"-Vem aí um filme sobre... os Transformers. - Tás a gozar? Que palhaçada... Estes gajos de Hollywood têm cada ideia! Que palermice, aquilo funcionava como desenhos animados e estávamos nos anos 80!!! - Pois... Hummm... Sabes quem realiza? - Quem? - Michael Bay. Produção de Steven Spielberg. - Ah... Bom... quer dizer... - Já viste o trailer? Ora espreita:"
Plano A: Não creio que já aqui vos tenha dito isto, mas o blog "O Nascer do Sol", apesar do título, é um dos meus favoritos. Pelo prazer de escrever, ler e saborear alguns pecados, o raio do blog parece que passa despercebido no meio desta nossa deprimente blogosfera nacional, e é pena. Por outro lado, ainda bem. Há coisas que, por serem tão agradáveis, não convém que dêem muito nas vistas. Deixemo-lo assim - sóbrio e discreto. Reservem alguns minutos e visitem-no. E leiam. Plano B: Ver o melhor da publicidade no 24 Hour, um blog sempre em cima do acontecimento.
Que me perdoem os camaradas sindicalistas amigos dos oprimidos e lutadores da liberdade e anti-precariedade companheiros de luta e labuta, mas esta coisa da greve faz-me alguma confusão. Acho muito bem que se proteste e que se chame a atenção dos governantes, que se exijam os cumprimentos das obrigações e, acima de tudo, que se diga "estamos atentos". Tudo bem. Mas isto da greve geral... faz-me mesmo confusão. Parece-me greve pela greve.
O país está em greve porquê? Alguém viu uma lista de reivindicações, um projecto de mudança, um mero post-it que seja com alguma queixa específica? O governo já tinha avisado que estávamos em tempos difíceis e que íamos apertar o cinto. Estamos a reclamar contra o quê? Estarmos em tempos difíceis a apertar o cinto? Alguém percebe um sentido práctico e estruturado nesta suposta greve geral, que mobilize os portugueses? A sensação que tenho é que o único efeito que estas greves provocam, além dos óbvios sobre o trânsito citadino, é um ping-pong nos telejornais em que uns dizem que foi um sucesso e os outros um fracasso com fraca adesão.
Não me parece greve: parece-me birra. E amanhã, volta tudo ao mesmo.
Eu sei que vai parecer impossível, mas na verdade, é italiano. A agência funerária Cofani Funebri, respeitada casa mortuária aberta desde 1965, tem uma técnica de marketing para vender caixões... ...capaz de ressuscitar um morto. A ideia é simples: se a Pirelli, que faz pneus, pode fazer calendários, porque é que uma funerária não faz o mesmo? Vai daí, siga para bingo e aí está o génio da comunicação em funcionamento: um calendário digno de oficina de bate-chapas! E mais: os rapazes também têm mais merchandising, desde porta-chaves em formatos de caixões a t-shirts com frases simpáticas como "Eu avisei-te que estava doente". Visitem o site da Cofani e digam coisas... Ele há tipos capazes de tudo...
PS: reparem também no logo da empresa, ao estilo da Calvin Klein. Só estilo...
Este site foi feito para promover um livro e, depois da visita, fiquei com vontade de o ler. Genial, divertido e sobretudo despretensioso! Visitem No One Belongs Here More Than You. Merece. Mesmo.
É coisa típica de pobre: espreitar o inacessível e sonhar com o inatingível. Mas sabe bem, claro está, imaginar uma semanita de férias em locais como estes: Que tal uma praia tropical só para si? Bolas, que tal a ilha inteira? Visitem alguns dos melhores hotéis do mundo em Kiwi Collection... ou, melhor ainda, espreitem directamente as escolhas dos editores.
AVISO: ANTES DE LEREM ESTE POST, CLIQUEM EM PLAY: 25 de Maio. Há precisamente 30 anos, em 1977, um jovem e falido realizador chamado George Lucas dava início ao que viria a ser uma revolução no cinema. Foi realmente "A long, long time ago" no que agora parece uma "galaxy far, far away". como já devem ter percebido, também eu sou um devoto de Star Wars. E não podia deixar passar esta data sem a devida vénia. Porque é que um filme é tão importante? Bom, por vários motivos. Pelo que representa, pelas transformações que provocou, pelo imaginário a que deu origem e por ser a faísca que deu o arranque ao novo cinema do século XX.
