"-Vem aí um filme sobre... os Transformers. - Tás a gozar? Que palhaçada... Estes gajos de Hollywood têm cada ideia! Que palermice, aquilo funcionava como desenhos animados e estávamos nos anos 80!!! - Pois... Hummm... Sabes quem realiza? - Quem? - Michael Bay. Produção de Steven Spielberg. - Ah... Bom... quer dizer... - Já viste o trailer? Ora espreita:"
Plano A: Não creio que já aqui vos tenha dito isto, mas o blog "O Nascer do Sol", apesar do título, é um dos meus favoritos. Pelo prazer de escrever, ler e saborear alguns pecados, o raio do blog parece que passa despercebido no meio desta nossa deprimente blogosfera nacional, e é pena. Por outro lado, ainda bem. Há coisas que, por serem tão agradáveis, não convém que dêem muito nas vistas. Deixemo-lo assim - sóbrio e discreto. Reservem alguns minutos e visitem-no. E leiam. Plano B: Ver o melhor da publicidade no 24 Hour, um blog sempre em cima do acontecimento.
Que me perdoem os camaradas sindicalistas amigos dos oprimidos e lutadores da liberdade e anti-precariedade companheiros de luta e labuta, mas esta coisa da greve faz-me alguma confusão. Acho muito bem que se proteste e que se chame a atenção dos governantes, que se exijam os cumprimentos das obrigações e, acima de tudo, que se diga "estamos atentos". Tudo bem. Mas isto da greve geral... faz-me mesmo confusão. Parece-me greve pela greve.
O país está em greve porquê? Alguém viu uma lista de reivindicações, um projecto de mudança, um mero post-it que seja com alguma queixa específica? O governo já tinha avisado que estávamos em tempos difíceis e que íamos apertar o cinto. Estamos a reclamar contra o quê? Estarmos em tempos difíceis a apertar o cinto? Alguém percebe um sentido práctico e estruturado nesta suposta greve geral, que mobilize os portugueses? A sensação que tenho é que o único efeito que estas greves provocam, além dos óbvios sobre o trânsito citadino, é um ping-pong nos telejornais em que uns dizem que foi um sucesso e os outros um fracasso com fraca adesão.
Não me parece greve: parece-me birra. E amanhã, volta tudo ao mesmo.
Eu sei que vai parecer impossível, mas na verdade, é italiano. A agência funerária Cofani Funebri, respeitada casa mortuária aberta desde 1965, tem uma técnica de marketing para vender caixões... ...capaz de ressuscitar um morto. A ideia é simples: se a Pirelli, que faz pneus, pode fazer calendários, porque é que uma funerária não faz o mesmo? Vai daí, siga para bingo e aí está o génio da comunicação em funcionamento: um calendário digno de oficina de bate-chapas! E mais: os rapazes também têm mais merchandising, desde porta-chaves em formatos de caixões a t-shirts com frases simpáticas como "Eu avisei-te que estava doente". Visitem o site da Cofani e digam coisas... Ele há tipos capazes de tudo...
PS: reparem também no logo da empresa, ao estilo da Calvin Klein. Só estilo...
Este site foi feito para promover um livro e, depois da visita, fiquei com vontade de o ler. Genial, divertido e sobretudo despretensioso! Visitem No One Belongs Here More Than You. Merece. Mesmo.
É coisa típica de pobre: espreitar o inacessível e sonhar com o inatingível. Mas sabe bem, claro está, imaginar uma semanita de férias em locais como estes: Que tal uma praia tropical só para si? Bolas, que tal a ilha inteira? Visitem alguns dos melhores hotéis do mundo em Kiwi Collection... ou, melhor ainda, espreitem directamente as escolhas dos editores.
AVISO: ANTES DE LEREM ESTE POST, CLIQUEM EM PLAY: 25 de Maio. Há precisamente 30 anos, em 1977, um jovem e falido realizador chamado George Lucas dava início ao que viria a ser uma revolução no cinema. Foi realmente "A long, long time ago" no que agora parece uma "galaxy far, far away". como já devem ter percebido, também eu sou um devoto de Star Wars. E não podia deixar passar esta data sem a devida vénia. Porque é que um filme é tão importante? Bom, por vários motivos. Pelo que representa, pelas transformações que provocou, pelo imaginário a que deu origem e por ser a faísca que deu o arranque ao novo cinema do século XX.
