Maria Matos

Na terça-feira passada, eu e o Jorge Crespo estivemos no palco do Maria Matos Café. Foi um bom espectáculo e adorei o espaço - familiar q.b., com uma constante proximidade, um serviço atencioso e um grande sentido de profissionalismo. Muito bom, mesmo, tenho que começar a ir lá jantar de vez em quando. E aconselho a visita.

Obrigado

O número de visitas neste blog tem vindo a aumentar mas esse não é o lado bom da história. O que realmente é positivo é que cada vez surgem mais pessoas que dialogam, trocam impressões, manifestam ideias e assumem posições.
É tão bom abrir o blog ou o mail e descobrir opiniões e palavras novas.
Obrigado a todos, e continuem. Digam coisas. Mandem sugestões, links e palpites.


Já agora, como nota de rodapé, uma chamada de atenção para a data de hoje.
Neste mesmo dia, mas em 1633, Galileu Galilei chegava a Roma para enfrentar julgamento eclesiástico sob a acusação de heresia. Tudo por causa da sua ideia imbecil de que o mundo giraria à volta do sol, imaginem!
Tramou-se, mas safou-se com vida.
Foi obrigado a renunciar publicamente a esse absurdo chamado heliocentrismo e foi condenado a prisão domiciliária para o resto da vida. O que pode ser considerado sorte - a pena, na altura seria prisão ou morte.
Assim, durante uns tempos, o sol continuou a girar em torno da Terra e o Vaticano pode continuar a dormir descansado...

Devia haver o direito...

...de termos porte de arma apenas para dispararmos sobre indivíduos como o que se segue.
Nada de mal, apenas um tiro no meio da testa.
Espreitem isto:

via wonderm00n.

Click




Para quem gosta de fotografia, aqui fica o link para a obrigatória visita aos vencedores deste ano da World Press Photo.

Museu Virtual do Sapato

Ouch!
O Virtual Shoe Museum existe desde 2004 e dedica-se a... bem, a sapatos. Vale bem a pena a visita.

Grátis, grátis, grátis!


É já esta terça-feira, no remodelado e muy chique café-sushi-lounge do teatro Maria Matos, a noite de stand-up, comigo e com o Jorge Crespo.
A entrada é grátis e a coisa começa por volta das 22h (não contem com grandes atrasos, estes tipos são profissionais).
Apareçam!!!

Pós-Referendo

A abstenção é o que é, a histeria dos "movimentos de cidadania" ao saber os resultados não se justifica, alguns intelectuais da nossa praça parecem-me agora mais imbecis do que antes e, na guerra pelas audiências, nenhum canal televisivo tratou a informação com a decência que ela merece.
Montámos a tenda, vivemos um circo e continuamos a falar das coisas pela rama.
Pelo menos o sim ganhou, coisa que eu não esperava.
Pouco mais tenho a dizer, excepto que fico triste com a desinformação, os arraiais festivos e os efémeros circos mediáticos.
No meio de tudo isto, quem ficou a ganhar no curto prazo foram os fabricantes de t-shirts, panfletos e outdoors. Gostava de saber quanto é que este referendo custou, para ambos os lados da trincheira (já que fizeram disto um conflito).

Sobre este fim-de-semana


Póvoa Terra querida
Como tu não há igual
És ainda a mais bonita
Que existe em Portugal
Ala-arriba pela Póvoa
Terra nossa bem amada
Ala-arriba pela Póvoa
Terra nossa abençoada
Póvoa Terra bendita
Nossa terra e nosso lar
Enquanto tivermos vida
Havemos de te honrar
Ala-arriba pela Póvoa
Terra nossa bem amada
Ala-arriba pela Póvoa
Terra nossa abençoada

Letra de Albano Ribeiro e música de Eduardo Correia.


Como vivi lá mais de uma década, posso vos garantir que, este sábado, o futebol nacional trouxe-me alguma alegria.
Um abraço aos poveiros: como se não bastasse as "Correntes d'Escritas", uma das maiores iniciativas literárias que ocorre no nosso país, os "Lobos do Mar" ainda fizeram o favor de mostrar a sua raça frente ao Benfica.
(Nem é por uma questão clubística - eu é que tenho uma particular felicidade sempre que o David derruba o Golias)

E a terra tremeu

Lisboa, 10h29m GMT+ : António Emanuel Baptista, 36 anos, funcionário público de uma repartição de finanças local, sente que a habitual feijoada de domingo em casa da mãe começa finalmente a provocar efeitos secundários na sua delicada flora intestinal.
Lisboa, 10h33m GMT+ : Visivelmente incomodado, António Emanuel Baptista dirige-se às instalações sanitárias do seu local de trabalho.
Lisboa, 10h35m GMT+ : O Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica regista um abalo sísmico com intensidade de 6.0 na escala de Richter, cujo epicentro se localizou a cerca de 160 km a SW de Cabo de S. Vicente.
Lisboa, 10h41m GMT+ : António Emanuel Baptista, ainda com a voz embargada, telefona à mãe e promete em voz alta que jamais comerá leguminosas até ao fim dos seus dias.

