que escolhem o mais difícil - mas correcto.
Pessoas que simplificam.
Que partilham.
Que alcançam.
Que raciocinam.

São poucas, e se calhar é por isso que é tão bom quando nos apercebemos que algumas delas estão perto de nós.

A vida em fio de arame

As imagens que se seguem podem parecer esboços em wireframe de algum programa de desenho 3D, mas não são. São esculturas, de arame grosso dobrado e soldado.



O artista chama-se Thomas Raschke, alemão. Visitem o seu site e vejam mais coisas destas em www.thomasraschke.de

Ver as notícias todas?


É um projecto muito interessante, uma instalação digital artística, experimental, social. A ideia é simples: graças aos RSS, imaginem um site que, de hora em hora, vai em busca das notícias da CNN, Reuters, New York Times, faz uma "leitura" das principais notícias, compara-as e projecta-as todas no mesmo quadro, segundo frequência e intensidade. Visualmente, um quadro sempre renovável com um gráfico das notícias do mundo.
Espreitem o site 10X10 e digam-me o que acham.

Ainda pelos vídeos

Graças ao Pasmos Filtrados, um dos meus sites nacionais favoritos sobre cinema, relembrei este fabuloso videoclip de Michel Gondry. Ele é um dos melhores realizadores e eles são uma das minhas bandas favoritas: Radiohead.
Fica aqui, para ouvir, ver e saborear, "Knives Out". E o sr. Matos de certeza que também vai adorar.

Próxima Estação: o mundo

Quer saber como é o sistema de metropolitano noutros países? Sofre de um fascínio inexplicável por comboios que não vêem a luz do sol? Então o melhor é visitar este site: Metro Bits.

Curioso, não? Ah, e na secção de fotos, digam-me qual a vossa favorita. Eu adorei a estação de Estocolmo, por exemplo...

Presentinho

Bolas, bolas, bolas!!! E para mais bolas, carreguem aqui! Sim, é o fabuloso Puzzle Bubble!!!

O Labirinto da vida


Não é bom, é excelente. Das mãos e da fértil imaginação de Guillermo del Toro surge um dos mais belos filmes dos últimos tempos, uma co-produção Espanha-México, falada em castelhano e justa candidata a algumas estatuetas da Academia.
"El Labirinto del Fauno" é uma fábula delicadamente construída entre a violência da realidade e o maravilhoso mistério da imaginação, uma história bem pensada, bem filmada, bem narrada e ainda melhor equilibrada.
E sim, se estou a falar nisto é porque já vi o filme apesar de ainda não ter estreado cá. Talvez tenha ido ao estrangeiro de propósito, quem sabe (ninguém pode provar que usufrui de pirataria. Adiante).
A primeira coisa que surge é a banda sonora. Melódica, orquestral, sumptuosa, da autoria de Javier Navarrete. A seguir, a direcção de fotografia, com uma qualidade de imagem superior, nítida, de cores magníficas e com uma iluminação que merece ser dada nas salas de aula, fruto de um senhor chamado Guillermo Navarro - o nome pode não vos dizer nada mas é um senhor que mereceu agradecimentos especiais na ficha técnica de Kill Bill e que foi responsável pela fotografia de filmes como "HellBoy", "À noite no museu", "Stuart Little", "Jackie Brown", "From Dusk Till Dawn" "Four Rooms" e "Desperado", entre outros. Nada de amadorismos, portanto.
Mas técnicas à parte, surge de repente outra coisa no écran: uma actriz chamada Ivana Baquero:
Tem treze anos, a rapariga, e enche o filme com uma lufada de sensibilidade.
"O Labirinto do Fauno" é belíssimo, mesmo para quem não gosta de fantasia. Porque, bem vistas as coisas, não é uma história sobre fantasia, pelo contrário. Este é um conto sobre ditadura, violência e ser humano.
E não é, sobretudo, um filme para crianças.
Ainda não se sabe datas de estreia para Portugal, mas preparem-se para comprar bilhete. É que estamos perante um caso raro de verdadeira arte.


(ps: já agora, fui ao cinema ver o "Diamante de Sangue". Os actores estão muito bem, a história está muito bem e até a banda sonora está muito bem. Só é pena o filme ter uma hora a mais do que devia. Grande pastel, irra!)

Made by Durex

Fazer anúncios pode ser quase tão bom como fazer amor.
A Durex sabe como é:






Qual é o melhor spot?
Estão abertas votações no espaço de comments!