É mais do que um filme de ficção científica. É um marco na cultura humana. Exagero? Não. Vamos por partes, e comecemos pelo filme em si. Começou por ser um projecto de um puto rebelde, em que ninguém acreditou. Aliás, estavam todos tão convencidos do insucesso d'A Guerra das Estrelas, que a Fox deu de bandeja todos os direitos do filme a George Lucas. E ainda bem: o filme foi um sucesso tão estrondoso que, graças às receitas e ao merchandising, Lucas conseguiu fundar o seu império cinematográfico.
Porque é que o filme é tão bom? Porque conjuga várias referências universais e eternas. Começa como um conto de fadas, um "Era uma vez" numa galáxia muito, muito distante. E arrisca-se a juntar a naves espaciais toda essa mitologia dos contos de fadas: está lá a princesa, o cavaleiro herói, o império, os bruxos, a magia... Como se não bastasse, Lucas ainda lhe acrescenta referências várias, dos filmes de guerra a "Casablanca", dos samurais aos westerns, dos piratas aos espiões. Está lá tudo. Os maus são mesmo maus (e vestem-se de preto), os bons são mesmo bons (vestem-se de branco), e por aí fora. É delicioso. Esqueçam os sintetizadores e a música futurista - o universo de Star Wars faz-se com a melhor orquestra clássica, e o universo é salvo ao som de violinos. Perfeito. Junte-se a toda esta receita toques de classicismo - o filho que nega o pai, os irmãos que se apaixonam, a tentação do mal, a subjugação ao poder, o misticismo... e monstros e seres tão pérfidos como um minotauro ou semelhante. Ah, e é claro: grandes batalhas espaciais: Estava lançada a pedra no charco. Os fãs de cinema abraçaram Star Wars como algo que nunca tinham visto, uma gigantesca história de aventura e fantasia, com todos os ingredientes certos. Dos bonequinhos em caixas de cereais aos grupos de fãs (existem vários conselhos Jedi, inclusive existem batalhões de tropas "Star Wars" devidamente organizadas por todo o planeta), George Lucas seguiu para os outros episódios da saga e para a construção do seu império pessoal. Hoje, é um dos maiores nomes de Hollywood. Vejam só algumas das ramificações que surgiram de Star Wars: Skywalker Studio - empresa de som criada no próprio ano de 1977, graças às necessidades específicas do filme. Foi esta empresa que depois criou o sistema de som THX, grande concorrente do Dolby Surround. LucasFilm - a produtora criada para o filme, que produziu toda a saga e que esteve na origem de várias outras grandes produções, como Indiana Jones. Industrial Light & Magic - a maior empresa de efeitos visuais do mundo, que posteriormente idealizou, construiu e desenvolveu novas técnicas de animação computadorizada (e não só) e que deu origem a coisas como os estúdios da Pixar, o sistema AVID, etc, etc, etc... Aqui fica um vídeo com um brilhante exemplo de tecnologia 3D desenvolvida por eles:
Graças a Lucas e a Star Wars, surgiram também nomes como David Fincher (começou lá como cameramen), Steve Jobs, John Lasseter, Barry Levinson, Philip Kaufman e muitos outros, além da colaboração mútua e do devido empurrão a Steven Spielberg.
De génios do cinema a técnicas e tecnologias inovadoras, de software revolucionário (até o Photoshop fica a dever a este filme), Star Wars marca o cinema e a história cultural do século XX como poucas outras coisas o fizeram. Parabéns, e may the force be with you...
Observação Final: haverá música que melhor simbolize o Mal... do que esta?
...e, como é óbvio, está on-line! Se querem falar com Deus, esta é a vossa oportunidade - uma conversação em messenger com o Criador. Claro que Deus é como os extraterrestres e fala em inglês, mas o que é um pequeno empecilho linguístico na conversa das vossas vidas? Esqueçam o que têm a fazer e falem com Deus: iGod. E depois digam-me como correu!!!
*post-scriptum: isto deve ser a prova mais evidente de que sou ateu... nem consigo escrever "Deus existe" de forma correcta. Segundo Freud, é um acto falhado. Mas é claro que Freud também disse muita merda.
Poderoso site: 6 Billion Others é daqueles projectos que merecem toda a atenção. Depoimentos de pessoas de todo o mundo, sobre sonhos, medos, amor, esperanças. É a Internet a reduzir fronteiras. Vejam e comentem!