É mais do que um filme de ficção científica. É um marco na cultura humana. Exagero? Não. Vamos por partes, e comecemos pelo filme em si. Começou por ser um projecto de um puto rebelde, em que ninguém acreditou. Aliás, estavam todos tão convencidos do insucesso d'A Guerra das Estrelas, que a Fox deu de bandeja todos os direitos do filme a George Lucas. E ainda bem: o filme foi um sucesso tão estrondoso que, graças às receitas e ao merchandising, Lucas conseguiu fundar o seu império cinematográfico.
Porque é que o filme é tão bom? Porque conjuga várias referências universais e eternas. Começa como um conto de fadas, um "Era uma vez" numa galáxia muito, muito distante. E arrisca-se a juntar a naves espaciais toda essa mitologia dos contos de fadas: está lá a princesa, o cavaleiro herói, o império, os bruxos, a magia... Como se não bastasse, Lucas ainda lhe acrescenta referências várias, dos filmes de guerra a "Casablanca", dos samurais aos westerns, dos piratas aos espiões. Está lá tudo. Os maus são mesmo maus (e vestem-se de preto), os bons são mesmo bons (vestem-se de branco), e por aí fora. É delicioso. Esqueçam os sintetizadores e a música futurista - o universo de Star Wars faz-se com a melhor orquestra clássica, e o universo é salvo ao som de violinos. Perfeito. Junte-se a toda esta receita toques de classicismo - o filho que nega o pai, os irmãos que se apaixonam, a tentação do mal, a subjugação ao poder, o misticismo... e monstros e seres tão pérfidos como um minotauro ou semelhante. Ah, e é claro: grandes batalhas espaciais: Estava lançada a pedra no charco. Os fãs de cinema abraçaram Star Wars como algo que nunca tinham visto, uma gigantesca história de aventura e fantasia, com todos os ingredientes certos. Dos bonequinhos em caixas de cereais aos grupos de fãs (existem vários conselhos Jedi, inclusive existem batalhões de tropas "Star Wars" devidamente organizadas por todo o planeta), George Lucas seguiu para os outros episódios da saga e para a construção do seu império pessoal. Hoje, é um dos maiores nomes de Hollywood. Vejam só algumas das ramificações que surgiram de Star Wars: Skywalker Studio - empresa de som criada no próprio ano de 1977, graças às necessidades específicas do filme. Foi esta empresa que depois criou o sistema de som THX, grande concorrente do Dolby Surround. LucasFilm - a produtora criada para o filme, que produziu toda a saga e que esteve na origem de várias outras grandes produções, como Indiana Jones. Industrial Light & Magic - a maior empresa de efeitos visuais do mundo, que posteriormente idealizou, construiu e desenvolveu novas técnicas de animação computadorizada (e não só) e que deu origem a coisas como os estúdios da Pixar, o sistema AVID, etc, etc, etc... Aqui fica um vídeo com um brilhante exemplo de tecnologia 3D desenvolvida por eles:
Graças a Lucas e a Star Wars, surgiram também nomes como David Fincher (começou lá como cameramen), Steve Jobs, John Lasseter, Barry Levinson, Philip Kaufman e muitos outros, além da colaboração mútua e do devido empurrão a Steven Spielberg.
De génios do cinema a técnicas e tecnologias inovadoras, de software revolucionário (até o Photoshop fica a dever a este filme), Star Wars marca o cinema e a história cultural do século XX como poucas outras coisas o fizeram. Parabéns, e may the force be with you...
Observação Final: haverá música que melhor simbolize o Mal... do que esta?
...e, como é óbvio, está on-line! Se querem falar com Deus, esta é a vossa oportunidade - uma conversação em messenger com o Criador. Claro que Deus é como os extraterrestres e fala em inglês, mas o que é um pequeno empecilho linguístico na conversa das vossas vidas? Esqueçam o que têm a fazer e falem com Deus: iGod. E depois digam-me como correu!!!
*post-scriptum: isto deve ser a prova mais evidente de que sou ateu... nem consigo escrever "Deus existe" de forma correcta. Segundo Freud, é um acto falhado. Mas é claro que Freud também disse muita merda.
Poderoso site: 6 Billion Others é daqueles projectos que merecem toda a atenção. Depoimentos de pessoas de todo o mundo, sobre sonhos, medos, amor, esperanças. É a Internet a reduzir fronteiras. Vejam e comentem!
