Pedro Alpiarça


(1958-2007)
Estive ontem na Sociedade Guilherme Cossoul para, juntamente com dezenas de outras pessoas, prestar homenagem a Pedro Alpiarça, numa noite de afectos, reencontros e calor humano.
Foi no fim de Setembro que o Pedro mais uma vez surpreendeu tudo e todos e voou para outros destinos. Uma morte trágica, inesperada. Teatral, até.
Dos que ali estiveram ontem, no familiar carinho da Cossoul, eu sou provavelmente o que menos tempo passou na companhia do Alpiarça. Dele guardo a memória de conversas densas mas despretensiosas, de um ser humano afável e sempre acessível, assim como de um actor com capacidades bem maiores do que para bonecos em séries de humor televisivas. Não é fácil, a vida de actor em Portugal.
Guardo-lhe o sorriso. Se há coisa que o Pedro espalhava, era o sorriso.
Mas agora, analisando os factos e revendo a história, percebo que era um sorriso que escondia muitos outros sentimentos, e se calhar nem todos tão felizes.

Vivemos num adiar constante.
Continuamos convencidos que amanhã ainda todos estaremos cá.
Adiamos constantemente aquele abraço, aquele tempo para ouvir.
Achamos que fazer uma pausa na nossa rotina para estar com alguém, só por estar, é uma aparente perda de tempo.
E caímos num erro de oratória constante: em vez de perguntarmos "Como estás?", avançamos sempre com um despachado "Tudo bem?". E esquecemos que, em ambos os casos, uma pergunta deve sempre ter uma resposta.

Para os que ficam, o relógio ainda tem corda.
Aproveitemos os minutos que restam.
Não vai rodar para sempre.

Derbys há muitos, seus palhaços

E depois não querem que a malta do norte torça o nariz a Lisboa e finque o pé na questão do sulismo: este fim-de-semana, a SIC Notícias investiu um bom par de horas de antena para falar sobre o Benfica-Sporting, com análises detalhadas, reportagens em directo, comentadores, analistas e estatísticas.
Pelo meio, ainda se deu ao incómodo de fazer uma peça de 3 minutos com imagens de arquivo sobre o outro derby, Porto-Boavista.
Desculpem lá, mas acho que o líder do campeonato merecia um tratamento um pouco mais... atencioso. Pode não ter os biliões de adeptos do SLB, mas é uma questão de equilíbrio editorial. E se a desculpa é o clássico derby (que deu no que deu), alguém devia informar os senhores da estação de Carnaxide que um Porto X Boavista não lhe fica atrás e que mexe de igual forma com multidões de adeptos. Mas é no longínquo norte, claro está. Afastadinho de Portugal.

Presentinho de fim-de-semana

Bem, já que nestes finais de Setembro o meu blog mais parece uma montra do YouTube, decidi completar esta sequência com um presentinho a todos os meus poucos e bons visitantes:

Lhasa, Lhasa de Sela, é uma norte-americana do Estado de Nova Iorque que na infância percorreu meio mundo e que vai buscar ao México grande parte das suas raízes, num universo imaginário que assenta sobretudo na sensibilidade, na emoção contida e na fenomenal capacidade de reduzir temas à extrema simplicidade.
Ah, e o videoclip tamém é belíssimo.
Bom fim-de-semana e obrigado pela preferência - a gerência agradece. :)

Maravilhas do 3D

Já que esta semana, neste blog, parece ser a semana dos vídeos, aqui fica mais um brilhante anúncio. Excelente combinação 3D e imagem real, numa campanha norte-americana da Nissan. Quem sabe, sabe, e quem pode, produz.

Genial

Como é que é possível não gostar disto?

I rest my case.

O vídeo do ano ou "Já não brinco mais"

SIC Notícias, Jornal das Dez. O senhor doutor Santana Lopes é convidado para comentar a situação do PSD, a política nacional e a qualidade da música de dança, se ainda houver tempo.
Porém, a pivot Ana Lourenço é obrigada a interromper por breves instantes a amena cavaqueira, para um directo do aeroporto na chegada de José Mourinho a Portugal.

