6 bilhões, 5 estrelas


Poderoso site: 6 Billion Others é daqueles projectos que merecem toda a atenção. Depoimentos de pessoas de todo o mundo, sobre sonhos, medos, amor, esperanças. É a Internet a reduzir fronteiras. Vejam e comentem!

Guia da Terra


De origem japonesa, este guia digital em inglês é um óptimo manual sobre... o nosso planeta! Explorem o Earth Guide!

R.I.P.


Já vai tarde mas aqui fica a vénia merecida:
No dia 10 de Março deste ano, o comediante Richard Jeni saíu definitivamente dos palcos com a ajuda de uma arma de fogo.
No ano do seu 50º aniversário, Jeni estava num novo pico de carreira, com grandes novos projectos para a HBO, entre outros, mas a doença falou mais alto e foi vencido pela depressão e pela psicose.
Foi o comediante que mais vezes pisou o chão do "The Tonight Show" e escreveu material de primeira categoria para outros grandes nomes - incluindo o famoso set das "palavras proibidas em televisão" de Lenny Bruce.


Sempre em Pé

Foi no ambiente kitsh do Maxime que me atirei para mais um set de stand-up, em directo no "Sempre em Pé", da RTP 2. Foi divertido: bom ambiente de trabalho, malta divertida, público bem-disposto e toda uma atmosfera propícia para a práctica da modalidade.
Para quem não teve oportunidade de ver ou para quem insistir em desperdiçar 10 minutos de vida, aqui fica a actuação:

Já agora, pessoal, obrigado pelas mensagens e pelo apoio! Para a semana, lá estará mais um "Sindicalista": atenção à performance do Guilherme!

Ora pois mais em agenda

Este sábado o Cadaval(pertinho das Caldas) deixará de ser o mesmo, depois do espectáculo comigo e com o Jorge Crespo no Mirante. A hora é a do costume, depois de jantar, antes do pequeno-almoço.

Terça-feira, lá estarei no Maxime, em Lisboa, para uma emissão ao vivo, a cores e na 2 do Sempre em Pé. Não há de ser nada.

Ó xô dona Sílvia

Este é para a senhora usar com alguns visitantes do seu espaço...

o b r i g a t ó r i o

Aviso ao Norte:
Está outra vez em cena até ao dia 18 a peça "Cara de Fogo", pelo Teatro Universitário do Porto, no Museu do Carro Eléctrico. Os bilhetes são baratos demais para o espectáculo que é. Merece ser visto. Vão. Assistam. Levem gente. E não se queixem de que não há coisas boas no norte. Upa. Ainda aí estão? Andor! Vá, antes que esgote! Upa. Corda nas perninhas!



Em Agenda

Esta quarta-feira estou de regresso ao Almirante Bar, em Frielas, ali como quem vai para Loures e descai. Já sabem, a coisa começa por volta das onze.
Esqueçam. Afinal não vou a este. Mas vou ao outro:
Sábado, estarei na estreia das noites de comédia de outro local, no Cadaval - mas depois avanço detalhes.
Apareçam!!!

Acho que...

...já é hora de concretizar alguns velhos projectos que tenho na gaveta, algures entre esboços e intenções.
Vou aproveitar a chegada do calor e arregaçar as mangas: acabar a peça, escrever a história, voltar a desenhar.
E tirar a guitarra do saco, desenferrujar os dedos, fazer as pazes com a música. Os vizinhos se calhar nem merecem, mas lá terá que ser, são os tortuosos caminhos da absolvição artística.
E quero ir para palco com um texto que não seja meu. Coisa para dois, ou três actores, longe da comédia. Pode ser um drama, um policial, o que for.
Alguma ideia?

Youth Aids

Grande campanha. Quando é que começamos a fazer coisas destas por cá?

Crónica Breve

Sentou-se junto ao parapeito antigo, onde a madeira espreitava por baixo da tinta plástica branca, e deixou o olhar repousar sobre Lisboa, sobre os telhados, nuvens, o rio ao fundo e as folhas de figueira que ondulavam (simétricas) ao sol de fim de tarde.
Daquela janela daquele prédio velho daquela rua velha daquela velha cidade, a paisagem nunca era a mesma. Todos os dias mudava, mas mudava em pequenos pormenores, pormenores gentis, delicados, como aquele gato que ontem era branco e aquela chaminé que ontem parecia não estar ali.
Lisboa, vista de cima, não tem pessoas. Tem telhas e antenas, mas não tem pessoas. No máximo, em dias de estufa solarenga, terá alguns turistas ali, no miradouro, ou ali, na esplanada da varanda do hotel, mas não tem gente, gente de carne e osso lisboeta. Lisboa, vista de cima, tem prédios e janelas fechadas, ou abertas mas vazias, mas não tem homens nem mulheres a sorrir, ou a pensar, ou a fumar, ou a olhar as nuvens o rio e as folhas de figueira. E é aí que Lisboa está longe do Porto. Porque o Porto pode não ter aqueles turistas do miradouro ou aquele gato preto que ainda ontem era branco, mas tem olhos e ombros e cabelos e queixo. Olhe-se de onde se olhar, o Porto é gente. O Porto é rostos e janelas abertas com pessoas a espreitar ou então a adivinhar pessoas que, não tarda nada, virão espreitar.
Chamem-lhe cinzento e falem da luz, mas para que serve uma cidade cuja luz fantástica procura gente e não a encontra?
Encostado ao parapeito, preparou-se para uma última vista de olhos.

