O Cardeal Patriarca de Lisboa, José Policarpo, afirmou na homilia de Natal que o afastamento de Deus, ou o seu esquecimento e negação, constituem "o maior drama da humanidade".
Segundo este cavalheiro, "Todas as expressões de ateísmo, todas as formas existenciais de negação ou esquecimento de Deus, continuam a ser o maior drama da humanidade, que tiram todo o sentido ao Natal, que é a exultação e o grito de alegria e de esperança que brotou do reencontro do homem com Deus"
Ou seja, segundo as palavras deste opinion-maker adornado a ouro e habituado às regalias que o seu cargo lhe oferece no polvo católico, esqueçam os conflitos bélicos gerados pela fome de petróleo e pela discussão de que o meu deus é melhor que o teu, além da pobreza, da fome, da SIDA, aquecimento global e até mesmo o preço da PS3.
Esqueçam.
Segundo Mister Policarpo, o ateísmo é o maior drama da humanidade.
Que é como quem diz, estão a mexer no meu queijo.
Mais interessante ainda é a leitura nas entrelinhas de que o ateísmo é a perda de esperança. Esse é um argumento que os teístas estão fartos de usar, como se fizesse sentido. Mas já dizia o outro, a alegria de um crente está para um ateu como a alegria de um bêbado está para um sóbrio. Adiante.
Pelo meio, este macaco da selva católica ainda teve o descaramento de meter o dedo onde não é chamado, fazendo questão de dizer que "não é a ciência que redime o ser humano", numa tentativa curiosa de afastar os seus crentes do pensamento científico...
Enfim. No meio do bolo-rei da televisão natalícia, eis a fava.
Um dia, algures no futuro, haverá gente a olhar para esta gravação e a rir da mesma forma que hoje nos rimos quando vemos os xamãs das tribos aborígenas a dançarem aos deuses para que venha chuva. E nessa altura, alguém há de colocar a pergunta: como é que aqueles tipos conseguiam ter naves espaciais, comunicações digitais e sabonetes líquidos... e ainda aturavam aquilo?