Deliciei-me hoje com uma entrevista do Jornal das 9, na Sic Notícias, ao suposto porta-voz do suposto movimento "Verde Eufémia", conduzida por Mário Crespo, num estilo capaz de fazer inveja ao mais astuto inquisidor da Statsi e onde só faltava um parceiro a Crespo para, num jogo good cop/bad cop, sacarem Toda A Verdade ao ecologista franzino.
Foi cerca de meia hora, em directo, com um Mário Crespo a ponto de caramelo (estilo mais um segundo e esbofeteio-te, ó canalha comuna!) e um tal de Gualter Batista em ponto sem retorno (estilo este gajo no 6o Minutos parecia mais afável).
Foi um daqueles momentos televisivos que ficam para a história da comunicação: um pivot de dedo em riste, um auricular alto demais com um editor algures numa cabine prestes a estourar as cordas vocais, um entrevistado escorregadio como truta fresca e uma conversa de surdos. Obrigadinho.
Mas serviu de mote para uma reflexão sobre toda esta história dos tais activistas que destruiram cerca de um hectare de milho transgénico na Herdade da Lameira, Silves.
Não vou aqui desenrolar teorias sobre as benesses ou impactos negativos dos alimentos transgénicos, tanto mais que toda essa polémica ainda continua bem acesa e alvo de intensa discussão por parte dos especialistas - coisa que eu não sou.
Mas gostava de deixar umas sugestões à rapaziada da associação (chamar-se-ão eufemistas?), ao senhor Miguel Portas (que entretanto também se meteu ao barulho) e aos agricultores que investem neste género de cultivo.
Tomem notas:
1º Párem de chamar a estas iniciativas desportivas (são evidentemente provas todo-o-terreno) "acções de desobediência civil". Procurem nomes mais impactantes, poéticos, como "Exibição de Bio-terrorismo classe-média" ou "Campeonato de Galga-Milho para Mascarilhas". Desobediência Civil é tomar banho nas fontes públicas ou não lavar as mãos depois de urinar, por exemplo;
2º Por uma questão de credibilidade, arranjem um porta-voz que não se chame Gualter e que se pareça menos com um tesoureiro da associação de estudantes de escola de design. Procurem alguém mais impactante e contundente: ouvi dizer que o Manuel Subtil está disponível. Ou o Nel Monteiro, que serve sempre de ameaça suplementar;
3º Sejam coerentes e continuem a modelar todas as vossas acções pela filosofia que vos orienta. Podem entrar em churrascarias-rodízio e espetar garfos nos olhos dos clientes ou aproveitar a indumentária e ir pelas carruagens do Metro fora a roubar os telemóveis dos incautos passageiros (os telemóveis contribuem para o aquecimento global e emitem radiações). Ah, esqueçam esta última, recordo-me agora que isto já há quem faça (concerteza alguém da Quercus);
4º Uma grande técnica para conseguirem ainda mais tempo de antena televisivo é optar por homens-bomba, como os extremistas-muçulmanos (que não comem porco). Isso sim, é que era aviar campos de milho, além de dar um uso apropriado aos vossos associados;
5º Relembro por último aos agricultores visados que existe um remédio extraordinário contra jovens mimados armados em activistas greenpeace de trazer por casa, que é indolor para a quem a usa e que garante resultados fantásticos contra a invasão de propriedade privada, especialmente quando usada a curtas distâncias. Chama-se "caçadeira".