Leonardo a 100%

Para quem, como eu, anda farto de ver sites que só arranham a superfície dos temas, é sempre uma felicidade encontrar pontos de referência que realmente tenham informação. E um desses pontos é o site que aqui vos trago, um verdadeiro museu digital sobre Leonardo Da Vinci. Criado pela Universidade de Artes de Londres e apoiado por uma série de instituições, o site é um verdadeiro museu on-line. Esqueçam os códigos e deliciem-se com a realidade de um dos maiores génios da humanidade.

Merece ser lido.


Renée C. Byer ganhou o prémio Pulitzer deste ano com uma reportagem fotográfica sobre uma mãe e um filho que lutam contra o cancro. E que perdem. Um relato crú, real e directo ao coração. Merece ser visto. Cliquem aqui para aceder ao trabalho, e leiam.

Ainda há esperança...

...porque o Júlio dos Caracóis reabriu e os pratinhos já saem, fumegantes, da cozinha.

Para quem não sabe, o caracol é um molusco gastrópode de concha espiralada calcária, pertencente à família Helicidae. São animais terrestres com ampla distribuição ambiental e geográfica. Os caracóis são terrestres e respiram através de um pulmão.
Se quiserem arriscar em casa, a receita-base é:
Ingredientes:
2l de caracóis
1/2dl de leite
4 dentes de alho
1 folha de louro
Orégãos
Sal e pimenta
Preparação:
Os caracóis devem ser lavados abundantemente até não deitarem qualquer sujidade. De seguida, coloque-os a cozer em água com o sal, a pimenta, o leite, o louro e os alhos que devem ser cortados a meio. Deixe cozer sempre em lume brando para que o caracol saia o mais possível.
Observações:
Uma sugestão que torna os caracóis ainda mais saborosos poderá ser colocar presunto ou paio na água de cozedura.


Eu cá prefiro ir ao tasco do Julinho, com uma prévia passagem no restaurante da frente e uma investida na graúda caracoleta. Ranhosamente bom!

Extrema Direita

Aproveitemos amanhã, que os carecas da extrema-direita vão estar todos reunidos em Lisboa, para os caçar em grupo, regá-los com gasolina e chegar fogo.
Isto não é incitar à violência, é apelar para a higiene social.

Frase do dia

Para um cabeça de vento, qualquer brisa é tempestade.

Quéstamerda???


Ao consultar as visitas ao meu blog, descubro este visitante. Eles andam aí. E já me caçaram. Porra...

A Sarita faz coisas giras


...e merecem ser vistas. E compradas. Ah, e também aceita encomendas. Experimentem. Não pelas coisas, mas pelo carinho.

Link link

O visitante desta muy humilde casa, Pratas de seu nome, escolheu este blog como um dos cinco de sua eleição. No entanto, o blog dele é que merece mesmo uma visita!

Ao vivo, a cores e em stereo!!!

Esta quarta-feira há stand-up ao vivo!
Eu e o camarada Gustavo vamos dar início às noites de comédia no Club47, nos Restauradores, em Lisboa.
A coisa deve começar por volta das 23h.
Apareces?

Aprender a fazer publicidade Compensaria

Anda por aí uma campanha com o selo do Ministério da Educação chamada Aprender Compensa. De outdoors a anúncios na televisão, eis o desfile de rostos famosos numa vida alternativa, inseridos no programa do governo "Novas Oportunidades".
Até aqui, tudo bem.
É sempre giro dizer aos calões dos nossos estudantes "ponham-se finos, senão", assim como também é giro ver a Judite de Sousa "que não estudou".
Mas será que mais ninguém pensa que, na verdade, o que esta campanha diz é que um pivot de televisão tem mais valor do que uma operadora de caixa de hiper?
Tudo bem que se incentive os estudos.
Mas não usem como exemplo outras profissões, como se fossem de baixo nível.
Porque não são.
Um gajo que carrega tijolos numa obra não é menos do que um jornalista. Não é.

Harris em português

Já aqui tinha falado de Sam Harris, num post que, na altura, deu origem a uma acesa discussão entre os leitores deste blog; inclusive com algum hate-mail à mistura e tudo.

Para quem não sabe e/ou não viu, Sam Harris é uma das principais referências da actualidade no que toca ao chamado novo ateísmo. E eis que, nem a propósito, chega a Portugal o seu livro mais badalado e em língua lusa: The End of Faith, O Fim da Fé.
Depois de ter lido o original, já tenho a tradução em fila de espera para voltar a ler.

E, depois de tanta discussão, aqui fica a vossa oportunidade para se documentarem, crentes ou não.
O livro está em todas as livrarias, graças às publicações da editora Tinta Da China. É só comprar, por exemplo aqui.

Para aguçar o apetite, aqui ficam alguns vídeo de Harris.



O meu favorito é este:

Antes tarde que nunca

Depois da loucura que foi(embora ainda não tenha sossegado completamente) o arranque de Factor M, programa que estou a produzir com a MediaLuso, finalmente arranjei um tempo para regressar ao blog: abri as janelas, deixei arejar e limpei o pó.

Tenho vindo a constatar ultimamente o fenómeno popularmente conhecido como "envelhecer". Não é que me sinta velho, mas sim mais velho.
O que é claramente diferente - se não sabes a diferença, é porque ainda és muito novo.

Sintomas básicos de que estamos a envelhecer? Aqui seguem alguns.