Pois que o Pedrito não gostou.
Pois que o Pedrito amuou.
E pois que o Pedrito se foi embora:

Parece que o doutor Santana nunca fez televisão na vida e que não sabe o que significam as palavra "directo" e "actualidade". Ou se calhar até sabe, e por isso conseguiu sacar de um trunfo na manga e garantir que falassem dele e que os Gato o voltassem a usar brevemente para mais uns sketches.
Curiosamente, acho que é a primeira vez que ele dá uma tampa a uma miúda gira. Ou então gosta delas mais roliças e provincianas...

De boas intenções... (parte 2)

Na continuação do meu post anterior (ver abaixo), aqui fica a versão portuguesa, pela voz da Ágata. Mais abrangente, claro está.

O dinheiro desta canção reverte para uma associação de crianças desaparecidas, apesar do título maldoso que escrev... que apareceu no vídeo, mas acho que está mal. Tenho a certeza que, com a campanha certa, haveria muito mais gente a dar muito mais dinheiro à tal associação para a Ágata não cantar.

Enfim, mais uma oportunidade desperdiçada.

De boas intenções está o Top+ cheio

Párem tudo o que estão a fazer, desliguem o solitaire e chamem todos os seres vivos à vossa volta, antes de verem o vídeo abaixo. Aumentem o volume da colunas até ao limite possível. Sentem-se confortavelmente e relaxem.


Já está? Então já podem carregar em play.

Ora bem, aqui está o franco exemplo do que é uma boa produção musical em prol de uma nobre causa. À semelhança de nomes como Elton John, Bryan Adams, Sting e João Pedro Pais, estes dois cantautores, que presumo serem pai e filho (tipo Kelly Family na desintoxicação), decidiram abdicar do dinheiro fácil e de mais um hit single na MTV por uma criação artística altruísta, inspirada pelos anjos, envolvida de amor e carinho.

E, meus amigos, estes bardos dos tempos modernos não estão para meias medidas! Repare-se na qualidade estudada para este maravilhoso videoclip, com um décor inspirado na indústria têxtil. Observe-se a indumentária, um guarda-roupa cuidado, minunciosamente detalhado para manter o estatuto de estrela sem perder a ligação às classes sociais mais desfavorecidas.

E a música? Que dizer da música? Uma pérola, meus caros, uma pérola! O instrumental, uma mistura entre Paco de Lucia e Carlos Paredes! A voz, um misto de Kenny Rogers com o sempre imortal Marante!!!

Bis, bis, bis!

Se a miúda ainda estiver viva, espero que seja surda.

A minha idolatria é maior que a tua


Esqueçam o aeroporto ou o novo hipermercado da vossa freguesia, a maior obra de construção civil de Portugal já está em marcha e fica em Leiria. O novo santuário de Fátima é um gigante que já entrou em derrapagem financeira e ultrapassa neste momento os 80 milhões de euros, o dobro do previsto inicialmente.
Não tenho nada contra lugares de culto, até costumam ser locais agradáveis e limpinhos, dignos de qualquer inspecção da ASAE, mas devo confessar que me faz alguma confusão. A mim, que sou um mero exemplar classe média, 80 milhões de euros parece-me uma batelada de dinheiro, mais do que qualquer acumulado da Árvore das Patacas...
Não que dinheiro seja um problema para a Igreja Católica Apostólica Romana: os responsáveis eclesiáticos já garantiram que a facturinha vai ser paga a pronto, com o apoio de um fundo de investimento em acções que é gerido por uma instituição bancária do norte do país. Ou seja, a Igreja não só tem uma grande bolsa como também joga nela.
A mim só me restam algumas dúvidas, especialmente quando envolvo este projecto na minha cabecinha oca com conceitos como caridade e a tão proclamada acção social da Igreja. Porque me parece que, em vez de um templo maior para adorar ídolos (isto não era pecado?), talvez estes 80 milhões de esmolas fossem um bocadinho de nada mais úteis na luta contra a pobreza, em apoio a idosos, obras sociais, reintegração de pessoas sem-abrigo, fármacos para o terceiro mundo, e mais umas centenas de possibilidades.
Mas talvez não. Afinal de contas, Deus é conhecido pelo seu gosto por decoração de interiores e consta que o novo santuário vai ter um mural gigante belíssimo com talha de ouro - e não há pobrezinho que valha mais que um bom ornamento.
Se eu gostasse de criancinhas de uma forma mais afectuosa, deveria ter ido para padre. É uma excelente carreira. Venha a nós o vosso reino.
Amén.

