Um século de rotores e pás

Paul Cornu e a sua gerigonça, que se supõe ter funcionado, embora pouco


A 13 de Novembro de 1907, o francês Paul Cornu pilotou o seu protótipo de hélice dupla e fez o aparelho erguer-se no ar. A cerca de 30 centímetros do chão. Durante cerca de 20 segundos. Dizem.
Independentemente da dúvida, a maioria dos historiadores marca este feito como a data em que o homem testou pela primeira vez um helicóptero.
Claro que já antes o Homem conhecia a hélice - os chineses tinham brinquedos com hélices voadoras no ano 400 AC e Leonardo Da Vinci já desenhava máquinas voadoras baseadas no princípio da sustentação por efeito parafuso - mas só no início do século XX se conseguiu começar a pensar em transformar esse sonho em realidade.

Das primeiras máquinas hesitantes ao helicóptero como hoje o conhecemos foi questão de meio século.
Com o desenvolvimento da tecnologia e da mecânica graças ás necessidades da guerra, o helicóptero passou de um aparelho estranho para uma evoluída forma de transporte, capaz de dominar os céus como uma libélula. Hoje são máquinas indipensáveis, tanto no terreno de combate como na luta aos incêndios, na assistência médica e no transporte humano.

Qual o futuro? Falamos agora cada vez mais de carros flutuantes, tipo família Jetson, embora muitos digam que é impracticável. Seja qual for o futuro do helicóptero, uma coisa é certa: está muito próximo.






(Com os sinceros parabéns a Mário Moura, comandante dos ares e progenitor deste escriba)

Seu Jorge, em grande


Chegou e conquistou, o senhor Jorge Mário, aka Seu Jorge. Ontem, perante um Coliseu de pé e pronto a dançar, o brasileiro encerrou a sua digressão por Portugal.
A primeira parte ficou a cargo do português mais brasileiro possível, JP Simões, que conquistou facilmente a plateia com o seu estilo Chico Buarque se fosse lusitano, apesar de um som aquém do desejado - alguns feedbacks inadmissíveis ao longo da sua actuação. Apesar desta "traição técnica", JP Simões portou-se à altura e aqueceu bem a sala, e com muito sentido de humor à mistura: "-Agora gostava de vos apresentar a banda mas no fundo eu não vos conheço".
Intervalo de 15 minutos e é a vez da cortina subir para Seu Jorge, acompanhado por duas dezenas de músicos (!). A coisa ficou clara à partida: o homem explica que este é o último dia da digressão e que iria ser o melhor espectáculo de todos. E haja pernas para esta pedalada, três horas non-stop de samba, rock-funk, pop favela, com direito a meia-hora pelo meio de Seu Jorge a solo com o violão.
Deu para ouvir de tudo, desde sucessos como "São Gonça" a "Carolina", até aos temas do novo álbum "América Brasil". No final, Seu Jorge saíu e o público subiu a palco, para sambar no meio dos músicos, e o Coliseu virou avenida, num ambiente de perfeita loucura e muito pagode.
Para aguçar apetites de quem não esteve lá e para matar as já saudades de quem ainda boceja depois de uma noite mal dormida mas bem compensada, aqui fica um dos singles desse mesmo novo trabalho. Chama-se "Burguesinha":

Salve Jorge...

Papa aqui a ver se eu deixo

O papa Joseph Ratzinger, capo di tutti capi, fez este fim-de-semana críticas severas aos bispos portugueses que se deslocaram ao Vaticano (será que voaram low-cost?). Apesar de alguns elogios (especialmente à medieval concordata que o Estado voltou a assinar com a Igreja), o papa lá deixou escapar uns quantos dedos apontados à Igreja Católica portuguesa.
E tem razões de sobra para o fazer. No nosso país, a taxa de adesão a esta multinacional religiosa é cada vez mais baixa. Há menos baptismos, menos comunhões, menos fiéis nas igrejas e até mesmo menos padres: por cada dois que morrem apenas um é "admitido ao serviço", o que é um balanço francamente animador para pessoas como eu. Apesar dos investimentos imobiliários e da pressão social, a verdade é que a igreja está a perder terreno.