- apercebes-te finalmente da importância vital de coisas como manjericão fresco, a ramagem de uma planta doméstica e a largura do bocal de um copo de vinho tinto;
- deixas de ter paciência para pessoas que começam um diálogo com a frase "Eu sou uma pessoa que...". O que te define são os teus actos e as tuas considerações sobre o mundo que te é externo, nunca interno, porque és sempre o maior suspeito na auto-análise;
- quando a importância de possuir um livro dispensa explicações;
- compreendes que a maior sensualidade está no que não se diz, não se faz ou não se mostra;
- preferes estar sozinho do que mal-acompanhado, sendo que estar mal-acompanhado ganhou de repente um sentido muito lato;
- aceitas como indiscutível que um amigo demora tanto ou mais tempo a macerar que um verdadeiro molho picante;
- dás por ti a aguardar que as coisas sigam o rumo inevitável;
- passas a acreditar menos nos novos talentos e a admirar muito mais os velhos clássicos;
- consegues identificar pelo menos 5 detalhes plagiados em qualquer novo single na rádio, ou filme em estreia, ou livro de escaparate, ou colega de trabalho;
- descobres finalmente que "o verdadeiro prazer está no percurso e raramente no objectivo"; e que, durante todos estes anos em que defendias esta máxima, não fazias a mais pequena ideia do que realmente queria dizer;
- eleges a metáfora como tua melhor amiga;
- encontras um sentido para a vida: em frente.

So true

Navegando pela internet em busca de um sono perdido, eis que encontro esta preciosidade: 16 Coisas Que A Maioria de Nós Demora 50 Anos a Aprender.
Por falta de paciência e para que nada se perca da versão original, aqui fica o texto:

16 things it takes most of us 50 years to learn
1.The badness of a movie is directly proportional to the number of helicopters in it.
2.You will never find anybody who can give you a clear and compelling reason why we observe daylight-saving time.
3.You should never say anything to a woman that even remotely suggests you think she’s pregnant unless you can see an actual baby emerging from her at that moment.
4.The one thing that unites all human beings, regardless of age, gender, religion, economic status or ethnic background, is that, deep down inside, we ALL believe that we are above-average drivers.
5.There comes a time when you should stop expecting other people to make a big deal about your birthday. That time is: age 11.
6.There is a very fine line between “hobby” and “mental illness.”
7.People who want to share their religious views with you almost never want you to share yours with them.
8.If you had to identify, in one word, the reason why the human race has not achieved, and never will achieve, its full potential, that word would be “meetings.”
9.The main accomplishment of almost all organized protests is to annoy people who are not in them.
10.If there really is a God who created the entire universe with all of its glories, and he decides to deliver a message to humanity, he will NOT use as his messenger a person on cable TV with a bad hairstyle or in some cases, really bad make-up too.
11.You should not confuse your career with your life.
12.A person who is nice to you, but rude to the waiter/janitor, is not a nice person.
13.No matter what happens, somebody will find a way to take it too seriously.
14.When trouble arises and things look bad, there is always one individual who perceives a solution and is willing to take command. Very often, that individual is crazy.
15.Your true friends love you, anyway.
16.Nobody cares if you can’t dance well. Just get up and dance.


Encontrado em www.scribd.com

Memória Curta


Esta eu não podia deixar passar; tive que vir até aqui deixar umas linhas sobre a escolha, ontem na RTP, de Salazar como o maior português de sempre. Segundo o programa, esta foi a decisão de pouco mais de 200 mil espectadores (ou chamadas, se preferirem), num programa de entretenimento que acabou por reabrir algumas velhas feridas lusitanas. Embora me apetecesse sair à rua com um saco na cabeça, acabei por decidir pensar racionalmente sobre a coisa. Certamente virão por aí muitas análises de muitos analistas muito especialistas nestas coisas de fazer leituras sobre estes fenómenos, mas aqui vai uma visão pessoal sobre a coisa.
Existem duas respostas possíveis para este resultado.

1º O resultado não expressa a vontade do povo português
É a resposta de conforto. Pensemos na seguinte perspectiva: nem toda a gente estava a ver televisão ontem à noite, exceptuando 200 mil velhos do Restelo. O programa não conseguiu chamar a atenção generalista excepto a alguns fãs de Salazar que puseram toda a família a ligar em catadupa como se não houvesse amanhã. Ou seja, um resultado parecido com o primeiro refrendo ao aborto.

2º O resultado expressa perfeitamente a vontade do povo português
Uma das principais características do antigo regime era não promover a educação; o povo queria-se burro e manipulável, inculto. Uma política que ainda hoje se reflecte no que somos: um país de gente de curta memória, presa a dogmas ultrapassados, desconhecedora da realidade e do mundo. Por mais que custe a muita gente, Portugal é um país na cauda do mundo, na cauda do saber, na cauda da civilização, pouco longe de alguns redutos do terceiro mundo.
Somos muito menos do que gostaríamos de ser, por mais que o tentemos disfarçar com carros topo de gama, internet banda larga e lojas modernaças.
Salazar ganhou porque nos faltam líderes a sério, porque nos falta uma mentalidade una e globalizante, porque somos um país de reality shows e baixa literacia.


Escolham o lado que preferirem.

Never Ending Story


É um projecto conjunto bastante interessante, um "zoom" constante que nunca mais acaba. Vale a pena espreitar ZoomQuilt e ZoomQuilt II

Golf Ace

Para descontrair, aqui fica um joguinho delicioso. Divirtam-se no green!
GOLF ACE

A visitar


Ilustração, fotografia e matte-painting: o site do artista Jean-Marie Vives merece ser visitado.