And the Oscar should go to... U2

A música, novo trabalho dos U2, é brilhante, mas o videoclip... Meus amigos, o videoclip é uma obra de arte nascida da mesa de montagem. Um grande e árduo trabalho de edição, numa fabulosa homenagem a toda a música contemporânea.
Aumentem o volume e prestem muita atenção a Window in the Skies:

Talk like an Egyptian


Ora aqui está um bom passatempo para este fim-de-semana (além de ir votar): aprender a "escrever" em egípcio antigo.
Aventurem-se a desvendar alguns dos segredos dos hieróglifos e libertem o Indiana Jones que há cá dentro, neste site super-interessante: HIEROGLYPHS.
Já agora, um bom e cívico fim-de-semana a todos!

Em destaque

O Z. é um artista. Um artista daqueles à moda antiga, os originais, os que fazem as coisas porque acreditam nelas e porque, acima de tudo, lhes apetece, sem pensar em receitas, lucros e fama.
Estive com o Z. apenas uma vez, mas gostei do tipo. A sério. E, cada vez que espreito o seu blog, redescubro o mundo. Por isso, este fim-de-semana, levem o vosso mouse a passear e arrisquem uma nova janela para o mundo do Z. no vosso browser. Visitem o Uma Por Rolo e digam lá se o rapaz não é um excelente fotógrafo e, ainda por cima, que sabe tirar fotos portuguesas. Lusas. Nossas, apesar de serem dele.

Alfândega local

Ao espreitar os dados sobre os visitantes deste meu modesto cantinho (sim, eu tenho alguns dados sobre vossemecês), reparo que o país de origem de cerca de 2,5% dos visitantes é uma nação chamada Unknown.
Giro.
Deve ser um paraíso fiscal.

Coração versus razão

No último post (desabafo) que fiz sobre esta história do referendo, surgiu um comentário interessante de uma muy nobre visitante deste belógue, em que se colocava uma questão deveras interessante.
É um argumento que se costuma ouvir várias vezes, em assuntos que exigem decisões difíceis ou complexas.
É o argumento do "ouve o teu coração".
Eu acho muita piada a esta coisa do "ouvir o coração", especialmente quando acompanhada por "esquece a razão e não penses, o teu coração dir-te-á o que fazer".
Pelo que me parece, esse é o pior caminho a tomar.
As emoções não são de fiar. As emoções são um conjunto de reacções, recordações, influências, desejos, projecções, traumas e associações, temperadas num banho hormonal e instintivo. São de se saborear mas não de se fiar.
As emoções levam os seres humanos a fazerem coisas belas. Mas também coisas péssimas e, infelizmente, essas acabam por ser a maioria. Guiado pela emoção, o ser humano é capaz de fazer um Taj-Mahal mas também milhares de guerras. Pela emoção, o ser humano aventura-se na maior loucura mas também perde a sua maior arma, a razão.
No que toca a estas decisões, não gosto de me levar pelo coração.
Posso me orientar pelo instinto, posso na maioria das vezes deixar-me até guiar pela "sensibilidade" (o popularmente chamado feeling), mas acredito que quem deve mandar é a razão.
Sejamos racionais - pode soar a crú, mas é a nossa maior e verdadeira vantagem como animais que somos.

Cruzes, é uma bike!


Eu sei que parece uma bicicleta construída por um esquizofrénico, mas a verdade é que é mesmo assim. Chama-se CRUZBIKE e é a nova mania nos USA. Dizem que é mais confortável e mais eficiente na relação esforço/rendimento... Não sei, mas a mim continua a parecer-me muito estranha. Gostava de experimentar. Conheçam os modelos, saibam mais e vejam alguns vídeos no site oficial do monstrinho. Será que a moda chega cá?

Terça no Maria Matos


Apareçam no Café do Maria Matos. Vai ser giro.