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Jorge Ortiga, reconheceu a dificuldade da hierarquia em lidar com o crescente abandono da fé pela população portuguesa: "O povo português continua, na sua grande maioria, a afirmar-se católico embora reconheçamos que os ventos do relativismo e indiferentismo exercem uma grande pressão, provocando atitudes e opções ambíguas e, em alguns casos, contraditórias", afirmou o bispo português, denunciando a existência de "pequenos grupos, imbuídos dum espírito laicista, que têm pretendido suscitar possíveis conflitos".

Gosto especialmente da noção de pequenos grupos que andam por aí a "armar barulho" e da tentativa de passar a mensagem de que o abandono da fé é uma questão de "relativismo e indiferentismo".
Engana-se, o senhor Ortega (nome familiar, não?).

O que leva ao abandono da fé não é o indiferentismo, pelo contrário, é a consciencialização.

Desde que Darwin publicou "A Origem das Espécies", até à tomada de posição de nomes como Carl Sagan, Albert Einstein e outros, a supremacia da razão e da lógica tem-se revelado uma caminhada difícil.
Apesar de cada vez mais existirem pessoas não-crentes e de, cada vez mais, sentirem que o podem dizer sem correr o risco de acabar na fogueira em praça pública, o certo é que não chega a ser um movimento. Isto acontece porque a maioria dos ateus não anda por aí a espalhar aos quatro-ventos que não acredita em deus, anjinhos da guarda e santos milagreiros, porque aparentemente não faz grande sentido, e é fácil de explicar porquê. A lógica é mais ou menos esta:
Quem não acredita que existem fadas no seu quintal não sai à rua a dizê-lo. Mas, por outro lado, quem acredita que no seu quintal se escondem seres mitológicos fará todos os esforços para convencer pelo menos os vizinhos.
Esta é a barreira que separa os ateus dos crentes, mas é também um dos maiores impedimentos à evolução natural do pensamento humano.
É preciso unir esforços e sair à rua dizendo claramente que é permitido falar e criar a discussão sobre religião. Ao contrário do que a Igreja diz, podemos falar sobre isso e não se trata de silenciar a coisa ao oportuno dogma da fé.
Falar sobre a existência de Deus é tão válido como falar sobre a existência do monstro de Loch Ness (apesar de que este último leva a vantagem de ter pelo menos uma foto tirada).
E falar sobre as coisas é o princípio para se esclarecer as pessoas e clarificar a sociedade, e dar o primeiro passo para a eliminação de um dos maiores cancros que corrompe o planeta.
Temos que forçar os ateus a encararem os deístas e teístas no terreno da argumentação, porque é a única forma de eliminarmos mais um mito da história da humanidade; um mito que ainda hoje subjuga milhões de pessoas, desvia milhões para usufruto próprio e está na origem de quase todos os conflitos armados humanos.

O papa tem toda a razão em estar preocupado. Como se já não bastasse termos acabado com a caça às bruxas e a Inquisição, a humanidade ameaça agora atacar a raíz do mal.

P.S.:
Resposta a um mail de um visitante deste blog

Caro F.,
obrigado antes mais pela agilidade com que respondeste a este post (8 minutos?) e pela atenção de a teres enviado como correio electrónico e não como "comentário de ódio". Permite-me que responda ao teu mail ponto-por-ponto, além de que também publicarei a resposta no meu blog, por a considerar elucidativa a todos os outros leitores.
- Não, não creio que deva ter vergonha de criticar "a maior instituição religiosa do mundo". Primeiro, porque não é (conheces o Dalai Lama?) e, segundo, porque tamanho não é documento;
- O facto de ter muitos adeptos não significa tem razão e, sim, acho que "milhares e milhares de portugueses" é que estão errados. Relembro-te que o nazismo também conseguiu muitos adeptos e isso não faz dele uma doutrina correcta;
- se minha atitude "insulta as pessoas de fé" e "vai contra" as minhas "responsabilidades de pessoa com imagem pública" (lol), é fácil: não leiam. mudem de canal. Da mesma forma, também considero insultuoso o que qualquer organização religiosa promove, da mesma forma que tu próprio também considerarias insultuoso se alguém agora formasse uma igreja ao Deus-Lua ou ao Deus-Telemóvel (com a vantagem de serem dois deuses que pelo menos existem fisicamente);
- concordo que a existência de Deus não pode ser cientificamente provada, mas isso não faz com que exista. Também não consigo provar que não existem dragões voadores, mas sei que não existem, quanto mais não seja pela lei da probabilidade. E, pelo menos no terreno da probabilidade, posso discutir a existência do teu Deus;
- se houver inferno, terei todo o gosto em arder lá, como referes. Afinal de contas, não vou querer passar a eternidade longe de todos os meus amigos.