Presentinho


Este é só para o Nuno "Karmatoon" Matos.
Os outros também podem espreitar, mas não estraguem.

Acto falhado?

Que não haja dúvidas: o site da RTP é um dos melhores do país.
Tem toda a informação, uma fantástica base de dados e em crescimento, é fácil de navegar, etc, etc, etc...
Mas até no melhor pano cai a nódoa.
Quarta-feira, o dia do grande cinquentenário. No site do canal, eis o que podemos ler:

Odiada televisão? Não há necessidade, meus amigos...
É o problema do grafismo. "O dia da" pode facilmente transformar-se numa má leitura... Fica a chamada de atenção, inevitavelmente recheada de um sorriso malandro.
Rapazes da RTP: esta foi de principiante... Ai, ai, ai.

Pilobolus?


Sensação na cerimónia dos Óscares, a companhia de bailado Pilobolus move-se na fronteira entre a dança e o puro entretenimento. Vejam aqui:

...e visitem o site oficial da companhia.

Estou em manutenção

Eu sei que tenho andado meio desligado, mas por bons motivos: trabalho. Estou completamente envolvido no novo programa das manhãs de sábado da RTP e, enquanto o comboio não estiver em andamento, não me posso dar ao luxo de grandes distracções.
De qualquer forma, para os habituais visitantes deste humilde lar electrónico, aqui fica uma preciosidade:



Mais informações depois desta curta pausa.
Entretanto, a todos os que aqui vierem: não se esqueçam de desligar as luzes e deixar as janelas fechadas.
Abracinhos.

Há dias assim

Pulp Fiction

Alô designers, alô Karmatoon, alô Silvia, alô minha gente!
Lembram-se da cena "What does Marsellus Wallace Look Like", em Pulp Fiction?
enão recordem-na agora, sem imagem e apenas com tipografia... Genial!

Para os ainda mais esquecidos, aqui fica o original:

Grande campanha

Campanha publicitária da rádio Galaxy 92 FM, da Grécia.


Fast Food

Ao som de Tchaikovsky, aqui fica uma raposa que anda à caça de ratos que consegue ouvir... mas não ver. Observem a técnica:

Óscares 07

O grande vencedor na cerimónia das estatuetas douradas?
Al Gore.
O ex-vice-presidente norte-americano foi o centro das atenções, graças ao seu documentário "Uma Verdade Inconveniente". Primeiro, teve direito a um momento especial em palco, com Leonardo DiCaprio, em que se revelou que a própria cerimónia passou a ser "verde", com toda a produção orientada para a ecologia. Depois, levou para casa duas estatuetas e foi constantemente citado e referido ao longo do programa - um esforço notório da Academia para passar a mensagem green, além de algumas piadas sobre a possibilidade da sua re-candidatura.

De resto, uma cerimónia equilibrada. Alguns dos meus favoritos ganharam onde mereciam; "Little Miss Sunshine" como guião original e actor secundário, e "O Labirinto do Fauno" com direcção artística, maquilhagem e fotografia.

Melhor momento da noite: Ellen DeGeneres surge na plateia e diz que quer tirar uma foto com Clint Eastwood, para pôr no MySpace. Ao lado, Steven Spielberg voluntaria-se para ajudar e tira a foto... Ellen olha para a imagem tirada e pede-lhe para repetir, desta vez com "menos ar dos lados"... Raramente vamos poder ver outra vez uma comediante ensinar Spielberg a fotografar.

Martin Scorsese, no fim da noite, arrecadou o de "Melhor Filme". Eram sérios, os concorrentes, mas "The Departed" merece-o. É, sem dúvida, um grande filme, um dos melhores de Scorcese, com uma narrativa genial, actores de luxo e tudo a bater certo, no sítio certo. Merece-o.

É claro que a maior pena foi, mais uma vez, não estarmos presentes na Gala. "Alice" merecia-o. Mas é assi, o rumo das coisas.

Há dúvidas?


Ele há coisas do caneco.

Big Google is Watching You

Eu, que sou utilizador fiel dos produtos Google, sei muito bem que estou a ceder o meu individualismoa este monstro corporativo.
Já por várias vezes tentei explicar isto a muitas pessoas, mas este vídeo resume tudo. Ora aqui está, finalmente explicado(em inglês), o plano da Google para dominar o mundo.

Faz sentido, não faz?

Stringfever!

Ora aqui estão quatro ingleses formidáveis, uma espécie de fab-four da música clássica. Chamam-se Stringfever.
Reparem só como eles nos contam, em meia dúzia de minutos, a História da Música:

Ou então como tocam o Bolero de Ravel, tocado pelo quarteto num único violoncelo:

Genial. Se quiserem saber mais, visitem o site oficial dos rapazes.

Silvia Com Filtro

A minha amiguita Silvia (sem acento, que ela não gosta) puxou-nos o tapete e fechou a porta do seu blog. Só durante uns tempos, diz ela.
Faz bem. A casa é dela. Tem todo o direito de se fechar lá dentro e recuperar o seu espaço.
Claro que, ao ver um blog assim, fechado a sete chaves, não consigo deixar de imaginar o que se passará lá dentro... Imagino a Silvia, sentada entre milhares de posts antigos, a ver dvd's antigos e a empaturrar-se de gelado, a escrever coisas que só a ela lhe dizem respeito.

