Afinal ainda há esperança neste mundo


Dia 3 de Fevereiro os D'ZRT (os Sobremesa, em português, ou SBR'MSA, em estupidez) fazem o concerto de despedida no Pavilhão Atlântico.
Eu preferia que se despedissem entrando pelo Oceano Atlântico, mas não se pode ter tudo.

Lugar aos novos

Já se inscreveram?
Esta terça vou apresentar o espaço "Lugar Aos Novos", no MM Café, uma oportunidade para quem quiser demonstrar o seu talento para palco - seja a dançar, cantar, interpretar, fazer magia, sapateado... o que quiserem.

São 5 minutos de oportunidade que o Maria Matos disponibiliza no seu café.
Aproveitem e venham daí fazer-me companhia!
Esta iniciativa decorre todas as quintas terças.
Eu explico: olhem para o calendário. Nos meses em que virem uma quinta 3ª feira, é noite de lugar aos novos.

Inscrevam-se on-line através do site do MM!

Snap!


Ainda há gente que me pergunta porque é que eu gosto de actuar em bares. Porque é aí que se aprende, se treina, se erra e se acerta, se sente o público, se sua, se sofre. E porque costuma ser divertidíssimo.
Esta foto, por exemplo, foi tirada na sexta-feira passada na actuação no "Live In Lisboa", em casa sobrelotada, com grande ambiente, numa noite que foi divertidíssima para todos.

Como os tempos mudam

Não são os tempos que mudam.
Os tempos surgem.

As pessoas é que mudam.

INEM'creditonoquetou'ouvir

A SIC teve a coragem de colocar ontem no Jornal da Noite uma reportagem daquelas que raramente se tem a oportunidade de ver; de certa forma, é uma maneira de se redimirem das reportagens monocórdicas da Joana Latino. Adiante.
Coragem, porque além da sensibilidade da temática, a reportagem consiste em quase um quarto de hora de apenas som: uma gravação de uma chamada para o INEM e do INEM para os bombeiros voluntários locais.

Ambos os telefonemas são inacreditáveis, e nenhum por bons motivos.
Começando no primeiro, em que um fulano diz, com uma tranquilidade invejável, que o irmão caíu. Que venha a guarda, que ele está morto.
Mas a partir daí, a coisa começa a entrar numa comédia absurda.
Com um bombeiro que não sabe o que há de fazer, uma operadora do INEM que mantém a calma onde qualquer um de nós perderia a cabeça (apesar de claramente não acreditar no que lhe está a acontecer).
Não adianta grandes explicações.
Vejam e ouçam com atenção.



Adoro a parte do:
INEM: “Quanto tempo demora a chegar ao local?”
BVF: “É só ir buscar a ambulância e arrancar”

E depois não me venham dizer que é um problema de meios.
Isto é gente mal preparada e muito incompetente, é o que é.
E isso é um problema de formação, não de aquisição.

Novo Ford Focus

O anúncio merece um post; uma orquestra feita com... partes do carro:

Um grande passo para o gene, um extraordinário passo para a Humanidade

A notícia pode ter passado quase despercebida mas o dia de hoje vai ficar para a posteridade como uma das datas mais importantes na história da humanidade.

Pela primeira vez, cientistas conseguiram desenvolver totalmente em laboratório o primeiro genoma.
O próximo passo? Vida sintética, sendo que este é considerado o segundo de três passos nessa direcção.

O que aconteceu foi uma espécie de processo inverso ao da descodificação do genoma humano; agora, pelo ritmo da evolução científica a que as coisas têm andado (o 1º genoma só foi sequenciado em 1995), calcula-se que lá para 2014 já se consiga criar de raís em laboratório o primeiro genoma humano sintético.
Há muito ainda para fazer, mas Deus está cada vez mais longe dos céus e dentro dos tubos de ensaio.

Saibam mais na revista Wired. Vale a pena a leitura, quanto mais não seja para daqui a uns anos poderem dizer aos vossos netos "ainda me lembro do dia em que se conseguiu isso pela primeira vez"...