CM

Pois estive ausente, e então?

Estive uma semaninha ausente deste meu muy querido belógue, porque a vida tem outras prioridades que não a tagarelice digital.
Mas obrigado a todos os que enviaram mails a reclamarem alguma dignidade da minha parte em manter a coisa actual. Foram chatos como a potassa, seja lá o que isso quer dizer.
Se querem saber o que andei a fazer, não é da vossa conta.
Mas posso dizer que, além de andar empenhado numa nova peça de teatro que está cada vez mais perto de acabar de ser escrita (o Nuno "Karmatoon" Matos é um dos responsáveis pelo entusiasmo), andei às voltas com o mundo (que existe) para além da net.
Aproveito para algumas notas de rodapé:

- As sextas continuam quentes no "LiveIn", em Lisboa, perto da antiga torre da Galp na zona Expo. São as noites de comédia do Sindicato, com uma freguesia considerável, num espaço pequeno o suficiente para manter uma proximidade e um ambiente mais chegado. Vale a pena descobrir.
Claro que há mais espaços interessantes. Esta quarta-feira, por exemplo, vou estrear-me no "Coffee&Pot" de Alcântara. É por volta das 22:30. Ou 23, vá. Apareçam. Quanto aos restantes locais, vou avisando por aqui, não se preocupem.


Finalmente consegui fazer uma piada que andava entalada debaixo da língua há imenso tempo. Eu explico.
Os senhores da PT foram finalmente lá a casa instalar o novo serviço da rapaziada, o MEO. E fiquei espantado: funciona como dizem na publicidade. Um misto de TV+Net+Telefone via linha telefónica (não me perguntem como é que eles conseguem), o MEO deixou-me com um sorriso de orelha a orelha. Primeiro, como já disse, porque funciona. A net corre veloz, o telefone fixo está lá funcional como um futuro mono e a televisão tem boa imagem, fluída e com canais simpáticos. Mas o que vale mesmo a pena são os serviços secundários. Graças à sua box especial, o Meo permite gravar até 100 horas de emissão televisiva, fazer pause a qualquer momento na emissão em directo e retomar mais tarde, programar gravações até de séries completas e alugar vídeos on-line com o simples carregar de um botão e com preços que vão de 1€ a 3€ para 24 horas de disponibilidade. Muito bom, pelo menos até agora.

O que me leva à tal piada que andava louco para dizer.
Fui à loja da TVCabo e disse-lhes que queria cancelar todos os meus serviços com eles. Inevitavelmente, o funcionário perguntou-me porque razão eu queria deixar de ser cliente.
E foi aí, meus amigos, que me pude vingar:
"- Sabe, é que afinal vocês têm mesmo razão. Há coisas fantásticas. Estão é na concorrência."

Soube bem.

Em breve numa sala perto de si

Vem aí coisas boas, minha gente, e coisas menos boas mas daquelas que têm que ser vistas no cinema...
Comecemos pelas estreias previstas para breve no nosso país.

Dia 15 de Novembro estreia finalmente "American Gangster", o novo de Ridley Scott, com a dupla explosiva Denzel Washington e Russell Crowe. A história é uma espécie de "Padrinho" mas desta vez black&white. O trailer promete:

Para 22 de Novembro, chamada de atenção para duas possíveis preciosidades. Uma é um destravado filme de acção, com mais balas por centímetro quadrado de película do que a maioria dos filmes do Rambo.