Força, miúda - põe a casa em ordem e os cortinados a arejar. Só não te esqueças que a malta está cá fora, à porta. Ao frio. À espera.

Na Madeira, o carnaval começa mais cedo

"O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, afirmou ontem à noite que os portugueses "não têm testículos" para dizer que o referendo à despenalização do aborto não é vinculativo."
in Público, 16/02/07



Caro Dr. Jardim,

Após aprofundada análise do seu comportamento nas últimas décadas, temo informá-lo que, na verdade, podemos concluir que o senhor é que não é vinculativo aos portugueses. E desde já peço desculpa por lhe chamar "senhor". Adiante.
No que toca ao referendo, a primeira coisa que foi dita por todas as principais e mais sábias vozes desta nação (vozes que não está certamente habituado a escutar) é que, graças à elevada abstenção, o resultado não teve resultado juridicamente vinculativo. Isso, caro Alberto (caro no sentido de dispendioso), já nós sabemos e não precisamos de verificar a presença dos testículos para confirmar.
Mas sabemos que as coisas também valem pela demonstração de intenções e, por isso, é nossa opinião generalizada que o referendo terá algum vínculo moral.
Já agora:

Moral

do Lat. morale

s. f.,
conjunto de costumes e opiniões
que um indivíduo ou um grupo de indivíduos possuem relativamente ao
comportamento;
conjunto de regras de comportamento consideradas como
universalmente válidas;
parte da filosofia que trata dos costumes e dos
deveres do homem para com o seu semelhante e para consigo;
ética;
teoria
ou tratado sobre o bem e o mal;
lição, conceito que se extrai de uma obra,
de um facto, etc. ;

Gostaria também de o esclarecer que compreendemos todos a sua tendência para levar a conversa para os testículos mas por estes lados já andamos quase todos a pensar com a outra cabeça. Mas é natural: a sua necessidade de mostrar "quem é que tem tomates" é um reflexo do excesso de testosterona e a sua necessidade de manifestar a sua posição como macho alfa, líder da matilha. Nós sabemos - há documentários de vida animal que falam disso e, na sua idade e estado mental, é natural que tenha necessidades de afirmação perante a tribo.

Quanto às suas ameaças de levantar inconstitucionalidade em relação à futura lei, faça-o. Já não nos incomoda muito, essa mania de prolongar o carnaval para além da data de calendário. Cada um é bobo quando quer.
Deixe-me apenas referir, Alberto, que grande parte de nós já não se alarma com o seu fogo de artifício. Sabemos que não é um líder, porque um verdadeiro líder não se impõe, porque um verdadeiro líder sabe ouvir, porque um verdadeiro líder conhece o termo respeito.
Sabemos muita coisa sobre si, Alberto, infelizmente.

Desde 1978 que sabemos que, na Madeira, há um bombo de carnaval que continua a fazer barulho todo o ano.
Mas, por dentro, é oco.

A ler


Michel Houellebecq é o nome do senhor escritor. Se ainda não leram nada deste cavalheiro, francês formado em engenharia agrónoma, façam-no.
Actualmente, estou a ler o seu primeiro livro, "A Extensão do Domínio da Luta", das edições quasi e é um murro na alma.
O livro é sobre um informático deprimido. E é fabuloso: li as primeiras trinta e cinco páginas, voltei atrás e repeti. Os editores portugueses até lhe fizeram um trailer:

Obrigatório.

RIP

Chamava-se António, ia fazer 33 anos e conviveu comigo durante vários anos na Póvoa de Varzim. Era um tipo saudável e bem-disposto - esta semana, um AVC levou-o.
A vida é curta. Inesperadamente curta.

Um abraço, mister.
Se eu acreditasse na vida para além da morte, combinava o encontro, mas não vai acontecer. E é pena - teríamos muito que falar, com umas cervejas na mão.

Pub de cabeça

Publicidades feitas com cabeça, para a cabeça.
Capacetes Bye:

E da Phyto Plage, para um creme protector capilar, que protege dos raios UV e outras coisinhas más (à primeira vista, pensei que fosse campanha para gel):


Eu tenho amigos que...

...aos trinta anos mandam o escritório à vida e atiram-se para os palcos
...sofrem, porque são genuínos e entregam-se às pessoas
...sabem mais que quem está à sua volta mas fazem questão de não os envergonhar
...preferem uma garrafa de vinho em casa a um shot na discoteca
...conhecem músicas que eu nem sabiam que existiam
...lêem livros com capas estranhas e pouco coloridas
...escrevem numa só frase aquilo que muitos explicam em volumes
...sabem ouvir
...sabem sorrir
...viajam centenas de quilómetros para abraçar alguém.

São poucos, cabem nos dedos desta mão que aqui tenho. Mas enchem a minha vida com todo o tamanho do mundo. Por isso, às vezes sinto-me injustiçadamente privilegiado: porque nem sempre estou ao lado deles, porque lhes ligo pouco, porque acho que eles merecem muito mais.
Sou é um sortudo - existem poucas pessoas assim e eu tenho a sorte de as conhecer.

Agir pelos Oceanos. Agora.


Uma boa acção sabe bem. Faz bem. E não custa nada.
A maioria das pessoas foge do "activismo" como o diabo da cruz, mas a verdade é que podemos tomar atitudes e defender o que está certo, muitas vezes até sem grandes esforços.
Por isso, mexe-te. Acorda.
Uma das coisas que podes fazer, já, é perceber qual o estado dos nossos oceanos. E depois, já agora, assinar esta carta.
Os oceanos não precisam de um milagre - só de uma pequena ajuda.

