"Naquela salita? Ah, são os Globos de Ouro..."

E foi assim, sem dourados nem grandes brilhos, que lá decorreu a revelação dos Globos de Ouro, sem cerimónia festiva, numa conferênciazita de imprensa.
A ameaçar o Óscar, Javier Bardem lá levou o Globo de actor secundário para "No Country for Old Man" e Tim Burton o de melhor filme musical com "Sweeney Todd".
Chamada de atenção para "Extras", que mais uma vez papou o prémio para comédia e Daniel Day Lewis que parece estar mesmo em forma com o seu personagem em "There will be blood", que lhe valeu o Globo de Melhor Actor.
Entre greve de guionistas e birras de produtores, vamos ver se os Óscares conseguem garantir o tapete vermelho este ano.

Quanto ao vencedor de Melhor Filme, "Expiação", de Joe Wright, aqui fica o trailer:

Terça que vem

Vou mais uma vez ao "Sempre em Pé", na RTP2, o programa que, apesar do nome, começa com toda a gente sentada.

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O desconforto


Só agora tive a oportunidade de ver o mais recente de David Cronenberg, "Eastern Promises - Promessas Perigosas", com Viggo Mortensen, Naomi Watts, Vincent Cassel e vários outros. Embora não seja uma obra-prima, o filme é brilhante, e arrasta-nos pelo universo da máfia russa da forma que só Cronenberg o conseguiria fazer - desconfortável, crua, fria, dormente, cinzenta.

Um dos grandes responsáveis é este cavalheiro, Viggo Mortensen, que se transforma em cada milímetro de película (por acaso até foi filmado em HD mas vocês percebem). É ele que enche o ecrán, é ele que se despe numa das lutas mais violentas da história do cinema, é ele que é o rosto do filme.
Para quem não viu, eis o trailer:


*spoiler*
E aqui fica a famosa cena da sauna. Aviso desde já que isto merece ser visto no cinema e que é forte.

O monstro que aí vem

Chega este mês e é uma espécie de "o que seria Godzilla se fosse a sério", pelas mãos de J. J. Abrams - produtor, argumentista, responsável por sucessos como Alias, Lost, Missão Impossível III, etc.

Cloverfield estreia dia 18 nos EUA.

Contagem

Sete dias sem fumar.
Continuo com vontade de matar alguém e não tenho grande paciência nem para as pequenas merdas do quotidiano.
Olho para as pessoas que supostamente deixaram de fumar e que aparecem nas campanhas, sorridentes, com ar vitorioso, limpo, de quem ganhou a batalha... Os cabrões sorriem de quê? Se calhar não fumavam o mesmo que eu. Aparecesse agora aqui um fotógrafo a chatear-me para uma foto de campanha e dava-lhe uma cabeçada.
É assim que me sinto: violentamente mais saudável.

Pacheco, 1925-2008

Morreu Luiz Pacheco, escritor, crítico literário, fundador da editora Contraponto, libertino com tendência para mulheres jovens demais e criador provocante, filho de uma geração de portugueses que rompiam as amarras do convencional já por feitio e força do hábito.
Depois de Cesariny, é outro dos grandes que se vai. Vi-o recentemente num documentário sobre Herberto Hélder, e a RTP entrevistou-o agora, poucas semanas antes da sua morte, espero poder ver esse documentário em breve. Para quem quiser saber mais sobre o homem, aconselho uma visita ao site oficial-não-oficial "luizpacheco.no.sapo.pt". Por gosto da memória, a (saudosa) revista "K" fez-lhe uma grande entrevista, que o blog d'O Funcionário Cansado reproduz na íntegra. Vale a pena.


Somos gente pura: os mais novos não sabem o que é a promiscuidade, a minha rapariga se vir a palavra escrita deve achá-la muito comprida e custosa de soletrar: pro-mis-cu-i-da-de (pelo método João de Deus, em tipos normandos e cinzentos às risquinhas, até faz mal à vista!). A promiscuidade: eu gosto. Porque me cheira a calor humano, me sobe em gosto de carne à boca, rne penetra e tranquiliza, me lembra - e por que não ?! - coisas muito importantes (para mim, libertino se o permitem) como mamas, barrigas, pele, virilhas, axilas, umbigos como conchas, orelhas e seu tenro trincar, suor, óleos do corpo, trepidações de bicharada. E a confusão dos corpos, quando se devoram presos pelos sexos e as bocas. E as mãos, que agarram e as pernas, que enlaçam. Máquinas que nós somos, máquinas quase perfeitas a bem dizer maravilhosas, inda que frágeis, como não admirar as nossas peças, molas e válvulas e veias, todas elas animadas por um sopro que lhes parece alheio mas sai do seu próprio movimento, do arfar, dos uivos do animal, do desespero do anjo caído.

in "Comunidade", Contraponto - 1964

Servia para cobaia científica

Estou há quatro dias sem fumar e sinto-me...