Já vai tarde mas aqui fica a vénia merecida: No dia 10 de Março deste ano, o comediante Richard Jeni saíu definitivamente dos palcos com a ajuda de uma arma de fogo. No ano do seu 50º aniversário, Jeni estava num novo pico de carreira, com grandes novos projectos para a HBO, entre outros, mas a doença falou mais alto e foi vencido pela depressão e pela psicose. Foi o comediante que mais vezes pisou o chão do "The Tonight Show" e escreveu material de primeira categoria para outros grandes nomes - incluindo o famoso set das "palavras proibidas em televisão" de Lenny Bruce.
Foi no ambiente kitsh do Maxime que me atirei para mais um set de stand-up, em directo no "Sempre em Pé", da RTP 2. Foi divertido: bom ambiente de trabalho, malta divertida, público bem-disposto e toda uma atmosfera propícia para a práctica da modalidade. Para quem não teve oportunidade de ver ou para quem insistir em desperdiçar 10 minutos de vida, aqui fica a actuação:
Já agora, pessoal, obrigado pelas mensagens e pelo apoio! Para a semana, lá estará mais um "Sindicalista": atenção à performance do Guilherme!
Este sábado o Cadaval(pertinho das Caldas) deixará de ser o mesmo, depois do espectáculo comigo e com o Jorge Crespo no Mirante. A hora é a do costume, depois de jantar, antes do pequeno-almoço. Terça-feira, lá estarei no Maxime, em Lisboa, para uma emissão ao vivo, a cores e na 2 do Sempre em Pé. Não há de ser nada.
Aviso ao Norte: Está outra vez em cena até ao dia 18 a peça "Cara de Fogo", pelo Teatro Universitário do Porto, no Museu do Carro Eléctrico. Os bilhetes são baratos demais para o espectáculo que é. Merece ser visto. Vão. Assistam. Levem gente. E não se queixem de que não há coisas boas no norte. Upa. Ainda aí estão? Andor! Vá, antes que esgote! Upa. Corda nas perninhas!
Esta quarta-feira estou de regresso ao Almirante Bar, em Frielas, ali como quem vai para Loures e descai. Já sabem, a coisa começa por volta das onze. Esqueçam. Afinal não vou a este. Mas vou ao outro: Sábado, estarei na estreia das noites de comédia de outro local, no Cadaval - mas depois avanço detalhes. Apareçam!!!
...já é hora de concretizar alguns velhos projectos que tenho na gaveta, algures entre esboços e intenções. Vou aproveitar a chegada do calor e arregaçar as mangas: acabar a peça, escrever a história, voltar a desenhar. E tirar a guitarra do saco, desenferrujar os dedos, fazer as pazes com a música. Os vizinhos se calhar nem merecem, mas lá terá que ser, são os tortuosos caminhos da absolvição artística. E quero ir para palco com um texto que não seja meu. Coisa para dois, ou três actores, longe da comédia. Pode ser um drama, um policial, o que for. Alguma ideia?
Sentou-se junto ao parapeito antigo, onde a madeira espreitava por baixo da tinta plástica branca, e deixou o olhar repousar sobre Lisboa, sobre os telhados, nuvens, o rio ao fundo e as folhas de figueira que ondulavam (simétricas) ao sol de fim de tarde. Daquela janela daquele prédio velho daquela rua velha daquela velha cidade, a paisagem nunca era a mesma. Todos os dias mudava, mas mudava em pequenos pormenores, pormenores gentis, delicados, como aquele gato que ontem era branco e aquela chaminé que ontem parecia não estar ali. Lisboa, vista de cima, não tem pessoas. Tem telhas e antenas, mas não tem pessoas. No máximo, em dias de estufa solarenga, terá alguns turistas ali, no miradouro, ou ali, na esplanada da varanda do hotel, mas não tem gente, gente de carne e osso lisboeta. Lisboa, vista de cima, tem prédios e janelas fechadas, ou abertas mas vazias, mas não tem homens nem mulheres a sorrir, ou a pensar, ou a fumar, ou a olhar as nuvens o rio e as folhas de figueira. E é aí que Lisboa está longe do Porto. Porque o Porto pode não ter aqueles turistas do miradouro ou aquele gato preto que ainda ontem era branco, mas tem olhos e ombros e cabelos e queixo. Olhe-se de onde se olhar, o Porto é gente. O Porto é rostos e janelas abertas com pessoas a espreitar ou então a adivinhar pessoas que, não tarda nada, virão espreitar. Chamem-lhe cinzento e falem da luz, mas para que serve uma cidade cuja luz fantástica procura gente e não a encontra? Encostado ao parapeito, preparou-se para uma última vista de olhos.