Comida Thai

A moda da comida japonesa pegou, e já há quem procure os verdadeiros restaurantes japoneses em vez dos falsos rodízios supostamente nipónicos em que um sashimi é nome de susto.
Mas cada vez há mais atrevidos que procuram descobrir receitas e explorar o mundo da gastronomia oriental em casa. E porque não?
Uma das deliciosas cozinhas que pode ser descoberta é a da comida Thai. Tem o seu quê de oriental, mas mistura vários conceitos. O site Enjoy Thai Food é um passaporte garantido para este universo - e não deixem de espreitar >os vídeos de cozinha.

Frase do dia

"Deixa de se fazer de morta para comer o coveiro!"
por Manoel Carlos


(sim, o autor da novela Páginas da Vida. E nada de comentários engraçadinhos em relação ao facto de eu ter ocasionalmente, no dia dos namorados, por acaso, sem querer, despropositadamente, visto isso. Mas também foi a noite em que o Benfica jogou em casa, com mil diabos. )

Som Balentim

Como devem ter reparado, não fiz nenhum post em relação ao Dia dos Namorados.
Em vez disso, soltei um pum.

Splash, splash, boing

Muito bem, já decidi qual o brinquedo que, se alguém quiser, me pode oferecer.

Chama-se Aquaskipper e parece ser uma ideia. Uma pequena grande obra de engenharia humana: uma espécie de bicicleta humana de menos de 12 quilos, capaz de deslizar pelas águas a qualquer coisa como 27 km/h. Ah, e custa cerca de 500 euritos...
Vejam como funciona:

Maria Matos

Na terça-feira passada, eu e o Jorge Crespo estivemos no palco do Maria Matos Café. Foi um bom espectáculo e adorei o espaço - familiar q.b., com uma constante proximidade, um serviço atencioso e um grande sentido de profissionalismo. Muito bom, mesmo, tenho que começar a ir lá jantar de vez em quando. E aconselho a visita.

Obrigado

O número de visitas neste blog tem vindo a aumentar mas esse não é o lado bom da história. O que realmente é positivo é que cada vez surgem mais pessoas que dialogam, trocam impressões, manifestam ideias e assumem posições.
É tão bom abrir o blog ou o mail e descobrir opiniões e palavras novas.
Obrigado a todos, e continuem. Digam coisas. Mandem sugestões, links e palpites.


Já agora, como nota de rodapé, uma chamada de atenção para a data de hoje.
Neste mesmo dia, mas em 1633, Galileu Galilei chegava a Roma para enfrentar julgamento eclesiástico sob a acusação de heresia. Tudo por causa da sua ideia imbecil de que o mundo giraria à volta do sol, imaginem!
Tramou-se, mas safou-se com vida.
Foi obrigado a renunciar publicamente a esse absurdo chamado heliocentrismo e foi condenado a prisão domiciliária para o resto da vida. O que pode ser considerado sorte - a pena, na altura seria prisão ou morte.
Assim, durante uns tempos, o sol continuou a girar em torno da Terra e o Vaticano pode continuar a dormir descansado...

Devia haver o direito...

...de termos porte de arma apenas para dispararmos sobre indivíduos como o que se segue.
Nada de mal, apenas um tiro no meio da testa.
Espreitem isto:

via wonderm00n.

Click




Para quem gosta de fotografia, aqui fica o link para a obrigatória visita aos vencedores deste ano da World Press Photo.

Museu Virtual do Sapato

Ouch!
O Virtual Shoe Museum existe desde 2004 e dedica-se a... bem, a sapatos. Vale bem a pena a visita.

Grátis, grátis, grátis!


É já esta terça-feira, no remodelado e muy chique café-sushi-lounge do teatro Maria Matos, a noite de stand-up, comigo e com o Jorge Crespo.
A entrada é grátis e a coisa começa por volta das 22h (não contem com grandes atrasos, estes tipos são profissionais).
Apareçam!!!

Pós-Referendo

A abstenção é o que é, a histeria dos "movimentos de cidadania" ao saber os resultados não se justifica, alguns intelectuais da nossa praça parecem-me agora mais imbecis do que antes e, na guerra pelas audiências, nenhum canal televisivo tratou a informação com a decência que ela merece.
Montámos a tenda, vivemos um circo e continuamos a falar das coisas pela rama.
Pelo menos o sim ganhou, coisa que eu não esperava.
Pouco mais tenho a dizer, excepto que fico triste com a desinformação, os arraiais festivos e os efémeros circos mediáticos.
No meio de tudo isto, quem ficou a ganhar no curto prazo foram os fabricantes de t-shirts, panfletos e outdoors. Gostava de saber quanto é que este referendo custou, para ambos os lados da trincheira (já que fizeram disto um conflito).

Sobre este fim-de-semana


Póvoa Terra querida
Como tu não há igual
És ainda a mais bonita
Que existe em Portugal
Ala-arriba pela Póvoa
Terra nossa bem amada
Ala-arriba pela Póvoa
Terra nossa abençoada
Póvoa Terra bendita
Nossa terra e nosso lar
Enquanto tivermos vida
Havemos de te honrar
Ala-arriba pela Póvoa
Terra nossa bem amada
Ala-arriba pela Póvoa
Terra nossa abençoada

Letra de Albano Ribeiro e música de Eduardo Correia.