Tomem nota ao trio de actores: Clive Owen, Paul Giamatti e... Monica Bellucci. Para quem, como eu, anda com fome de ver um filme de acção ritmado, sem grande noção de realismo mas com muito boa disposição, parece ser uma grande aposta. A receita? Bang, bang, bang, fun fun fun. Só o trailer já promete soltar adrenalina:

Ainda na base das loucuras, o anseado regresso da dupla de "Shaun of the Dead" (brilhante!!!), Edgar Wright e Simon Pegg, está marcado também para 22 de Novembro, com este hilariante "Hot Fuzz":

O que é que acontece quando um super-polícia é despromovido para uma pequena e pacata vila? Violência moderada. Promete ser, mais uma vez, genial.

Ainda sem data prevista para o nosso Portugal está um remake que tanto pode ser genial... como aquilo que tecnicamente no mundo do cinema se chama "uma grande banhada". Estou a falar do novo de Will Smith:

Do mesmo realizador do fraquinho "Constantine", com Keanu Reeves, e de vídeos de Jennifer Lopez e Britney Spears (sem comentários), chega este "I am Legend". A história é uma promessa intelectual de um gabarito digno de nobel da literatura: planeta é atingido por um vírus que transforma toda a gente em zombies menos o nosso herói que é imune. Pronto, já está. Mas não desistam ainda, vejam o trailer:


E agora, last but not least, coisas sérias.
Quem está em alta no mundo do cinema é o extraordinário Javier Bardem (lembram-se do brilharete do rapaz no "Collateral", já para não falar de "Mar Adentro"?).
Pois este nosso amigo está de regresso e com duas grandes, grandes promessas.
Uma é finalmente a adaptação a cinema de um dos melhores livros de todos os tempos:

"Amor em Tempos de Cólera", de Gabriel García Marquez, vai finalmente ver a luz do projector pelas mãos de Mike Newel, um relizador que nunca mostrou talento acima da média mas que foi responsável por coisas muito boas como "Quatro Casamentos e Um Funeral", "Donnie Brasco" e o último "Harry Potter". Será que o filme estará à altura do prefácio do livro?


Mas a película mais esperada com Javier Bardem é outra, a nova jóia da coroa dos irmãos Coen.

Adaptada do romance do senhor Cormac McCarthy, "No Country for Old Men" promete ser a bomba do ano, com interpretações de gente como Tommy Lee Jones, Josh Brolin e Woody Harrelson, além do nosso vizinho Javier Bardem, que parece encarnar um dos melhores psicopatas de todos os tempos.
Como sou amiguinho, aqui fica o genial trailer da coisa:


E pronto. Corram para as bilheteiras.

Escrita Criativa? Here you go:

Desculpem, mas esta tem que ser lida no original, em inglês:

This is an actual essay written by a college applicant. The author,
Hugh Gallagher, now attends NYU.

3A. ESSAY: IN ORDER FOR THE ADMISSIONS STAFF OF OUR COLLEGE TO GET TO
KNOW YOU, THE APPLICANT, BETTER, WE ASK THAT YOU ANSWER THE FOLLOWING
QUESTION: ARE THERE ANY SIGNIFICANT EXPERIENCES YOU HAVE HAD, OR
ACCOMPLISHMENTS YOU HAVE REALIZED, THAT HAVE HELPED TO DEFINE YOU AS A
PERSON?

I am a dynamic figure, often seen scaling walls and crushing ice. I
have been known to remodel train stations on my lunch breaks, making
them more efficient in the area of heat retention. I translate ethnic
slurs for Cuban refugees, I write award-winning operas, I manage time
efficiently. Occasionally, I tread water for three days in a row.

I woo women with my sensuous and godlike trombone playing, I can pilot
bicycles up severe inclines with unflagging speed, and I cook
Thirty-Minute Brownies in twenty minutes. I am an expert in stucco, a
veteran in love, and an outlaw in Peru.

Using only a hoe and a large glass of water, I once single-handedly
defended a small village in the Amazon Basin from a horde of ferocious
army ants. I play bluegrass cello, I was scouted by the Mets, I am the
subject of numerous documentaries. When I'm bored, I build large
suspension bridges in my yard. I enjoy urban hang gliding. On
Wednesdays, after school, I repair electrical appliances free of
charge.

