
Não é bom, é excelente. Das mãos e da fértil imaginação de Guillermo del Toro surge um dos mais belos filmes dos últimos tempos, uma co-produção Espanha-México, falada em castelhano e justa candidata a algumas estatuetas da Academia.
"El Labirinto del Fauno" é uma fábula delicadamente construída entre a violência da realidade e o maravilhoso mistério da imaginação, uma história bem pensada, bem filmada, bem narrada e ainda melhor equilibrada.
E sim, se estou a falar nisto é porque já vi o filme apesar de ainda não ter estreado cá. Talvez tenha ido ao estrangeiro de propósito, quem sabe (ninguém pode provar que usufrui de pirataria. Adiante).
A primeira coisa que surge é a banda sonora. Melódica, orquestral, sumptuosa, da autoria de Javier Navarrete. A seguir, a direcção de fotografia, com uma qualidade de imagem superior, nítida, de cores magníficas e com uma iluminação que merece ser dada nas salas de aula, fruto de um senhor chamado Guillermo Navarro - o nome pode não vos dizer nada mas é um senhor que mereceu agradecimentos especiais na ficha técnica de Kill Bill e que foi responsável pela fotografia de filmes como "HellBoy", "À noite no museu", "Stuart Little", "Jackie Brown", "From Dusk Till Dawn" "Four Rooms" e "Desperado", entre outros. Nada de amadorismos, portanto.
Mas técnicas à parte, surge de repente outra coisa no écran: uma actriz chamada Ivana Baquero:
Tem treze anos, a rapariga, e enche o filme com uma lufada de sensibilidade.
"O Labirinto do Fauno" é belíssimo, mesmo para quem não gosta de fantasia. Porque, bem vistas as coisas, não é uma história sobre fantasia, pelo contrário. Este é um conto sobre ditadura, violência e ser humano.
E não é, sobretudo, um filme para crianças.
Ainda não se sabe datas de estreia para Portugal, mas preparem-se para comprar bilhete. É que estamos perante um caso raro de verdadeira arte.
(ps: já agora, fui ao cinema ver o "Diamante de Sangue". Os actores estão muito bem, a história está muito bem e até a banda sonora está muito bem. Só é pena o filme ter uma hora a mais do que devia. Grande pastel, irra!)