...capaz de matar alguém.
Mas tenho a certeza que é desta(que deixo de fumar, não que mato alguém).

Os Incorrigíveis

Com mau aspecto e cara de quem já precisava de uma noite de sono, este vosso amigo teve a honra de ser o primeiro convidado do ano d'Os Incorrigíveis.

Enfim, uma palermice pegada.
Se ainda não viram os outros vídeos, espreitem em http://videos.sapo.pt/osincorrigiveis.

Um magazine? Pronto, 'tá bem

Modernices: fui entrevistado on-line para o site Stand-UpMagazine, que é um... magazine. E sobre stand-up, imaginem só!!!
Não sei(e sem querer ser mal-agradecido), mas é de mim ou esta publicação digital não faz muito sentido? Não acham que é a mesma coisa do que agora haver aí nas bancas uma revista sobre marionetas de cartão ou coleccionismo de tampas de frascos de pickles?...
Quer dizer, estamos num país onde neste momento há mais gente interessada em Rugby do que stand-up... Mas pronto, isto há malucos para tudo.
Vá, espreitem o link e visitem o Stand-UpMagazine.

O futuro do 3D


Lembram-se dos antigos filmes 3d como "O Monstro da Lagoa Negra", que deu na RTP e que exigia a utilização de uns óculos em papelão comprados na TVGuia? Bem, apesar de alguns filmes ainda insistirem nessa antiga tecnologia, como o recente Beowulf, há quem ande em busca de novas e melhores soluções.
E parece que quem vai à frente da corrida é nada mais, nada menos que James Cameron.
Cameron continua apostado em fazer novos blockbusters e ultrapassar barreiras do cinema. Agora desenvolveu uma nova câmera especialmente para 3D que simula o comportamento do olhar humano, inclusivé com uma simulação de paralaxe muito interessante. Ao que tudo indica, em 2009 teremos em 3D um filme inteiramente CGI, "Battle Angel", mas também um outro, com actores de carne e osso, altamente futurista: "Avatar".
Enquanto não surgem imagens dos novos filmes e do regresso (em grande?) de Cameron, aqui fica uma breve explicação desta nova tecnologia, que promete fazer o espectador saltar da cadeira:

Bora lá começar esta porra deste novo ano com coisas inspiradoras como por exemplo um título grande demais para um blog e uma musiquinha interessante


O rapaz chama-se Paolo Nutini e, como devem adivinhar pelo nome, é... escocês.
Quem quiser mais, pode sempre ir ao site oficial do moço.
Bom 08 para todos!

A dúvida


Está novamente em cena, no teatro Maria Matos, "A Dúvida", de John Patrick Shanley. Com encenação de Ana Luísa Guimarães, a peça foi galardoada com os prémios Pulitzer e Tony, e conta com interpretação de Eunice Muñoz, Diogo Infante, Isabel Abreu e Lucília Raimundo.
Com uma cenografia modular bastante interessante e um trabalho admirável dos actores, para conter e deixar passar apenas a informação necessária, a peça marca uma posição muito interessante na programação do Maria Matos. Torna-se cada vez mais claro que este é um teatro que quer fazer pensar, promover a discussão. Disso não restam margens para dúvidas.
O texto é óptimo, os actores servem-no com mestria e justifica totalmente uma ida ao MM.
Aproveitem estas duas semaninhas, se ainda não viram a peça, para lá irem, e deliciem-se com a grande Eunice Muñoz e o excelente Diogo Infante.
E depois não venham dizer que não se fazem coisas boas neste país.

Já agora, era de pensar uma reposição do "Pillowman"...