I am an abstract artist, a concrete analyst, and a ruthless bookie.
Critics worldwide swoon over my original line of corduroy evening wear.
I don't perspire. I am a private citizen, yet I receive fan mail. I
have been caller number nine and have won the weekend passes. Last
summer I toured New Jersey with a traveling centrifugal-force
demonstration. I bat .400. My deft floral arrangements have earned me
fame in international botany circles. Children trust me.

I can hurl tennis rackets at small moving objects with deadly accuracy.
I once read Paradise Lost, Moby Dick, and David Copperfield in one day
and still had time to refurbish an entire dining room that evening. I
know the exact location of every food item in the supermarket. I have
performed several covert operations for the CIA. I sleep once a week;
when I do sleep, I sleep in a chair. While on vacation in Canada, I
successfully negotiated with a group of terrorists who had seized a
small bakery. The laws of physics do not apply to me.

I balance, I weave, I dodge, I frolic, and my bills are all paid. On
weekends, to let off steam, I participate in full-contact origami.
Years ago I discovered the meaning of life but forgot to write it down.
I have made extraordinary four course meals using only a mouli and a
toaster oven. I breed prizewinning clams. I have won bullfights in San
Juan, cliff-diving competitions in Sri Lanka, and spelling bees at the
Kremlin. I have played Hamlet, I have performed open-heart surgery, and
I have spoken with Elvis.

But I have not yet gone to college.

Uma agradável surpresa


Vou contar-vos um encontro inesperado que tive. Esta menina que podem ver aqui à vossa esquerda dá pelo nome de Jacqui Naylor e, apesar de já ir com seis álbuns lançados no mercado, só agora chegou a Portugal, com o lançamento do CD "The Color Five". Descobria-a por acaso, numa escuta aleatória na FNAC e não resisti a comprar o álbum, há coisa de um mês atrás. A miúda tem talento, deixem que vos diga. Entre o jazz vocal e o folk, tem um daqueles timbres difícil de categorizar, que tanto vai ao terreno dos graves femininos de Diana Krall como se pontua de tons doces e melódicos do estilo Marisa Monte. O álbum é, acima de tudo, divertido. Jacqui coloca-nos versões inesperadas num formato jazz, como "Loosing My Religion" dos REM ou "I Still Haven't Found What I'm Looking For" dos U2, e mistura-os com o clássico "Blue Moon" e alguns temas próprios.
Mas, se o álbum já marcou uma boa descoberta, qual não foi a minha surpresa quando fiquei a saber que ela ia estar cá, em Lisboa, para um showcase nas FNAC's... Sem grandes expectativas, lá me pus ontem a caminho do Colombo, para ver o que a coisa dava.
No café FNAC, entre meia-dúzia de clientes perdidos, dei de caras com Jacqui Naylor, tranquilamente a tomar um café. Claro que puxei conversa. A moça mostrou-se de uma simpatia inesperada. Californiana a viver em S. Francisco, disse que delirou com a ponte 25 de Abril (exactly the same bridge!)e que planeava dar um concerto a sério em 2008 em Portugal. Trocámos duas de treta e ela subiu ao pequeno palco com o seu pianista/guitarrista (excelente músico, por sinal) e cantou uma mão cheia de temas, para um público pequeno e para um ou outro mirone que lá ia espreitando a sala tentando perceber quem seria a cantadeira.
Surpreendeu, garanto-vos. Sozinha, de voz cristalina acompanhada ora ao piano ora à guitarra eléctrica limpa, Jacqui Naylor comprovou que, se a coisa prosseguir o seu caminho normal, vai facilmente competir com a popularidade de Diana Krall nos escaparates das lojas.
Vale a pena descobrir - espreitem o site oficial, onde podem ouvir o início das faixas de todos os seus álbuns.