...

...já agora, bom fim-de-semana.

A dupla bomba

Para quem ainda não percebeu a epopeia de Kill Bill e o significado de "devoção à série B", Quentin Tarantino decidiu esclarecer de uma vez por todas.
Mano a mano com Robert Rodriguez (com quem havia de ser?), o sr. Pulp Fiction fez um filme que, na realidade, são dois.
Chama-se Grind House, em homenagem aos cinemas que passavam médias-metragens de baixo(íssimo)orçamento e conjuga estas duas histórias:
Parece-me que é tão mau que não posso perder.
Aqui fica o trailer:
Já agora, visitem também o site oficial do(s) filme(s), que é um dos melhores que já alguma vez vi em Flash.

Alves, o Mestre

Ele é sério. Ele é profissional. Ele é médium.
Ele é o Mestre Alves e estas são as suas previsões!
Ele é grande. Eu, não fosse ser um teso, pagava já por uma consulta.
Senão, reparem em algumas das suas preciosas informações:
- com a morte de Saddam, o Iraque vai entrar em guerra civil;
- em Junho e Julho vamos ter climas de 40 e 42 graus centífagos;
- em Novembro vamos ter muito frio, na ordem do três a quatro por cento.
Só vendo:

Já agora, um grande abraço pró pessoal do Porto Canal e para o Pedro, que me indicou esta preciosidade...

Campanha de merda

Não há como fugir ao assunto e evitar falar.
A forma como está a decorrer a suposta campanha para o referendo sobre o aborto é uma vergonha para o nosso país. Ou então, se calhar, é só o reflexo do Portugal que realmente temos e eu é que ando iludido, a pensar que já estávamos no primeiro mundo.
Adiante.

Primeiro, pelas atitudes. Do lado do não e do sim, adoptam-se posturas bélicas, como se esta não fosse uma questão digna de ser debatida com tranquilidade e razonabilidade. E de ambos os lados da barricada, cometem-se erros e excessos em demasia.
A começar logo pela pseudo-intelectualização e (palavra nova:) quequelização que dominou a "campanha": quem é chique e moderno não diz que vai falar sobre o aborto mas sim que vai discutir o IVG; talvez porque, a nível de fonética, coloque a coisa no mesmo patamar do TGV e do TDI e TDS e GPS e todas essas siglas super-in que aromatizam qualquer conversa como se fossem àguas-de-rosas gramaticais. Não há quem aguente.
De ambos os lados da barricada, surgem as écharpes e os botões de punho, indignadíssimos, que organizam palestras e tertúlias para falar sobre este problema que "afecta as mulheres do povo". Como se o aborto fosse uma nova estirpe viral perdida em África, juntam-se as tias e os tios, os emplastros da Lapa e os envernizados da baixa e a quantidade de crimes ideológicos que lhes saem pela boca fora são suficientes para querer elevar este referendo ao direito a apedrejamentos em praça pública.
De todos os lados, fazem falta os moderados, os ajuízados.

E depois, surgem cartazes como o novo da campanha do não (quanto dinheiro se gastou em outdoors?), com a frase "Ainda vai a tempo de salvar muitas vidas".
Como se, ao votar não, estivessemos a eliminar o aborto da nossa sociedade. Como se, ao votar sim, estivessemos a abrir grandes matadouros de bébés.

Quando é que alguém vai explicar publicamente que este não é um referendo para decidir se somos a favor do aborto?
Ninguém é a favor do aborto.

Este não é um referendo sequer sobre o aborto.
É um referendo sobre as mulheres. É um referendo sobre a clandestinidade. É um referendo sobre as clínicas espanholas.

É um referendo sobre um país que, por tradição e por hábito, prefere sempre fingir que as coisas só existem quando se fala nelas. Um país que continua a fingir que, se não assumirmos as tristezas e se escondermos as nódoas, é como se elas não existissem.

É um referendo sobre um país de novos-ricos, em que o que vale não é o que somos mas sim o que aparentamos ser.

Alô Fonte da Telha, bela localidade


Será este sábado o dia da mudança para o oprimido povo da Fonte da Telha.
Vinde e juntai-vos na Cabana, à noite, para a festa da libertação dos humores e quiçá de um ou outro gás reprimido.
Avante, camaradas, que não há de ser nada.
Vinde! Marcáinde presença!