Policarpo polifónico

O Cardeal Patriarca de Lisboa, José Policarpo, afirmou na homilia de Natal que o afastamento de Deus, ou o seu esquecimento e negação, constituem "o maior drama da humanidade".
Segundo este cavalheiro, "Todas as expressões de ateísmo, todas as formas existenciais de negação ou esquecimento de Deus, continuam a ser o maior drama da humanidade, que tiram todo o sentido ao Natal, que é a exultação e o grito de alegria e de esperança que brotou do reencontro do homem com Deus"
Ou seja, segundo as palavras deste opinion-maker adornado a ouro e habituado às regalias que o seu cargo lhe oferece no polvo católico, esqueçam os conflitos bélicos gerados pela fome de petróleo e pela discussão de que o meu deus é melhor que o teu, além da pobreza, da fome, da SIDA, aquecimento global e até mesmo o preço da PS3.
Esqueçam.
Segundo Mister Policarpo, o ateísmo é o maior drama da humanidade.
Que é como quem diz, estão a mexer no meu queijo.
Mais interessante ainda é a leitura nas entrelinhas de que o ateísmo é a perda de esperança. Esse é um argumento que os teístas estão fartos de usar, como se fizesse sentido. Mas já dizia o outro, a alegria de um crente está para um ateu como a alegria de um bêbado está para um sóbrio. Adiante.
Pelo meio, este macaco da selva católica ainda teve o descaramento de meter o dedo onde não é chamado, fazendo questão de dizer que "não é a ciência que redime o ser humano", numa tentativa curiosa de afastar os seus crentes do pensamento científico...
Enfim. No meio do bolo-rei da televisão natalícia, eis a fava.

Um dia, algures no futuro, haverá gente a olhar para esta gravação e a rir da mesma forma que hoje nos rimos quando vemos os xamãs das tribos aborígenas a dançarem aos deuses para que venha chuva. E nessa altura, alguém há de colocar a pergunta: como é que aqueles tipos conseguiam ter naves espaciais, comunicações digitais e sabonetes líquidos... e ainda aturavam aquilo?

Post-it

Boas festas e tentem não se matar na estrada.

A última ceia


Cliquem na imagem para verem no tamanho original...

Au Revoir 2007

É assim, num piscar de olhos e sem sequer pedir licença, que o ano 07 deste século XXI chega ao fim. Puf, já foi.
Mas o ano despede-se com um balanço interessante e, apesar de poder não parecer, foi um ano marcante.
Foi o ano em que Portugal esteve nas bocas do mundo, fosse em busca da Maddie, fosse pelas cimeiras europeia e africana.
A Califórnia queimou até ao tutano, o Brasil assistiu em São Paulo ao maior desastre da história da sua aviação e Harry Potter despediu-se dos fãs (será mesmo?) com o último livro da série.
A ciência respirou de alívio ao finalmente conseguir "semear" células estaminais em laboratório, naquele que certamente será um dos mais importantes progressos médicos dos próximos 100 anos.
O mundo começou a despertar para o Darfur e para o aquecimento global.
O euro ultrapassou o dólar - e agora sim, os norte-americanos começam a perceber que a Europa está a falar a sério.
Foi o ano em que perdemos Ingmar Bergman, Marcel Marceau, Sidney Sheldon, Luciano Pavarotti, Boris Yeltsin.
Foi o ano em que a RTP ultrapassou a SIC, culminando na saída de Penim e sua substituição por Nuno Santos.
A Apple lançou o seu iPhone e cientistas descobriram que não só os chimpazés têm melhores reflexos de memória que os humanos como também sabem somar.
Entre a Ota e Alcochete, andámos aos saltos com as taxas de juro, fecharam-se maternidades e começámos finalmente a retirar tropas do Iraque e Afeganistão, onde o ano foi o mais sangrento desde 2001.
Os irmãos Cohen filmaram "No Land for Old Man" e relançaram a sua carreira brilhante, os Radiohead lançaram "In Rainbows" e reinventaram o mercado discográfico, os Led Zeppelin renasceram do mundo dos mortos e os Xutos continuam a bombar.
Quanto ao ano de 2008... bem, estamos apenas a um ano do balanço...

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...só para relembrar alguns visitantes que os comentários neste belógue estão sujeitos às seguintes 3 regras:

1. comentários anónimos dificilmente serão publicados
2. comentários assinados só serão publicados se me apetecer
3. sempre que me apetecer, inventarei mais regras

Ah, o doce prazer do lápis azul da censura!

O Cavaleiro Negro

Com este frio, o melhor é prepararem-se para o verão de 2008. Cristopher Nolan está de regresso com as aventuras do morcego em "The Dark Knight" - com o mesmo elenco de luxo. Christian Bale continua como senhor Batman...

Agora, além do batmobile, temos uma motinha... Esta:

Mas a maior sensação do filme parece mesmo ser Heath Ledger, que encarna o melhor Joker até à data (dizem):

O primeiro trailer já está a circular:

Quem é amigo, quem é?

Redacted

Vem aí o novo filme de Brian de Palma, "Redacted". Afinal de contas, a realidade é o que acontece ou aquilo que pensamos que acontece?