Adivinha quem voltou


Se o Rambo tem direito a sair da sepultura, então o maior herói de aventuras do cinema também merece um grande regresso. Já está em marcha a nova aventura de Indy, "Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull".
Em filmagens até fins de novembro, o novo capítulo já está na forja desde 1989 (!), altura em que Spielberg, Lucas e Ford decidiram que só valia a pena um novo episódio se tivessem um guião à altura. Depois das tentativas de quase uma dezena de guionistas, entre os quais M. Night Shyamalan, decidiram-se pelo trabalho de David Koepp, argumentista responsável por vários sucessos como "Carlito's Way", "Panic Room", "Spider-Man", "Men in Black", "Guerra dos Mundos", etc.
Para este novo filme, pouco se sabe, excepto que Indy vai andar às turras com russos, ao que tudo indica. No elenco, nomes como John Hurt e cate Blanchett reforçam as fileiras, além do regresso de Karen Allen.
Esperemos, pois, por 2008.

Shia LaBeouf, Steven Spielberg, Ray Winstone, Harrison Ford e Karen Allen

Feist, a genial

Graças ao blog do meu caro amigo Karmatoon, fiquei a conhecer o mais recente vídeo da menina Feist, para o tem "1234". Num primeiro olhar, o vídeo parece rudimentar, mas não é. É, isso sim, uma lição de domínio. Feito num take único e sem recurso a efeitos especiais nem pós-produção digital, o clip mostra o que se pode fazer com uma grua, coreografia e noção de ângulos de câmera:

Para os tecnicamente curiosos, aqui fica o making-of:

Depois não digam que não avisei

Graças a uma desenfreada corrida à bilheteira, o Cirque du Soleil já anunciou que vai regressar a Portugal em 2008.
Ainda não há confirmação do espectáculo que vão trazer desta vez, mas após uma breve investigação no site oficial tudo indica que será o mítico Quidam, e desta vez com direito a tenda própria e tudo.
Portanto, não se façam de rogados e preparem-se para uma nova corrida aos bilhetes se quiserem assistir a um dos maiores espectáculos ao vivo à face da Terra. A melhor forma de garantir bilhetes é inscreverem-se no clube online do Cirque du Soleil: é lá que eles vão colocar primeiro os bilhetes à venda.
Quidam é um grande espectáculo e que conta com os meus dois números favoritos do Cirque, a roda alemã...
...e o fabuloso personagem "John":
A partir de agora, considerem-se avisados...

Mais um para as trincheiras

Depois do lançamento em português de "The End Of Faith", de Sam Harris, eis que chega finalmente a tradução de "The God Dellusion", de Richard Dawkins.
E, meus amigos, é um livro obrigatório do pensamento universal, quer para crentes, quer para ateus hereges como eu.
Até que enfim que começam a chegar às prateleiras das nossas livrarias publicações que fogem à regra do país católico apostólico romano e que colocam novos alicerces na discussão moderna. Já começava a pensar que o lápis azul das editoras ainda continuava activo.
Mas nem tudo são rosas. Além da capa claramente sensacionalista, com a desnecessária observação "O livro que está a abalar o mundo", acho que o título foi mal traduzido. Apesar de soar bem a uma primeira vista (dellusion, desilusão), a palavra certa seria a pouco usada mas portuguesíssima delusão. É que, em português, desilusão é um termo mais associado a encarar algo que não corresponde às nossas expectativas, o que assume a existência de algo, enquanto que delusão, do Latim delusione, quer mesmo dizer engano, logro, burla, o que está mais de acordo com a intenção do autor. O título ideal, para evitar estranhezas do público, seria mesmo "O Logro de Deus". Mas o que está feito, está feito.

Porquê a necessidade de ler este livro? Porque é uma obra séria, fundamentada, construída numa linguagem simples e que explica claramente as bases do pensamento ateísta. E antes de ter crentes a dispararem contra-argumentos, deixem-me dizer-lhes que, como em qualquer discussão, convém saber ouvir - é o princípio do diálogo. E nós, os descrentes, andamos a ouvir-vos desde que o mundo é mundo.
O autor é este cavalheiro aqui ao lado, que dá pelo nome de Richard Dawkins. Biólogo com cadeira reservada na Universidade de Oxford, este britânico nascido no Quénia é uma das maiores referência do pensamento ateu, social e anti-religião da actualidade. Se quiserem saber mais sobre o assunto, além de lerem o livro podem fazer uma visita ao seu site oficial, em richarddawkins.net. Vale a pena - espreitem os vídeos.
Não vou falar mais sobre o livro, porque seria reduzi-lo a alguma insignificância. Mas deixo-vos algumas frases de Dawkins:

"...quando dois pontos de vista opostos são expressados com igual intensidade, a verdade não tem que estar necessariamente no meio caminho entre ambos. É possível que um dos lados esteja pura e simplesmente errado."