Conceito

Se os meus pais adivinhassem as voltas que a minha vida dá, tinham-me posto o nome de Chico Pião.

The boys are back in town

Mais algumas fotos da sessão com o Sindicato...

Miguel Branco

Sandro Pires


António Raminhos


Paulo Oliveira


Pedro Ribeiro


Hélio Branco


Gustavo "the Soundbox"


Guilherme Fonseca


Jorge Crespo
o senhorio deste blog
Vasco Correia, o smooth de Évora

Um dia...

...havemos de olhar para trás e dizer "Lembras-te de como tudo começou?"


Vai ser giro.

Au revoir!


Mais um mestre que abandona a sala:
Marcel Marceau, o rei dos mimos (1923 – 2007).
Este ano, a continuar assim, é o ano em que perdemos os grandes. Do cinema à música, do teatro à literatura, a coisa anda negra. Ou melhor, de luto.
Já agora, se quiserem, aqui fica o link para uma coisa rara, a voz de Marcel Marceau numa entrevista/conferência na Universidade de Indiana, em 2001 (presumo), onde fala da sua evolução, da comparação da arte do mimo à dança, do futuro da arte e várias outras coisas. Podem ouvir tudo ou apenas as partes que vos interessam, e está em formato RealPlayer.

The Bourne Enjoatum

Fui ver o último capítulo da saga Jason Bourne, o "Ultimatum", filme onde o Matt Damon basicamente esfrangalha James Bond e dá mostras de como deveria ser um agente secreto no século XXI.
O filme é bom e segue na qualidade dos anteriores mas (há sempre um "mas") a realização merece um puxão de orelhas. Desta vez abusaram: não há paciência para duas horas de câmara ao ombro, imagem tremida e trepidante, solavancos constantes. A ideia pode ser colocar o espectador no meio da acção, mas acaba por o colocar no meio do enjôo. Se há alturas em que isso funciona, há outras em que só serve para baralhar (quem é que está a bater em quem, o que é que aconteceu?), correndo-se o risco de perder muitas vezes alguns pormenores fantásticos da coreografia de luta ou das fantásticas perseguições.
Mas, mesmo assim, vale a pena ser visto - é um filme de acção crescido, para adultos, e as poucas incoerências são facilmente desculpáveis (há coisas que acontecem com um timing fora da realidade, como a polícia chegar a um local 3 minutos depois da chamada). Jason Bourne é um agente secreto à séria, que dá porrada como um mestre e esquiva-se como uma raposa. Se forem ver o filme, já sabem: nunca nas filas da frente.

Estes congressistas são loucos

Na sexta-feira estive num congresso de alunos de medicina para falar sobre duas coisas sobre as quais não percebo nada: sexo e humor. Para equilibrar as coisas, fui acompanhado pelo Luís Filipe Borges e pelo Fernando Alvim - assim o público não se sentiu muito defraudado.
Apesar de tudo, foi uma conversa fantástica, seguida de um jantar na companhia de jovens futuros médicos. Daqui a uns tempos, quando começar a precisar a sério de tratamento para os problemas naturais da minha idade, terei sempre a hipótese de tentar puxar uma cunha. Tenho que me lembrar disto quando for ao toque rectal, por isso convém tratar primeiro do sr. Alzheimer.
No meio de tanta coisa e tanta malta nova, verdadeiros marrões modernos da nova geração - simpáticos, bem-dispostos e inteligentes - apercebi-me claramente que estou a ficar velho. Há ali malta que quando eu acabei o secundário ainda estavam a aprender a ler. O raio do tempo passa e, para isso, não há remédio.
Onde é que eu pus a algália?

Outdoor

Isto sim, é uma boa utilização de um painel pulicitário...

O verdadeiro significado de LOL

Eu sei: isto não se faz a ninguém e passado é passado, mas... não resisto. Ora vejam lá este arquivo da SIC:

As voltas que a vida dá... Já agora, um abraço para o Rocha, gajo que eu adoro (apesar desta minha maldade).

It´s Engrish Time!

O melhor inglês... do continente asiático!
Uma recolha genial, no site Engrish.com (vale a pena visitar).