De ficar com os olhos em bico

E que tal agora uma versão japonesa de "Smoke On the Water", dos Deep Purple?
Ah pois é! Desta não estavam vocês à espera...

E aqui fica o original, só para termo directo de comparação:

Sabes que estás a ficar velho...

...quando o melhor sistema de gravação que existia quando começaste a fazer rádio era este:

Ah, que saudades de trabalhar com um Revox, quando a noção de "gravação digital" era "meter o dedo na fita"...

Sonoro presente

A todos os muy nobres visitantes deste blogue,
com os cumprimentos da gerência e votos de uma quinta-feira satisfatória:

Para quem tiver placas de acesso TMN e quiser evitar o doloroso sofrimento de carregar um vídeo do Youtube, a coisa também se pode traduzir na letra:

Words are flying out like
endless rain into a paper cup
They slither while they pass
They slip away across the universe
Pools of sorrow waves of joy
are drifting thorough my open mind
Possessing and caressing me

Jai guru deva om
Nothing's gonna change my world

Images of broken light which
dance before me like a million eyes
That call me on and on across the universe
Thoughts meander like a
restless wind inside a letter box
they tumble blindly as
they make their way across the universe

Jai guru deva om
Nothing's gonna change my world

Sounds of laughter shades of life
are ringing through my open ears
exciting and inviting me
Limitless undying love which
shines around me like a million suns
It calls me on and on across the universe

Jai guru deva om
Nothing's gonna change my world

de "Across the Universe", dos Beatles.
Para quem se está a perguntar, "Jai guru deva om" é um mantra, que é uma expressão ou palavra utilizada em meditações para alcançar melhor o resultado da concentração, relaxamento e contemplação que se busca. Esta música foi escrita por John Lennon durante uma viagem à India em 1968, quando os Beatles estavam a aprender meditação transcendental com o o guru Maharishi Maheshi Yogi. Sem pedaços. Já agora, um abraço ao Helder, que sabe certamente isto melhor que eu.

Frase do dia

Não é de hoje, mas de uma entrevista recente feita por Mário Crespo na SIC Notícias:

"Os homens, quando são grandes, estão condenados a entenderem-se."

António Lobo Antunes

Real Life Shrek

Só agora fiquei a saber que o famoso Shrek foi inspirado numa pessoa real, de seu nome Maurice Tillet, que era este cavalheiro: (o da esquerda)

Eis a história conforme me chegou às mãos, via Ni (gracias, chica!):

Shrek existiu. E falava 14 idiomas.
O personagem de desenho animado que é sucesso em todo mundo foi criado a partir de uma máscara mortuária do francês Maurice Tillet. Poeta e actor, Tillet nasceu em 1903. Muito inteligente, falava 14 idiomas. Na adolescência, contraiu uma doença rara, chamada acromegalia, que causa a desfiguração de partes do corpo.
A transformação para um quase "monstro" não o abateu. Ele emigrou para os Estados Unidos e converteu-se num profissional da Luta livre, com o nome de "Assustador ogre do ringue". Lutou até quando pôde. Morreu em 1954, aos 51 anos, de um ataque cardíaco. Pouco antes, seu parceiro de partidas de xadrez, Bobby Managain, pediu para fazer um life cast (máscara mortuária)dele.
Tillet concordou e Bobby fez cópias em gesso da cabeça do amigo. Uma delas foi para o Museu internacional da Luta Livre, em Iowa. A outra foi parar no Hall of Fame do York Barbell Building para mostrar os primórdios das formas da luta livre moderna e do halterofilismo. Foi esta réplica que serviu de modelo para a construção de Shrek...


Ora aí está. Curiosamente, faz-me lembrar a minha professora de francês do sétimo ano.




E esta sexta, ao vivo e a cores

...vou actuar mais uma vez no Live In Lisboa, o bar que acolhe os comediantes d'O Sindicato todas as semanas. A coisa começa como habitualmente lá para as onze. Apareçam! Prometo que não vai ser grande coisa!