"Nós admitimos que somos uma espécie de primatas, mas raramente nos apercebemos que somos primatas."

E uma das minhas favoritas:

"Todos nós somos ateus no que toca a muitos dos deuses em que a humanidade já acreditou. Acontece é que alguns de nós já avançaram mais um deus."

Oooops!


Para a minha caracóis

Eu sei que esperas por mim
Como sempre, como dantes
Nos braços da madrugada
Eu sei que em nós não há fim,
Somos eternos amantes,
Que não amaram mais nada

Eu sei que me querem bem
Eu sei que há outros amores
Para bordar no meu peito
Mas eu não vejo ninguém
Porque não quero mais dores
Nem mais batom no meu leito

Nem beijos que não são teus
Nem perfumes duvidosos
Nem carícias perturbantes
E nem infernos nem céus
Nem sol nos dias chuvosos
Porque 'inda somos amantes

Mas Deus quer mais sofrimento
Quer mais rugas no meu rosto
E o meu corpo mais quebrado
Mais requintado tormento
Mais velhice, mais desgosto
E mais um fado no fado

Camané - Mais Um Fado No Fado

Sem legendas





Canoagem é seguro

Pois e não é que é mesmo? Ou este grande branco já estava de barriguita cheia ou então não gosta de plastic food. O mais curioso nisto tudo é a aparente descontracção do cavalheiro...

Sony Rolly

É a próxima novidade da Sony - um novo leitor de MP3... bastante particular. O vídeo explica tudo:

Live


Aqui ficam algumas imagens do espectáculos de sexta-feira, em terras d'Amora.
















Dumbass do dia ou Imbecil of the day

Muito me custa quando, numa breve navegação na net, descubro um site estrangeiro com este vídeo, intitulado "Dumbass of the day". Realmente, é curioso quando o QI de alguém é inferior ao de portas automáticas, mas o pior é onde a cena se passa:


Portugal no seu melhor. Isto sim, é um cartão de visita.

Eu já desconfiava


Encontrado na net.

Citando...

"We must respect the other fellow's religion, but only in the sense and to the extent that we respect his theory that his wife is beautiful and his children smart."
H. L. Mencken

"When I was a kid I used to pray every night for a new bicycle. Then I realised that the Lord doesn't work that way so I stole one and asked Him to forgive me."
Emo Philips

“You're basically killing each other to see who's got the better imaginary friend”
Richard Jeni

Aceitam-se mais contribuições.
:)

Banksy

Além de artista plástico, o britânico Bansky é um mestre no graffiti e no stencil. Espreitem o seu site pessoal para descobrir mais intervenções deste brilhante rapaz. Coisas destas, ao contrário dos tags, são sempre bem-vindas.





Sexta feira, ao vivo e a cores!

Alô margem sul, alô Amora, alô!
Esta sexta-feira a sala vem abaixo com o espectáculo de stand-up mais deprimente do universo:

Apareçam, os bilhetes são mais baratos que um vodka-laranja. Ah, e uma salva de palmas ao Pedro Ribeiro pelo cartaz mais absurdo da última década...

Fantástico

Na sequência de algumas experiências on-line, o Sci-Fi channel convidou vários artistas a colaborarem num mundo virtual infinito. Não adianta colocar aqui imagens, tem que ser visto e experienciado.
Visitem este link e digam qualquer coisa. Pode demorar um pouco a carregar, mas garanto que vale a pena...

Hoje, 4ª feira

Vou actuar na semana do caloiro da Universidade Atlântica, em Barcarena, Sintra, com uma gripe a moer-me o juízo. Ainda bem que há drogas para estas coisas.

Plasticina. Quilos e quilos.

Os anúncios dos Sony Bravia continuam brilhantes. Desta vez, juntaram animação stop-motion a quilos de plasticina, no centro de Nova Iorque. Brilhante... e trabalhoso:

Já agora, aqui fica um teaser/making of do mesmo anúncio:

Boas notícias para o Benfica

E promessas de melhorar a capacidade em campo: Nuno Gomes tem uma rotura muscular.

