Depois da loucura que foi(embora ainda não tenha sossegado completamente) o arranque de Factor M, programa que estou a produzir com a MediaLuso, finalmente arranjei um tempo para regressar ao blog: abri as janelas, deixei arejar e limpei o pó.
Tenho vindo a constatar ultimamente o fenómeno popularmente conhecido como "envelhecer". Não é que me sinta velho, mas sim mais velho.
O que é claramente diferente - se não sabes a diferença, é porque ainda és muito novo.
Sintomas básicos de que estamos a envelhecer? Aqui seguem alguns.
- apercebes-te finalmente da importância vital de coisas como manjericão fresco, a ramagem de uma planta doméstica e a largura do bocal de um copo de vinho tinto;
- deixas de ter paciência para pessoas que começam um diálogo com a frase "Eu sou uma pessoa que...". O que te define são os teus actos e as tuas considerações sobre o mundo que te é externo, nunca interno, porque és sempre o maior suspeito na auto-análise;
- quando a importância de possuir um livro dispensa explicações;
- compreendes que a maior sensualidade está no que não se diz, não se faz ou não se mostra;
- preferes estar sozinho do que mal-acompanhado, sendo que estar mal-acompanhado ganhou de repente um sentido muito lato;
- aceitas como indiscutível que um amigo demora tanto ou mais tempo a macerar que um verdadeiro molho picante;
- dás por ti a aguardar que as coisas sigam o rumo inevitável;
- passas a acreditar menos nos novos talentos e a admirar muito mais os velhos clássicos;
- consegues identificar pelo menos 5 detalhes plagiados em qualquer novo single na rádio, ou filme em estreia, ou livro de escaparate, ou colega de trabalho;
- descobres finalmente que "o verdadeiro prazer está no percurso e raramente no objectivo"; e que, durante todos estes anos em que defendias esta máxima, não fazias a mais pequena ideia do que realmente queria dizer;
- eleges a metáfora como tua melhor amiga;
- encontras um sentido para a vida: em frente.