Quando Graham Chapman faleceu, os Monty Python já tinham atravessado o deserto dos conflitos e estavam definitivamente "aposentados" como grupo. Juntos no funeral, fizeram aqueles que são os melhores discursos de enterro de todos os tempos. Verdadeiramente notáveis, e que só provam que o humor é muito mais do que um stress relief: é uma forma muito, mesmo muito séria de encarar a vida.
Preparem-se para evacuar o Alentejo porque este sábado a catástrofe acontecerá na cidade de Liberalitas Julia, aka Évora, com os seus 1 308,25 km² de área e 56 525 habitantes distribuidos pelas suas 19 freguesias. Á noite, como de costume, no "Time Out", comigo e com o brilhante Vasco Correia.
Inventámos a roda há tanto tempo, que já era altura de a reinventar. Aliás, esta ideia tem tanto de simples como de brilhante, ao ponto de nos colocar a clássica questão "Como é que ninguém se lembrou disto antes?" O brinquedo chama-se "Magic Wheel" e ainda só está à venda on-line para habitantes do Reino Unido, por cerca de 250 euros. Mas calma: em breve estará disponível para o resto da Europa. Consiste, essencialmente, nisto: uma roda grande, com uma pequenina de apoio. Por uma simples questão de equilíbrio de pesos, a roda mantém-se vertical, encostada ao utilizador. E é claro que quero uma!
Com um simples piscar de écran, todos os dados na agenda do meu telemóvel se eclipsaram. Desvaneceram como se nunca tivessem existido. Datas de aniversário, compromissos, afazeres... desapareceu tudo e a minha vida é agora uma agenda em branco, no limiar do desespero, completamente perdida no mapa mensal. Se, por um lado, é bom ter a falsa sensação de que estou livre de tudo, por outro estou no limiar do desespero tecnológico. E não, não tinha nenhum backup actualizado, porque como toda a gente sabe a Nokia é uma marca credível e os seus aparelhos são fiáveis. Percebo agora a dependência que temos das coisas que, ao serem digitais, é como se não existissem. No meu caso, por exemplo, já não existem mesmo. Merda.
Aborrecem-me os "puristas da comédia". Chateiam-me os tipos que insistem em reter fórmulas de humor e impor limites. Comédia pode ser física, mista, séria, impulsiva, escrita, improvisada... bolas, até pode ser poesia! Parem as vossas vidas por três minutos e ouçam o Mestre:
George Carlin. Nascido a 12 de Maio de 1937 e a fazer comédia desde 1956. Cinquenta e um anos de carreira, meio século de experiência. Salve.
Há dez anos atrás, em Julho de 1997, surgia nas lojas de música o então novo álbum dos Radiohead "Ok Computer". Marcado pelas experiências sonoras de "The Bends" o disco trazia consigo uma sonoridade estranha, pouco fácil de digerir e, sobretudo, muito pouco "rock FM". Assim que assentou na praça, "OK Computer" foi alvo de críticas díspares: a "Rollling Stone Magazine" diagnosticava-o como o álbum do ano, a "Time Magazine" sentenciava-o ao rotundo falhanço como "experimentalismo egocêntrico". Estavam todos errados. "OK Computer" tornou-se não no álbum do ano, mas sim num dos mais marcantes álbuns da década - uma obra única, liberta de estigmas comerciais, fresca, difícil de comparar a qualquer outro produto no mercado e que catapultou os Radiohead para o estatuto de grupo-referência. Ao contrário dos medos dos críticos e dos promotores, o público acolheu a obra com carinho. Demorou, mas acolheu. Os temas foram saindo do disco, lentamente, através do passa-palavra e da descoberta progressiva e, em 98, ainda se faziam ouvir singles do álbum como se de novidades se tratassem. Fazem falta mais álbuns assim.