Para quem, como eu, anda farto de ver sites que só arranham a superfície dos temas, é sempre uma felicidade encontrar pontos de referência que realmente tenham informação. E um desses pontos é o site que aqui vos trago, um verdadeiro museu digital sobre Leonardo Da Vinci. Criado pela Universidade de Artes de Londres e apoiado por uma série de instituições, o site é um verdadeiro museu on-line. Esqueçam os códigos e deliciem-se com a realidade de um dos maiores génios da humanidade.
Renée C. Byer ganhou o prémio Pulitzer deste ano com uma reportagem fotográfica sobre uma mãe e um filho que lutam contra o cancro. E que perdem. Um relato crú, real e directo ao coração. Merece ser visto. Cliquem aqui para aceder ao trabalho, e leiam.
...porque o Júlio dos Caracóis reabriu e os pratinhos já saem, fumegantes, da cozinha. Para quem não sabe, o caracol é um molusco gastrópode de concha espiralada calcária, pertencente à família Helicidae. São animais terrestres com ampla distribuição ambiental e geográfica. Os caracóis são terrestres e respiram através de um pulmão. Se quiserem arriscar em casa, a receita-base é: Ingredientes: 2l de caracóis 1/2dl de leite 4 dentes de alho 1 folha de louro Orégãos Sal e pimenta Preparação: Os caracóis devem ser lavados abundantemente até não deitarem qualquer sujidade. De seguida, coloque-os a cozer em água com o sal, a pimenta, o leite, o louro e os alhos que devem ser cortados a meio. Deixe cozer sempre em lume brando para que o caracol saia o mais possível. Observações: Uma sugestão que torna os caracóis ainda mais saborosos poderá ser colocar presunto ou paio na água de cozedura.
Eu cá prefiro ir ao tasco do Julinho, com uma prévia passagem no restaurante da frente e uma investida na graúda caracoleta. Ranhosamente bom!
Aproveitemos amanhã, que os carecas da extrema-direita vão estar todos reunidos em Lisboa, para os caçar em grupo, regá-los com gasolina e chegar fogo. Isto não é incitar à violência, é apelar para a higiene social.
O visitante desta muy humilde casa, Pratas de seu nome, escolheu este blog como um dos cinco de sua eleição. No entanto, o blog dele é que merece mesmo uma visita!
Esta quarta-feira há stand-up ao vivo! Eu e o camarada Gustavo vamos dar início às noites de comédia no Club47, nos Restauradores, em Lisboa. A coisa deve começar por volta das 23h. Apareces?
Anda por aí uma campanha com o selo do Ministério da Educação chamada Aprender Compensa. De outdoors a anúncios na televisão, eis o desfile de rostos famosos numa vida alternativa, inseridos no programa do governo "Novas Oportunidades". Até aqui, tudo bem. É sempre giro dizer aos calões dos nossos estudantes "ponham-se finos, senão", assim como também é giro ver a Judite de Sousa "que não estudou". Mas será que mais ninguém pensa que, na verdade, o que esta campanha diz é que um pivot de televisão tem mais valor do que uma operadora de caixa de hiper? Tudo bem que se incentive os estudos. Mas não usem como exemplo outras profissões, como se fossem de baixo nível. Porque não são. Um gajo que carrega tijolos numa obra não é menos do que um jornalista. Não é.
Já aqui tinha falado de Sam Harris, num post que, na altura, deu origem a uma acesa discussão entre os leitores deste blog; inclusive com algum hate-mail à mistura e tudo.
Para quem não sabe e/ou não viu, Sam Harris é uma das principais referências da actualidade no que toca ao chamado novo ateísmo. E eis que, nem a propósito, chega a Portugal o seu livro mais badalado e em língua lusa: The End of Faith, O Fim da Fé. Depois de ter lido o original, já tenho a tradução em fila de espera para voltar a ler.
E, depois de tanta discussão, aqui fica a vossa oportunidade para se documentarem, crentes ou não. O livro está em todas as livrarias, graças às publicações da editora Tinta Da China. É só comprar, por exemplo aqui.
Para aguçar o apetite, aqui ficam alguns vídeo de Harris.
Depois da loucura que foi(embora ainda não tenha sossegado completamente) o arranque de Factor M, programa que estou a produzir com a MediaLuso, finalmente arranjei um tempo para regressar ao blog: abri as janelas, deixei arejar e limpei o pó.