Como vivi lá mais de uma década, posso vos garantir que, este sábado, o futebol nacional trouxe-me alguma alegria.
Um abraço aos poveiros: como se não bastasse as "Correntes d'Escritas", uma das maiores iniciativas literárias que ocorre no nosso país, os "Lobos do Mar" ainda fizeram o favor de mostrar a sua raça frente ao Benfica.
(Nem é por uma questão clubística - eu é que tenho uma particular felicidade sempre que o David derruba o Golias)

E a terra tremeu

Lisboa, 10h29m GMT+ : António Emanuel Baptista, 36 anos, funcionário público de uma repartição de finanças local, sente que a habitual feijoada de domingo em casa da mãe começa finalmente a provocar efeitos secundários na sua delicada flora intestinal.
Lisboa, 10h33m GMT+ : Visivelmente incomodado, António Emanuel Baptista dirige-se às instalações sanitárias do seu local de trabalho.
Lisboa, 10h35m GMT+ : O Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica regista um abalo sísmico com intensidade de 6.0 na escala de Richter, cujo epicentro se localizou a cerca de 160 km a SW de Cabo de S. Vicente.
Lisboa, 10h41m GMT+ : António Emanuel Baptista, ainda com a voz embargada, telefona à mãe e promete em voz alta que jamais comerá leguminosas até ao fim dos seus dias.

And the Oscar should go to... U2

A música, novo trabalho dos U2, é brilhante, mas o videoclip... Meus amigos, o videoclip é uma obra de arte nascida da mesa de montagem. Um grande e árduo trabalho de edição, numa fabulosa homenagem a toda a música contemporânea.
Aumentem o volume e prestem muita atenção a Window in the Skies:

Talk like an Egyptian


Ora aqui está um bom passatempo para este fim-de-semana (além de ir votar): aprender a "escrever" em egípcio antigo.
Aventurem-se a desvendar alguns dos segredos dos hieróglifos e libertem o Indiana Jones que há cá dentro, neste site super-interessante: HIEROGLYPHS.
Já agora, um bom e cívico fim-de-semana a todos!

Em destaque

O Z. é um artista. Um artista daqueles à moda antiga, os originais, os que fazem as coisas porque acreditam nelas e porque, acima de tudo, lhes apetece, sem pensar em receitas, lucros e fama.
Estive com o Z. apenas uma vez, mas gostei do tipo. A sério. E, cada vez que espreito o seu blog, redescubro o mundo. Por isso, este fim-de-semana, levem o vosso mouse a passear e arrisquem uma nova janela para o mundo do Z. no vosso browser. Visitem o Uma Por Rolo e digam lá se o rapaz não é um excelente fotógrafo e, ainda por cima, que sabe tirar fotos portuguesas. Lusas. Nossas, apesar de serem dele.

Alfândega local

Ao espreitar os dados sobre os visitantes deste meu modesto cantinho (sim, eu tenho alguns dados sobre vossemecês), reparo que o país de origem de cerca de 2,5% dos visitantes é uma nação chamada Unknown.
Giro.
Deve ser um paraíso fiscal.

Coração versus razão

No último post (desabafo) que fiz sobre esta história do referendo, surgiu um comentário interessante de uma muy nobre visitante deste belógue, em que se colocava uma questão deveras interessante.
É um argumento que se costuma ouvir várias vezes, em assuntos que exigem decisões difíceis ou complexas.
É o argumento do "ouve o teu coração".
Eu acho muita piada a esta coisa do "ouvir o coração", especialmente quando acompanhada por "esquece a razão e não penses, o teu coração dir-te-á o que fazer".
Pelo que me parece, esse é o pior caminho a tomar.
As emoções não são de fiar. As emoções são um conjunto de reacções, recordações, influências, desejos, projecções, traumas e associações, temperadas num banho hormonal e instintivo. São de se saborear mas não de se fiar.
As emoções levam os seres humanos a fazerem coisas belas. Mas também coisas péssimas e, infelizmente, essas acabam por ser a maioria. Guiado pela emoção, o ser humano é capaz de fazer um Taj-Mahal mas também milhares de guerras. Pela emoção, o ser humano aventura-se na maior loucura mas também perde a sua maior arma, a razão.
No que toca a estas decisões, não gosto de me levar pelo coração.
Posso me orientar pelo instinto, posso na maioria das vezes deixar-me até guiar pela "sensibilidade" (o popularmente chamado feeling), mas acredito que quem deve mandar é a razão.
Sejamos racionais - pode soar a crú, mas é a nossa maior e verdadeira vantagem como animais que somos.

Cruzes, é uma bike!


Eu sei que parece uma bicicleta construída por um esquizofrénico, mas a verdade é que é mesmo assim. Chama-se CRUZBIKE e é a nova mania nos USA. Dizem que é mais confortável e mais eficiente na relação esforço/rendimento... Não sei, mas a mim continua a parecer-me muito estranha. Gostava de experimentar. Conheçam os modelos, saibam mais e vejam alguns vídeos no site oficial do monstrinho. Será que a moda chega cá?

Terça no Maria Matos


Apareçam no Café do Maria Matos. Vai ser giro.

Quero abortar este referendo. Posso?

