Na Madeira, o carnaval começa mais cedo
"O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, afirmou ontem à noite que os portugueses "não têm testículos" para dizer que o referendo à despenalização do aborto não é vinculativo."
in Público, 16/02/07
Caro Dr. Jardim,
Após aprofundada análise do seu comportamento nas últimas décadas, temo informá-lo que, na verdade, podemos concluir que o senhor é que não é vinculativo aos portugueses. E desde já peço desculpa por lhe chamar "senhor". Adiante.
No que toca ao referendo, a primeira coisa que foi dita por todas as principais e mais sábias vozes desta nação (vozes que não está certamente habituado a escutar) é que, graças à elevada abstenção, o resultado não teve resultado juridicamente vinculativo. Isso, caro Alberto (caro no sentido de dispendioso), já nós sabemos e não precisamos de verificar a presença dos testículos para confirmar.
Mas sabemos que as coisas também valem pela demonstração de intenções e, por isso, é nossa opinião generalizada que o referendo terá algum vínculo moral.
Já agora:
Moral do Lat. morale
s. f.,
conjunto de costumes e opiniões
que um indivíduo ou um grupo de indivíduos possuem relativamente ao
comportamento;
conjunto de regras de comportamento consideradas como
universalmente válidas;
parte da filosofia que trata dos costumes e dos
deveres do homem para com o seu semelhante e para consigo;
ética;
teoria
ou tratado sobre o bem e o mal;
lição, conceito que se extrai de uma obra,
de um facto, etc. ;
Gostaria também de o esclarecer que compreendemos todos a sua tendência para levar a conversa para os testículos mas por estes lados já andamos quase todos a pensar com a outra cabeça. Mas é natural: a sua necessidade de mostrar "quem é que tem tomates" é um reflexo do excesso de testosterona e a sua necessidade de manifestar a sua posição como macho alfa, líder da matilha. Nós sabemos - há documentários de vida animal que falam disso e, na sua idade e estado mental, é natural que tenha necessidades de afirmação perante a tribo.
Quanto às suas ameaças de levantar inconstitucionalidade em relação à futura lei, faça-o. Já não nos incomoda muito, essa mania de prolongar o carnaval para além da data de calendário. Cada um é bobo quando quer.
Deixe-me apenas referir, Alberto, que grande parte de nós já não se alarma com o seu fogo de artifício. Sabemos que não é um líder, porque um verdadeiro líder não se impõe, porque um verdadeiro líder sabe ouvir, porque um verdadeiro líder conhece o termo respeito.
Sabemos muita coisa sobre si, Alberto, infelizmente.
Desde 1978 que sabemos que, na Madeira, há um bombo de carnaval que continua a fazer barulho todo o ano.
Mas, por dentro, é oco.