O vosso dia ainda não está mau o suficiente?

Então podem sempre piorar as coisas, clicando em play e vendo as minhas duas últimas actuações no programa "Sempre em Pé" da RTP2!!!


Curiosamente, os rapazes da RTP trocaram os nomes todos no Youtube. Muita informação, provavelmente...

Heath Ledger, 1979-2008

Na verdade, não há muito para dizer. Prestes a completar 29 anos de idade, o actor Heath Ledger foi encontrado morto na sua casa em Soho, Nova Iorque, inanimado na cama e na companhia de vários comprimidos. Hoje deve ser feita a autópsia mas tudo aponta para um aparente suicídio, mas a realidade é que seja como for o cinema perde um jovem grande actor.
Este australiano estava decididamente no bom caminho. Quem o viu em "Coração de Cavaleiro" percebeu imediatamente que só mesmo um bom actor conseguiria sacar aquela interpretação num filme tão fraquinho, percepção que se viria a confirmar em "Brokeback Mountain". Actualmente a gravar o novo de Terry Gilliam (que parece assombrado por produções inacabáveis), Ledger andava nas bocas do mundo graças à sua recente participação no novo Batman, onde aparentemente desenvolveu o melhor Joker de todos os tempos.
Por cá aguardamos a estreia do filme, para ver o que promete ser a sua última grande interpretação. É pena.






Coisas da Publicidade...

...um amigo meu aproveitou a Semana dos Bebés do Continente e comprou quatro, incluíndo uma menina de seis meses.


O Banif gastou 20 milhões de euros para mudar a imagem corporativa. Agora tem como símbolo o centauro, que é como quem diz "o nosso banco é tão credível como as figuras mitológicas", além da cor púrpura à qual eles chamam indigo. O novo slogan do banco é "A força de acreditar". Na verdade, é preciso ter força para acreditar que gastaram 20 milhões nisto.
No comunicado de imprensa, em que explicam alegremente esta operação estética, os senhores do banco açoriano dizem também que este rebranding, que começou com um teaser, está a ser transmitido num mix de comunicação num formato mais trendy e eye-catching, para lá da comunicação outdoor.
Fico feliz por eles.
E, se eles conseguissem fazer isto tudo em português, mais feliz ainda ficaria.

ADENDA: Onde em cima se lê "açoriano", deve-se ler "madeirense"

O primeiro grande do ano

Que Ian McEwan é um grande escritor e que "Expiação" é um excelente livro, não deve ser novidade para ninguém. Agora, que um realizador seja capaz de transportar para película não só as palavras e a narrativa mas também a magia que se esconde por trás das linhas de parágrafos, isso já é outra coisa.
Preparem os Kleenex's: "Expiação" é daqueles filmes que obriga a emoção a dar de si, e sabe tão bem chorar num cinema por outros motivos que não o de ter pago bilhete...
Nem vou falar da interpretação de Keira Knightley, que enche o ar que a rodeia com uma sensualidade enigmática, nem de James McAvoy, que merecia o Óscar antecipado, ou da banda sonora, ou do design de época... Não vale a pena ir a detalhes, porque não sairíamos daqui. É que este é precisamente um filme de detalhes, de pormenor, de rigor, um exercício humano que ultrapassa a narrativa cinematográfica e transborda arte em todos os frames.
Acima de tudo e, ao contrário do que eu pensava, "Expiação" é um filme inesperado.
Vejam. E, se conseguirem se libertar da tensão a meio do filme, reparem também na cena da praia, com um dos mais longos, belos e certamente trabalhosos planos de steady-cam que alguma vez vi.
Cinco estrelas.