Quero abortar este referendo. Posso?

Quero abortar este referendo.
Quero abortar estas falsas questões que de repente eclodem em todos os jardins cagados deste país.
Quero abortar os frustrados que se querem vingar das mulheres e fazer delas incapacitadas mentais, ao dizer que se a despenalização for em frente vamos ter filas de portuguesas nas salas de espera dos hospitais deste país; os imbecis que nos tentam convencer que as mulheres deste país são todas putas fodilhonas completamente ignorantes e desconhecedoras de métodos anticoncepcionais e que aguardam esta oportunidade para derramar sangue como se estivéssemos na Transilvânia.
Quero abortar as actrizes e falsas púdicas e pretensas puritanas que enchem a garganta nos gritos das manifestações, ansiosas pelo estrelato na reportagem televisiva, e que vêm para as ruas dizer que são pelo "Não" porque são pela vida.
Sou contra todos os energúmenos que ainda não perceberam que todos somos pela vida.
Sou contra todas as bestas que pensam que este é um referendo sobre o aborto e que quem vota sim é porque tem algum fascínio por ver pequenos fetos assassinados em alguidares médicos.
Quero abortar todos estes filhos da puta que nas suas igrejas de ouro conquistado sobre sangue ainda julgam que têm a voz do poder e o poder da autoridade moral e estabelecer limites nas suas paróquias intelectuais.
Quero abortar todos estes dedos no ar, todos estes rostos vermelhos, todas estas gargantas inchadas, todos estes cavalheiros e todas estas senhoras que fazem disto a bandeira da montra dos seus bibelôs morais.
Abortemos já, abortemos todos os que insistem em esconder sobre demagogias a verdadeira questão deste referendo.
Este não é um referendo sobre o aborto. É um referendo sobre uma lei. Uma lei que oprime as mulheres. Uma lei que incentiva o medo e que favorece os abortos em vão-de-escada, uma lei que promove as idas a Espanha, uma lei que coloca as mulheres abaixo do nível de dignidade que é suposto terem já conquistado.
Este não é um referendo sobre o aborto.
Calem-me estes cabrões que tentam convencer o resto do país que, ao votar sim, vamos estar a promover uma holocausto de corpinhos de bébés por este país fora.
Silenciem-me estes criminosos que misturam dignidade e justiça com os mais primários valores humanos.
Juro-vos, a minha vontade é abortar toda esta discussão,ou melhor, todos estes monólogos de dedo em riste e de posturas fascistas.
Quero abortar os meninos da extrema-direita, escondidos nos seus cabelinhos de Anita-Vai-Á-Escola, camuflados pelos seus supostos bons valores morais, que tentam colocar esta questão dividida entre "quem é a favor da vida" e "quem quer matar todas as criancinhas".
Quero abortar todos os que se esqueceram que alguns de nós ainda pensam, que alguns de nós, apesar de sufocados pelos investimentos estrangeiros e de perdidos nos shoppings e de arrastados por modas e escândalos e falsas vedetas, ainda pensam.
Que alguns de nós ainda reagem, apesar de saberem que provavelmente o resultado vai ser "Não".
É verdade, o resultado é bem capaz de vir a ser não e eu explico-vos porquê: pelas mesmas razões que estão na origem dos acidentes na estrada, dos fogos florestais, do Apito Dourado, do Santuário de Fátima, da fuga ao fisco, da violência doméstica, da Casa Pia, da baixa produtividade, do endividamento, dos carros topo-de-gama nas estradas, do baixo rendimento escolar e da nossa contínua ignorância.
Somos uma grande montra sem grande recheio. Somos uma nação de novos-ricos impostores, de extremistas disfarçados, de um povo que continua a pensar que a qualidade da tua casa se vê pelo teu jardim.
Somos os reis da aparência. Uma ida a Espanha ocasional é a mesma coisa que não ir.
Os vãos de escada são feitos para isso mesmo: ocultar os segredos da burguesia.
Apetecia-me abortar todo este falso barulho.
Apetecia-me abortar este país.

Pequena Observação

Ás vezes penso em todas as oportunidades de ser feliz que as pessoas desperdiçam nas pequenas coisas, nos pequenos momentos, nos pequenos pormenores e quase, quase que fico triste.
Ainda aí muita gente que, de tanto olhar a linha do horizonte, se esquece de ver onde tem os próprios pés. E enquanto isso, é claro, a maré vem e vai.