Tenho vindo a constatar ultimamente o fenómeno popularmente conhecido como "envelhecer". Não é que me sinta velho, mas sim mais velho. O que é claramente diferente - se não sabes a diferença, é porque ainda és muito novo.
Sintomas básicos de que estamos a envelhecer? Aqui seguem alguns.
- apercebes-te finalmente da importância vital de coisas como manjericão fresco, a ramagem de uma planta doméstica e a largura do bocal de um copo de vinho tinto; - deixas de ter paciência para pessoas que começam um diálogo com a frase "Eu sou uma pessoa que...". O que te define são os teus actos e as tuas considerações sobre o mundo que te é externo, nunca interno, porque és sempre o maior suspeito na auto-análise; - quando a importância de possuir um livro dispensa explicações; - compreendes que a maior sensualidade está no que não se diz, não se faz ou não se mostra; - preferes estar sozinho do que mal-acompanhado, sendo que estar mal-acompanhado ganhou de repente um sentido muito lato; - aceitas como indiscutível que um amigo demora tanto ou mais tempo a macerar que um verdadeiro molho picante; - dás por ti a aguardar que as coisas sigam o rumo inevitável; - passas a acreditar menos nos novos talentos e a admirar muito mais os velhos clássicos; - consegues identificar pelo menos 5 detalhes plagiados em qualquer novo single na rádio, ou filme em estreia, ou livro de escaparate, ou colega de trabalho; - descobres finalmente que "o verdadeiro prazer está no percurso e raramente no objectivo"; e que, durante todos estes anos em que defendias esta máxima, não fazias a mais pequena ideia do que realmente queria dizer; - eleges a metáfora como tua melhor amiga; - encontras um sentido para a vida: em frente.
Navegando pela internet em busca de um sono perdido, eis que encontro esta preciosidade: 16 Coisas Que A Maioria de Nós Demora 50 Anos a Aprender. Por falta de paciência e para que nada se perca da versão original, aqui fica o texto:
16 things it takes most of us 50 years to learn 1.The badness of a movie is directly proportional to the number of helicopters in it. 2.You will never find anybody who can give you a clear and compelling reason why we observe daylight-saving time. 3.You should never say anything to a woman that even remotely suggests you think she’s pregnant unless you can see an actual baby emerging from her at that moment. 4.The one thing that unites all human beings, regardless of age, gender, religion, economic status or ethnic background, is that, deep down inside, we ALL believe that we are above-average drivers. 5.There comes a time when you should stop expecting other people to make a big deal about your birthday. That time is: age 11. 6.There is a very fine line between “hobby” and “mental illness.” 7.People who want to share their religious views with you almost never want you to share yours with them. 8.If you had to identify, in one word, the reason why the human race has not achieved, and never will achieve, its full potential, that word would be “meetings.” 9.The main accomplishment of almost all organized protests is to annoy people who are not in them. 10.If there really is a God who created the entire universe with all of its glories, and he decides to deliver a message to humanity, he will NOT use as his messenger a person on cable TV with a bad hairstyle or in some cases, really bad make-up too. 11.You should not confuse your career with your life. 12.A person who is nice to you, but rude to the waiter/janitor, is not a nice person. 13.No matter what happens, somebody will find a way to take it too seriously. 14.When trouble arises and things look bad, there is always one individual who perceives a solution and is willing to take command. Very often, that individual is crazy. 15.Your true friends love you, anyway. 16.Nobody cares if you can’t dance well. Just get up and dance.
Esta eu não podia deixar passar; tive que vir até aqui deixar umas linhas sobre a escolha, ontem na RTP, de Salazar como o maior português de sempre. Segundo o programa, esta foi a decisão de pouco mais de 200 mil espectadores (ou chamadas, se preferirem), num programa de entretenimento que acabou por reabrir algumas velhas feridas lusitanas. Embora me apetecesse sair à rua com um saco na cabeça, acabei por decidir pensar racionalmente sobre a coisa. Certamente virão por aí muitas análises de muitos analistas muito especialistas nestas coisas de fazer leituras sobre estes fenómenos, mas aqui vai uma visão pessoal sobre a coisa. Existem duas respostas possíveis para este resultado.
1º O resultado não expressa a vontade do povo português É a resposta de conforto. Pensemos na seguinte perspectiva: nem toda a gente estava a ver televisão ontem à noite, exceptuando 200 mil velhos do Restelo. O programa não conseguiu chamar a atenção generalista excepto a alguns fãs de Salazar que puseram toda a família a ligar em catadupa como se não houvesse amanhã. Ou seja, um resultado parecido com o primeiro refrendo ao aborto.
