Existem poucas notícias que me fazem suspirar de ansiedade e contentamento, e esta é uma delas.
A Wired Magazine, uma das mais importantes e reconhecidas publicações sobre new-media deste planeta, teve coragem para preencher as bancas com uma primeira página dedicada ao ateísmo.

Não é a primeira vez que um meio de comunicação social de prestígio fala disso, claro que não, já o New York Times, o Le Monde e outros publicaram reportagens sobre o movimento (sim, é um movimento), mas desta vez a coisa leva uma roupagem mais assumidamente séria, menos sensacionalista, menos circus-freak.
A reportagem incide sobre três dos grandes pensadores-activistas norte-americanos da actualidade.
O primeiro, como não poderia deixar de ser, é Richard Dawkins, 65 anos, provavelmente o farol intelectual do movimento ateu. Autor de vários livros, incluindo a sua obra-prima "The Selfish Gene", Richard foi dos primeiros no século passado a avançar com argumentos científica e socialmente estruturados e a ser respeitado a nível internacional. A sua postura é tudo, menos pacífica. Estamos a falar de um homem que não só defende a não-crença como também a eliminação da crença. Deus é uma ilusão, a religião é uma doença e estamos a caminhar para o caos. É dose. Saibam mais sobre Dawkins neste artigo, ou então pesquisem. Referências no Google não faltam.
Outro nome na lista, que a mim me surpreendeu pelo facto de ser um dos mais novos neste ramo, é um dos meus favoritos: Sam Harris. Li quase por acidente o seu "The End of Faith", que comprei numa Fnac por pura empatia com a capa (admito) e fiquei zonzo. Zonzo com a sua capacidade de sintetizar e estruturar um pensamento complexo e interligado. Com 39 anos, este rapaz defende muito bem a teoria de que a religião (toda e todas) é, na sua essência, o alicerce do mal. Ou seja, que a única forma de criarmos um mundo livre e pacífico é eliminando a crença e a religião baseada em mitos. Não pensem que o faz de forma simpática: o tipo ataca o islão e o cristianismo como quem vai à caça. Saibam mais sobre Harris no seu site.
O outro nome focado pela Wired é o deste senhor, Daniel Dennet, na minha opinião um dos melhores intelectuais do planeta. O aspecto de Pai Natal conjuga-se com a sua posição - ele é o ateu integrador, que não considera a fé como um cancro mas como algo que pode ser intelectualizado e transformado num mecanismo propulsor da nossa sociedade. Espreitem e investiguem.
Porquê falar disto no meu blog?
Porque é preciso. Porque, neste país de brandos costumes, estamos a ser invadidos por hordas de novos vikings disfarçados de brasileiros com seitas religiosas que estão a conquistar espaço, a dominar canais de televisão e armazéns graças à falta de estrutura e consistência espiritual do nosso povo.
Porque é hora de pensarmos na humanidade e largarmos mitos.
Porque a onda já está em marcha.
Voltaremos a falar disto.