Já vai tarde mas aqui fica a vénia merecida: No dia 10 de Março deste ano, o comediante Richard Jeni saíu definitivamente dos palcos com a ajuda de uma arma de fogo. No ano do seu 50º aniversário, Jeni estava num novo pico de carreira, com grandes novos projectos para a HBO, entre outros, mas a doença falou mais alto e foi vencido pela depressão e pela psicose. Foi o comediante que mais vezes pisou o chão do "The Tonight Show" e escreveu material de primeira categoria para outros grandes nomes - incluindo o famoso set das "palavras proibidas em televisão" de Lenny Bruce.
Foi no ambiente kitsh do Maxime que me atirei para mais um set de stand-up, em directo no "Sempre em Pé", da RTP 2. Foi divertido: bom ambiente de trabalho, malta divertida, público bem-disposto e toda uma atmosfera propícia para a práctica da modalidade. Para quem não teve oportunidade de ver ou para quem insistir em desperdiçar 10 minutos de vida, aqui fica a actuação:
Já agora, pessoal, obrigado pelas mensagens e pelo apoio! Para a semana, lá estará mais um "Sindicalista": atenção à performance do Guilherme!
Este sábado o Cadaval(pertinho das Caldas) deixará de ser o mesmo, depois do espectáculo comigo e com o Jorge Crespo no Mirante. A hora é a do costume, depois de jantar, antes do pequeno-almoço. Terça-feira, lá estarei no Maxime, em Lisboa, para uma emissão ao vivo, a cores e na 2 do Sempre em Pé. Não há de ser nada.
Aviso ao Norte: Está outra vez em cena até ao dia 18 a peça "Cara de Fogo", pelo Teatro Universitário do Porto, no Museu do Carro Eléctrico. Os bilhetes são baratos demais para o espectáculo que é. Merece ser visto. Vão. Assistam. Levem gente. E não se queixem de que não há coisas boas no norte. Upa. Ainda aí estão? Andor! Vá, antes que esgote! Upa. Corda nas perninhas!
Esta quarta-feira estou de regresso ao Almirante Bar, em Frielas, ali como quem vai para Loures e descai. Já sabem, a coisa começa por volta das onze. Esqueçam. Afinal não vou a este. Mas vou ao outro: Sábado, estarei na estreia das noites de comédia de outro local, no Cadaval - mas depois avanço detalhes. Apareçam!!!
...já é hora de concretizar alguns velhos projectos que tenho na gaveta, algures entre esboços e intenções. Vou aproveitar a chegada do calor e arregaçar as mangas: acabar a peça, escrever a história, voltar a desenhar. E tirar a guitarra do saco, desenferrujar os dedos, fazer as pazes com a música. Os vizinhos se calhar nem merecem, mas lá terá que ser, são os tortuosos caminhos da absolvição artística. E quero ir para palco com um texto que não seja meu. Coisa para dois, ou três actores, longe da comédia. Pode ser um drama, um policial, o que for. Alguma ideia?
Sentou-se junto ao parapeito antigo, onde a madeira espreitava por baixo da tinta plástica branca, e deixou o olhar repousar sobre Lisboa, sobre os telhados, nuvens, o rio ao fundo e as folhas de figueira que ondulavam (simétricas) ao sol de fim de tarde. Daquela janela daquele prédio velho daquela rua velha daquela velha cidade, a paisagem nunca era a mesma. Todos os dias mudava, mas mudava em pequenos pormenores, pormenores gentis, delicados, como aquele gato que ontem era branco e aquela chaminé que ontem parecia não estar ali. Lisboa, vista de cima, não tem pessoas. Tem telhas e antenas, mas não tem pessoas. No máximo, em dias de estufa solarenga, terá alguns turistas ali, no miradouro, ou ali, na esplanada da varanda do hotel, mas não tem gente, gente de carne e osso lisboeta. Lisboa, vista de cima, tem prédios e janelas fechadas, ou abertas mas vazias, mas não tem homens nem mulheres a sorrir, ou a pensar, ou a fumar, ou a olhar as nuvens o rio e as folhas de figueira. E é aí que Lisboa está longe do Porto. Porque o Porto pode não ter aqueles turistas do miradouro ou aquele gato preto que ainda ontem era branco, mas tem olhos e ombros e cabelos e queixo. Olhe-se de onde se olhar, o Porto é gente. O Porto é rostos e janelas abertas com pessoas a espreitar ou então a adivinhar pessoas que, não tarda nada, virão espreitar. Chamem-lhe cinzento e falem da luz, mas para que serve uma cidade cuja luz fantástica procura gente e não a encontra? Encostado ao parapeito, preparou-se para uma última vista de olhos.