2º O resultado expressa perfeitamente a vontade do povo português Uma das principais características do antigo regime era não promover a educação; o povo queria-se burro e manipulável, inculto. Uma política que ainda hoje se reflecte no que somos: um país de gente de curta memória, presa a dogmas ultrapassados, desconhecedora da realidade e do mundo. Por mais que custe a muita gente, Portugal é um país na cauda do mundo, na cauda do saber, na cauda da civilização, pouco longe de alguns redutos do terceiro mundo. Somos muito menos do que gostaríamos de ser, por mais que o tentemos disfarçar com carros topo de gama, internet banda larga e lojas modernaças. Salazar ganhou porque nos faltam líderes a sério, porque nos falta uma mentalidade una e globalizante, porque somos um país de reality shows e baixa literacia.
Que não haja dúvidas: o site da RTP é um dos melhores do país. Tem toda a informação, uma fantástica base de dados e em crescimento, é fácil de navegar, etc, etc, etc... Mas até no melhor pano cai a nódoa. Quarta-feira, o dia do grande cinquentenário. No site do canal, eis o que podemos ler: Odiada televisão? Não há necessidade, meus amigos... É o problema do grafismo. "O dia da" pode facilmente transformar-se numa má leitura... Fica a chamada de atenção, inevitavelmente recheada de um sorriso malandro. Rapazes da RTP: esta foi de principiante... Ai, ai, ai.
Eu sei que tenho andado meio desligado, mas por bons motivos: trabalho. Estou completamente envolvido no novo programa das manhãs de sábado da RTP e, enquanto o comboio não estiver em andamento, não me posso dar ao luxo de grandes distracções. De qualquer forma, para os habituais visitantes deste humilde lar electrónico, aqui fica uma preciosidade: Mais informações depois desta curta pausa. Entretanto, a todos os que aqui vierem: não se esqueçam de desligar as luzes e deixar as janelas fechadas. Abracinhos.
Alô designers, alô Karmatoon, alô Silvia, alô minha gente! Lembram-se da cena "What does Marsellus Wallace Look Like", em Pulp Fiction? enão recordem-na agora, sem imagem e apenas com tipografia... Genial!
Para os ainda mais esquecidos, aqui fica o original:
O grande vencedor na cerimónia das estatuetas douradas? Al Gore. O ex-vice-presidente norte-americano foi o centro das atenções, graças ao seu documentário "Uma Verdade Inconveniente". Primeiro, teve direito a um momento especial em palco, com Leonardo DiCaprio, em que se revelou que a própria cerimónia passou a ser "verde", com toda a produção orientada para a ecologia. Depois, levou para casa duas estatuetas e foi constantemente citado e referido ao longo do programa - um esforço notório da Academia para passar a mensagem green, além de algumas piadas sobre a possibilidade da sua re-candidatura.
De resto, uma cerimónia equilibrada. Alguns dos meus favoritos ganharam onde mereciam; "Little Miss Sunshine" como guião original e actor secundário, e "O Labirinto do Fauno" com direcção artística, maquilhagem e fotografia.
Melhor momento da noite: Ellen DeGeneres surge na plateia e diz que quer tirar uma foto com Clint Eastwood, para pôr no MySpace. Ao lado, Steven Spielberg voluntaria-se para ajudar e tira a foto... Ellen olha para a imagem tirada e pede-lhe para repetir, desta vez com "menos ar dos lados"... Raramente vamos poder ver outra vez uma comediante ensinar Spielberg a fotografar.
Martin Scorsese, no fim da noite, arrecadou o de "Melhor Filme". Eram sérios, os concorrentes, mas "The Departed" merece-o. É, sem dúvida, um grande filme, um dos melhores de Scorcese, com uma narrativa genial, actores de luxo e tudo a bater certo, no sítio certo. Merece-o.
É claro que a maior pena foi, mais uma vez, não estarmos presentes na Gala. "Alice" merecia-o. Mas é assi, o rumo das coisas.
Eu, que sou utilizador fiel dos produtos Google, sei muito bem que estou a ceder o meu individualismoa este monstro corporativo. Já por várias vezes tentei explicar isto a muitas pessoas, mas este vídeo resume tudo. Ora aqui está, finalmente explicado(em inglês), o plano da Google para dominar o mundo.