Descoberto através da Silvinha. E sem filtro!

Realmente, a fé...

...não tem limites.

- Prémio "Agora é este mas amanhã vem cá o Elvis":



- Prémio "Rói-te de inveja, Darwin"


- Prémio "Com este curriculum, devia ser professor da Independente"

Cliquem na imagem para ler o fabuloso CV



Enviado por Z. (obrigado!)

Ainda sobre O Sindicato

Com cerca de um aninho de existência, o "O Sindicato" mostra-se agora de forças renovadas e mais crescido, maduro, apurado.
Para quem (ainda) não sabe, "O Sindicato" é um grupo de comediantes stand-up que surgiu de uma pergunta simples: como é que se faz para garantir a aprendizagem e evolução da comédia?
A comédia em Portugal sofre de algumas doenças graves.
Primeiro, não é ainda respeitada como arte nobre: um comediante é sempre visto ou como um adaptador de anedotas ou como um actor de segunda. Apesar de ser um chavão comum dizer que é muito mais difícil fazer comédia do que drama, a verdade é que, depois de anos e anos de parodiantes e "cromos" do riso, o estatuto de comediante ainda é visto como um sub-género. Não há tradição, não há escola, não disseminação e, como tal, não há lá muito respeito. Pouca gente leva os comediantes a sério.
Segundo, com esta condição de eternos secundários, não há um circuito de comédia, não há bares de comédia e certamente não há sítios onde um iniciante possa pôr em práctica ideias novas e testar material. Caímos no erro de levar estreantes a programas de TV, sem os deixarmos dar com a cabeça nas paredes primeiro.
O trabalho em bares, auditórios e cafés-concerto é fundamental. A comédia é um desporto de alta -competição, que exige treino, habituação e por vezes, muitas "lesões" e tentativas falhadas.
O pior é que, se não se criarem condições para os novos talentos e se não se estruturarem formas de partilhar conhecimentos e adquirir experiências, estamos a matar o futuro da comédia. É obrigatório garantir "o futuro da espécie".
Solução? Juntar comediantes experientes com novatos. Unir esta malta toda. Sindicalizar. Trabalhar em grupo. Preços mais baixos mas mais horas de vôo. Dividir esforços.
E assim surgiu "O Sindicato" - mais de uma dúzia de comediantes, unidos, a atacar todos os sítios onde haja um microfone e público.
Ao fim de um ano, nota-se a evolução. As horas de palco começam a mostrar rendimento, a dar frutos. Andam aí gajos muito bons. E, juntos, são ainda mais fortes.
Para este novo ano, começam a surgir desafios como improv comedy e sketches, além do primeiro piscar de olho à ficção nacional.
Preparem-se. Qualquer dia, conquistamos o país, num 25 de Abril ainda mais silencioso que o último.

Gloriosos Malucos


Isto, apesar de ser comédia, começa a ficar sério. Já agora, gostam do poster?

Z de animal

O mister Z., amigo por herança e um dos melhores fotógrafos que percorre as vielas da semi-notoriedade deste país que não reconhece génios, encontrou-se comigo por acaso no outro dia num destes espaços culturais lisboetas que dão pelo nome de "praça da alimentação". Sempre armado até aos dentes, o dito cujo foi aproveitando a conversa para uns disparos ocasionais. E não é que o animal (que não tem outro nome e que no norte é uma forma de elogio) decide espetar a foto no seu blogue???

Eu, que não sou de tretas, fiz logo questão de me insurgir: não admito que o blog dele, casa muy digna e repleta de fotos magníficas, fique manchada com uma imagem de um pseudo-comediante velhaco armado de poupa acabada de acordar e cigarro naboca! É inadmissível!!!
Para compensar, dêem lá um saltinho ao Uma Por Rolo e descubram que o Z., apesar de tudo, é mesmo bom na arte da captura...

Em Lisboa, Live

Esta sexta-feira, no Live In Lisboa, eu e o António Raminhos vamos estragar o início de fim-de-semana com mais um espectáculo. É à hora do costume (lá para as onze) mas convém chegar um pouco mais cedo, sob risco de não apanhar mesa: o sítio não é muito grande e costuma estar à pinha. O Live In Lisboa, para quem não sabe, fica ali perto da marina da Expo, na Alameda dos Oceanos, entre o posto da Repsol e a torre da Galp. Mas o melhor mesmo é visitar o site do bar, que tem um mapa e tudo. Modernices, vá.
Apareçam!