O que levará...

...um macho adulto heterossexual, em plena posse do seu juízo, capaz de tomar decisões por si só e com total capacidade mental, autónomo o suficiente para não só passar num exame de condução como ainda circular em via pública sem atentar contra a vida de ninguém, a pendurar no retrovisor do seu automóvel um par de ponpons rosa em forma de dados?
Na estrada, há muitas coisas que me ultrapassam.
Além de veículos, claro.

.

O melhor presente possível é sempre um abraço transparente.

Indo eu, indo eu

...a caminho de Viseu.

33

Algumas curiosidades sobre o número 33:

- idade em que supostamente Jesus Cristo fez o seu último e derradeiro espectáculo. Antes de subir a palco, terá dito ao MC Barrabás "Este vai ser de morte";

- número atómico do Arsénico que, quano bem utilizado, pode ser um potente veneno;

- maior número íntegro positivo que não pode ser expressado pela soma de números triangulares diferentes, o que parece interessante embora não faça a mínima ideia do que quer dizer;

- também é a idade com que morreu Alexandre o Grande, provavelmente envenenado. E se calhar, com arsénico;

- nome de uma canal de tv na Catalunha, parte da rede da TV3;

- número aproximado, em milhões, da população da Coreia do Sul;

- velocidade ideal (mais um terço) para tocar um LP de vinil;

- nome de uma das músicas do álbum "Mellon Collie and the Infinite Sadness" dos Smashing Pumpkins;

- A pressão aquática duplica a cada 33 pés de profundidade

- número de vértebras na coluna dorsal humana, por onde passam 33 pares de nervos;

- A Porta 33 é um projecto de produção de arte contemporânea que nasceu em 1989 no Funchal, Ilha da Madeira

- percentagem da superfície terrestre que é ocupada por desertos

- ano da estreia do "King Kong" original

- é o código internacional para a França

Radiohead - os maiores... e mais baratos


E finalmente os Radiohead estão de volta com novo álbum, "In Rainbows", e desta vez com uma revolucionária estreia mundial ao nível da comercialização.
A banda pura e simplesmente decidiu assassinar o processo tradicional das editoras e colocou desde ontem o álbum à venda on-line. Mas não tem nada a ver com a compra de faixas no iTunes - não, quem quiser comprar compra o álbum todo num ficheiro zip.
Mas a surpresa não é esta. A grande surpresa é que o álbum... não tem preço.
Depois do utilizador se registar no site, pode aceder à página de compra, onde decide quantos álbuns quer comprar, como habitualmente, mas desta vez o espaço onde deveria surgir o custo final está em branco, sendo o utilizador que o tem que preencher. A frente deste espaço, apenas um ponto de interrogação.
Surpreendido com o "novo sistema" e sem perceber quanto custaria o álbum, cliquei no ponto de interrogação, para tentar perceber o valor da coisa, e apareceu-me a seguinte mensagem:
"It's up to you".
Não satisfeito, voltei a clicar no pontinho de interrogação e
"No, really, it's up to you".
Espantado, fiz uma breve pesquisa na net e percebi que a banda deixa à disposição dos fãs quanto querem pagar pelo álbum.
Claro que há um mínimo: £0.45, cerca de 65 cêntimos, que é para pagar a taxa do Visa. Mas basta. Quem quiser que eles enviem o álbum para casa terá que sustentar o custo mínimo do transporte, e por cerca de 40 euros recebe a edição deluxe, que além do álbum contém dois vinis e um pequeno book exclusivo...
Tem havido uma grande discussão em fóruns onde os fãs argumentam qual o valor mínimo e digno para dar directamente à banda mas, em comunicado, os Radiohead já disseram que deixam isso à escolha do freguês e que não fará grande diferença em relação ao que a banda ganharia no comércio tradicional.
Por isso, meninos, corram para o site InRainbows e façam download do álbum, em vez de piratear. Ah, e não sejam forretas - gastem mais de um eurito, que vale bem a pena...
Isto sim, é revolução digital.