...bem, quase. É ele a voz do novo filme da Dreamworks - Bee Movie. E tem créditos no guião! Para quem não viu, eis o trailer (faltam-lhe detalhes a la Pixar, mas promete):
Mais do que fazer um bom filme, o segredo de Hollywood está em fazer bom marketing. E se dantes bastava uma caderneta de cromos e posters que enchessem o olho, hoje em dia la movida tem que se manifestar mais cedo, nas mais variadas formas e em todos os media possíveis e imaginários. Um bom exemplo de "tomem lá o isco e espero que mordam o anzol" é a nova produção de J.J. Abrams (Lost, Felicity, Alias, etc) que ainda não tem sequer nome mas que já tem trailer e muito sururu na web. Feito com um ar "home-movie", o trailer mostra pouco... mas deixa água na boca. Ora espreitem:
A estreia está prevista, nos EUA, para 18 de Janeiro de 2008.
E é uma raça de todo o mundo. Rodrigo Leão deu ontem à noite num concerto grátis junto à Torre de Belém, acompanhado pelo seu Cinema Ensemble e pela Sinfonieta de Lisboa, além de convidados como Ângela Silva, Pedro Oliveira e Beth Gibbons. Um concerto de duas horas para um rio tranquilo e um oceano de gente. Para além de um som que, sejamos sinceros, estava para aquém do que se pedia, com alguma falta de preenchimento e força, o que é que se pode apontar como defeito? Nada. O homem mostra que sabe e faz-nos lembrar que, realmente, somos um país de fraca memória e que não valoriza merecidamente o que tem: "lá fora", Rodrigo Leão teria direito a passadeiras vermelhas. A sua música junta todo o planeta e não tem problemas em criar melodias com sotaque brasileiro ou ritmos argentinos e cruzá-los como que há de mais português. Beth Gibbons, a voz dos Portishead, esteve à altura, assim como todos os outros intérpretes e músicos, mas foi o comovido Pedro Oliveira que levou a noite a um dos mais altos pontos, ao relembrar os Sétima Legião com o público em uníssono. Um valente espectáculo. O Leão é, ainda, o rei desta nossa selva lusitana.
...hoje actuo em Torres Novas, no TorreShopping (a sério!), no Ozone, na companhia de Sandro "Pirex". Sábado, pois que lá estarei no SBCB, em Castelo Branco, com António Raminhos. Podia fazer aqui uma dissertação sobre as qualidades sui-generis de ambas as localidades e coiso e tal mas não me apetece.
Excepção feita a Magnolia, Adaptation, American Beauty e pouco mais, não são muitos os filmes capazes de lançar uma grande aposta e manter a fasquia elevada sem perder a dignidade. A maioria lança premissas que não consegue cumprir e deixa no espectador um travo de desilusão, um "estava à espera de mais". Felizmente, ainda vão surgindo algumas lanças em África, como esta, "Stranger than fiction" ou, na sua simplória tradução portuguesa "Contado ninguém acredita". Realizada pelo alemão Marc Forster (Monster's Ball, Finding Neverland), o filme é uma lufada de ar fresco e deixa ficar um arrependimento por ter passado quase despercebido nos cinemas, estando já à venda em DVD. É deliciosamente brilhante.
É a história de um homem real que descobre que é um personagem de ficção. É a história de um dilema literário. De um relógio de pulso. De um amor improvável. Das aspirações humanas. E biscoitos de chocolate. Já vou tarde para aconselhar a ida ao cinema (parabéns aos que foram), mas não deixem de o ver. Hoje mesmo, antes que a vossa história chegue ao fim.
Este instrumento chama-se Hang e foi inventado no ano de 2000, fruto de um estudo aprofundado de vários instrumentos dos quatro cantos do mundo... e tem um som simplesmente inacreditável! Ora vejam... e oiçam!
Se tal como eu já estão a pensar em comprar um, desenganem-se: além de custar cerca de 1500 euros, o hang drum está com uma fila de espera até 2008, uma vez que os seus dois únicos artesãos fabricantes já não têm mãos a medir...