9-11

Foto por Carlos Moura
Não é montagem, a fotografia é que tem destas coisas. Estátua em frente ao Jardim da Estrela com a casualidade lá ao fundo...

...

Foto por Carlos Moura

É uma facto: o Jardim da Estrela tem muita pinta.

Alô Montijo!


Eu e o meu compañero Paulo Oliveira estaremos amanhã no "Arte no Cais", no Montijo, para mais uma sessão de poesia escandinava e dissertações sobre a importância dos escaravelhos albinos de Kuala Lumpur. E stand-up comedy.
É no Montijo. No Cais. Depois das onze. Buga.

Extra, extra!

Já chegaram os resultados de Maddie: chumbou a matemática.

O tumor levou o tenor


Pavarotti entregou a voz à memória.
Provavelmente, porque não conseguiu fazer isto:

"How to Cope with Death" - maravilhosa surta de animação, vencedora de inúmeros prémios.

Blindness

Já não é propriamente novidade mas é oficial e garantido: Fernando Meirelles, realizador de "Cidade de Deus" e "O Fiel Jardineiro", está a rodar "Ensaio sobre a Cegueira", de Saramago.
Enquanto aguardamos o filme, nada melhor do que ir espreitando o dia-a-dia do processo, uma vez que o realizador rasileiro criou um blogue onde vai publicando o "making-of" da película. Novidade: Danny Glover parece estar confirmado no projecto.
Chama-se "Diário de Blindness" e pode ser visitado aqui!

Mais uns cliques

Adoro o elevador do meu prédio...
...e as plantas nas traseiras.

fotos por Carlos Moura

Uso genial de 3d, num daqueles anúncios raros de bom gosto:

Royksopp

É um dos melhores vídeos de todos os tempos: "Remind Me", dos Royksopp...

Madeleine McCann

Tenho cá para mim um palpite que o caso Maddie vai finalmente esmorecer e acabar perdido nas brumas da nossa curta memória, tal como o caso Rui Pedro.
Porquê?
Começou o campeonato: agora já temos bola.

Activistas de penico

Deliciei-me hoje com uma entrevista do Jornal das 9, na Sic Notícias, ao suposto porta-voz do suposto movimento "Verde Eufémia", conduzida por Mário Crespo, num estilo capaz de fazer inveja ao mais astuto inquisidor da Statsi e onde só faltava um parceiro a Crespo para, num jogo good cop/bad cop, sacarem Toda A Verdade ao ecologista franzino.
Foi cerca de meia hora, em directo, com um Mário Crespo a ponto de caramelo (estilo mais um segundo e esbofeteio-te, ó canalha comuna!) e um tal de Gualter Batista em ponto sem retorno (estilo este gajo no 6o Minutos parecia mais afável).
Foi um daqueles momentos televisivos que ficam para a história da comunicação: um pivot de dedo em riste, um auricular alto demais com um editor algures numa cabine prestes a estourar as cordas vocais, um entrevistado escorregadio como truta fresca e uma conversa de surdos. Obrigadinho.
Mas serviu de mote para uma reflexão sobre toda esta história dos tais activistas que destruiram cerca de um hectare de milho transgénico na Herdade da Lameira, Silves.
Não vou aqui desenrolar teorias sobre as benesses ou impactos negativos dos alimentos transgénicos, tanto mais que toda essa polémica ainda continua bem acesa e alvo de intensa discussão por parte dos especialistas - coisa que eu não sou.
Mas gostava de deixar umas sugestões à rapaziada da associação (chamar-se-ão eufemistas?), ao senhor Miguel Portas (que entretanto também se meteu ao barulho) e aos agricultores que investem neste género de cultivo.
Tomem notas:
1º Párem de chamar a estas iniciativas desportivas (são evidentemente provas todo-o-terreno) "acções de desobediência civil". Procurem nomes mais impactantes, poéticos, como "Exibição de Bio-terrorismo classe-média" ou "Campeonato de Galga-Milho para Mascarilhas". Desobediência Civil é tomar banho nas fontes públicas ou não lavar as mãos depois de urinar, por exemplo;
2º Por uma questão de credibilidade, arranjem um porta-voz que não se chame Gualter e que se pareça menos com um tesoureiro da associação de estudantes de escola de design. Procurem alguém mais impactante e contundente: ouvi dizer que o Manuel Subtil está disponível. Ou o Nel Monteiro, que serve sempre de ameaça suplementar;
3º Sejam coerentes e continuem a modelar todas as vossas acções pela filosofia que vos orienta. Podem entrar em churrascarias-rodízio e espetar garfos nos olhos dos clientes ou aproveitar a indumentária e ir pelas carruagens do Metro fora a roubar os telemóveis dos incautos passageiros (os telemóveis contribuem para o aquecimento global e emitem radiações). Ah, esqueçam esta última, recordo-me agora que isto já há quem faça (concerteza alguém da Quercus);
4º Uma grande técnica para conseguirem ainda mais tempo de antena televisivo é optar por homens-bomba, como os extremistas-muçulmanos (que não comem porco). Isso sim, é que era aviar campos de milho, além de dar um uso apropriado aos vossos associados;
5º Relembro por último aos agricultores visados que existe um remédio extraordinário contra jovens mimados armados em activistas greenpeace de trazer por casa, que é indolor para a quem a usa e que garante resultados fantásticos contra a invasão de propriedade privada, especialmente quando usada a curtas distâncias. Chama-se "caçadeira".