Sentença(s) de vida

A SIC foi ontem responsável por uma das horas de emissão de televisão mais importantes dos últimos tempos, ao emitir a reportagem "Sentença de Vida" e respectivo debate, a seguir ao Jornal da Noite.
A reportagem, com a assinatura daquela que é provavelmente a melhor jornalista daquela casa, Amélia Moura Ramos, é o retrato de um dos casos neste país que colocam em questão várias decisões sobre a vida e sobre a morte, (como a reanimação insistida e a eutanásia).
Mas, neste caso, a história tem contornos ainda mais marcantes do que a habitual discussão ética destes tema.

Alexandra Crespo é mãe.
Durante vários anos, trabalhou com crianças com deficiência.
Há dois anos, a sua filha Matilde , então com 9 anos, sofreu um AVC que a lançou para a obscuridade de um estado vegetativo persistente.
A mãe de Matilde defende que há limites a que a medicina não obedece, questiona a utilidade da sobrevivência a todo o custo e diz que desejou que a sua filha não tivesse sido reanimada para uma vida sem sentido. "O que eu esperava é que a minha filha morresse, que não ficasse neste estado porque eu não quereria isso para mim. Não posso querer isso para uma pessoa que eu amo tanto como a minha filha", diz.
Esta mulher fala com a razão no coração e com o coração nas mãos, sem perder uma lucidez que por vezes, de tão nítida, magoa.

Com uma filha nos braços que já não passa de um vegetal, "o corpo da minha filha", como ela refere. Um corpo vivo de uma filha que já morreu.
E agora? Suporta-se a segunda morte de um mesmo filho? Deseja-se a perda de uma criança que, no fundo, já se perdeu?

A SIC portou-se com toda a dignidade perante o caso.
A reportagem foi bem estruturada e com a decência a que a jornalista já nos habituou. Em estúdio evitou-se o fácil convite de alguém "de fé" e manteve-se uma conversa com responsáveis claramente elucidados sobre a questão, guiados por uma Clara de Sousa também ela mãe, contida, visivelmente tocada, e por um Rodrigo Guedes de Carvalho sóbrio como sempre, que em cada pergunta mostrou porque é o melhor pivot deste país.

Precisamos de falar mais sobre estes casos.
Para lá das banalidades e misticismos "do que deus quer", já era hora de começarmos a discutir o que fazemos nós com as pessoas que nos rodeiam.

O que lhes fazemos, o que lhes destruimos e o que as impedimos de reconstruir.
É mais do que hora de falarmos de dignidade, de eutanásia e dos limites da medicina.
Porque a qualidade de vida passa também pelas questões da morte.

...


Em jeito de remate à história anterior, deixem que vos conte outra.

Quero contar-vos a história de Fred Knittle.

O Fred tem um problema cardíaco sério, mas gosta de cantar.
Esta música, que vão ouvir a seguir, era suposto ser cantada em dueto com um amigo seu, Bob Salvini.

Mas infelizmente, Bob morreu, e Fred acabou por a ter que cantar sozinho.
No público, estiveram presentes alguns familiares de Bob.

E Fred cantou:



When you try your best, but you don't succeed
When you get what you want but not what you need
When you feel so tired but you can't sleep
Stuck in reverse

And the tears come streaming down your face
When you lose something you can't replace
When you love someone but it goes to waste
Could it be worst?

Lights will guide you home,
And ignite your bones,
And I will try to fix you,

High up above or down below
When you're too in love to let it go
But if you never try you'll never know
Just what you're worth

Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try to fix you

Tears stream down your face
When you lose something you cannot replace
Tears stream down on your face
And I will try to fix you

Aumentem esse volume!!!

... e afastem as cadeiras e chamem os amigos e dancem e percebam porque é que o Bruce ainda é o Boss!!!

É o patrão Springsteen ao vivo em Dublin com "Pay Me My Money Down"... e vejam o final, brilhante!
Com um abraço para o Nuno Matos e com muita pena para as bandas portuguesas mas... quem sabe, sabe.

E pronto, agora sosseguem e relembrem o melhor momento do Live8, pelas mãos de Annie Lennox:

Nota de rodapé

Não sabia que o casal McCann este ano tinha ido passar férias a Huelva.