Ora aqui estão quatro ingleses formidáveis, uma espécie de fab-four da música clássica. Chamam-se Stringfever. Reparem só como eles nos contam, em meia dúzia de minutos, a História da Música:
Ou então como tocam o Bolero de Ravel, tocado pelo quarteto num único violoncelo:
A minha amiguita Silvia (sem acento, que ela não gosta) puxou-nos o tapete e fechou a porta do seu blog. Só durante uns tempos, diz ela. Faz bem. A casa é dela. Tem todo o direito de se fechar lá dentro e recuperar o seu espaço. Claro que, ao ver um blog assim, fechado a sete chaves, não consigo deixar de imaginar o que se passará lá dentro... Imagino a Silvia, sentada entre milhares de posts antigos, a ver dvd's antigos e a empaturrar-se de gelado, a escrever coisas que só a ela lhe dizem respeito.
Força, miúda - põe a casa em ordem e os cortinados a arejar. Só não te esqueças que a malta está cá fora, à porta. Ao frio. À espera.
"O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, afirmou ontem à noite que os portugueses "não têm testículos" para dizer que o referendo à despenalização do aborto não é vinculativo." in Público, 16/02/07
Caro Dr. Jardim,
Após aprofundada análise do seu comportamento nas últimas décadas, temo informá-lo que, na verdade, podemos concluir que o senhor é que não é vinculativo aos portugueses. E desde já peço desculpa por lhe chamar "senhor". Adiante. No que toca ao referendo, a primeira coisa que foi dita por todas as principais e mais sábias vozes desta nação (vozes que não está certamente habituado a escutar) é que, graças à elevada abstenção, o resultado não teve resultado juridicamente vinculativo. Isso, caro Alberto (caro no sentido de dispendioso), já nós sabemos e não precisamos de verificar a presença dos testículos para confirmar. Mas sabemos que as coisas também valem pela demonstração de intenções e, por isso, é nossa opinião generalizada que o referendo terá algum vínculo moral. Já agora:
Moral
do Lat. morale
s. f., conjunto de costumes e opiniões que um indivíduo ou um grupo de indivíduos possuem relativamente ao comportamento; conjunto de regras de comportamento consideradas como universalmente válidas; parte da filosofia que trata dos costumes e dos deveres do homem para com o seu semelhante e para consigo; ética; teoria ou tratado sobre o bem e o mal; lição, conceito que se extrai de uma obra, de um facto, etc. ;
Gostaria também de o esclarecer que compreendemos todos a sua tendência para levar a conversa para os testículos mas por estes lados já andamos quase todos a pensar com a outra cabeça. Mas é natural: a sua necessidade de mostrar "quem é que tem tomates" é um reflexo do excesso de testosterona e a sua necessidade de manifestar a sua posição como macho alfa, líder da matilha. Nós sabemos - há documentários de vida animal que falam disso e, na sua idade e estado mental, é natural que tenha necessidades de afirmação perante a tribo.
Quanto às suas ameaças de levantar inconstitucionalidade em relação à futura lei, faça-o. Já não nos incomoda muito, essa mania de prolongar o carnaval para além da data de calendário. Cada um é bobo quando quer. Deixe-me apenas referir, Alberto, que grande parte de nós já não se alarma com o seu fogo de artifício. Sabemos que não é um líder, porque um verdadeiro líder não se impõe, porque um verdadeiro líder sabe ouvir, porque um verdadeiro líder conhece o termo respeito. Sabemos muita coisa sobre si, Alberto, infelizmente.
Desde 1978 que sabemos que, na Madeira, há um bombo de carnaval que continua a fazer barulho todo o ano. Mas, por dentro, é oco.
Michel Houellebecq é o nome do senhor escritor. Se ainda não leram nada deste cavalheiro, francês formado em engenharia agrónoma, façam-no. Actualmente, estou a ler o seu primeiro livro, "A Extensão do Domínio da Luta", das edições quasi e é um murro na alma. O livro é sobre um informático deprimido. E é fabuloso: li as primeiras trinta e cinco páginas, voltei atrás e repeti. Os editores portugueses até lhe fizeram um trailer:
Chamava-se António, ia fazer 33 anos e conviveu comigo durante vários anos na Póvoa de Varzim. Era um tipo saudável e bem-disposto - esta semana, um AVC levou-o. A vida é curta. Inesperadamente curta.
Um abraço, mister. Se eu acreditasse na vida para além da morte, combinava o encontro, mas não vai acontecer. E é pena - teríamos muito que falar, com umas cervejas na mão.