Férias Aufwiedersehen

Depois das férias, fotos. Para o ano há mais.E digam lá o que disserem, este país é lindo.








Todas as fotos por Carlos Moura - 2007

Dark Road

Annie Lennox está de volta!
O novo álbum da diva, agora com 53 anos, chama-se "Songs of Mass Destruction" e estará à venda dia 1 de Outubro. Por enquanto, primeiro single é este brilhante "Dark Road". Aumentem o volume, carreguem em play e relaxem:

Meu rico mês de Agosto

Só para animar as hostes: no próximo domingo, para além de chuva, está prevista a queda de granizo no norte e centro. E trovoadas.

Coisas que irritam

Ao voltar de férias, é triste descobrir que todo o nosso estado zen dos 15 dias de retiro desaparece com algumas coisinhas como estas:
- as chiquititas da SIC
- o assobio irritante do anúncio da Optimus
- o vento em Lisboa
- as chiquititas
- a Bárbara Guimarães a promover a Família Superstar
- a possibilidade de existir neste país uma Família Superstar
- a Bárbara Guimarães a promover seja o que for
- as chiquititas (sim, recuso-me a referi-las com letra maiúscula)
- as tampas de saneamento colocadas estrategicamente na via de rodagem (impossível não acertar em cheio)
- as supostas perguntas de cultura geral d' A Herança
- a descoberta de que 75% dos mails recebidos são spam
- a descoberta de que os 25% restantes são pouco mais interessantes que spam
- gente que não sabe escrever e que continua a fazer erros dignos de palmatória
- o facto do livro da maluca da Joana Solnado* estar no Top 10 de vendas
- as plásticas, intragáveis e inenarráveis chiquititas
- os personagens dos Morangos com Açúcar que insistem em dizer "puto" no final de cada frase
- a Bárbara Guimarães (já não sei porquê, mas pronto)
- operadoras de caixa de supermercado que fazem de cada operação de registo um sprint do Obikwelu (como é que se escreve o nome deste português)
- supostos ecologistas que fazem terrorismo em campos de milho
- supostos políticos que fazem de terrorismo em campos de milho o bastião da nação
- políticos sem graça, sem capacidade de comunicar, sem ideias, sem carisma, sem convicção (todos)
- anúncios a empresas de crédito
- a frase "Há coisas fantásticas, não há?". Há, mas são poucas e não estão relacionadas com transmissão de dados por cabo, certamente
- a ausência de programação verdadeiramente prime-time na televisão nacional
- a especulação e prostituição jornalística sobre o caso Maddie (mas cá para mim foram os irmãos que a comeram)
- as chiquititas

...e pouco mais.

* onde se lê "Joana Solnado" deve-se ler "Alexandra Solnado". A Joana é a actriz (e filha), a Alexandra é a maluca (e mãe). Obrigado ao anónimo pela correcção.