Quero abortar este referendo.
Quero abortar estas falsas questões que de repente eclodem em todos os jardins cagados deste país.
Quero abortar os frustrados que se querem vingar das mulheres e fazer delas incapacitadas mentais, ao dizer que se a despenalização for em frente vamos ter filas de portuguesas nas salas de espera dos hospitais deste país; os imbecis que nos tentam convencer que as mulheres deste país são todas putas fodilhonas completamente ignorantes e desconhecedoras de métodos anticoncepcionais e que aguardam esta oportunidade para derramar sangue como se estivéssemos na Transilvânia.
Quero abortar as actrizes e falsas púdicas e pretensas puritanas que enchem a garganta nos gritos das manifestações, ansiosas pelo estrelato na reportagem televisiva, e que vêm para as ruas dizer que são pelo "Não" porque são pela vida.
Sou contra todos os energúmenos que ainda não perceberam que todos somos pela vida.
Sou contra todas as bestas que pensam que este é um referendo sobre o aborto e que quem vota sim é porque tem algum fascínio por ver pequenos fetos assassinados em alguidares médicos.
Quero abortar todos estes filhos da puta que nas suas igrejas de ouro conquistado sobre sangue ainda julgam que têm a voz do poder e o poder da autoridade moral e estabelecer limites nas suas paróquias intelectuais.
Quero abortar todos estes dedos no ar, todos estes rostos vermelhos, todas estas gargantas inchadas, todos estes cavalheiros e todas estas senhoras que fazem disto a bandeira da montra dos seus bibelôs morais.
Abortemos já, abortemos todos os que insistem em esconder sobre demagogias a verdadeira questão deste referendo.
Este não é um referendo sobre o aborto. É um referendo sobre uma lei. Uma lei que oprime as mulheres. Uma lei que incentiva o medo e que favorece os abortos em vão-de-escada, uma lei que promove as idas a Espanha, uma lei que coloca as mulheres abaixo do nível de dignidade que é suposto terem já conquistado.
Este não é um referendo sobre o aborto.
Calem-me estes cabrões que tentam convencer o resto do país que, ao votar sim, vamos estar a promover uma holocausto de corpinhos de bébés por este país fora.
Silenciem-me estes criminosos que misturam dignidade e justiça com os mais primários valores humanos.
Juro-vos, a minha vontade é abortar toda esta discussão,ou melhor, todos estes monólogos de dedo em riste e de posturas fascistas.
Quero abortar os meninos da extrema-direita, escondidos nos seus cabelinhos de Anita-Vai-Á-Escola, camuflados pelos seus supostos bons valores morais, que tentam colocar esta questão dividida entre "quem é a favor da vida" e "quem quer matar todas as criancinhas".
Quero abortar todos os que se esqueceram que alguns de nós ainda pensam, que alguns de nós, apesar de sufocados pelos investimentos estrangeiros e de perdidos nos shoppings e de arrastados por modas e escândalos e falsas vedetas, ainda pensam.
Que alguns de nós ainda reagem, apesar de saberem que provavelmente o resultado vai ser "Não".
É verdade, o resultado é bem capaz de vir a ser não e eu explico-vos porquê: pelas mesmas razões que estão na origem dos acidentes na estrada, dos fogos florestais, do Apito Dourado, do Santuário de Fátima, da fuga ao fisco, da violência doméstica, da Casa Pia, da baixa produtividade, do endividamento, dos carros topo-de-gama nas estradas, do baixo rendimento escolar e da nossa contínua ignorância.
Somos uma grande montra sem grande recheio. Somos uma nação de novos-ricos impostores, de extremistas disfarçados, de um povo que continua a pensar que a qualidade da tua casa se vê pelo teu jardim.
Somos os reis da aparência. Uma ida a Espanha ocasional é a mesma coisa que não ir.
Os vãos de escada são feitos para isso mesmo: ocultar os segredos da burguesia.
Apetecia-me abortar todo este falso barulho.
Apetecia-me abortar este país.

Pequena Observação

Ás vezes penso em todas as oportunidades de ser feliz que as pessoas desperdiçam nas pequenas coisas, nos pequenos momentos, nos pequenos pormenores e quase, quase que fico triste.
Ainda aí muita gente que, de tanto olhar a linha do horizonte, se esquece de ver onde tem os próprios pés. E enquanto isso, é claro, a maré vem e vai.

A quem o merece

Ao longo de uma vida, são raras as pessoas assim que temos oportunidade de conhecer. Pessoas grandes, com letra maiúscula, pessoas certas, correctas e corrigidas pela vida e pelo saber. São raras.
Falo das que, se calhar, até passam despercebidas na multidão, mas que guardam no seu interior o melhor que esta raça possui.
São raras.
Gente de valor, com valores.
Gente que fala, mas que ouve.
São tão poucas as pessoas que ouvem.
Gente que não pensa só no que falta mas também no que já tem. Grande parte das pessoas que nos rodeiam passam a vida a pensar no que lhes falta e acaba por não dar valor ao que tem.

Na maioria dos casos, temos tendência a olhar para o espelho e pensar que estamos a ver alguém assim. Normalmente, não é verdade.

Mas existem.
Existem, essas pessoas que escolhem o mais difícil - mas correcto.
Pessoas que simplificam.
Que partilham.
Que alcançam.
Que raciocinam.

São poucas, e se calhar é por isso que é tão bom quando nos apercebemos que algumas delas estão perto de nós.

A vida em fio de arame

As imagens que se seguem podem parecer esboços em wireframe de algum programa de desenho 3D, mas não são. São esculturas, de arame grosso dobrado e soldado.



O artista chama-se Thomas Raschke, alemão. Visitem o seu site e vejam mais coisas destas em www.thomasraschke.de