Publicidades feitas com cabeça, para a cabeça. Capacetes Bye: E da Phyto Plage, para um creme protector capilar, que protege dos raios UV e outras coisinhas más (à primeira vista, pensei que fosse campanha para gel):
...aos trinta anos mandam o escritório à vida e atiram-se para os palcos ...sofrem, porque são genuínos e entregam-se às pessoas ...sabem mais que quem está à sua volta mas fazem questão de não os envergonhar ...preferem uma garrafa de vinho em casa a um shot na discoteca ...conhecem músicas que eu nem sabiam que existiam ...lêem livros com capas estranhas e pouco coloridas ...escrevem numa só frase aquilo que muitos explicam em volumes ...sabem ouvir ...sabem sorrir ...viajam centenas de quilómetros para abraçar alguém.
São poucos, cabem nos dedos desta mão que aqui tenho. Mas enchem a minha vida com todo o tamanho do mundo. Por isso, às vezes sinto-me injustiçadamente privilegiado: porque nem sempre estou ao lado deles, porque lhes ligo pouco, porque acho que eles merecem muito mais. Sou é um sortudo - existem poucas pessoas assim e eu tenho a sorte de as conhecer.
Uma boa acção sabe bem. Faz bem. E não custa nada. A maioria das pessoas foge do "activismo" como o diabo da cruz, mas a verdade é que podemos tomar atitudes e defender o que está certo, muitas vezes até sem grandes esforços. Por isso, mexe-te. Acorda. Uma das coisas que podes fazer, já, é perceber qual o estado dos nossos oceanos. E depois, já agora, assinar esta carta. Os oceanos não precisam de um milagre - só de uma pequena ajuda.
A moda da comida japonesa pegou, e já há quem procure os verdadeiros restaurantes japoneses em vez dos falsos rodízios supostamente nipónicos em que um sashimi é nome de susto. Mas cada vez há mais atrevidos que procuram descobrir receitas e explorar o mundo da gastronomia oriental em casa. E porque não? Uma das deliciosas cozinhas que pode ser descoberta é a da comida Thai. Tem o seu quê de oriental, mas mistura vários conceitos. O site Enjoy Thai Food é um passaporte garantido para este universo - e não deixem de espreitar >os vídeos de cozinha.
"Deixa de se fazer de morta para comer o coveiro!" por Manoel Carlos
(sim, o autor da novela Páginas da Vida. E nada de comentários engraçadinhos em relação ao facto de eu ter ocasionalmente, no dia dos namorados, por acaso, sem querer, despropositadamente, visto isso. Mas também foi a noite em que o Benfica jogou em casa, com mil diabos. )
Muito bem, já decidi qual o brinquedo que, se alguém quiser, me pode oferecer. Chama-se Aquaskipper e parece ser uma ideia. Uma pequena grande obra de engenharia humana: uma espécie de bicicleta humana de menos de 12 quilos, capaz de deslizar pelas águas a qualquer coisa como 27 km/h. Ah, e custa cerca de 500 euritos... Vejam como funciona:
Na terça-feira passada, eu e o Jorge Crespo estivemos no palco do Maria Matos Café. Foi um bom espectáculo e adorei o espaço - familiar q.b., com uma constante proximidade, um serviço atencioso e um grande sentido de profissionalismo. Muito bom, mesmo, tenho que começar a ir lá jantar de vez em quando. E aconselho a visita.
O número de visitas neste blog tem vindo a aumentar mas esse não é o lado bom da história. O que realmente é positivo é que cada vez surgem mais pessoas que dialogam, trocam impressões, manifestam ideias e assumem posições. É tão bom abrir o blog ou o mail e descobrir opiniões e palavras novas. Obrigado a todos, e continuem. Digam coisas. Mandem sugestões, links e palpites.
Já agora, como nota de rodapé, uma chamada de atenção para a data de hoje. Neste mesmo dia, mas em 1633, Galileu Galilei chegava a Roma para enfrentar julgamento eclesiástico sob a acusação de heresia. Tudo por causa da sua ideia imbecil de que o mundo giraria à volta do sol, imaginem! Tramou-se, mas safou-se com vida. Foi obrigado a renunciar publicamente a esse absurdo chamado heliocentrismo e foi condenado a prisão domiciliária para o resto da vida. O que pode ser considerado sorte - a pena, na altura seria prisão ou morte. Assim, durante uns tempos, o sol continuou a girar em torno da Terra e o Vaticano pode continuar a dormir descansado...