Acabou-se o que era doce

E eis-me de regresso a Lisboa, supreendido com temperaturas dignas do Ártico (pelo menos nesta altura do ano) e já com uma boa quantidade de to-do's em cima da mesa. Agora apetecia-me tirar 3 ou quatro dias de férias só para tratar de coisas pessoais e descansar. Das ferias.
Mas afinal, o que é que se passa com o raio do tempo?

Fui.

Volto daqui a uns 15 dias, com um tom de pele menos albínico, um ar que espero mais saudável e muita coisa escrita. E lida.
Enquanto estiver ausente, peço a todos os que aqui vierem que não desarrumem a casa e fechem a porta à saída.
Abracinhos.

Estou quase quase quase quase

...a desaparecer. Mais um dia e, puf!, ninguém me põe a vista em cima.

Manuel de Oliveira preocupado...

...hoje foi Antonioni, ontem foi Bergman...

Bolas!

Quando me perguntam qual é a minha casa de sonho, a resposta é fácil: a Maison Bulle, desenhada por Antti Lovag, perto de Cannes, por encomenda de Pierre Cardin...





Se é para sonhar, pois que seja a sério...

Regresso ao Futuro

Em 1967, era assim que se previa o futuro: compras a partir de casa e... uma espécie de e-mail. Para a data, até que os rapazes eram visionários!

Breve crónica alucinada resultado de uma noite mal dormida

João Pirinéu queria ser um grande homem, grande como uma cordilheira, mas falta-lhe um ésse no apelido. Esta grave ausência, que o resume à insignificância do singular, condena-o a remeter-se da cordilheira para um singelo pico e João acorda todos os dias com aquele suspiro demorado de quem aspira à dimensão de um conjunto montanhoso mas não passa de uma mera e vulgar colina humana.
Quando era pequeno, sonhava em ser alpinista, mas a vida é como os mapas antigos onde já nem todos os caminhos vão dar ao destino que queremos. Vai daí, é carteiro; não aufere o glamour de um profissional da escalada mas passa a vida a subir ruas com o mesmo vigor de quem vai a meio caminho do Evereste; não queima narizes nem perde dedos com o frio mas já deu com o nariz na porta várias vezes e sucedeu um outono passado de entalar as falanges numa tampa de correio de mola traiçoeira que lhe deixou algumas gloriosas marcas azuis nas mãos. E não usa botas com picos para o gelo porque o vestuário nos CTT segue normas rígidas e porque, segundo o seu sub-chefe Alcides, estas modernices do calçado não são para aqui chamadas veja lá se cresce homem que os carteiros não são bonecos que para aí andam e se umas botas dessas acertam no cão de alguém ainda temos mais um processo que é coisa que esta delegação não precisa. Dixit.
João Pirinéu pode não ter o tamanho do seu nome nem um emprego à altura mas faz-se valer no que toca às baixas temperaturas que o rodeiam. É um homem quente e caloroso e não há cá ninguém da frente fria que o esmoreça no seu dia-a-dia. Ainda no outro dia o Silva da contabilidade se fez a ele como uma avalanche (raivoso!, destrutivo!, implacável!) mas João nem se mexeu, sereno perante a catástrofe de ter preenchido dois impressos 36-b mesmo quando toda a gente sabe que devia ser só um, mais o duplicado com a assinatura do freguês, e o Silva rugia-lhe de todos os lados e o João ali, impávido, agarrado ao arnês dos seus sonhos, seguro na corda de segurança que é saber que sai às cinco e já são dez para as quatro.
Pode não ser alpinista e pode não ter o tamanho dos alpes, mas por dentro é um monstro geográfico; e qualquer dia, quando conseguir arrancar um sorriso à Vanessa da distribuição e quem sabe uma ida ao café com direito a pastel de nata e soda fresca, quando conseguir um mero olá, estará lá em cima, sobre as nuvens, de bandeira ao vento, no topo do mundo, no tecto da vida.

A fuga é em Agosto


Se tudo correr conforme os meus planos, é este mês que desapareço, como mestre escapista. Não estranhem a ausência. Volto em Setembro, o mais tardar...

Vida real

Como seriam algumas das estrelas de Hollywood se fossem... americanos comuns? Bem, se calhar qualquer coisa como isto: